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16.AGO.2008 - 19:20
Licor Beirão em livro
Lembra-se dos placards com a menina de biquini e do pássaro pousado com a serra da Lousã ao fundo, que convenciam os condutores a reduzir a velocidade nas curvas apertadas de Portugal? E dos slogans Então, o que é que se bebe aqui?, O beirão de quem se gosta! (numa alusão a Salazar) ou A primeira bebida da noite? O chamado licor de Portugal deu origem ao livro Licor Beirão – História e Receitas, de Margarida Pereira-Müller.
Apreciado pelos músicos Rui Reininho, Manuel João Vieira e pelo humorista José Diogo Quintela (os dois últimos fizeram até publicidade como entrevistador e forcado), o néctar de cor topázio e sabor exótico doce é ideal como digestivo ou cocktail, sendo até usado para fazer caipirinha, entre outras receitas que o livro sugere. Produz-se dois milhões de garrafas por ano da bebida.
Conta a história que no fim do século XIX o caixeiro-viajante portuense Luís de Pinho, que vendia vinho do Porto pelo país, parou na farmácia Serrano na vila de Lousã, nas Beiras, e apaixonou-se pela filha do dono, Raquel, com quem casaria. Ali fazia-se um licor natural, qual elixir medicinal ancestral. Surgiu a fábrica Beirão, que teria que ser vendida em 1940, na crise da II Guerra Mundial.
Felizmente passou para José Carranca Redondo, que aos 24 anos investiu os 11 contos de reis de poupança pela casa e pelos segredos. Dedicou-se ao mester de corpo e alma e a sua esposa fabricava o néctar. A empresa permanece, quase 80 anos depois, através do filho José Redondo e os netos Daniela e Ricardo.
A qualidade do licor Beirão já lhe concedeu prémios mundiais, dois deles no Superbrands. Há até comunidades virtuais de fãs, como no Hi5.
Por NP | Alma de Viajante
Gastronomia, Portugal
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