Praia do Zongoene, Moçambique
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Recanto predilecto de gente abastada e expatriados residentes em Maputo, o Zongoene Lodge desponta como alternativa à mais concorrida lagoa do Bilene para escapadas a partir da cidade grande. Um éden em Moçambique que merece o esforço exigido por cada quilómetro da dura estrada de terra batida que leva à praia do Zongoene. |
Por Filipe Morato Gomes | 03.Nov.2008 |
O MOÇAMBIQUE DOS SORRISOS
Era manhã cedo quando desembarquei em Maputo. A essa hora, estava longe de antever que me haveria de enamorar por uma praia idílica próximo de Xai-Xai, a Norte de Maputo, que conheci assim que abandonei a capital. O seu nome? Zongoene. Mas vamos por partes.
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| Pescadores na praia do Zongoene, Moçambique |
Tomado o merecido chuveiro após uma noite passada num autocarro a abarrotar e um par de horas aguardando um carimbo na fronteira, fiz-me às avenidas de Maputo e não tardou a ficar com a nítida sensação de ser uma terra de fortes contrastes, onde se vive uma espécie de caos organizado em que nada parece funcionar mas tudo se ajeita, com ruas a lembrar queijos suíços e trânsito desordenado em que se misturam ferro-velho sobre rodas com jipes de alta cilindrada e vidros escurecidos. Fica-se, também, com a impressão de não ser uma cidade que desperte no viajante uma paixão assolapada - daquelas à primeira vista que turvam a razão -, mas de ser antes um lugar que precisa de tempo, que requer conquistas diárias e compreensão mútua mas depois alimenta romances longos e duradouros com os forasteiros.
As primeiras impressões em Maputo, está bem de ver, podem frustrar parcialmente expectativas demasiado optimistas. Mas há na capital moçambicana coisas verdadeiramente interessantes que saltam à vista do viajante mais desatento e que merecem ser apreciadas com inegável prazer. Como o jazz ao vivo do eclético Gil Vicente Café Bar, a música das tardes de domingo no popular Núcleo de Arte acompanhando uma Laurentina gelada, a imponente fachada da estação de caminho-de-ferro gizada a ferro pela pena de Gustav Eiffel ou a aldeia de pescadores de Catembe, um lugar acolhedor sem ser bonito, com as suas básicas casas de madeira e as praias a clamar por limpeza, que fica do outro lado da baía de Maputo. Ou ainda o bulício da Avenida Marginal, onde tudo acontece, ou o popularíssimo mercado do peixe, nome informal para um mercado de mil pregões, variadas espécies piscícolas, muita amêijoa, camarão-tigre e as omnipresentes lagostas, tudo rodeado de restaurantes de ar duvidoso que preparam a pescaria na hora.
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| Vista da praia do Bilene, a Norte de Maputo, Moçambique |
Há coisas verdadeiramente interessantes em Maputo, dizia. Mas para onde poderão ir os habitantes de Maputo quando querem relaxar, consolar a vista e retemperar energias?, pensei (eu que sempre preferi locais pequenos às grandes cidades; aldeias perdidas nas florestas, uma casa sobre estacas ou um bungalow na praia em vez de um apartamento com vista para o asfalto). Procurava a resposta em algum lugar que fosse bom mas recatado, porventura pouco divulgado e de acesso difícil, talvez para Norte, uma praia, um projecto de ecoturismo, algo que fosse um deleite sensorial, que tivesse infra-estruturas de qualidade e ficasse a aceitável distância da capital Maputo. Sabia da existência das excelsas praias da Ponta do Sol e da chamada Reserva de Elefantes, ambas no extremo Sul do país, mas não era bem isso que procurava. Onde ficaria um lugar assim? Obtive a resposta à mesa de um café, em jeito de pergunta: “Porque o senhor não vai ao Zongoene?”
A CAMINHO DO BILENE
Saída de Maputo. A viagem num jeep de tracção às quatro rodas começou com trânsito infernal, buzinadelas ecoando nos tímpanos, fumaradas de cano de escape a entrarem pela janela aberta, chapas efectuando manobras imprevistas, o caos normal de uma grande cidade. Só quando a malha urbana ficou para trás é que a calma regressou ao interior da viatura e, aí sim, teve início o verdadeiro prazer. A começar pelas paisagens, pelo cheiro a terra depois de uma chuvada, pelas pessoas que se nos foram cruzando no caminho, parando e conversando. Como um vendedor de caju, cujo nome não cheguei a saber, que apresentava a mercadoria de forma espampanante na estrada nacional a caminho do Bilene.
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| Sorriso de Moçambique |
O Bilene e a sua concorrida praia na lagoa Uembje - com direito a “gaivotas” e motos de água para desfrute do veraneante, restaurantes de renome e muitas habitações para arrendar aos forasteiros - é, por assim dizer, local de peregrinação nos tempos livres dos oriundos de Maputo. Mas o objectivo da jornada ficava mais a Norte e foi precisamente depois de passar o Bilene que a viagem ficou mais interessante. Aí, assim que se deixa a estrada nacional e se entra no troço de areia e terra a caminho do Zongoene, penetra-se num Moçambique verdadeiramente atraente, seguramente mais pobre mas de gente genuinamente afável e hospitaleira. São apenas 36 quilómetros nessa estrada rumo ao oceano, mas tão bela que apetece cometer enganos propositados nas direcções a seguir, para dar de frente com outras aldeias de cubatas, outros olhares sorridentes, mais anciães respeitosos, mais Moçambique. É num estado de levitação emocional que então se chega à praia do Zongoene!
ZONGOENE LODGE, OBRA-PRIMA DO ECOTURISMO MOÇAMBICANO
Localizado junto à foz do rio Limpopo, a pouco mais de 225 quilómetros de Maputo, o Zongoene Lodge é um retiro ideal para uma escapada de fim-de-semana a partir da capital moçambicana, e um excelente local de paragem para os viajantes que se desloquem de Maputo para Norte, em direcção a Inhambane ou à cidade da Beira. Oferece bungalows perfeitamente integrados no ambiente envolvente de dunas e palmeiras, que propiciam calma e tranquilidade numa atmosfera luxuosa, familiar e descontraída. Estão decorados com elegância e bom gosto, beneficiando de influências da cultura moçambicana e do conforto e requinte portugueses, junto a uma praia que complementa o local de forma quase perfeita.
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| Bungalow do Zongoene Lodge, ecoturismo na praia do Zongoene |
Uma praia idílica, isolada, de areia fina e água tépida, frequentada apenas por pescadores artesanais e pouquíssimos visitantes. Os pescadores aproveitavam os baixios formados após a preia-mar, que deixavam milhares de pequenos peixes aprisionados em lagoas temporárias, para lançar as ruas redes circulares. Quanto aos visitantes, faziam pouco mais que relaxar, passear e deixar-se perder pelo imenso areal de Zongoene. Por opção, naturalmente, até porque é importante saber que o Zongoene Logde dispõe de um sem número de actividades capazes de agradar aos seus hóspedes mais activos. Entre essas propostas contam-se cruzeiros no rio Limpopo para assistir a um irrepreensível pôr-do-sol, passeios de canoa, pesca desportiva, observação de pássaros, passeios em quad bikes, percursos pedestres nas dunas e florestas envolventes, uma visita ao farol Monte Belo - que fica nas imediações e oferece uma das melhores vistas sobre o estuário do Limpopo - ou um safari até à lagoa do Bilene, em veículo 4x4, com paragem em pequenas aldeias povoadas por gente afável e hospitaleira.
Quando estiver de viagem pelo Sul de Moçambique, saiba pois não se deve quedar pela capital, sob pena de perder o melhor da viagem. É que o “verdadeiro” país, o Moçambique dos sorrisos, começa assim que os prédios de Maputo deixam de se avistar no horizonte.
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| Jovem em Bilene |
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| Lavando a roupa numa lagoa próxima da praia do Zongoene |
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| Estrada nacional a Norte de Maputo |
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| Vista da praia do Zongoene, próximo de Xai-Xai, Moçambique |
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GUIA DE VIAGENS
LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO ZONGOENE
A praia do Zongoene fica junto à foz do rio Limpopo, próximo de Xai-Xai, no Sul de Moçambique.
QUANDO VIAJAR PARA SUL DE MOÇAMBIQUE
É possível viajar em qualquer altura para o Sul de Moçambique, pese embora as chuvas possam ser mais arreliadoras nos meses de Fevereiro e Março. Entre Maio e Novembro as condições climatéricas são regra geral mais favoráveis, com temperaturas menos altas e fraca pluviosidade.
COMO CHEGAR À PRAIA DO ZONGOENE
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A TAP voa entre Portugal e Maputo, capital de Moçambique, quatro vezes por semana, com preços a rondar, actualmente, os 880 euros. A partir de Maputo, siga pela EN1 em direcção a Xai-Xai até à pequena povoação de Chicumbane (192 Km) e vire à direita na estrada de terra batida para Zongoene. Uma vez nesta estrada, sempre que haja bifurcações existem indicações claras para o Zongoene Lodge, pelo que dificilmente se enganará no trajecto. Estes últimos 36 Km em terra batida podem ser intransitáveis para veículos sem tracção total durante a época das chuvas, pelo que um 4x4 é aconselhável.
» Mais informações e reserva de voosg(17322254)a(1536560)) |
HOTÉIS NO ZONGOENE E NO BILENE
No Zongoene Lodge, naturalmente. No que toca a preços, as tarifas começam em MTn 2.635 (cerca de 75 euros) de domingo a quinta-feira e em MTn 2.945 (aproximadamente 84 euros) às sextas-feiras e sábados. No Bilene, é costume arrendarem-se casas de férias localizadas nas proximidades da lagoa, embora haja pequenos hotéis na povoação.
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