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Turismo no Tibete aumenta exponencialmente, riscos também

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Diversos


18.DEZ.2007 - 10:29

Turismo no Tibete aumenta exponencialmente, riscos também


Era, na verdade, uma notícia expectável. Com a construção de uma linha de caminho-de-ferro que liga grandes cidades chinesas a Lhasa, capital do Tibete, aliada à construção de um novo aeroporto na região, o número de turistas que visitam o território tibetano tem vindo a aumentar exponencialmente. Só em 2007, segundo as autoridades chinesas citadas pela BBC Brasil, o turismo no Tibete aumentou 60% quando comparado com o ano transacto. Quando atingirmos o fim de ano, cerca de quatro milhões de pessoas terão visitado o Tibete.

De acordo com o Secretário do Partido Comunista chinês no Tibete, Zhang Qingli, o Tibete encntra-se numa "era dourada" do turismo. Mas há quem questione se esta não é apenas uma forma de abafar a cultura local tibetana, como forma de afastar os desejos de maior autonomia ou independência da "província". Noutra perspectiva, há quem afirme que o turismo de massas é uma ameaça ao Tibete, por questões relacionadas com a preservação do meio ambiente e conservação dos edifícios históricos.

Caio Vilela, colaborador da Folha de São Paulo na área do turismo, garante que Lhasa, a capital do Tibete, é hoje uma cidade "chinesa". "Dos cerca de 300 mil habitantes de Lhasa, a capital da região autónoma do Tibete, menos de um quarto são tibetanos. A grande maioria da população é de origem chinesa". E o crescimento não pára. "Há novas construções por toda a parte, e as fachadas e a organização urbana fariam qualquer um confundi-la com qualquer outra metrópole chinesa, não fosse pelo bairro do Barkor, onde moram as minorias tibetanas e os poucos muçulmanos."

Vilela conta ainda, numa reportagem sobre o Tibete, que uma viajante australiana ficou sete horas na fila, a partir das 4h da manhã, para conseguir um bilhete para visitar o Palácio de Potala, com hora marcada para as 16h20 do dia seguinte. Durante a visita, foi-lhe permitido permanecer um máximo de uma hora no Palácio, sendo tudo visto à pressa e sem independência - restrições "necessárias para acomodar o número de turistas interessados em visitar o palácio", segundo os seguranças do Potala.

Em suma, se há locais no mundo onde o turismo pode ter efeitos verdadeiramente nefastos na cultura de um povo, o Tibete é seguramente um deles. E a China saberá isso melhor que ninguém.

Por FMG | Alma de Viajante

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