UNESCO condena destruição de monumentos religiosos em Tombuctu
A promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI) equiparou a “um crime de guerra” a destruição de monumentos religiosos em Tombuctu, no Mali, cidade com três locais Património Mundial da Humanidade, levada a cabo pelos islamitas do Ansar Din e do Movimento pela Unidade e pela Jihad na África do Oeste, aliados da Al Qaeda.
Os grupos armados aproveitaram o golpe de estado militar de 22 de março, que aconteceu na capital, Bamako, para avançar em todo o norte do país, dominando atualmente a região em detrimento dos rebeldes tuaregues. O seu objetivo é impor a sharia (lei islâmica) em todo o país.
Os islamitas já destruíram sete mausoléus de santos sufi, assim como a entrada da mesquita Sidi Yayia, situada no sul da cidade, que arrancaram com picaretas. A porta sagrada nunca era aberta e Sidi Yayia é uma das três grandes mesquitas de Tombuctu, juntamente com as de Djingareyber e Sankore, verdadeiras joias históricas e arquitetónicas do país.
A cidade de Tombuctu e o Túmulo de Askia foram incluídos na lista de Património Mundial em Perigo a pedido do governo malinês, anunciou a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), considerando que a presença dos grupos armados colocava em perigo a mítica Cidade dos 333 Santos, assim designada pelos personagens venerados cujos túmulos ali se encontram.
Depois de atacar os mausoléus, o Ansar Din ameaçou no último fim de semana destruir todas as mesquitas da cidade, afirmando que agia “em nome de Deus” e em represália pela decisão da UNESCO de inscrever Tombuctu na lista de património em risco.
Num comunicado divulgado durante a reunião em São Petersburgo, o comité da UNESCO "condenou vigorosamente" a destruição dos mausoléus e "pediu ao fim desses atos abomináveis ".
O comité pediu ainda à diretora geral para "criar um fundo especial para ajudar o Mali a conservar o seu património cultural" e enviar "o mais rapidamente possível", uma missão no local para avaliar a dimensão dos danos, indica o comunicado.
A associação de líderes religiosos do Mali também já condenou o que considerou “o crime de Tombuctu”. Segundo a associação, “até o profeta ia visitar os túmulos e os mausoléus. Isto é intolerância”, anunciou num comunicado publicado no domingo.




