Diários de viagem De Cabo a Cabo

De Cabo a Cabo

De Cabo a Cabo, uma viagem de Mateus Brandão

De Cabo a Cabo tem por objetivo unir os pontos mais a norte da Europa e mais sul de África, numa viagem em busca das afinidades e multiplicidades dos povos, das suas culturas, crenças e esperanças, das suas singularidades e de como o homem é um ser “pacífico e cooperativo”, como dizia o professor Berger a Paul Theroux durante a sua «Viagem Por África».

Durante 9 meses, irei percorrer 20 países em 3 continentes. Com saída de Santa Maria da Feira, Portugal, a 28 de agosto de 2011, sigo sobre carris rumo ao Cabo Norte, na Noruega, local de partida para o longo caminho descendente que me levará nesta até ao Cabo Agulhas, na África do Sul.

A felicidade, estou certo, irei encontrá-la em cada quilómetro palmilhado. Em cada nova amizade . Em cada sorriso e abraço trocados. Em cada compartimento de comboio, em cada trilho. Na tenda montada nas dunas, com vista sobre o rio ou as montanhas. De cabo a cabo.

DE CABO A CABO - EUROPA

Prólogo da viagem

01. Um prólogo de 6.000 km

Falta menos de uma semana para a partida da grande viagem De Cabo a Cabo. O dia está próximo, mas o tempo é de serenidade. Com um percurso de 6.000 km a efetuar de comboio até ao ponto mais a norte da Europa continental, o prólogo até ao km 0 da viagem será, ele também, uma bela jornada iniciática. Para começar em grande esta odisseia que me levará ao extremo sul do continente africano.

De comboio e à boleia até ao Cabo Norte

02. De comboio e à boleia até ao Cabo Norte

Durante 10 dias percorri 6.000 quilómetros para chegar ao ponto mais norte da Europa. Vários comboios e outras tantas boleias, levaram-me por paisagens deslumbrantes e histórias fascinantes, mostrando o lado afetuoso e solidário das pessoas que se cruzaram no meu caminho. Uma vez no Cabo Norte, a partir de agora será sempre a descer.

Rumo a Sul

03. Rumo a Sul

A bússola aponta para sul. Sinto-me como que uma ave migratória. Para trás ficou o Km 0 mas também o frio e o outono que por ali há muito se instalou, colorindo de amarelos e vermelhos as folhas das árvores, que ao sopro do vento se vão desprendendo e voando, elas também, livremente. Rumo a sul. Ao encontro das paisagens quentes, como uma ave.

Com os pés no Báltico

04. Com os pés no Báltico

Perante os constrangimentos burocráticos de seguir pela Rússia, opto por atravessar o Báltico e seguir pela Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, em busca dos locais que ficaram por conhecer em anterior visita a esses países. Com a companhia de um amigo de longa data, percorro mais de 1.000 km em duas semanas, por locais menos explorados do Báltico. E fazendo ainda mais amigos.

Cama, chá e roupa lavada nos comboios da Ucrânia

05. Cama, chá e roupa lavada nos comboios da Ucrânia

Durante três semanas, percorri a Ucrânia de lés a lés, um país que tem uma das maiores redes ferroviárias do mundo. O comboio é, pois, o meio de transporte por excelência, sendo possível calcorrear todo o país montado numa dessas carruagens de estilo soviético, bebendo chá de olhos postos na paisagem ucraniana.

Das estações monumentais às montanhas majestosas

06. Das estações monumentais às montanhas majestosas

Para lá do deslumbre pela arquitetura das estações, o encanto pelas paisagens que o comboio percorre faz valer qualquer viagem. Vi estações colossais e percorri pontes e túneis em linhas sinuosas pelas mais belas montanhas da Ucrânia.

Na Memória do Expresso do Oriente

07. Na Memória do Expresso do Oriente

Depois de alguns dias de “férias” em Budapeste e Veneza, estou de regresso aos carris descendo montanhas na Bulgária e procurando pelas memórias do mítico Orient Express, entre os encantos de Istambul.

Da Turquia ao Egito por um atalho no Mediterrâneo

08. Da Turquia ao Egito por um atalho no Mediterrâneo

Desço ao sul da Turquia para procurar contornar pelo Chipre e por Israel sem que tenha de voar, mas encontrar um barco que ligue os dois países revela-se uma missão impossível. Voo até Israel e num pulinho ponho-me na Jordânia, rumando a sul até às portas de África.

Das Areias do Deserto a um Mar de Coral

09. Das Areias do Deserto a um Mar de Coral

Os dias na Jordânia terminam sobre as areias vermelhas do magnífico deserto do Wadi Rum. O barco que me levará ao Egito, carrega mais esperança do que simplesmente passageiros e carga e do outro lado do Golfo de Aqaba, um mar de coral espera tranquilamente a sua chegada.

Um Passeio no Oásis

10. Um Passeio no Oásis

Depois de uns dias de descanso em Dahab, rumo ao mítico Monte Sinai antes mesmo de entrar no buliço do Cairo. Até Assuão, o comboio leva-nos às origens do Egito, percorrendo a "linha de vida" de um país de areia, num passeio pelo oásis.

Simplesmente... Sudão

11. Simplesmente... Sudão

O melhor de qualquer viagem, são as pessoas. Para lá da vastidão dos desertos, do colorido dos mercados ou da quietude do oásis que se estende ao longo do Nilo, o Sudão vale essencialmente pela sua gente e pela forma como nos recebe. Paisagens e pessoas fantásticas, num país que é tudo o que as noticias não contam.

Etiópia, Um País de Contrastes

12. Etiópia, Um País de Contrastes

A Etiópia é um país difícil de digerir! Um país que seduz pelas suas paisagens, pela sua história e pela sua forte identidade cultural e religiosa. Mas também um país intrincado, orgulhoso e muitas vezes trapaceiro.

Desilusão na Etiópia

13. Desilusão na Etiópia

Se o pressuposto da viagem são as pessoas, não poder confiar em ninguém é a maior das desilusões. Depois de um Sudão de gente genuinamente simpática e afetuosa, despeço-me com frustração de uma Etiópia que, com tanta aldrabice, me deixa um triste amargo de boca.

A Estrada do Medo

14. A Estrada do Medo

Quatro dias entre Adis Abeba e Mombaça, numa viagem entre o planalto verdejante de plantações de café da Etiópia e as praias de areia branca e água quente da costa do Indico. Quatro dias por algumas das estradas mais inacessíveis, difíceis e sinistras do leste de África.

Kilimanjaro Express

15. Kilimanjaro Express

Quase 2.000 Km e mais de 50 horas de viagem entre Dar es Saalam e Kapiri Mposhi, atravessando o vale do Rift, serpenteando montanhas, cruzando rios que correm no alto das suas pontes e percorrendo aldeias perdidas na imensidão da savana. Uma viagem de comboio pela linha que é o cordão umbilical da Zâmbia ao mar.

Svakopmund

16. O Comboio do Deserto e Umas Quantas Boleias

A entrada na Namíbia marca o fim de uma África autêntica, rústica e apaixonante. É um prelúdio de casa. Um sentimento incomodo de férias. Um país deslumbrante de areias intermináveis de um laranja inigualável que sopram em direção a sul, apontando-me o caminho até à última fronteira desta viagem.

Cidade do Cabo

17. O Anti-Clímax do Fim

De Cabo a Cabo chegou ao seu destino. Foram sete meses de longa viagem, de lugares fantásticos, viagens míticas e encontros eternos. O Cabo Agulhas ficou por atingir, mas o que são 230Km em 25 mil? A Cidade do Cabo abraçou o meu regresso como eu abraçaria um continente inteiro se pudesse. África é já parte de mim.