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Andaluzia, heranças do Al-Andaluz

Palácio de Alhambra, em Granada

Paisagem e herança cultural são duas marcas fortes da Andaluzia. Horizontes infinitos pincelados, por vezes, pelo branco dos campos de algodão, e colinas onduladas com imensas extensões de olival, como na região de Jaén. E as três grandes cidades - Sevilha, Córdova e Granada - que testemunham o esplendor alcançado durante a presença árabe.

Andaluzia, heranças do Al-Andaluz

A Andaluzia é a maior das regiões autónomas de Espanha, mas apesar da sua extensão e da, por vezes, monocórdica paisagem, é também a que maior prazer reserva ao viajante amador de distâncias e horizontes esquivos. E para quem decida meter-se a caminho por estradas secundárias, é uma região onde não falta a constante surpresa de pequenas e médias povoações cheias de carisma.

Bairro de Albaicín, Granada

Bairro de Albaicín, Granada, Andaluzia

Há, obviamente, as grandes cidades a transbordar história, cultura e memória, memória da civilização do Al-Andaluz, derrotada pelas hostes cristãs e empurrada para o outro lado do estreito, a provar que a história nem sempre é amiga da justiça e que os triunfos militares - e outros - não são necessariamente os da maior riqueza civilizacional.

Sevilha, Córdova e Granada são cidades (há outras na Andaluzia) onde sobrevivem magníficos sinais desses tempos de esplendor. O mais visível são edificações ou inspirações urbanísticas que deixaram nas malhas urbanas a marca árabe, mas a cultura e os hábitos andaluzes concentram muitas outras influências dessa presença. São, por essas e outras razões, cidades de forte personalidade e etapas incontornáveis de uma visita à Andaluzia.

Sevilha, solar e frívola

A capital andaluza é uma cidade solar, hedonista. A dimensão monumental, tal como a luz, esplêndida, entra pelos olhos dentro, e essa é a primeira impressão que se colhe ao chegar. Mas Sevilha guarda o seu quinhão de segredos, de pequenos prazeres que não se compadecem, afinal, com visitas fugazes. Ou com olhares de relance, esboçando interpretações em três ou quatro traços imprecisos, sempre com o risco de se passar ao lado do essencial.

Rio Guadalquivir e Torre del Oro, Sevilha

Rio Guadalquivir e Torre del Oro, Sevilha

Quanto à primeira dimensão, a imensa catedral e a torre Giralda, edificada em 1198 como minarete islâmico, os Reais Alcázares, o Arquivo Geral das Índias, a Torre del Oro, as ruínas de Itálica, nos arredores, são exemplo de património histórico, arquitectónico e cultural a visitar e constantes em qualquer guia.

No capítulo dos segredos, há alguns mal guardados. Para uma passagem breve pela cidade, haverá sempre a possibilidade de rondar um ou outro. O histórico bairro da Triana, do outro lado do Guadalquivir, é lugar incontornável na geografia do flamenco.

É um bairro bem carismático, com história e com (muitas) histórias. Ali se resiste aos estragos da modernidade, reinventando-se embora, sabiamente, tradições musicais. Ali “cantaores, bailadores y músicos” mantêm viva a arte do flamenco, num dos seus espaços de eleição. No coração do bairro, vale a pena deambular pela Calle de la Pureza, a Calle Betis e o Callejón de la Inquisición, onde podemos encontrar os emblemáticos pátios andaluzes.

Outra zona da cidade, com menos carisma e história, é certo, mas com encanto suficiente para ocupar vagabundagens de viajante, é o Bairro de Santa Cruz, mesmo por detrás da catedral, espaço que acolhe alguns dos mais concorridos bares de tapeo da cidade.

Qualquer roteiro que se preze obriga o aficionado das tapas a cirandar por outros poisos sevilhanos, mas são as ruelas estreitas e as praças do bairro de Santa Cruz (como o Callejón del Agua), impregnadas do odor das laranjeiras que crescem em breves pátios ocultos, que acabam por estar mais à mão. Uma pista para ir directo à excelência, ou, por outras palavras, aos sabores ratificados pelas mais sábias papilas gustativas andaluzas, dá pelo nome de Casa Román e espera-nos discretamente na Plaza de los Venerables.

Por curiosidade, ainda, o andarilho não encomendará mal a alma e os passos se desandar até ao El Riconcillo, na Calle Gerona. Aí o interesse é um pouco diverso, mas convém saber que esta é uma das tabernas mais antigas de Sevilha, que desde o século XV atende a sede de noctívagos ou de outros bebedores de mais temporã tentação.

Córdova, ornamento do mundo

Córdova, classificada pela UNESCO como Património Mundial desde 1994, é uma cidade substancialmente diferente de Sevilha e o epíteto citado, ao que parece da lavra de uma monja da Saxónia do séc. X, tem menos a ver com uma beleza superficial do que com o acervo de espiritualidade e saberes de que foi berço e cultivadora. Tem, diga-se em abono da verdade, pergaminhos assombrosos.

Córdova, Andaluzia

Córdova, Andaluzia

Já foi a maior e mais importante cidade do Ocidente, por volta da passagem do primeiro milénio, centro de uma cultura (a que floresceu, ao tempo da presença árabe, com o Al-Andaluz) que recuperou Aristóteles da poeira do esquecimento.

E testemunhou uma experiência notável de convivialidade multicultural, cidade onde coabitavam diferentes comunidades culturais e religiosas e que ainda hoje revela bem os sinais dessa dimensão plural no centro histórico, onde podemos repartir os passos entre a judiaria, a mesquita e as igrejas fernandinas.

É de justiça assinalar que a herança do califado de Córdova está longe de se circunscrever à monumentalidade de umas quantas cidades andaluzas. A Europa recebeu da presença islâmica na Península uma valiosíssima herança, materializada num conjunto de saberes que nos chegaram através das mais variadas disciplinas, Filosofia, incluindo Lógica e Matemática, Geometria, Álgebra, Música e Astronomia.

Na visita ao centro histórico, a Mesquita é, naturalmente, o momento mais alto, sem desprimor pelo labirinto da velha judiaria, situada entre o antigo templo islâmico e a Porta de Almodôvar - na judiaria nasceu Maimónides, médico e filósofo que tentou na sua obra arquitectar a ousadia de uma ponte entre a fé e a razão. A Mesquita soma mais de doze séculos de vida e desde o ano de 785 - quando Abd-al-Rahman I, e depois o emir Hisham I, mandaram edificar dez naves com cento e trinta colunas - que o imenso espaço de oração foi objecto de sucessivas ampliações.

Tem actualmente cem metros de lado, dezanove naves perpendiculares e mais de um milhar de colunas. Com a Reconquista, foi convertida em templo cristão e acabaria por sofrer, mais tarde, grave atentado à integridade do primitivo espaço religioso islâmico com o acrescento no seu interior de uma catedral de perfil gótico e barroco.

Granada, do Albaicín à Sierra Nevada

A localização de Granada é das mais privilegiadas: o Mediterrâneo está 70 km e os picos brancos da Sierra Nevada ao alcance da vista. Na montanha, o circuito das aldeias da Alpujarra é um bom complemento de uma estadia urbana no que foi um dos grandes centros culturais do fim da Idade Média e tal como Córdova um espaço exemplar da convivência entre três das maiores religiões do planeta.

Alhambra, Granada

Alhambra, Granada

O conjunto do Alhambra é, bem entendido, o maior ex-líbris da cidade, e o monumento mais representativo do tempo da presença árabe, expoente máximo da última fase da arte hispano-muçulmana e exemplo do paradigma arquitectónico palácio-jardim.

O conjunto de palácios, com os seus numerosos compartimentos ricamente decorados, é obra de vários soberanos árabes, entre os quais Mohammed V, que mandou edificar um dos mais belos pátios do Alhambra, o Patio de los Leones, em torno do qual se repartem quatro magníficas salas: a dos Moçárabes, a dos Abencerrajes, a dos Reis e a de Dos Hermanas, considerada como a mais preciosa de todo o complexo.

Mas Granada é também o Albaicín, o seu bairro mais antigo, que é igualmente um dos espaços urbanos mais marcantes de toda a Andaluzia. Aí sobrevivem os antigos banhos árabes e, recorde-se, muitas das igrejas cristãs do bairro foram erguidas sobre antigas mesquitas. É também quarteirão de lazeres e sede de construtores de guitarras procurados por instrumentistas de muitas latitudes.

O Albaicín está situado justamente diante do Alhambra e guarda fielmente o traçado urbano árabe nas suas ruelas estreitas e inclinadas - são verdadeiramente únicas a Carrera do Darro e a Cuesta de Chapiz. E é a partir de um dos seus mais encantadores recantos, a Plaza de San Nicolás, que podemos entrever uma das mais belas imagens do Alhambra, o palácio recortado sobre o fundo montanhoso da Sierra Nevada.



Plaza de España, Sevilha

Plaza de España, Sevilha

Interior de uma mesquita em Córdova

Interior de uma mesquita em Córdova

Guia de viagens à ANDALUZIA

Este é um guia prático para viagens à região da Andaluzia, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos, os melhores hotéis e sugestões de actividades na região.

Como chegar

COMO CHEGAR À ANDALUZIA

Das três cidades referidas, Sevilha é a mais próxima para os viajantes portugueses. Fica a pouco mais de 300 km de Lisboa e a cerca de 600 do Porto. Para quem viaja a partir do litoral centro/sul português, o melhor percurso passa pela utilização da A1 e da A22 até Vila Real de Santo António. A partir daí, a A49 leva os viajantes até Sevilha. De Sevilha a Córdova e a Granada pode utilizar-se as autovias A4 e A44. O atalho por Jaén abrevia a distância, podendo utilizar-se as A306 e A316, prosseguir depois pela A44.

Onde ficar

ONDE FICAR

A oferta hoteleira é vasta e variada, sendo no entanto indispensável fazer reserva nos mais populares hotéis, especialmente nas épocas festivas. Aqui ficam algumas sugestões hoteleiras:

Sugestão de hotéis em Sevilha: Hotel Silken Al-Andalus Palace, Av. de la Palmera s/n; Hotel Alcázar, Calle Menéndez Pelayo 10; Hotel Hispalis, Av. Andalucía 52.

Sugestão de hotéis em Granada: Hotel Atenas, Gran Via de Colón 38; Hotel Don Juan, Martínez de la Rosa 9

Sugestão de hotéis em Córdova: Hotel Occidental Córdova, Poeta Alonso Bonilla 7; Hotel Averroes, Campo Madre de Dios 38.

Hotéis em Sevilha
Hotéis em Córdova
Hotéis em Granada

Seguro de viagem

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Internet

NA INTERNET

Consulte o site oficial do Turismo da Andaluzia para mais informações e dicas sobre o que fazer na região.