Estrasburgo
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Sede actual do Parlamento Europeu, Estrasburgo foi um dos pólos de difusão das ideias humanistas e nela mergulham também algumas das raízes da condição europeia. É Património Mundial desde 1988. Relato de uma curta viagem a Estrasburgo. |
Por Humberto Lopes | 08.Set.2009 |
ESTRASBURGO, A OUTRA CAPITAL EUROPEIA
Poucas cidades da dimensão de Estrasburgo poderão ser evocadas pelas mesmas tantas razões que a urbe alsaciana nascida nas margens do Reno: relicário de diferentes arquitecturas e urbanismos, burgo regido nos idos medievos por uma constituição que mereceu elogio de Erasmo, cidade universitária, sede de várias instituições europeias, e por aí fora.
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| Edifício do Parlamento Europeu |
Gaulesa e germânica a um tempo, Estrasburgo tem, ainda, mais uns quantos motivos de orgulho. Goethe foi aluno de uma das suas universidades e Gutenberg terá inventado a imprensa durante a sua permanência ali. A cidade foi, enfim, um dos mais importantes pólos europeus de desenvolvimento e difusão das ideias humanistas e da Reforma.
Estrasburgo é uma metrópole tranquila, com todo o ar de capital de província, que se agita, todavia, uma vez por mês, na semana em que o Parlamento Europeu se reúne. Quem planeie conhecer por dentro a instituição, essa semana será a mais indicada; mas vale a pena permanecer uns dias mais na cidade, demora justificada pela oferta museológica, a atmosfera distendida dos cafés e esplanadas da Petite France, os passeios pelos canais, o roteiro monumental revelador de uma arquitectura dual que testemunha uma história dividida entre a Alemanha e a França. E, evidentemente, também por uma diversificada vida cultural para a qual contribuem reconhecidas “instituições” como a Orquestra Filarmónica, o Ensemble des Percussions de Strasbourg e a Ópera Nacional do Reno.
UM PASSEIO PELA HISTÓRIA DE ESTRASBURGO
Até à instalação do Parlamento Europeu em 1992, longa e rica foi a jornada de Estrasburgo, fundamentando a inscrição na lista de Património Mundial da UNESCO em 1988. As margens do Reno estiveram na rota dos romanos e pela Rue du Dôme passaram as legiões de César. A Argentoratum (designação ao tempo do Império Romano) teve os seus momentos áureos dispersos por várias idades, desde os tempos medievais até ao final do século XIX, quando a cidade fez parte do Reich e o espaço urbano se avolumou com uma arquitectura cénica e ecléctica. Esse “período alemão” está representado pelo Palácio do Reno ou pela arquitectura e urbanismo das praças da Universidade ou da República.
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| Centro histórico de Estrasburgo |
Uma boa parte da arquitectura mais interessante de Estrasburgo vem do século XVIII, do tempo que se seguiu à incorporação da cidade no território francês - o magnífico Palácio Rohan, que acolhe três museus (Artes Decorativas, Arqueológico e Belas Artes), e cujo traço tem a assinatura do “autor” de Versalhes, é o mais expressivo. Mas é da Renascença, e dos séculos XVI e XVII, que data o “visual” arquitectónico mais emblemático de Estrasburgo, ou mais explorado pela promoção turística: edifícios como a Câmara do Comércio, na Praça Gutenberg, as casas burguesas da Praça St. Etienne e as típicas construções em tabique do quarteirão da Petite France.
No capítulo das manifestações arquitectónicas mais interessantes, não se poderá esquecer a casa Kammerzel, mesmo ao lado da catedral, com a sua fachada de madeira, repleta de figuras (e outros motivos esculpidos em madeira) e de frisos de vitrais. É, com a catedral, a Petite France e as torres medievais das velhas pontes cobertas, um dos ex-líbris mais repetidos da capital alsaciana.
Esta sugestão de um breve roteiro por Estrasburgo termina com uma referência à catedral, um prodígio que combina gigantismo e delicadeza - disse-o Victor Hugo. A torre, com 142 metros de altura, ergue-se de forma impressionante sobre os telhados da cidade: este templo foi até ao século XIX o edifício cristão mais alto, uma manifestação superlativa da que é, afinal, uma das características centrais do gótico. Iniciada a sua construção em 1176, só trezentos anos depois foi dada como concluída. O trabalho de um grupo de artistas que chegou em 1225 vindo de Chartres foi decisivo para a riqueza escultórica que a distingue. A nave principal, inspirada na de Saint-Denis, na capital francesa, conserva parte dos vitrais originais.
Singular é também o relógio astronómico, testemunho e herança do movimento da Reforma. Inactivo desde 1789, foi reabilitado em meados do século XIX e o planetário de Copérnico adicionado é bem um símbolo, afinal, de uma parte das raízes em que mergulha a condição europeia e que em Estrasburgo, como se pode constatar neste passeio repleto de referências históricas, têm significativa representação.
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| Catedral de Estrasburgo |
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| Vista da Petite France, nas margens do Reno |
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GUIA DE VIAGENS
QUANDO VIAJAR PARA ESTRASBURGO
Entre Maio e Setembro é o período mais agradável para a viagem, descontando o facto de durante o Verão a afluência turística ser maior.
COMO CHEGAR A ESTRASBURGO
HOTÉIS EM ESTRASBURGO
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Perto da estação do TGV, o Grand Hôtel é uma opção com boa relação qualidade-preço (Place de la Gare 12). Com qualidade semelhante e preços um pouco inferiores, o Quality Suites Victoria Garden fica relativamente perto do centro histórico (Rue des Magasins 11). Junto ao quarteirão histórico da Petit France, o pequeno Aux Trois Roses tem um ambiente um pouco mais familiar (Rue de Zurich 7; e-mail: info@hotel3roses-strasbourg.com).
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Pesquisa e reservas em Hotelopia: Hotéis Estrasburgo |
O QUE VISITAR
Estrasburgo acolhe várias instituições da União Europeia, entre as quais o Parlamento Europeu, Conselho da Europa e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Parlamento reúne uma vez por mês durante uma semana e é divulgada antecipadamente a agenda das sessões, sempre actualizada com temas de última hora. A instituição disponibiliza visitas guiadas e é possível assistir ao plenário.
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| Petite France, em Estrasburgo |
A Petite France, antigo quarteirão de ofícios medievais agora transfigurado em cenário turístico, é também visita indispensável em Estrasburgo. Entre os museus, o destaque vai para o Museu Alsaciano, uma colecção etnográfica de arte popular, mobiliário tradicional e brinquedos, o Museu da Obra de Notre-Dame (acervo de obras-primas de estatuária medieval), o Museu de Belas Artes (Giotto, Boticcelli, Raphael, El Greco, Rubens, Canaletto e Delacroix, entre outros) e o Museu de Arte Moderna e Contemporânea (Monet, Picasso, Arp, etc). Um museu dedicado ao chocolate, um mercado de livros (na Praça de Gutenberg) e outros mercados semanais podem preencher diferentes interesses.
RESTAURANTES EM ESTRASBURGO
Ambos os endereços referem-se a restaurantes de gastronomia oriunda da Alsácia e ficam localizados em pleno centro histórico: Restaurante L'Ami Schutz, Pont Couverts 1, e Maison Kammerzel, Place de la Cathédrale 16. A Maison Kammerzel fica ao lado da Catedral, num edifício com raízes no século XV e decoração renascentista.
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