Destinos Caraíbas Jamaica Kingston

Jamaica - sol, mar e hedonismo

TextoFotosHumberto Lopes31/07/2007

O mais jovem país da Europa - geologicamente falando - ainda está em formação. Um pouco por todo o lado, no alto das montanhas e debaixo dos glaciares, há um rio de fogo que vai modificando a paisagem primitiva da ilha. Um olhar sobre a Islândia.

As doces praias da Jamaica

Estranho aos cânones mais familiares das reportagens de viagens será começar por arregimentar citações de um livro tão polémico como «As veias abertas da América Latina», do argentino Eduardo Galeano. Mas o caso é que nenhum retrato da Jamaica - como de outros países das Caraíbas e das Antilhas - pode dispensar a história da monocultura intensiva da cana do açúcar no Novo Continente, iniciada no século XVII, e do seu papel no processo de acumulação de riqueza das potências coloniais.

“O longo ciclo do açúcar deu origem, na América Latina, a prosperidades tão mortais como as que engendraram, em Potosí, Ouro Preto, Zacatecas e Guanajuato, os furores da prata e do ouro; ao mesmo tempo, impulsionou com força decisiva, directa ou indirectamente, o desenvolvimento industrial da Holanda, França, Inglaterra e Estados Unidos”.

Quotidiano em Fallmouth, Jamaica

Quotidiano em Fallmouth, Jamaica

O açúcar, que ainda é, actualmente, e a par da exploração da bauxite e do turismo, uma das principais fontes de receita da Jamaica, marcou as dimensões económica e social de quase todos os países das Caraíbas.

Dizimados os autóctones, os índios Arawak, no abrir e fechar de olhos de um século, foi por causa da exploração do “ouro branco”, e não só, que “imensas legiões de escravos vieram de África para proporcionar ao rei açúcar a força de trabalho numerosa e gratuita que exigia: combustível humano para queimar”. No dealbar do século XVIII, a Jamaica acolhia já dez vezes mais escravos do que colonos brancos.

São esta história e este quadro humano que estão na origem das realidades social e cultural jamaicanas, com as suas impressivas manifestações de africanismo, de reggae, de sincretismo religioso como o culto rastafarian, expressões culturais de uma população maioritariamente de origem africana (75%) e mestiça (15%).

Ochos Rios, em busca de águas cristalinas e recifes de coral

The sun is shinning, the weather is clear...” - o clássico de Bob Marley soa insistentemente por toda a parte numa espécie de redundância hiper-realista que chega a cansar. Dificilmente alguém viajará para a Jamaica para conhecer os vestígios da cultura Arawak - designadamente, gravuras rupestres inscritas em várias grutas.

E mesmo muita da realidade cultural, ou social, jamaicana passará ao lado da maioria dos visitantes, à excepção dos aficionados de alguns festivais de música. O país conquistou um lugar privilegiado nas rotas turísticas sobretudo graças ao clima, às belíssimas águas azul-turquesa e às estâncias balneares onde os turistas se abandonam a uma litania hedonista de sol e mar - nos resorts Hedonism, com reserva de admissão a adultos, as sugestões epicuristas alargam bem as suas fronteiras...

Cruzeiro ao largo de Negril, Jamaica

Cruzeiro ao largo de Negril, Jamaica

A grande maioria da oferta turística concentra-se na costa norte da ilha, entre Ocho Rios e Negril. É nessa parte do país que se encontra um grande número de praias de areia fina e enseadas de águas cristalinas, embora mais para leste se tenham também implantado alguns resorts, como em Port Antonio, uma pequena cidade encravada entre o mar a montanha, na comarca de Portland.

A região é muito celebrada pelo cenário tropical omnipresente no interior, mas o principal santuário das peregrinações turísticas é a Blue Lagoon, uma pronunciada reentrância marinha que foi palco da rodagem do filme com o mesmo nome. Nas imediações fica Dragon Bay, uma baía protegida, com a sua extensa praia de areia e recifes de coral que atraem muitos mergulhadores.

Quase nada há para ver em Ocho Rios, à excepção de uma série de graciosas enseadas de uma azul luminoso delimitadas por promontórios verdes. O mercado de artesanato está de atalaia, à espera dos rebanhos de turistas dos cruzeiros - as bonequinhas de trapos, de vestidos coloridos, pedem que um príncipe venha e delas se enamore, e as leve por sobre o mar.

Voa-se para os arredores e em poucos minutos se está com um pé nas águas das Caraíbas e outro nas cascatas de Dunn's River Falls. As águas tombam em sucessivos socalcos, formando uma série de piscinas naturais, entre a sombra de uma densa floresta, até desmaiarem na praia.

Salem, Jamaica

Salem, Jamaica

Em St. Ann's Bay, uma dúzia de quilómetros para poente, terá Colombo avistado pela primeira vez, em 1494, o território jamaicano. Apesar da má memória que se guarda dos anos que se seguiram à chegada da expedição espanhola - em menos de meio século os índios e a cultura local foram exterminados - o navegador teve direito a uma estátua!

St. Ann's Bay foi também a cidade natal de Marcus Garvey, um dos mais reputados activistas dos direitos dos negros no primeiro quartel do século XX, muito influente nos EUA. Um monumento de bronze evoca a sua memória e transcreve: “We declare to the world - Africa must be free”. Em matéria de memoriais, é pródiga a comarca. Uns quilómetros para o interior, na povoação de Nine Mile, uma antiga casa de Bob Marley acolhe o mausoléu do músico, que é, simultaneamente, um centro de peregrinação rasta.

Herança hippie, de Montego Bay a Negril

A caminho de Montego Bay, para trás vão ficando Runaway Bay e Discovery Bay, lugares em que o turismo massificado está em franca expansão. Mais adiante, pausa obrigatória em Fallmouth, antigo porto de saída de açúcar e local de comércio de escravos. É uma cidade cheia de carácter, com muitos exemplos da arquitectura jamaicana, praticamente à margem dos circuitos turísticos.

Montego Bay, Jamaica

Montego Bay, Jamaica

Montego Bay, “el golfo de buen tiempo”, como chamou Colombo ao local, é a segunda maior cidade da Jamaica, renascida das cinzas da decadência económica que sobreveio após o ciclo do açúcar e da destruição por uma série de furacões.

Com um litoral de praias agradáveis e recifes de coral e muita animação urbana - há, até, um Sunset Boulevard cheio de lojas e bares - não se pode estranhar a grande frequência turística, tanto norte-americana como europeia. O primeiro parque nacional da Jamaica mora ao lado: o Montego Bay Marine Park, mais de doze quilómetros quadrados de recifes de coral e mangais.

E chegamos, finalmente, a Negril, a quintessência das estâncias turísticas das Caraíbas, com uma extensa faixa de areia dourada, águas transparentes, tranquilas e cálidas escondendo recifes de coral e um perfeito enquadramento tropical de palmeiras ao longo da orla. Longe vão os tempos em que um punhado de hippies descobriu o que era então um remoto recanto da ilha.

O paraíso isolado de então, uma aldeola de algumas dezenas de pescadores, transformou-se em trinta anos na maior e mais emblemática estância turística da Jamaica, cuja atmosfera descontraída e permissiva conterá ainda um pouco, certamente, da herança da “colonização” hippy.

Blue Mountain, do céu nasceu um café

Dizer que o Blue Mountain é o melhor café do mundo já é bastante, mas pode soar apenas a slogan propagandístico, àquela composição simplificada de substantivos e adjectivos tão ao gosto dos publicitários que constroem um mundo tristemente a preto e branco, para gosto do grande exército universal de consumidores. Tal como Camões dizia, referindo-se a outros mais essenciais domínios, melhor será sempre experimentá-lo que julgá-lo.

Moagem artesanal de cana-de-açúcar, Appleton, Jamaica

Moagem artesanal de cana-de-açúcar, Appleton, Jamaica

De aroma forte e intenso, com um sabor que se demora sobre as papilas gustativas, o Blue Mountain é um café que (quase) veio do céu. O verdadeiro - há na ilha outros cafés que passam por seus próximos parentes - é cultivado em altitude, em zonas das Blue Mountains perfeitamente demarcadas.

Apenas seis mil hectares produzem o Blue Mountain, o que permite compreender o elevado preço que atinge no mercado - é, justamente, o café mais caro do mundo. Outras zonas demarcadas, a cotas mais baixas, dão origem ao High Mountain Supreme e ao Prime Washed Jamaican, que não desmerecem a família. Todos os cafés puros jamaicanos são devidamente certificados para exportação.

O mito - e a realidade - tem história atribulada. Os primeiros cafeeiros foram introduzidos no início do século XVIII pelo governador da ilha, Sir Nicholas Lawes, vindos da Etiópia via Martinica. O clima fresco e húmido, com boa pluviosidade, das encostas das Blue Mountains revelou-se um factor precioso para a qualidade do café. Na primeira metade do século XIX, quando a procura crescia exponencialmente na Europa, a Jamaica era já um dos principais exportadores mundiais de café.

A abolição da escravatura constituiu um rude golpe para a actividade, tal como o fim do comércio preferencial de Inglaterra com a colónia. Sucessivos furacões ajudaram igualmente à ruína das plantações. Só depois da II Grande Guerra, as políticas governamentais jamaicanas conseguiram revitalizar o cultivo, definindo ao mesmo tempo critérios conducentes à excelência que hoje caracteriza os cafés do país.

As características do cultivo, singulares, tanto contribuem para a qualidade como para o preço elevado. O café é cultivado em socalcos, em pequenas plantações (de plantio misto, por vezes), em áreas onde a mecanização é praticamente impossível. Apesar de algumas plantações se manterem nas mãos da mesma família desde há dois séculos, registam-se sinais de mudança.

Nos últimos vinte anos, investidores japoneses apostaram fortemente no sector, face à existência de um sólido mercado interno para o produto. Efectivamente, o país do saké e das rituais cerimónias do chá perdeu-se de amores pelo Blue Mountain e mais de noventa por cento da produção é absorvida pelo mercado japonês.

Jamaica, paraíso da biodiversidade

No antigo dialecto dos índios Arawak, a ilha era designada por uma palavra que significava “terra de árvores e água”, justo epíteto e metáfora da natureza luxuriante da Jamaica. As paisagens superlativas são omnipresentes, quer à beira mar, quer no interior, onde a cada passo se desenham cenários tropicais de savanas, mangais, floresta húmida e incansáveis cascatas.

Se o litoral, onde abundam formações de recifes de coral e inúmeras praias de areia fina e dourada, constitui o centro das atenções da grande maioria dos turistas, as áreas protegidas do interior e os vários parques naturais merecem só por si uma viagem inteira.

Na parte leste da ilha, entre Kingston e Port Antonio, está o Blue and John Crow Mountains National Park, um espaço natural bem emblemático da riqueza e diversidade da ilha em termos de flora e fauna. Localizado a mais de mil metros de altitude, conserva mais de 100 espécies de borboletas, 3.000 de plantas e 250 de aves, entre as quais cerca de 20 são exclusivas da ilha. É possível, também, visitar algumas plantações de café.

Vista das Ys Falls, Jamaica

Vista das Ys Falls, Jamaica

Subir o Rio Grande ou o Black River são também opções a considerar. O primeiro, um dos mais caudalosos da ilha, é alimentado pelas chuvas das Blue Mountains e atravessa zonas de floresta com árvores seculares, com um curso marcado por rápidos em algumas passagens.

O Black River, localizado no sudoeste do país, no condado de St. Elizabeth, terra de origem do rum Appleton, é o maior rio da Jamaica. As zonas pantanosas do Parque Nacional Great Morass constituem habitats de grande número de crocodilos. É uma zona muito propícia, também, para a observação de aves (mais 100 espécies diferentes), organizada regularmente através de boat safaris.

As quedas de água são sem conta nesta ilha onde não faltam paragens que emulam cenários edénicos. As Dunn's River Falls são as mais conhecidas, mas vale a pena também passar pelas de Sommerset, em Hope Bay, perto de Port Antonio, e explorar as do vale do Río Grande, algumas localizadas em sítios quase impenetráveis.

E sobretudo, não perder as Ys Falls, no rio com o mesmo nome, no sudoeste da ilha, uma série de dez cascatas de dimensão variável, imersas num cenário de floresta cerrada e húmida. As piscinas naturais são simplesmente irresistíveis.



Pescador no Black River, Jamaica

Pescador no Black River, Jamaica

St. Elizabeth, Jamaica, zona de produção de cana-de-açúcar

A caminho de St. Elizabeth, zona de produção de cana-de-açúcar na Jamaica

Arara

Arara

Musicalidade jamaicana

Musicalidade jamaicana

Guia de viagens à Jamaica

Este é um guia prático para viagens à Jamaica, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar a Kingston, os melhores hotéis e sugestões de actividades no país.

Jamaica Quando ir

Quando ir

Qualquer época do ano é boa para viajar. A Jamaica tem um clima mais ou menos estável, com poucas variações de temperatura - tanto a do ar como a da água do mar mantêm-se próximas dos trinta graus.

Com uma afluência muito forte de turistas norte-americanos, o período entre Dezembro e Abril regista níveis elevados de ocupação das unidades hoteleiras. Maio e Junho são meses relativamente mais calmos, assim como o período de Setembro a Novembro, embora neste último a Jamaica possa ser visitada por furacões, normalmente breves e inofensivos. Esta é também uma época de chuvas nas Blue Mountains. Julho e Agosto são, obviamente, os meses mais concorridos pelo turismo europeu.

Como chegar

Como chegar à Jamaica

Não há voos directos de Portugal para a Jamaica. Há várias companhias europeias que voam para a ilha, como a British Airways, via Gatwick. Mais prático para os turistas portugueses pode ser a American Airlines, que tem várias ligações diárias entre Miami e os dois aeroportos internacionais da Jamaica e que voa a partir da vizinha Madrid. Da capital espanhola partem também voos charter.

Pesquisar voos

Onde ficar

Hotéis em OCHO RIOS, NEGRIL E MONTEGO BAY

Para quem queira viajar com viagem organizada e com a principal finalidade de fruir as excelentes praias jamaicanas, a oferta, vasta, dos hotéis e resorts na zona de Ocho Rios, Montego Bay e Negril vai que nem uma luva. Há resorts em praticamente toda a costa norte, entre Ocho Rios e Negril.

Pesquisar hotéis em Montego Bay
Pesquisar hotéis em Negril
Pesquisar hotéis em Ocho Rios
Pesquisar hotéis em Kingston

Passeios

Excursões e actividades na Jamaica

Há ainda muitas agências que oferecem a possibilidade de excursões pelo interior da ilha, e visitas a parques, zonas naturais, quedas de água, fábricas de rum na região de Appleton, por exemplo, ou actividades como mergulho, windsurf, pesca ou rafting.

Icon seguro de viagem

Seguro de viagem

O seguro de viagem da World Nomads oferece uma das mais completa e confiáveis apólices de seguro do mercado. São os seguros recomendados por entidades prestigiadas como a Lonely Planet, Footprint, Hostelworld e National Geographic.

Comprar seguro de viagem

Informações úteis na internet

Na Internet

Consulte o portal turístico VisitJamaica e o mais intimista InsidersJamaica para mais informações e dicas sobre o que fazer na Jamaica.