Porto, ao longo do rio Douro
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De Valbom à Foz, o rio Douro entra em meio urbano e só sai quando se encontra com o mar. Acompanham-no as margens coroadas por um casario cada vez mais abundante, seis pontes e a incontornável Ribeira, ancoradouro de muitos barcos e ainda mais turistas. É uma dúzia de quilómetros planos por uma paisagem muito variada, que se percorrem facilmente a pé ou de bicicleta. Ou até de automóvel - mas não é a mesma coisa. |
Por Ana Isabel Mineiro | 17.junho.2011 |
AO LONGO DO DOURO, PELAS MARGENS DO PORTO
O rio já cá estava antes de a cidade chegar e crescer, e continuar a crescer. Agora delineiam-se e recuperam-se espaços como o Passadiço Ribeirinho, que pertence a Gondomar, e a zona de Observatório de Pássaros, a chegar à Pasteleira. Mas quem vem ao Porto pela primeira vez não precisa de saber os nomes, apenas de calçar uns sapatos confortáveis ou de montar na bicicleta e meter-se ao caminho, começando na ponta que mais lhe convier: Foz ou Valbom. Nós começámos por Valbom e almoçámos na Ribeira.
PASSADIÇO RIBEIRINHO
Esta é, sem dúvida, a parte mais tranquila do passeio, a que revela algum do bucolismo que o Douro vai ter mais acima. Só não podemos escolher um daqueles fins de semana de calor, durante os quais a ânsia de natureza e ar livre conquista os portugueses, que se lançam em passeios a pé e de bicicleta em qualquer espaço natural, beira-mar ou beira-rio, em magotes familiares. É bonito de ver, mas os espaços adequados não são assim tantos, e arriscamo-nos a ter de pedir licença para circular pelo bem estruturado passadiço, que não é assim tão largo.
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| As margens do rio Douro são um local privilegiado para a prática de desporto |
As margens são verdes, as casas são espaçadas e invejáveis, metidas em pequenos bosques ou quintais. O rio aqui é manso e liso, sempre opaco mas só perturbado pelos ocasionais barcos de cruzeiro que sobem até à Régua, ou pelos esforçados apreciadores da arte do remo. Pelo caminho encontramos um Jardim de Ervas Aromáticas, com mais ervas do que aromáticas, onde é possível apenas vislumbrar uns pezinhos mais resistentes de alecrim e tomilho. Dizem que a intenção é que conta - e aqui está um jardim de intenções.
As crianças passam o seu bom bocado no Parque Infantil, junto a uma zona de merendas arborizada, com mesas e um rio que alarga e ganha barcos ancorados nas margens. A quietude de passear pelo campo é agora interrompida pelo cosmopolitismo da Pousada do Porto, que ocupa o belíssimo Palácio do Freixo, e pela pequena marina com esplanada e vista para uma das últimas pontes construídas sobre o Douro. Termina aqui o Cruzeiro das Cinco Pontes, e começa para os caminhantes um troço mais árido, mas ainda assim adequado aos apreciadores de engenharia e arquitetura já que passamos por baixo de quatro pontes - Freixo, S. João, D. Maria e Infante, por esta ordem - ou de história, já que uma placa assinala o lugar onde as tropas portuguesas e britânicas atravessaram o rio em 1809 com a ajuda de um comerciante do Porto, para ir escorraçar as tropas francesas de Soult na outra margem. De resto, este é sobretudo o reino dos pescadores: o passeio largo e o muro baixo estão mesmo a jeito para instalar a panóplia de canas, cestos e cerveja que os acompanham num dia bem passado.
O desfile de pontes leva-nos a olhar para trás, para o lago liso que o Douro forma junto à marina, onde se refletem os edifícios cor-de-rosa da moagem. Para a frente fica o bulício da zona histórica da cidade e a famosa Ribeira, tema infindável de postais e canções.
DA RIBEIRA ATÉ À FOZ
Acabou-se o sossego e as margens verdes e arborizadas. As casas amontoam-se pelas margens escarpadas, decoradas pela Muralha Fernandina e coroadas pela Sé Catedral. As melhores vistas obtêm-se atravessando a Ponte D. Luís I para o lado de Gaia, mas a colmeia colorida da Ribeira é bonita vista de qualquer ângulo, e as escadas e o funicular dos Guindais estão mesmo ali, para uma visão panorâmica da zona. Nas vielas estreitas onde o sol não consegue chegar, encontramos um cenário de filme perfeito, e muitos dos monumentos que complementam a história do Porto e justificam a sua classificação como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, como a Capela de N. Sra. do Ó, os Pilares da Ponte Pênsil, a Casa do Infante ou a Igreja de S. Nicolau.
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| O Douro junto ao centro histórico do Porto |
É o lugar para escolher uma esplanada e descansar, comer e beber, de dia ou de noite. Ou de apanhar um barco e ir ver o rio mais ao perto. O passeio continua pelo Muro dos Bacalhoeiros até às casas de Miragaia, que parecem enterradas no chão. Quem já está cansado pode apanhar o elétrico e seguir até ao correr de palmeiras do Passeio Alegre, mas perde o Museu do Vinho do Porto, o Museu do Carro Elétrico - um favorito da criançada - e mesmo o Museu do Romântico, que vale bem o desvio colina acima. O melhor é mesmo continuar a pé ou de bicicleta, passando por baixo da última ponte antes do mar, a da Arrábida. Retirem-se as zonas mais recentemente recuperadas, como a zona junto ao Farol de S. Miguel, e temos o contacto direto com uma população que mantém os seus barquitos de recreio, as suas tabernas para jogar à bisca, a roupa a secar nas janelas. Ganhe-se tempo a olhar no Observatório de Pássaros, com painel que ajuda a identificar as aves que por ali param - esta zona do estuário é tão importante para as populações migratórias que mereceu a delimitação em Gaia de uma Reserva Ornitológica. Várias espécies de gaivota, garças e corvos-marinhos são os mais comuns, mas durante o verão um pequeno grupo de flamingos veio inspecionar a zona na esperança, talvez, de nidificar.
O passeio está a chegar ao fim. O Douro esgueirou-se em curvas para se enrugar aqui, em contacto com o mar, e ficar cada vez mais salgado. O Forte de S. João Baptista anuncia a chegada à Foz, uma das zonas mais caras da cidade, em todos os sentidos. O passeio ao longo da avenida do Brasil conta com oito pequenas praias rochosas pontuadas por esplanadas, restaurantes e cafés para todos os gostos. Ficamos pela Praia do Ourigo, onde um glorioso fim de tarde pinta com tons dourados o mar, o rio e as margens da cidade.
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| O elétrico ainda passa junto às margens do rio |
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| Ponte São João sobre o rio Douro, unindo as cidades do Porto e Gaia |
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GUIA DE VIAGENS
A escolha do início do percurso visa começar no lado mais desabitado, onde é fácil estacionar um veículo - pode até escolher vários pontos ao longo do percurso com parques de estacionamento - ao passo que da Ribeira até à Foz é difícil estacionar, e muito mais fácil apanhar um transporte público até ao centro, e daí de volta a Valbom - Gondomar.
COMO CHEGAR
O Passadiço Ribeirinho pertence à Câmara de Gondomar e fica entre a Pousada do Porto e edifícios da moagem, e a zona do Gramido, com entrada por ambos os lados: um extremo fica no Centro de Desportos Náuticos e o outro convenientemente próximo à Marina do Freixo, pouco à frente dos edifícios da moagem, com uma rampa que desce para o parque de estacionamento e parque infantil. Da Marina do Freixo até à Ribeira a estrada segue fielmente as curvas do rio, passando por baixo das pontes até ao coração da zona histórica do Porto, que começa junto à Ponte D. Luís I. A partir daí continua-se sempre pela margem até ao Passeio Alegre e à Foz. Todo o percurso tem estrada e passeio, com alguns locais especialmente ajardinados e preparados para passeios pedestres e ciclovias.
HOTÉIS E RESTAURANTES NO PORTO
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A lista de hotéis no Porto é infindável e de qualidade variável, mesmo reduzindo os lugares aos que ficam à beira-rio. Cito apenas dois locais para dormir, porque ficam mesmo no meio do caminho e próximos um do outro, ambos na Ribeira: a Guest House Douro e o hotel de charme Pestana Porto, ambos com quartos duplos a partir de 130 €, com pequeno-almoço. Quanto a restaurantes e cafés, dada a pouca oferta pelo caminho do lado de Gondomar - Café Riviera e Clube Náutico, mesmo no início/fim do percurso, Marina do Freixo, no fim do Passadiço Ribeirinho e pouco mais -, recomendamos que se reserve as paragens de comes e bebes para a zona da Ribeira e da Foz, onde a oferta é muita. Uma das novidades é o Café Sport (Peter), que veio dos Açores para a Ribeira servir os melhores gins do país. Para celebrar a chegada à Foz e o fim do passeio, pode descansar sem se afastar da marginal e com vistas sobre o mar no restaurante italiano Varanda do Sol, na rua Coronel Raul Peres 244, ou na pastelaria Tavi, na rua Senhora da Luz 363.
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INFORMAÇÕES ÚTEIS
Para além dos pontos citados no texto, pode encontrar muitas outras sugestões no site www.visitporto.travel. No posto central do Turismo do Porto, situado na rua Clube dos Fenianos, ao lado da Câmara Municipal, pode também obter informações sobre transportes públicos, e também mapas e brochuras.
SEGURO DE VIAGEM

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