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Estrasburgo, a outra capital europeia

Estrasburgo

Sede actual do Parlamento Europeu, Estrasburgo foi um dos pólos de difusão das ideias humanistas e nela mergulham também algumas das raízes da condição europeia. É Património Mundial desde 1988. Relato de uma curta viagem a Estrasburgo.

A Estrasburgo de Goethe e Gutenberg

Poucas cidades da dimensão de Estrasburgo poderão ser evocadas pelas mesmas tantas razões que a urbe alsaciana nascida nas margens do Reno: relicário de diferentes arquitecturas e urbanismos, burgo regido nos idos medievos por uma constituição que mereceu elogio de Erasmo, cidade universitária, sede de várias instituições europeias, e por aí fora.

Edifício do Parlamento Europeu

Edifício do Parlamento Europeu

Gaulesa e germânica a um tempo, Estrasburgo tem, ainda, mais uns quantos motivos de orgulho. Goethe foi aluno de uma das suas universidades e Gutenberg terá inventado a imprensa durante a sua permanência ali. A cidade foi, enfim, um dos mais importantes pólos europeus de desenvolvimento e difusão das ideias humanistas e da Reforma.

Estrasburgo é uma metrópole tranquila, com todo o ar de capital de província, que se agita, todavia, uma vez por mês, na semana em que o Parlamento Europeu se reúne.

Quem planeie conhecer por dentro a instituição, essa semana será a mais indicada; mas vale a pena permanecer uns dias mais na cidade, demora justificada pela oferta museológica, a atmosfera distendida dos cafés e esplanadas da Petite France, os passeios pelos canais, o roteiro monumental revelador de uma arquitectura dual que testemunha uma história dividida entre a Alemanha e a França.

E, evidentemente, também por uma diversificada vida cultural para a qual contribuem reconhecidas “instituições” como a Orquestra Filarmónica, o Ensemble des Percussions de Strasbourg e a Ópera Nacional do Reno.

Um passeio pela história de Estrasburgo

Até à instalação do Parlamento Europeu em 1992, longa e rica foi a jornada de Estrasburgo, fundamentando a inscrição na lista de Património Mundial da UNESCO em 1988. As margens do Reno estiveram na rota dos romanos e pela Rue du Dôme passaram as legiões de César.

Centro histórico de Estrasburgo

Centro histórico de Estrasburgo

A Argentoratum (designação ao tempo do Império Romano) teve os seus momentos áureos dispersos por várias idades, desde os tempos medievais até ao final do século XIX, quando a cidade fez parte do Reich e o espaço urbano se avolumou com uma arquitectura cénica e ecléctica. Esse “período alemão” está representado pelo Palácio do Reno ou pela arquitectura e urbanismo das praças da Universidade ou da República.

Uma boa parte da arquitectura mais interessante de Estrasburgo vem do século XVIII, do tempo que se seguiu à incorporação da cidade no território francês - o magnífico Palácio Rohan, que acolhe três museus (Artes Decorativas, Arqueológico e Belas Artes), e cujo traço tem a assinatura do “autor” de Versalhes, é o mais expressivo.

Mas é da Renascença, e dos séculos XVI e XVII, que data o “visual” arquitectónico mais emblemático de Estrasburgo, ou mais explorado pela promoção turística: edifícios como a Câmara do Comércio, na Praça Gutenberg, as casas burguesas da Praça St. Etienne e as típicas construções em tabique do quarteirão da Petite France.

No capítulo das manifestações arquitectónicas mais interessantes, não se poderá esquecer a casa Kammerzel, mesmo ao lado da catedral, com a sua fachada de madeira, repleta de figuras (e outros motivos esculpidos em madeira) e de frisos de vitrais. É, com a catedral, a Petite France e as torres medievais das velhas pontes cobertas, um dos ex-líbris mais repetidos da capital alsaciana.

Petite France, em Estrasburgo

Petite France, em Estrasburgo

Esta sugestão de um breve roteiro por Estrasburgo termina com uma referência à catedral, um prodígio que combina gigantismo e delicadeza - disse-o Victor Hugo. A torre, com 142 metros de altura, ergue-se de forma impressionante sobre os telhados da cidade: este templo foi até ao século XIX o edifício cristão mais alto, uma manifestação superlativa da que é, afinal, uma das características centrais do gótico.

Iniciada a sua construção em 1176, só trezentos anos depois foi dada como concluída. O trabalho de um grupo de artistas que chegou em 1225 vindo de Chartres foi decisivo para a riqueza escultórica que a distingue. A nave principal, inspirada na de Saint-Denis, na capital francesa, conserva parte dos vitrais originais.

Singular é também o relógio astronómico, testemunho e herança do movimento da Reforma. Inactivo desde 1789, foi reabilitado em meados do século XIX e o planetário de Copérnico adicionado é bem um símbolo, afinal, de uma parte das raízes em que mergulha a condição europeia e que em Estrasburgo, como se pode constatar neste passeio repleto de referências históricas, têm significativa representação.



Catedral de Estrasburgo

Catedral de Estrasburgo

Vista da Petite France, nas margens do Reno

Vista da Petite France, nas margens do Reno

TURISMO EM ESTRASBURGO

Este é um guia prático para viagens de turismo a Estrasburgo, em França, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar e sugestões de actividades na região.

Quando ir

QUANDO IR

Entre Maio e Setembro é o período mais agradável para a viagem, descontando o facto de durante o Verão a afluência turística ser maior.

Como chegar

COMO CHEGAR

A Air France oferece voos directos entre Lisboa e Estrasburgo. A Lufthansa propõe como alternativa voos de Portugal para Frankfurt, com o trajecto daí para Estrasburgo em autocarro de turismo.

Onde ficar

ONDE FICAR

Perto da estação do TGV, o Grand Hôtel é uma opção com boa relação qualidade-preço (Place de la Gare 12). Com qualidade semelhante e preços um pouco inferiores, o Quality Suites Victoria Garden fica relativamente perto do centro histórico (Rue des Magasins 11). Junto ao quarteirão histórico da Petit France, o pequeno Aux Trois Roses tem um ambiente um pouco mais familiar (Rue de Zurich 7; e-mail: info@hotel3roses-strasbourg.com).

Hotéis em Estrasburgo

Gastronomia

RESTAURANTES EM ESTRASBURGO

Ambos os endereços referem-se a restaurantes de gastronomia oriunda da Alsácia e ficam localizados em pleno centro histórico: Restaurante L'Ami Schutz, Pont Couverts 1, e Maison Kammerzel, Place de la Cathédrale 16. A Maison Kammerzel fica ao lado da Catedral, num edifício com raízes no século XV e decoração renascentista.

O que visitar

O QUE VISITAR EM ESTRASBURGO

Estrasburgo acolhe várias instituições da União Europeia, entre as quais o Parlamento Europeu, Conselho da Europa e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Parlamento reúne uma vez por mês durante uma semana e é divulgada antecipadamente a agenda das sessões, sempre actualizada com temas de última hora. A instituição disponibiliza visitas guiadas e é possível assistir ao plenário.

A Petite France, antigo quarteirão de ofícios medievais agora transfigurado em cenário turístico, é também visita indispensável em Estrasburgo. Entre os museus, o destaque vai para o Museu Alsaciano, uma colecção etnográfica de arte popular, mobiliário tradicional e brinquedos, o Museu da Obra de Notre-Dame (acervo de obras-primas de estatuária medieval), o Museu de Belas Artes (Giotto, Boticcelli, Raphael, El Greco, Rubens, Canaletto e Delacroix, entre outros) e o Museu de Arte Moderna e Contemporânea (Monet, Picasso, Arp, etc). Um museu dedicado ao chocolate, um mercado de livros (na Praça de Gutenberg) e outros mercados semanais podem preencher diferentes interesses.

Informações úteis

MAIS INFORMAÇÕES

Em quase todas as localidades da Estrasburgo existem postos de turismo com vasta e muito bem organizada informação.

Seguro de viagem

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