
Há dias assim, felizes. Em Baalbek, garantiram-me que não havia transportes públicos para Bcharré, apenas até uma aldeia imediatamente antes da cadeia montanhosa que leva ao vale Qadisha. E era verdade. Cientes disso, os taxistas pediam 50 dólares para fazer o trajecto Baalbek - Bcharré. Demasiado, pensei. Entrei num táxi partilhado até à dita aldeia - a partir daí, algo se haveria de arranjar. Comprei bananas e sentei-me na berma da estrada a comer, relaxado. Estava bem disposto e, talvez por não mostrar desconforto, os taxistas deixaram de me fazer propostas ao fim de poucos minutos. As pessoas olhavam com surpresa para as mochilas. Comecei a indagar. Não havia carro algum que tivesse Bcharré como destino. Um homem numa pickup de caixa aberta afirmou que ia até meio caminho uma vez terminados alguns afazeres: “Se ainda estiveres aqui quando terminar, levo-te até lá”. Não era o ideal, mas ficaria bem mais perto de Bcharré. O trânsito era escasso. Os carros que passavam na rua principal continuavam a não ir para Bcharré. Até que uma carrinha de 13 lugares, com sete militares a bordo, parou ao meu sinal: “Bcharré?” “Yes, come”. A viagem foi feita em ambiente de galhofa, com piadas típicas de ambientes masculinos como o militar. Um deles, casado com uma norte-americana, falava excelente inglês. Era uma espécie de bobo da corte, gracejando com os companheiro, sempre divertido e provocatório (por causa disso, muita porrada apanhou!). Lá fora, à medida que a altitude aumentava, a paisagem foi-se tornando mais inóspita, o ar mais frio e a neve começou a aparecer nas zonas protegidas dos raios de sol. Quando chegámos ao topo da montanha, a estrada chegou a ter uns bons três metros de neve fofa de cada lado. Logo depois, Bcharré apareceu lá em baixo ladeada pelo vale Qadisha, linda, verdejante e sorridente.





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