Serra do Açor
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Apesar de não ultrapassar os 1.349 metros de altitude e de ficar entalada entre as mais imponentes Serras da Lousã e da Estrela, a Serra do Açor é um concentrado de beleza natural onde se destacam florestas, quedas de água e belas aldeias, como Piódão, Benfeita ou Foz d'Égua. Viagem à Serra do Açor, região centro de Portugal. |
Por Ana Isabel Mineiro | 28.Jun.2009 |
SERRA DO AÇOR
Benfeita merece o nome. É uma aldeia pequena de casinhas surpreendentemente brancas numa serra onde reina o xisto. Encostada à Serra do Açor, termina numa ribeira que os tempos modernos dotaram de praia fluvial. Mas isso é para deleite de quem aqui vive, porque quem visita geralmente vem em busca das duas pérolas desta zona protegida: as quedas de água da Fraga da Pena e a Mata da Margaraça.
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| Mata da Margaraça, Serra do Açor |
Não ficam longe, as primeiras, e os que não têm medo de declives podem mesmo alcançá-las a pé: numa curva da estrada junto a uma pequena ponte, estão assinaladas como área de recreio e algumas mesas e cadeiras cumprem o prometido, oferecendo sombra e repouso a caminhantes e outros turistas. Mais que isso: a curtos passos da estrada, antecedida por uma garganta estreita que não deixa ver mais longe, eis que se abre na nossa frente um circo de pedra de onde jorra a cascata para um poço de água transparente. A vegetação que a rodeia é densa e selvática, como se tivéssemos caminhado quilómetros na floresta tropical até chegar aqui. Aprazível e fresco, o local prende-nos por algum tempo antes de termos vontade de explorar os arredores: uma ponte de madeira e vários lanços de degraus de xisto íngremes levam-nos mais acima, ao longo do canal natural por onde desce a barroca de Degraínhos, guiando-nos por sequências de quedas de água de vários tamanhos que antecedem a da grande fraga - dizem que são dez, mas não as contei -, pequenas lagoas e canais escavados na rocha, onde antigas azenhas de pedra resistem ao tempo e à inércia.
Começamos a compreender porque foi criada esta Área de Paisagem Protegida: nesta superfície com menos de trezentos e cinquenta hectares, situada entre os quatrocentos e os mil e poucos metros de altitude, a paisagem é belíssima e tudo o que a compõe tem um valor biogenético apreciável. O ponto mais importante é a Mata da Margaraça, alguns quilómetros mais acima, depois da aldeia de Pardieiros. Aí, a Casa Grande, uma antiga quinta que pertence agora ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), centraliza o interesse dos mais curiosos, oferecendo alguma literatura sobre a zona e visitas guiadas com marcação.
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| Fraga da Pena, Serra do Açor |
Mas mesmo um simples passeio sob a verdura da floresta nas imediações da casa revela a beleza natural e a riqueza do bosque de vegetação espontânea - o que resta do que já cobriu esta região peninsular. Imediatamente identificáveis são os carvalhos e os castanheiros, mas também abundam medronheiros, cerejeiras, ulmeiros. No chão, cortado por uma ribeira onde despontam ruínas de azenhas, sobejam fetos viçosos - e também há lagartos e salamandras. O animal que se destaca pelo porte é o javali, mas também podemos encontrar a gineta, o gavião, a coruja e - surpresa! - o açor. A mata faz agora parte da rede europeia de reservas biogenéticas, na esperança de que se possa guardar esta raridade; os incêndios não têm poupado a região e a mata quase adquiriu funções de oásis na Serra do Açor.
A caminho de Piódão é bem visível a devastação dos incêndios, com os cumes arredondados que demonstram a antiguidade da serra a aparecerem quase carecas de vegetação, sendo o verde que os cobre apenas o de ervas e arbustos. O lado bom é poder apreciar a paisagem sem estorvo, vê-la estender-se até às serras da Lousã e da Estrela com as pequenas aldeias a descoberto, ora brancas - as que ainda são habitadas - ora cinzentas de xisto, distribuídas em pequenos aglomerados às vezes de cinco ou seis casas, muitas delas abandonadas. Sobre Piódão já tudo foi dito: igual a si própria há séculos, já foi apelidada de “presépio” e é sem dúvida uma das aldeias históricas mais famosas e visitadas do país. Mas muito menos se disse sobre o pequeno casario de Foz d'Éguas, a poucos quilómetros dali, com acesso pedestre por uma ponte ao melhor estilo Indiana Jones, já que as enxurradas que levaram a praia fluvial de Piódão também lhe levaram uma das pontes. São apenas meia dúzia de casas, agora de lazer, inacreditáveis protótipos da Casinha de Chocolate dos contos para crianças: paredes e telhados parecem construídos com fatias finas de chocolate - e o telhado com fatias ainda mais finas. Não reluzem ao sol, escondem-se na cor da terra e da vegetação, apoiadas em socalcos com vista para o rio estreito que serpenteia no fundo do vale. Chegar lá a pé partir de Piódão é uma bela despedida das vistas largas sobre os montes calvos, da densa Margaraça, dos caprichos da água na Fraga da Pena - e da Serra do Açor.
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| Serra do Açor |
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| Povoação de Foz de Égua |
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GUIA DE VIAGENS
QUANDO VISITAR A SERRA DO AÇOR
Todo o ano, tendo no entanto em consideração que os Verões são muito quentes e os Invernos muito frios.
COMO CHEGAR À SERRA DO AÇOR
A Serra do Açor situa-se nos concelhos de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra. Para quem vem do Norte ou do Sul do país, o acesso mais comum é pela A1 até à saída para o IP3, seguindo depois as indicações para Arganil e Coja, onde se encontra indicações directas para a Mata da Margaraça, a Fraga da Pena ou Piódão. São cerca de 180 quilómetros a partir do Porto e 280 a partir de Lisboa.
ALOJAMENTO EM PIÓDÃO
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Dentro da zona de Paisagem Protegida, o local mais popular é a aldeia de Piódão, até porque daí saem alguns percursos pedestres, como o que leva a Chãos d'Égua e a Foz d'Égua. Na Casa da Aldeia (Tel. 235731424), na Casa do Algar (Tel. 235731464) e na Casa da Padaria (Tel. 235732773) - esta última numa antiga padaria recuperada, aberta todo o ano - um duplo com vista para o vale e a aldeia fica por cerca de 40 euros, com pequeno-almoço. Também o INATEL aí tem uma pousada (Tel. 235730100) em posição privilegiada, onde um quarto duplo custa 45 euros. Há várias unidades de turismo rural na região.
» Mais informações e reservas de hotéis
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RESTAURANTES EM PIÓDÃO
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| Aldeia de Piódão |
Para comer, Piódão acaba por funcionar como “centro urbano” no meio da serra. Há dois ou três cafés logo na entrada da aldeia e o restaurante Fontinha é o mais conhecido, com a sua oferta despretensiosa de comida serrana. O Piódão XXI fica no largo central - é o único edifício da aldeia com paredes vermelhas e brancas!
O QUE COMPRAR
A produção regional vai das peças decorativas em xisto ao queijo, mel e aguardentes (de medronho, de mel, etc).
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Sugere-se uma visita prévia ao Portal do ICNB para conhecer melhor a zona da Paisagem Protegida e as razões da sua protecção: Informações sobre a Mata da Margaraça: Centro Interpretativo da Casa Grande, Tel. 235741329/79.
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