Deambulações pela cidade de Moscovo, Rússia
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Percorrendo as ruas da grande metrópole moscovita - com especial incidência na zona envolvente à Praça Vermelha e ao Kremlin -, descubro o prazer de caminhar acompanhado por recém-amigos locais e observo com prazer algumas maravilhas arquitectónicas de Moscovo. A capital da Rússia é, sem dúvida alguma, uma cidade fascinante. |
Por Filipe Morato Gomes |
Qual o itinerário da volta ao mundo? |
Olho em redor e não há como escapar à conhecida sensação de incompreensão do mundo que me rodeia. Sinto-me como que um analfabeto envolvido por sarrabiscos absurdos alinhados como letras mas sem significado aparente.
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| A imponência do centro histórico de Moscovo, bem patente no edifício que alberga o Museu da História do Estado |
Vale-me, afortunadamente, uma recente experiência em S. Petersburgo para não desesperar perante a geométrica elegância do alfabeto cirílico pelo que, evitando facilmente os taxistas e os seus preços exorbitantes, lá encontro espaço numa marshrutka - carrinhas de cerca de quinze lugares que fazem serviço de transporte público em concorrência directa com os tradicionais autocarros - que me levará do aeroporto até à estação de metro mais próxima onde aqui sim, nas profundezas das belíssimas estações de metro moscovitas, será travada diariamente uma intensa contenda pelo decifrar do caminho a tomar.
Acima, na superfície, fico com a nítida sensação de que para um visitante de curta permanência a cidade se apresenta fortemente centralizada na zona envolvente ao Kremlin, uma área marcada pela grandiosidade dos edifícios, pela cor forte do vermelho ocre de alguns deles e pelo simbolismo da Praça Vermelha. É porventura um contra senso ter pouco tempo e passá-lo em redor do mesmo lugar mas como recriminar esta previsibilidade se os próprios moscovitas usufruem abundantemente desta bonita área da sua cidade, reunindo-se em pequenos grupos de amigos para dois dedos de prosa, um prolongado namorisco ou o degustar do agradável paladar das cervejas russas em plena praça pública?
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| Catedral da Anunciação no Kremlin de Moscovo |
É o que acontece, nomeadamente, defronte do Museu da História do Estado, uma zona extraordinariamente bem cuidada paredes meias com o muro exterior do Kremlin. Em consonância com a área envolvente, uma visita ao complexo onde está instalado o governo russo revela um grande esmero na preservação deste património histórico de elevado bom gosto sendo que, de tudo o que do interior dos muros se oferece observar, será porventura injusto destacar os magníficos frescos que literalmente cobrem os tectos e paredes das três principais igrejas que compõem a denominada Praça da Catedral - Catedral do Arcanjo Miguel, Catedral da Anunciação e Catedral da Assunção - mas foi efectivamente a beleza dessas obras de origem italiana que mais sussurradas exclamações me fez soltar.
Passeando pelas artérias da cidade será também difícil não reparar na beleza das suas gentes e principalmente no extremo cuidado, arrojo, exuberância e sensualidade postos no trajar feminino. A moda tem por estas paragens uma força inquestionável. Ou difícil será ignorar a omnipresença policial nas ruas o que, por si só, poderia ser algo extremamente positivo não se desse o caso do objectivo primordial ser, aparentemente, nas palavras aqui adocicadas de uma recém amiga moscovita, encontrar eventuais ilegalidades nos passaportes dos transeuntes e resolver a situação a contendo de ambas as partes sem mais infrutíferas diligências. Não tive, felizmente, oportunidade de o confirmar.
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| Sasha, anfitriã em Moscovo |
Moscovo sairá seguramente derrotada em algumas inevitáveis comparações com a próxima e de algum modo rival S. Petersburgo mas, ainda assim, é uma cidade onde, apesar da imensidão que faz com que demorar uma hora de metro até ao destino pretendido seja algo tão natural como inquestionável, é possível encontrar gente simples, aberta, amigável e pronta a receber o visitante da melhor forma que podem e sabem. Como em qualquer lugar do mundo, presumo.
{ 22.Ago.2004 - 08:02. Versão não editada do texto originalmente publicado no jornal Público }
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Qual a vossa opinião?
• Alguma grande cidade vos marcou particularmente?
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Mais uma vez li o teu artigo, confesso que estou ansiosa pela chegada ao Lago Baikal. Já sabes, para o povo sábado já virou o dia do Filipão!
Comentário à viagem enviado por Andréia Azevedo Soares em 22.AGO.2004 - 14:43
Tenho reparado que ninguém se dá ao trabalho de responder às perguntas que tu fazes no final de cada crónica. Hoje é isso que vou fazer - além de dizer que a tua descrição das paragens do transiberiano me abriu o apetite. Foi o tema de conversa, hoje à tarde, na Ribeira.
Resposta: Nova Iorque, Paris e Roma, onde acho que poderia viver. Fez, a única viagem no tempo que fiz até ao momento. E Banguecoque, Istambul, Berlim, Cairo, Jerusalém, Moscovo, Tóquio, Bombaim, Rio de Janeiro, ..., que estão na lista de espera. Bom regresso do deserto.
Comentário à viagem enviado por Inês em 22.AGO.2004 - 20:41
Decidi alterar a crónica inicialmente aqui apresentada e publicar neste website as versões não editadas dos textos que envio para o Fugas, isto é, sem cortes, ajustes ou melhorias introduzidas por terceiros. Parece-me o procedimento mais adequado a um espaço que tem desde o seu início, em todos os seus pormenores e vertentes, tanto de pessoal.
Comentário à viagem enviado por Filipe Morato Gomes em 23.AGO.2004 - 07:07
Agrada-me a tua opção de publicar no site a versão “original” dos teus textos. Passamos assim a ter 2 dias do Filipão: o Sábado, no Público, e a 2ª, na net.
Até um dia destes, no Messenger.
Comentário à viagem enviado por Jorge Portugal em 23.AGO.2004 - 11:04
Uma cidade que me marcasse? Com certeza, Portimão e Albufeira... dos piores exemplos que conheço em termos de arranjo urbano.
Boas cidades? Évora.
Comentário à viagem enviado por Dario Silva em 23.AGO.2004 - 12:01
Edimburgo e Amesterdão...
Não são “grandes cidades” mas são certamente cidades à minha medida. Ah! e a Horta, claro!! (eh,eh). Bom, aqui segue mais um abraço...
Comentário à viagem enviado por Pietz em 23.AGO.2004 - 18:28
Caro Amigo. Que maravilhosas descrições de viagem! As cidades que mais gostos, das poucas que conheço, sã Budapeste e Barcelona. Sobre Barcelona... As mulheres de Barcelona: as mulheres de Barcelona, as Barcelonesas, são bonitas, interessantes e interessadas, vivas, inteligentes, vistosas, vibrantes, atrevidas até.
Os olhos, castanhos, verdes, azuis, mesmo cinzentos, são amplos, transparentes e profundos.
Têm um olhar ímpar, somente comparável ao das mulheres das vastas estepes da Hungria, ganhando-lhes naquilo que muitos designam por "salero", misto de nostalgia, ingenuidade, ironia e muito querer.
Olham profundamente nos olhos de quem as aprecia, reconhecendo dessa forma o louvor que é feito à sua beleza.
O olhar de um fugaz cruzar na rua, na "carrera", leva-nos a mundos insuspeitos de uma beleza e cor indiscritíveis. Vogamos nesse olhar tempos infinitos, muito próximos da eternidade, em sensações orgásticas, vibrantes, totais.
O corpo esguio, mas bem torneado das Barcelonesas, conduzem-nos por caminhos e veredas de sonho, elevam-nos ao mais alto píncaro da "Sagrada Família", inspiraram Gaudí, não temos quaisquer dúvidas, nos seus desvarios arquitectónicos para os quais não se encontra outra explicação que não seja o turbilhão de sonho e sentimentos que as Barcelonesas lhe provocaram.
O espírito e a sensibilidade das Barcelonesas acompanharão para a Eternidade aqueles que tiveram o privilégio, a ventura, a felicidade de algum dia com elas se cruzarem, nem que tenha sido num fugaz cruzar de olhares.
Comentário à viagem enviado por Vicktor em 25.AGO.2004 - 13:03
O Rio de Janeiro!
Quando subi ao Corcovado e se me deparou aquela visão deslumbrante... fiquei apaixonado!
Será correcto, neste caso, eu desejar-te uma boa viagem????
He! He! He! Acho que não se pode considerar isto como uma mera viagem, pois não?
Amigo, uma grande abraço.
Comentário à viagem enviado por Daniel Rebelo em 27.AGO.2004 - 15:33
Olá viajante glassnost!
Passei por Évora este Verão e abismei-me por não ver nenhum C.C.
Nota 5 em 5 e até tem uma rua chamada “Rua de Pedro Simões”.
Lisboa e Barcelona a meu ver, partilham a mesma luz, embora o farol cultural de Barcelona se imponha.
A absolutamente caótica Deli com as vacas a desafiarem os sinais de trânsito que não existem.
Amesterdão, vazia de carros e cheia de cidadãos com pedalada.
A pequena Peshawar, onde os “muhjaidines” fortemente armados se passeavam e bebiam chá nos bazares.
Vivam as cidades que têm esquilos nos jardins.
Filipe, estamos juntos. Abraços.
Comentário à viagem enviado por Pedro Simões em 28.AGO.2004 - 14:54
Salvador da Bahia... Uma cidade onde nada falta!
O maior centro histórico colonial do mundo, praias, cultura, mulheres lindas, tudoooo....
Comentário à viagem enviado por Daniel (Cristo) em 13.SET.2004 - 02:59
Hum...grande cidade não é facil de enumerar mas talvez Paris, Roma, Praga, Atenas, Budapeste. É tudo tão diferente e cada uma marca por diversas e diferentes razões.
Comentário à viagem enviado por Pedro Lérias em 08.OUT.2004 - 17:33
Paris... simplesmente fantástica!
Comentário à viagem enviado por Raquel em 25.MAR.2006 - 22:50
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Nota: com a renovação do design de Alma de Viajante, em 2006, foi desactivada a introdução automática de comentários à volta ao mundo, para evitar a publicação de spam nas crónicas de viagem. As mensagens podem ser enviadas por e-mail e serão colocadas neste travelogue, manualmente.
Obrigado a todos os que, ao longo dos tempos, enriqueceram esta volta ao mundo com as suas palavras.
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