Está quente, muito quente. Entre as onze da manhã e as seis da tarde é quase impossível não vegetar debaixo de um ar condicionado a todo o vapor. As ruas estão fechadas, as lojas vazias, ninguém se atreve. Em Yazd, tal como em toda esta região desértica. É Junho, vem aí Julho e Agosto, vai piorar. Nem quero imaginar. Por ora, aproveitam-se as horas menos sufocantes, quando os termómetros baixam, condescendentes, dos quarenta graus. É quando Yazd mostra, ainda que timidamente, a sua face de princesa. Yazd é uma cidade magnífica. Linda mas sossegada e pouco exuberante. Para se ir descobrindo. O centro histórico é povoado de casas de cor de terra, feitas de terra, com cheiro a terra, gente da terra, poucos turistas. E palha. Tal como em Kashan e Garmeth. Um labirinto de ruelas com pouca gente, conservadora, muita alma. Um bazar curioso. Tâmaras, melancias, meloas. Os badgirs nos topos das casas, sistemas de refrigeração ancestrais inventados para tornar a cálida Yazd minimamente habitável. O refrescante Museu da Água. E as "Torres do Silêncio" utilizados nos ritos fúnebres dos seguidores de Zaratrusta, onde os corpos sem vida eram deixados ao ar livre para serem decompostos naturalmente (evitava-se poluir o solo não se enterrando os mortos e o ar não os cremando). Parece pouco. Mas não é. Yazd não tem as atracções urbanas de Esfahan, mas alberga em contrapartida o mais famoso entre os hostels para mochileiros de todo o Irão. Chama-se Silk Road, é daqueles lugares onde apetece ir ficando. E ficando. E ficando. A apreciar os pequenos nadas que fazem de Yazd uma bem-amada princesa do deserto. Prometo voltar com menos calor.
Calor em Yazd
Está quente, muito quente. Entre as onze da manhã e as seis da tarde é quase impossível não vegetar debaixo de um ar condicionado a todo o vapor. As ruas estão fechadas, as lojas vazias, ninguém se atreve. Em Yazd,...





A viagem Do Cairo a Teerão mereceu a publicação de uma série de catorze crónicas na revista FUGAS do jornal Público, aos sábados, entre abril e julho de 2010.
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