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04.AGO.2008 - 22:33
Opinião: JetBlue cobra por almofadas e cobertores
É um fenómeno que começa a atingir contornos até há pouco inimagináveis, este das companhias aéreas cobrarem taxas por todos os serviços e mais alguns, mesmo aqueles tidos como básicos no transporte aéreo. Da bagagem de porão à comida a bordo, do pagamento com cartão de crédito ao entretenimento, de espaço extra para as pernas ao suplementos de combustível e, agora também, as almofadas e cobertores, tudo serve para gerar receitas extraordinárias a expensas dos passageiros.

A mãe da nova política é a companhia aérea norte-americana JetBlue, cuja cobrança pelas almofadas e cobertores é alegadamente uma forma de contrabalançar a alta do preço dos combustíveis e consequente quebra de rentabilidade. Um kit com uma almofada e um cobertor custará sete dólares (mais de quatro euros).
Sem quantificar o impacto desta medida concreta nas contas da transportadora, um responsável da Jet Blue exemplificou afirmando que a companhia espera obter 40 milhões de dólares de receita com uma outra medida recentemente lançada, a de passageiros comprarem lugares com espaço extra para as pernas [de onde se deduz que as filas de lugares estavam demasiado próximas, e que a companhia ao invés de tornar o serviço de melhor qualidade decidiu cobrar para oferecer essa qualidade mínima exigível].
Ainda na JetBlue, uma simples alteração no bilhete custa 100 dólares, mas há muitos outros exemplos recentes, mesmo na Europa (especialmente da irlandesa Ryanair), para ilustrar esta tendência. Alguns deles foram noticiados em Alma de Viajante:
» Ryanair pondera voos sem bagagem de porão
» Ryanair altera embarque prioritário
» Ryanair cobra 4 euros por percurso nos pagamentos com cartão de crédito
Refira-se, a propósito, que o governo da província de Madrid, em Espanha, decidiu colocar várias companhias aéreas em tribunal por cobrarem por serviços que o governo crê deverem fazer parte integrante do serviço de transporte aéreo, como é o caso do pagamento pelo transporte de bagagem de porão.
Falta salientar que o fenómeno da introdução de taxas por serviços antes gratuitos não é exclusivo das low cost, afectando em maior ou menor grau toda a aviação comercial, incluindo muitas companhias de bandeira ditas tradicionais.
Em jeito de conclusão, recordar apenas que no dia em que a Ryanair se estreou em Portugal Michael O’Leary veio ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, para entre outras coisas afirmar, em jeito de elogio ao modelo low cost e antecipando diminuições continuas nos preços dos bilhetes, que "um dia a Ryanair vai pagar aos passageiros para voarem nos seus aviões". O futuro não lhe deu, infelizmente, razão, e os voos das chamadas low cost fazem cada vez menos jus ao nome.
Por FMG | Alma de Viajante
Aviação, Low Costs
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