Tasmânia, Austrália
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Pertence à Austrália, mas orgulha-se das suas notórias diferenças. Abriga montanhas espectaculares como as Cradle, belíssimas baías como a Wineglass, lagos como o St. Clair, uma atractiva costa escarpada por toda a ilha, cidades aprazíveis como Hobart ou mesmo Launceston e ainda pinguins e o inevitável diabo. Aqui fica o retrato de uma viagem à ilha da Tasmânia. |
Por Filipe Morato Gomes |
Onde fica a Tasmânia [Google Earth]? |
SOBRE A TASMÂNIA
Separada da Austrália continental pelos 240 quilómetros do estreito de Bassin, a Tasmânia é um território distinto do resto da Austrália. Longe da aridez do outback e das populares praias e recifes de coral da costa leste australiana, a Tasmânia destaca-se pela pureza do ambiente, pela beleza agreste das suas paisagens de solo fértil, pela costa escarpada que circunda boa parte da ilha e deixa o mar perto mas longe, pelos lagos e montanhas que fazem as delícias dos caminheiros. “Um mundo aparte”, como gostam de referir os naturais do estado mais a sul da Austrália.
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| Feira semanal em Salamanca, Hobart, capital da Tasmânia |
A própria capital de Estado, Hobart, de apenas duzentos mil habitantes, é uma cidade com charme e que vale a pena desvendar. O bairro residencial de Battery Point, com as suas casas térreas e cafés intimistas, confere um toque de elegância ao burgo. Uma excelente área para passeios pedonais descontraídos pese embora o clima um pouco instável de quase toda a ilha - e Hobart não é excepção -, que varia rapidamente do soalheiro para o frio e chuvoso, e vice-versa.
Não obstante, a zona preferida dos visitantes está situada um pouco mais próxima da área ribeirinha: a praça Salamanca. A praça e toda a esfera envolvente, centro pedonal da cidade, transmitem grande serenidade e beleza. Os edifícios são antigos, de grossas paredes de pedra e fachadas bem preservadas, majestosos. Ao sábado de manhã, a azáfama toma conta de Salamanca, por alturas do mercado de rua semanal, quando turistas e habitantes locais para lá convergem em busca de pechinchas e petiscos. Uma altura perfeita para conhecer, olhando para além das habituais mercadorias para turista comprar, um pouco das tradições regionais em forma de frutas e doçarias, livros em segunda mão, roupas e tecidos, utensílios de madeira e artefactos de mil utilidades.
PORT ARTHUR
Port Arthur é a atracção turística mais visitada da Tasmânia. Fica numa zona originalmente habitada pelo povo Pyderrairme mas que, a partir de 1833, foi transformada num estabelecimento prisional erguido para albergar os “piores criminosos do império”.
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| Port Arthur, Tasmânia, Austrália |
O tratamento que os presidiários recebiam era de acordo com essa fama. Torturas, chicotadas, semanas de isolamento em celas exíguas e escuras e alimentação deficiente era com o que podia contar quem ali chegava. Muitos acabavam com profundas deficiências psicológicas; muitos outros, simplesmente, sucumbiam.
Apesar de tudo, Port Arthur é considerado o embrião das prisões australianas da actualidade. Os princípios da divisão dos presos por categorias hierárquicas, da disciplina, da recompensa e punição, bem como os primeiros programas de educação vocacional e formação profissional foram testados em Port Arthur. Tudo fazia parte de um sistema prisional deliberado, coerente e não raras vezes brutal. Talvez seja isso que os turistas procuram no complexo prisional de Port Arthur: os vestígios de um passado tortuoso.
FREYCINET, CRADLE E ST. CLAIR - PARQUES NATURAIS, MONTANHAS E LAGOS DA TASMÂNIA
Com mais de 2.000 quilómetros de trilhos marcados e dezoito parques nacionais, a Tasmânia oferece condições únicas para os amantes de um turismo mais activo, em contacto com a Natureza, caminhando por montes e vales inacessíveis de outra forma. Os sítios mais procurados para o efeito são as estonteantes montanhas Cradle, onde grupos de viajantes efectuam caminhadas de vários dias por trilhos distantes da civilização e de lá saem invariavelmente maravilhados. E o lago St. Clair, uma das paisagens mais belas da ilha, localizado no homónimo Parque Natural.
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| Vista da Wineglass Bay, no Parque Natural Freycinet |
Para os menos aventureiros ou em menor forma física, há outras opções a considerar. Uma visita ao Parque Natural Freycinet, por exemplo, famoso pela atractiva Wineglass Bay, um nome atribuído devido à geografia dos contornos da baía que, com alguma boa vontade, se assemelha a um copo de vinho. Ou uma visita às colónias de pinguins que habitam a região de Bicheno, embora nem sempre o bom-senso impere, entre os turistas, no contacto com as simpáticas criaturas.
Visitar a Tasmânia, mais do que proporcionar umas relaxantes férias de Verão, é uma experiência sensorial. O Turismo da Tasmânia promove a ilha com recurso a uma provocadora pergunta: ”Se fizessem um filme da sua vida, alguém compraria bilhete?” Aqui fica o desafio.
DIABO DA TASMÂNIA
Não é fácil observar a barulhenta criatura em ambiente selvagem, embora existam excursões especializadas organizadas com esse propósito. Para a grande maioria dos visitantes, resta a opção de observar os diabos da Tasmânia em parques criados para reabilitar animais feridos e órfãos. A experiência não é, obviamente, tão exaltante.
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| Hobart, capital da Tasmânia, Austrália |
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| Feira semanal em Salamanca, Hobart |
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| Loja de arte aborígene em Hobart, Tasmânia |
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| Bairro residencial Battery Point, Hobart |
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| Coles Bay, Tasmânia, Austrália |
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| Uma turista numa praia quase deserta da Tasmânia |
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GUIA DE VIAGENS
COMO CHEGAR À TASMÂNIA
Voar para uma das grandes cidades do sul da Austrália - Melbourne, Adelaide ou Sydney (preços a rondar os 1000 euros, mais taxas). A partir daí, a forma mais rápida e económica de se chegar à Tasmânia é voar com uma das linhas aéreas de baixo custo que surgiram no país no último par de anos. A Jetstar e a Virgin Blue são apostas seguras, embora ocasionalmente surjam relatos de atrasos de várias horas nas partidas dos voos. Um voo de Sydney para Lauceston pode custar menos de 50 euros; de Melbourne ou Adelaide para Hobart, ligeiramente menos. Se preferir a via marítima, mais demorada e quase sempre mais cara, há ferryboats da Spirit of Tasmania que ligam Melbourne e Sydney a Davenport, no norte da Tasmânia.
HOTÉIS
Há inúmeras e diversificadas opções, dependendo do orçamento e das regiões que visitar. Nas cidades e vilas, opte por um hotel histórico, um intimista Bed & Breakfast ou, dispondo um orçamento mais apertado, por uma das várias pousadas para “mochileiros” existentes, por exemplo, na capital Hobart. Em zonas rurais e de montanha, existem agradáveis chalés coloniais e refúgios de montanha que podem constituir uma excelente opção. Se levar tenda de campismo, acampar é outra hipótese a considerar, quer durante os trekkings pelo interior da ilha, quer nas zonas próximas do mar. O site do turismo da Tasmânia é uma óptima fonte de informação a este respeito.
SUGESTÃO DE RESTAURANTE EM HOBART
Não fora o caso de ser, de facto, sublime, e a sugestão não faria aqui qualquer sentido, até porque a cozinha local é muito apelativa. Mas o restaurante italiano Da Vinci´s, em Hobart, capital da Tasmânia, é capaz de surpreender o mais devoto apreciador da gastronomia transalpina, pela qualidade das pastas apresentadas. Fica na Salamanca, 93.
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