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05.SET.2008 - 19:10
Cidadãos fazem visitas mensais a recantos do noroeste ibérico
Há quase seis anos que dezenas de pessoas juntam-se a cada mês para descobrir os monumentos e recantos do Norte de Portugal e Galiza, Espanha, sobretudo os do Minho. O historiador Eduardo Pires de Oliveira, de Braga, é o "guia espiritual" das visitas, coadjuvado nas explicações por cientistas da Universidade do Minho, como os geólogos Jorge Pamplona e Graciete Tavares.
O projecto iniciou em fins de 2002 pela edição Minho do jornal Público. A rubrica quinzenal Passeio Público chamava o leitor a ver edifícios do barroco e rococó na região. Com o fim súbito da edição em 2004 e uma ida de Pires de Oliveira ao Brasil, foram os participantes a criarem os itinerários. Agora o planeamento é feito em Agosto e divulgado por email mensal.
“A cumplicidade e a amizade cresceram em boa parte graças aos almoços no fim de cada encontro. Pedimos apoio de autarquias e bibliotecas, e às vezes para facilitar, dizíamos que estávamos ligados ao Público”, descreveu à SIM - Revista do Minho, o professor José Faria, de Prado, na recente caminhada pela Geira entre a Portela do Homem e a Mata da Albergaria, que reuniu 68 pessoas e teve piquenique em Lobios.
Na caminhada matinal pela via romana em pleno Parque Nacional Peneda-Gerês viu-se bosques de carvalhos, belas cachoeiras (houve quem mergulhasse) e restos da ponte bimilenar, destruída em 1647 para bloquear o exército espanhol, relatou Pires de Oliveira, que aos 58 anos tem cerca de 150 livros publicados.
O "grupo do Passeio Público" já correu a cividade de Terroso e S. Pedro de Rates (Póvoa de Varzim), Castro Laboreiro (Melgaço), Vilar Formoso e Miranda do Douro, onde se viu águias num passeio de barco. Foi ainda ladeado por historiadores locais em Gaia, Porto, Vila do Conde, Amares e Matosinhos, onde se "estreou" o novo porto de Leixões dois dias antes do primeiro-ministro José Sócrates.
"Adorei o Douro, pelo fundamentalismo ambiental", disse Elisa Miranda, de Vila Verde. "Para grande parte de nós o último sábado do mês é ‘sagrado’. As visitas são cultural e cientificamente diversificadas e o convívio excelente", referiu Edmundo Branco, único profissional do Público convertido aos passeios. Os membros do clã têm em média 45 anos, são licenciados, há ligeiro predomínio de mulheres e vêm de áreas como docência, medicina e engenharia.
A adesão é grátis, mas o grupo não se promove "para não crescer demais" e correr riscos de se tornar "inviável". Pires de Oliveira acha "excepcional" como o grupo se manteve e o incentivou a voltar. “Em 2002, o jornal queria alguém que conhecesse bem o Minho para fazer passeios agradáveis. Nunca imaginei que após estes anos se vivesse tão intensamente este projecto e com um grupo tão unido”, confessou, admitindo que se tiver patrocinador aceita editar as crónicas alusivas que publicou em 2002-04 no Público.
Por NP | Alma de Viajante
Ecoturismo, Pedestrianismo, Portugal
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