Adrspach, República Checa
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Bosques e lagos são os únicos intrusos nesta zona da República Checa, onde a pedra reina sob todas as formas. Local privilegiado para caminhadas e escalada, Adrspach continua a ser um local apenas bem conhecido pelos checos. |
Por Ana Isabel Mineiro |
Onde fica Adrspach [Google Earth]? |
ADRSPACH - A CIDADE DE PEDRA
Antes de mergulhar na floresta, não é má ideia atravessar a aldeia de Adrspach e subir os seiscentos e setenta metros da Colina da Cruz, para ter um panorama extraordinário sobre toda a região: para além das casas e dos prados, bosques fechados, planaltos rochosos, e as mais altas torres naturais de pedra do país.
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| Escalada na Reserva Natural de Teplice-Adrspach, República Checa |
O início dos percursos é lá em baixo, num grande parque com um lago ao fundo, onde se pode admirar as primeiras esculturas naturais. A entrada nesta Reserva Natural custa cinquenta coroas, mas o local vale cada uma - sobretudo aqui em Adrspach, onde a paisagem é mais “concentrada”. No lago há alguns barquitos a remos, mas as pessoas aproveitam, sobretudo, para nadar na água gelada. A floresta é densa e escura, com pinheiros nórdicos a desenharem uma coroa aguçada em volta da água, onde abundam as trutas. Para além de podermos circundá-lo e apreciá-lo de todos os ângulos, um circuito de dois quilómetros e meio começa nas proximidades e permite-nos entrar na floresta, guiando-nos ao longo de uma série de formações estranhas cujos nomes estão inscritos em placas. Algumas exigem um pouco de imaginação, mas em geral os nomes são óbvios. Passamos pela Caneca, pela Cadeira de Baloiço do Gigante, pela Luva e pelo Cogumelo, entre outros; uma das mais famosas e a maior da zona é a “estátua” dos Amantes, bem visível do cimo do Castelo, onde antes existiu um castelo de madeira e agora se sobe apenas pela vista.
Segundo as opções que fizermos, porque o caminho é labiríntico mas bem assinalado, podemos refrescar-nos em duas cascatas, que nos fazem a surpresa do silêncio até estarmos bem perto, já que circulamos por entre muros altos de pedra que abafam os sons. Um busto e uma placa na gruta da Grande Cascata assinalam a presença de um dos fãs da zona, que por aqui andou no século XVIII: o escritor romântico Goethe. Um pouco acima fica um pequeno lago, de onde saem alguns carreiros curtos e menos frequentados. Há um número infinito de pássaros num canto constante, mas dos mamíferos mais comuns da zona, como raposas ou veados, só ouvimos falar.
Os “dedos” arredondados que saem da floresta, os “castelos” e os corredores labirínticos de paredes de pedra dão uma atmosfera fantasmagórica ao local. As árvores que conseguem desenvolver-se num punhado de areia nascem muito direitas no cimo das rochas, como velas num bolo de anos. Por todo o lado há caminhos abertos para escalada, actividade que parece requerer igual dose de força, agilidade e falta de vertigens, já que alguns dos rochedos ultrapassam os trinta metros de altura. A paisagem a verde e cinzento remete-nos para as civilizações pré-colombianas da América Latina e para os seus templos antigos cobertos de vegetação tropical, que só os mais intrépidos exploradores conseguiam encontrar.
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| Turistas em Adrspach |
Passamos pelo longo e estreito Buraco do Rato para chegar ao Piano do Gigante, e daí apanhamos de novo o caminho para o grande lago da entrada. O fim da tarde é particularmente tranquilo e, depois da maioria dos visitantes partir, podemos por fim apreciar esta paz que parece sair das águas, o silêncio que começa a voltar à floresta. As sombras chegam até ao chão, só os picos das torres e cilindros mais altos continuam acesos pelos últimos raios de sol. Cá em baixo estão as cascatas e riachos que sobram do que já foi o leito de um rio, e que continuam a corroer e modelar estas formas fantásticas. Algumas paredes têm marcadas as ondas da água, como os reflexos do sol numa piscina desenhando uma instável rede luminosa, sempre em movimento - água petrificada e cinzenta no meio de uma floresta. Apesar do seu nome de Cidade de Pedra, o que nos fica na memória é a combinação equilibrada da natureza com a presença humana, e o desejo de que existisse algures uma cidade assim.
RESERVA NATURAL DE TEPLICE-ADRSPACH
A Reserva Natural de Teplice-Adrspach fica a Nordeste, numa pequena área da Boémia que entra em território polaco. Estas são, sem dúvida, as paisagens mais dramáticas do país, e basta gostar de caminhar para descobrir as suas belezas.
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| Aldeia na região de Adrspach, República Checa |
Para além de não ocupar uma área demasiado grande, esta Reserva fica apenas a cerca de quinze quilómetros da cidade de Trutnov, junto às aldeias de Adrspach e Teplice, dois pequenos e dispersos aglomerados de casas entalados entre prados e as torres de calcário, que se levantam da floresta como uma muralha. Acede-se à Reserva por qualquer uma das localidades, mas em Adrspach as formações rochosas estão mais próximas uma das outras.
A rocha calcária da zona é suficientemente mole para ser erodida de forma espectacular em forma de torres, agulhas, paredes e arestas. A erosão abre fissuras finas, que vão alargando e se transformam em fendas profundas que acabam por se destacar da massa principal de arenito, dando origem a verdadeiras chaminés de pedra. Nas saliências penduram-se árvores de pequeno porte; em alguns locais só há água imediatamente após uma chuvada ou depois de um nevão, uma vez que o arenito é esponjoso, chegando a absorver até 14% do seu peso. Molhada, a rocha é particularmente frágil, tendendo a esboroar-se e a originar sempre novas formas. Para além disso, também as raízes ajudam a criar fendas, fossos e grutas - mas as mais espectaculares são as que se abrem em dedos, como gigantescas mãos no ar.
É extraordinário pensar que, por causa da espessa e extensa floresta virgem que cobria toda a região, as suas irreais formações rochosas naturais só se tornaram conhecidas no século XIII, isto apesar de os romanos terem andado por aqui, e de lhe terem mesmo dado um nome: Floresta Hercynia. Provavelmente, a abundância de animais selvagens e de salteadores foi suficiente para dissuadir as explorações mais profundas e, sobretudo, a permanência.
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| Num lago da Reserva Natural |
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| A “Cidade de Pedra” |
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| Pormenor da paisagem em Adrspach, República Checa |
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| Pormenor da paisagem em Adrspach, República Checa |
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GUIA DE VIAGENS
QUANDO VIAJAR PARA A REPÚBLICA CHECA
As melhores épocas nesta zona do país são a Primavera e o Outono: grande parte da chuva cai durante os meses de Verão, e em Novembro começam os longos e frios Invernos da Europa Central.
COMO CHEGAR A ADRSPACH
Voar com a TAP até Praga custa cerca de 220€ - 260€. Daí, para chegar às aldeias da Reserva Natural, basta dirigir-se ao terminal de Florenc - no fim da linha de metro com o mesmo nome - e apanhar um dos muitos autocarros que vão até Trutnov, uma viagem que dura cerca de duas horas e meia. De Trutnov, há comboios regulares para Teplice e Adrspach, que lá chegam em pouco mais de uma hora.
HOTÉIS
A escolha de hotéis em Praga é imensa, e os preços são dos mais caros da Europa. Um exemplo é o Hotel Harmony, em Na porící nº 31, onde um duplo com pequeno-almoço ronda os 125 euros.
Em Adrspach, um dos lugares mais interessantes para ficar é o Hotel Lesni zátisí, mesmo ao pé de um dos trilhos de acesso à “cidade de pedra”. Um duplo com pequeno-almoço fica por cerca de 50 euros, mas o preço baixa se ficar várias noites. Outra boa opção, com o mesmo preço e a 300 metros da estação de comboio de Adrspach, é a Penzion Adrspach.
ONDE COMER
Em Praga recomenda-se uma das cervejarias à beira-rio, onde também servem refeições ligeiras. Para provar a comida típica pode tentar, por exemplo, o Club restaurace Stará Praha, na rua Viktora Huga nº 2. Já em Adrspach, são os hotéis mencionados que têm os restaurantes mais populares.
INFORMAÇÕES
Um Euro vale cerca de 28 coroas checas; os preços da restauração são idênticos aos de Portugal e os transportes mais baratos. Cada vez se fala mais o inglês, mas saindo das cidades, é mais fácil se falar algum alemão.
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