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Viagens Suazilândia - safari na Reserva de Mkhaya
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Suazilândia

Uma mão-cheia de singularidades distingue a Suazilândia: é um dos países mais pequenos do continente africano e um dos mais tranquilos, proporcionando aos viajantes relaxantes vagabundagens. Apesar de ser a última monarquia absolutista africana, a nação suazi tem para oferecer um dos rostos mais amáveis de África.

Por Humberto Lopes

Onde fica a Suazilândia [Google Earth]?



TRILHOS E SAFARIS NO JARDIM AUSTRAL

In our swazi culture...”. Lelemi, guia na Mantenga Cultural Village, uma aldeia turística situada no vale de Ezulwini, no coração da Suazilândia, retoma vezes sem conta a mesma expressão antes de enunciar cada uma das peculiaridades da cultura do país, uma das três monarquias africanas, a par do Lesoto e de Marrocos. No horizonte, a pouca distância do povoado, podemos ver recortado sobre um céu de nuvens escuras o pico da montanha Nyonyane, em tempos conhecido como Execution Rock, uma espécie de símbolo da justiça tradicional da Suazilândia. Até há algumas décadas atrás, era uma tradição as autoridades “convidarem” os criminosos a saltar lá do alto.

Habitação tradicional da aldeia de Mantenga
Habitação tradicional da aldeia de Mantenga

À margem deste pormenor, a história e a cultura da Suazilândia testemunham uma existência sem grandes atribulações durante uma boa parte do século finado, ao contrário do que registaram os anais de muitas outras nações africanas, que sofreram de forma mais marcada a violência e a repressão coloniais. O regime quase absolutista em vigor praticamente desde a independência tem originado, todavia, sobretudo desde os anos 90, forte contestação, sendo cada vez maiores as pressões para uma efectiva democratização do país.

Apesar da natureza assumidamente turística de Mantenga, e da sua artificialidade, a experiência da visita constitui uma introdução bem animada à cultura do território, incluindo-se no périplo danças e cantos suazis e uma descrição das funções das diferentes palhotas na organização familiar de uma sociedade em que a poligamia mantém o seu reinado. As explicações ataviam-se com aquele humor despretensioso e descontraído com que poucas vezes se consegue falar de coisas sérias. Lelemi, como ficou provado das duas vezes que passei por Mantenga, tem um dom especial e raro para a tarefa. “In our swazi culture, one man, many women...”: imagine-se uma encenação improvisada de ilustradoras cenas do quotidiano, com a participação “voluntária” dos visitantes...



SANTUÁRIOS PARA O ECOTURISMO NA SUAZILÂNDIA

Apesar da dimensão da Suazilândia - dezassete mil quilómetros quadrados para cerca de um milhão de habitantes - a diversidade paisagística marca fortemente o território suazi. O Highveld, na parte ocidental, é uma região montanhosa, onde o verde de matas densas acompanha cursos de água e, por vezes, enquadra voluptuosas cascatas sazonais. O Middleweld corresponde a um trecho menos acidentado, de transição, que abrange os vales com maior densidade populacional, precisamente a região onde se encontra o vale de Ezulwini, repleto de jacarandás floridos na primavera. O Lowveld, na metade leste do país, oferece um contraste forte com o resto do território, apresentando cenários de savana africana. É nestes dois últimos ecossistemas que se encontram as três mais importantes reservas de vida selvagem do país, o Mlilwane Game Sanctuary, a Mkhaya Game Reserve e o Hlane Royal National Park, três espaços naturais associados no projecto Big Game Parks.

Elefantes no Royal Lhane Park, safari na Suazilândia
Elefantes no Royal Lhane Park, Suazilândia

Cada um dos parques tem características e ecossistemas específicos, embora constituam habitats comuns para certas espécies. O de Mlilwane, a mais antiga área protegida da Suazilândia, é um território que se pode percorrer a pé, ou a cavalo, já que a fauna é essencialmente constituída por várias espécies de antílopes, incluindo alguns raríssimos (como o frágil antílope azul), impalas, facocheros, zebras, búfalos, girafas e abundante e sortida passarada. Perto dos lagos, contudo, os caminhantes são instados a redobrar os cuidados e a não ultrapassar os limites de aproximação, já que aí se encontram habitats de crocodilos e de uma espécie do grupo dos chamados big five, o hipopótamo.

Dentro da reserva há várias opções de alojamento, nomeadamente um camp com oito cabanas dispostas em círculo e construídas com materiais (caniço e colmo) e estilos arquitectónicos tradicionais do povo suazi. A oferta mais confortável e carismática é, todavia, o Reilly's Hilltop Lodge, a velha casa dos Reilly, uma família irlandesa que se instalou no país no século XIX. A moradia, de estilo colonial, em pedra e madeira, está situada no topo de uma colina, rodeada por antiquíssimos jacarandás e por um jardim botânico povoado de cicas e aloés raros. Do alpendre que abraça a casa avista-se uma boa parte da reserva de Mlilwane. Ao lado, à volta de um pequeno éden, partem trilhos pedestres que se entranham nos meandros da reserva. Tanto em Mlilwane como noutros parques, os serviços da Chubeka Trails podem ser muito úteis para a organização de caminhadas ou de percursos a cavalo.



SAFARIS NA SAVANA

O cenário da Mkhaya Game Reserve é substancialmente diferente. Nos seis mil hectares da reserva predomina a savana, planura sulcada por rios secos, estáticos a maior parte do ano. A fauna reúne muitos exemplares de rinoceronte branco (há também rinocerontes pretos, mais raros, que são o orgulho da reserva), várias espécies de antílopes, impalas, girafas, palancas e elefantes. Crocodilos, pequenos mamíferos, aves de rapina e outra passarada podem ser vistos também com relativa facilidade durante os safaris em jipe aberto organizados pela administração do parque. É imprescindível fazer reserva antecipada tanto para os alojamentos como para os safaris. Para os que preferem caminhadas, é possível também preparar safaris a pé, realizados sobretudo ao amanhecer ou ao fim do dia, quando é mais fácil observar os animais junto de fontes de água.

Safari na Mkhaya Game Reserve
Safari na Mkhaya Game Reserve

A fauna e o ecossistema do Hlane Royal Park, a maior reserva de vida selvagem da Suazilândia (30 000 ha), são semelhantes às do Mkhaya Game Reserve, e a paisagem é das mais emblemáticas do Lowveld. O símbolo do parque é um leão, embora na verdade não haja actualmente leões em liberdade no território. A reintrodução do bicho real está ainda numa primeira fase, com alguns exemplares em semi-cativeiro, mas os visitantes da reserva têm sobejas razões a justificar o safari. São facilmente avistáveis grupos de zebras, impalas, elefantes, nhalos, kudus e rinocerontes. A reintrodução de veados contribuiu muito para a diversificação da vida selvagem do parque. Hienas, chacais, abutres, águias (e outras aves de rapina) contam-se entre as espécies da cadeia ecológica bem representadas na população da reserva.

O Hlane Royal Park também disponibiliza alojamento, com ou sem facilidades de self-catering, tal como acontece, aliás, na reserva de Mkhaya. A informação está longe de ser supérflua e é mais do que simples nota de utilidade prática. O que está em causa neste tipo de fruição da reserva é, afinal, a experiência assaz singular proporcionada pelo Ndlovu Camp, experiência que inclui a possibilidade de cozinhar ao ar livre, em fogueiras ou barbecues, escutando de noite os sons únicos da savana, os bramidos dos elefantes, das hienas, dos mabecos, ou as sinfonias cacofónicas das rãs e das barulhentas cigarras africanas.



SAUDADES DO ÍNDICO

A velha casa da família Reilly, localizada num dos flancos do vale de Ezulwini (que significa paraíso, na língua suazi), pode eleger-se como um privilegiado ponto de partida para conhecer uma boa parte da Suazilândia, nomeadamente as três reservas de vida selvagem que fazem parte dos Big Game Parks. Mas não só: Mbabane, a capital, está a dois passos, as principais vias de comunicação do país vêm convergir no eixo que liga as duas cidades mais importantes da Suazilândia, e algumas das principais atracções turísticas estão concentradas no vale.

Dançarina da aldeia de Mantenga, Suazilândia
Dançarina da aldeia de Mantenga, Suazilândia

Em suma, para além das incursões pelas reservas naturais citadas e da visita à aldeia de Mantenga, há outras actividades disponíveis para os viajantes. Para os aficcionados de paisagens montanhosas, a reserva natural de Malolotja, no Highveld, oferece cerca de 200 km de trilhos com variados graus de dificuldade. A altitude varia no espaço da reserva entre os 650 e os 1860 m (no pico Ngwenya, o ponto mais alto da Suazilândia), há florestas de altitude, espécies botânicas raras e uma abundância faunística que inclui águias (entre as quase trezentas espécies ornitológicas recenseadas há algumas raridades), zebras, impalas, gondongas e gnus. As cascatas fazem parte da paisagem da reserva e aí encontramos precisamente as mais altas da Suazilândia, as Malolotja Falls, com quase uma centena de metros de altura.

Quanto a compras, canto de sereia em que muitos viajantes enfastiados gostam de se deixar embalar, o vale de Ezulwini oferece múltiplos atractivos, desde as velas decorativas das Swazi Candles, com os seus motivos faunísticos africanos, até aos batiques da Baobab Batik (onde se pode assistir a uma explicação sobre as técnicas de fabrico artesanal), ou ao artesanato da cooperativa Gone Rural, uma espécie de instituição de comércio justo que comercializa o trabalho (de excelente qualidade) de algumas centenas de artesãs. O trabalho em cestaria é bastante inventivo e de grande perfeição - há certas peças, notáveis, que misturam técnicas de cerâmica.

Bastante aconselhável, também, é o mercado de Manzini (quinta-feira é o melhor dia), onde podem ser apreciadas e adquiridas peças de artesanato do reino da Suazilândia e de outros lugares da África Austral, das vizinhas repúblicas da África do Sul e de Moçambique. Com um pouco de sorte - ou perspicácia -, descobrem-se umas simpáticas vendedoras lá das terras de Maputo, a falar português ou xangana, e a roer saudades das margens do Índico. São também esses momentos, de regateio, de cumplicidade, de troca inesperada de afecto, que valem a viagem. Que valem, por vezes, uma viagem.


Atelier de batiques na Baobab Batik
Atelier de batiques na Baobab Batik
Conversa à volta da fogueira na aldeia de Mantenga
Conversa à volta da fogueira na aldeia de Mantenga
Girafas no Hlane Royal Park
Girafas no Hlane Royal Park
Danças tradicionais na aldeia de Mantenga
Danças tradicionais na aldeia de Mantenga


GUIA DE VIAGENS


COMO CHEGAR À SUAZILÂNDIA

A Suazilândia é um território de pequena dimensão, com cerca de 17.300 km2, que partilha fronteiras com a África do Sul e Moçambique. A melhor maneira de viajar para o país é apanhar um voo para Moçambique. A fronteira fica a uma hora de Maputo, a estrada está em boas condições e as formalidades de fronteira são rápidas. Em cerca de duas horas pode-se chegar ao centro do país ou a qualquer uma das reservas naturais referidas no texto.


QUANDO VIAJAR

A estação seca decorre de Junho a Setembro, período em que as temperaturas são mais baixas. Aconselha-se nessa época roupa apropriada para temperaturas que podem descer abaixo dos 10 graus. Entre Novembro e Maio, as temperaturas são mais elevadas - no Lowveld ultrapassam facilmente os 40 graus -, e as possibilidades de aguaceiros tropicais são maiores.


HOTÉIS NA SUAZILÂNDIA

Jardim da casa dos Reilly, junto à reserva de Mlawula, Suazilândia
Jardim da casa dos Reilly, junto à reserva Mlilwane, Suazilândia

O alojamento no Reilly's Hilltop Lodge deve ser reservado antecipadamente. Os preços variam entre 30 e 100 dólares para as cabanas do Main Camp e para os quartos da casa principal. Na Mkhaya Game Reserve, há alojamentos sui generis no Stone Camp, construções em pedra e colmo, com aberturas laterais que permitem uma inserção e uma perspectiva mais íntimas com o espaço natural envolvente.


INFORMAÇÕES

Os cidadãos da União Europeia não necessitam de visto para a Suazilândia. Para Moçambique é necessário visto, que pode ser obtido na embaixada, em Lisboa, ou no consulado do Porto.

Em Maputo, a SET Tours organiza viagens a la carte à Suazilândia, de acordo com os interesses dos viajantes, assim como serviços de transfer para o Reilly's Hilltop Lodge ou para outras unidades. Contacto e-mail: set-tours@teledata.mz.

A moeda da Suazilândia é o Emalangeni, que tem paridade com o Rand sul-africano. Os pagamentos são feitos com ambas as moedas e é possível levantar dinheiro em caixas automáticas.




LINKS ÚTEIS

» Big Game Parks - Parque Naturais da Suazilândia
» Turismo da Suazilândia
» Vila cultural de Mantenga


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