Eu fui Bolívia

Chacaltaya

Chacaltaya, na Bolívia, é uma montanha simbólica por duas razões. Além de acolher a mais alta estação de esqui do mundo, o desaparecimento recente do seu milenar glaciar assinala bem as consequências do fenómeno de aquecimento global do planeta.

26.01.2012 - 15:25 | Por Humberto Lopes | comentários (0)

Apesar da altitude - 5.400 metros acima do nível do mar - chega-se lá sem muita dificuldade. Localizada em pleno Altiplano boliviano, na Cordilheira Real, Chacaltaya está ao alcance de uma expedição de apenas uma dia, a partir da capital da Bolívia, La Paz, que se situa a cerca de trinta quilómetros.

A expedição pode ser contratada com um dos muitos operadores de ecoturismo da capital - na Calle Sagárnaga, por exemplo, há uma série de agências especializadas neste tipo de programas, em trekkings na cordilheira ou em viagens à região amazónica boliviana. Convém estar em boa forma física e ter descansado alguns dias antes de subir a Chacaltaya, ainda que a estadia no pico seja normalmente breve. A mais de cinco mil metros é muito significativa a rarefação de oxigénio, e a diferença de altitude relativamente a altitude de La Paz é de quase dois mil metros - que são percorridos num espaço de tempo relativamente curto. Há toda a vantagem, portanto, em assegurar alguns dias de aclimatação.

A subida é feita de jipe, seguindo um trilho estreito que ziguezagueia pela montanha, até à altitude de 5300 metros, onde se situa a base da estação de esqui - que passa por ser a mais alta do mundo e também, diz-se, a mais perigosa. O verão andino, entre Janeiro e Março, é a época em que há maior volume de neve.

A partir da base inicia-se, a pé, o último trecho da subida, cerca de uma centena de metros, um percurso que convém ser feito de forma gradual e que segue sensivelmente por uma crista antes bordejada pelo glaciar. O glaciar de Chacaltaya tinha 18.000 anos e começou a derreter em meados dos anos 80 do século XX. Em 1999 ainda se calculava que pudesse durar pelo menos até 2015, mas o aquecimento acabou por acelerar o processo e em março de 2009 o glaciar foi dado como perdido.

Ao chegarmos ao topo, o panorama é fabuloso, com o rendilhado dos picos nevados da Cordilheira Real a cobrir uma parte do horizonte, mais próximos o Illimani e o Huyana Potosí, ambos elevando-se a mais de seis mil metros. À volta do cume de Chacaltaya, em vales cavados, desenham-se lagoa de cores variadas. Na direção noroeste, a cerca de uma centena de quilómetros, e com tempo claro (durante o inverno andino, sobretudo), é possível avistar a mancha azul do Lago Titicaca.

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O glaciar perdido de Chacaltaya, Bolívia


Monte Chacaltaya, Bolívia

Viajante convidado - globetrotter

Humberto Lopes tem um fascínio por África e pela América Latina. É um viajante especialmente atento à cultura dos povos e à História da Humanidade.


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