VoosCruzeirosHotéisAluguer de carrosSeguro viagens   Logitravel. Cruzeiros ao melhor preço.
Alma de Viajante - Jornalismo de viagens
email:
Viagens e turismo - noticias, jornalismo de viagens
GIF Verão Portugal 120x90

Debate: Cruzeiros continuam a atracar no Haiti


Os luxuosos navios de cruzeiros da Royal Caribbean International continuam a atracar nas praias privadas de Labadee, uma península com resorts de luxo na costa norte do Haiti. Enquanto milhares de haitianos lutam desesperadamente pela sobrevivência ou procuram os seus mortos, os turistas vão a banhos e churrascos. Um escândalo ou a forma de ajudar a população do Haiti? Está instalado o debate.

23.JAN.2010 - 17:59

Debate: Cruzeiros continuam a atracar no Haiti

Enquanto uma boa parte da população do Haiti se debate para sobreviver na sequência do sismo do passado dia 12 de Janeiro, os luxuosos navios de cruzeiros da Royal Caribbean International continuam a atracar nas praias privadas de Labadee, uma península exclusiva na costa norte do Haiti que recebe de braços abertos os endinheirados turistas - maioritariamente americanos - dos cruzeiros. Para uns, é um verdadeiro "escândalo", o exemplo acabado da insensibilidade humana; para outros é uma forma de ajudar a manter empregos e, assim, ajudar a população. Após a divulgação da notícia pelo jornal britânico Guardian, instalou-se a discussão sobre a moralidade das paragens dos navios de cruzeiros no Haiti.

À primeira impressão, a ideia parece repugnante, imoral. Como é possível que três ou quatro mil passageiros desembarquem nos resorts de Labadee para banhos, passeios de jetski e cocktails na praia, aparentemente indiferentes ao sofrimento de um povo que, a algumas dezenas de quilómetros de distância, luta por um gole de água, uma bolacha, um cobertor?

A Royal Caribbean garante que a decisão de "proporcionar uma experiência de férias tão próxima do epicentro de um terramoto" foi objecto de aceso "debate interno". Após conversações com o enviado especial do governo do Haiti nas Nações Unidas, a empresa chegou à conclusão que “Labadee é muito importante para a recuperação do Haiti; centenas de pessoas dependem de Labadee para ganharem a vida; não podemos abandonar o Haiti agora”. Certo é que essa aparente preocupação pelo bem-estar das populações locais nem sempre foi notória, bastando para isso recordar como a empresa abandonou a ilha de Granada nos anos 1990, após as autoridades terem pedido uma modesta taxa para a gestão dos lixos produzidos pelos turistas. Mas “sem isto [os cruzeiros em Labadee], nós não comemos”, dizia um haitiano à agência noticiosa Associated Press. E os cruzeiros continuam a atracar nas praias do Haiti.

A companhia assegura ainda que foram tomadas medidas para tornar a paragem no Haiti uma experiência solidária: “100% dos lucros vão ser doados para o esforço de resgate” e muitos bens de primeira necessidade, provenientes do abastecimento vindo nos cruzeiros, são doados e distribuidos à população carenciada pela organização Food for the Poor, presente no Haiti.

Entretanto, numa atitude em tudo semelhante à da Tailândia aquando do trágico tsunami de 2004, a vizinha República Dominicana, que partilha a ilha de São Domingos (ou ilha Espanhola) com o Haiti, juntou-se ao coro dos que apelam aos turistas para não cancelarem as viagens à República Dominicana, afirmando que os dólares dos turistas são agora mais importantes que nunca.

Entre os turistas dos cruzeiros, a decisão de atracar no Haiti não é consensual. Uns dizem não compreender como é possível alguém “desfrutar da praia, tomar banhos de sol e comer churrascos” enquanto “os corpos de milhares de mortos são empilhados nas ruas de Port-au-Prince” e “milhares de haitianos estão esfomeados”; outros garantem que vão continuar a desfrutar das férias há muito desejadas. Uma passageira do gigantesco navio Independence of the Sea resumiu o dilema numa curta frase: “quase me sinto culpada por aqui [Labadee] estar, mas as pessoas precisam dos empregos, as pessoas precisam de comer”.

Opinião
Não é fácil ter opinião definitiva sobre o assunto. Julgo que dificilmente me conseguiria colocar na pele de um turista que atraca em Labadee, mas nutro simpatia por aqueles que conseguem colocar a emoção de parte e, racionalmente, garantir que o melhor para a população é manter as paragens dos cruzeiros no Haiti (seria provavelmente muito fácil mudar a paragem para um qualquer porto na República Dominicana ou noutra ilha das Caraíbas). Mas talvez Gwyn Topham tenha razão quando escreveu no Guardian: “Devemos aplaudir a Royal Caribbean International por transportar ajuda de emergência para o inferno do Haiti”. O resto, no presente contexto, talvez seja secundário.


Partilhar

Por FMG | Alma de Viajante

Cruzeiros, Diversos

Cruzeiros

» Let's Go Travel nos Rios da Rússia
» Pullmantur retoma cruzeiro Jóias do Atlântico
» Cruzeiros Lisboa/Funchal - Rio de Janeiro em promoção no Nortravel


Mais informações e reserva de cruzeiros

Etiquetascruzeiros,   desastres naturais,   haiti,   labadee,   port-au-prince,   royal caribbean,   sismos,   terramotos


   OUTRAS NOTÍCIAS RECENTES

» United com luz verde para descolar
» Troféu de Orientação de Manteigas, a 11 e 12 de Setembro
» GSVT lança Especial Sicília em Setembro
» Tunísia em destaque de última hora na Abreu
» Voos Portugal - Venezuela a 630 euros
» De Boston a Cayenne, está no ar a campanha Vendas Flash da Air France
» Viajar Tours com promoção para Antalya, na Turquia
» Star Alliance lança Passe Aéreo Brasil



Recomendar Recomendar Alma de Viajante - jornalismo de viagens Definir como homepage Informações sobre novos destinos e fotos de viagem Subscrever newsletter