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Perguntas sobre a viagem volta ao mundo
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VOLTA AO MUNDO » FAQ

Perguntas frequentes sobre a volta ao mundo

Aqui ficam tentativas de respostas a algumas das interrogações mais comuns que me são colocadas quando o assunto em debate é uma volta ao mundo de 14 meses.

Por Filipe Morato Gomes

Qual o itinerário da volta ao mundo?



Não tiveste medo de viajar sozinho? Não é perigoso?

Genericamente, o mundo é seguro. Ponto final! Usem o senso comum e não transportem, digamos, relógios de ouro numa noitada em Caracas, e estarão a salvo de problemas a maior parte do tempo. Ou evitem lugares como Bagdad até as coisas acalmarem um pouco mais. Estou certo que entendem o que quero dizer. Seja como for, é lógico que coisas desagradáveis podem acontecer - e acontecem! Mas nem pensem em abdicar de viajar porque alguém disse que determinado lugar é muito perigoso. Provavelmente, o maior perigo que terão de enfrentar na vossa viagem em volta do mundo será atravessar as ruas de uma grande cidade asiática. Vale a pena o risco, não vale?



Quanto custa uma volta ao mundo?

Depende! Depende dos países que se queira visitar (um mês no Laos custa muito menos do que um mês na Austrália, por exemplo). Depende, por fim, do nível de conforto mínimo exigido pelo viajante (pode dormir por dois ou duzentos dólares por noite; pode adorar comida de rua ou preferir restaurantes mais distintos). E depende ainda da rapidez com que se viaja (quanto mais rápido se viajar, mais caro a fica, pois o custo/dia do transporte dilui-se menos). Em suma, depende de cada viajante e do seu estilo de viagem.

» Vejam o Travel Budget Calculator que criei, na tentativa de ajudar outros viajantes a calcularem o custo das suas viagens (em inglês).



És rico?

Não. Durante um par de anos poupei todo o dinheiro que pude para concretizar o objectivo de viajar por um longo período de tempo, em vez de o gastar em coisas perfeitamente dispensáveis.



Como transportaste o dinheiro?

Para efectuar pagamentos e levantar dinheiro nas moeda locais, confio em dois cartões de crédito da rede Visa - um dos quais associado ao programa Victoria da TAP - e em dois cartões de débito da mesma rede, pertencentes a uma conta principal e a uma segunda de emergência. Levei ainda cerca de seiscentos dólares em notas, para responder a qualquer imprevisto.



Tinhas o trajecto todo planeado à partida?

Sim e não.

É verdade que passei centenas de horas a ler experiências de outros viajantes, a pesquisar informações sobre lugares, a ver fotografias, a ler e escrever mensagens em fóruns sobre viagens e viajantes, a escolher locais a visitar, meios de transporte, formas de lá chegar, enfim, a descobrir. Nesse sentido, sim, tenho um plano. Até porque ter uma ideia dos países que queria visitar permitiu-me estimar, de uma forma mais aproximada, o custo total da viagem.

Mas o verdadeiro prazer de uma viagem de longa duração é precisamente a flexibilidade de alterar todo e qualquer planeamento prévio. Porque alguém recomenda um lugar “imperdível”. Porque a situação no terreno aconselha a que se evite um ou outro lugar em conflito latente: Por questões de ordem financeira, porque o clima não é o desejado ou, simplesmente, porque se muda de ideias. Na verdade, penso até que a liberdade de poder escolher onde acordar na manhã seguinte é algo absolutamente impagável numa odisseia desta natureza. Nesse sentido, não, não tenho nenhum plano definitivo.



Compraste um bilhete de avião RTW (round-the-world) ou foste comprando os bilhetes durante a viagem?

A questão central que cada viajante tem que ponderar é se prefere a segurança de ter tudo previamente marcado, poupar algum dinheiro e evitar imprevistos mas assumindo algumas limitações para alterações posteriores ao rumo da viagem, ou a flexibilidade de ir decidindo o trajecto sem imposições prévias mas assumindo o risco de eventualmente ficar retido num local mais tempo do que o desejado e, quase de certeza, gastar mais dinheiro. Há ainda a considerar o facto de todos os bilhetes RTW existentes no mercado actualmente serem válidos para um período máximo de 12 meses.

Eu optei pela flexibilidade que me permitiu total espontaneidade nas decisões. Quer isto dizer que a única coisa reservada à partida era um bilhete de avião para Moscovo, no dia de arranque da volta ao mundo, e uma reserva para um bilhete de comboio na linha transiberiana, de Moscovo a Irkutsk.

» Argumentação mais detalhadas sobre prós e contras dos bilhetes RTW no texto Around the World Tickets and Cheap Airfares (em inglês).



Há mulheres a viajar sozinhas?

Sim, há muitas mulheres a viajar sozinhas e de forma independente - especialmente mulheres jovens. Encontrei imensas raparigas que confessaram sentir algum receio antes de iniciada a viagem, mas não conheci uma única que se tivesse arrependido da decisão de viajar.



Quais foram os teus países favoritos?

Esta é uma das mais difíceis questões que, frequentemente, as pessoas me colocam. Não é fácil comparar, por exemplo, uma cidade gigantesca como Pequim com as planícies desérticas do Gobi. Seja como for, se tivesse mesmo que escolher três países favoritos desta volta ao mundo, responderia Mongólia, Vietname e Bolívia.



Como foi o regresso à “vida normal”?

Surpreendentemente, depois de tanto tempo em permanente movimento, dei comigo a hibernar durante quase três meses, em casa, a tratar dos meus projectos pessoais e sem grande vontade de viajar ou sair de casa. Mudei de cidade, isso si, para mais próximo do mar.

Passados esses meses iniciais, o bichinho das viagens regressou e, desde então, tenho feito pequenas viagens, fotografado e escrito sobre viagens, e editado este site dedicado ao jornalismo de viagens. Novos projectos estão na calha, depois de ter decidido editar um livro com as crónicas e fotos da volta ao mundo. A última coisa que me passa pela cabeça é arranjar um emprego “normal”.

 



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