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Peloponeso, paisagens idílicas de Olímpia a Náfplio

TextoFotosAna Isabel Mineiro19/10/2006

Esparta, Olímpia, Arcádia, Corinto, Micenas - se há lugares que já conhecemos de nome desde os bancos da escola, um bom punhado deles situa-se na península grega do Peloponeso. E quase de certeza que são os mais belos. Viagem ao Peloponeso, Grécia.

Sobre a península Peloponeso

Pátra é a cidade mais importante da atraiçoada península do Peloponeso - transformada em ilha pelo canal de Corinto desde 1893 -, mas não é, certamente, a mais interessante. Aliás, mesmo as históricas Corinto ou Argos, apesar das monumentais ruínas, pouco têm para prender o visitante. E Esparta, por escolha dos seus próprios arquitectos, nunca teve grandes monumentos ou fortalezas, já que “são os homens, e não as muralhas, que fazem uma cidade”.

É preciso procurar nos lugares pequenos, e nas paisagens afastadas dos caminhos principais, a admirável conjugação de história e beleza que o Peloponeso tem para oferecer. Podemos começar por Mystras, a apenas cinco quilómetros de Esparta que, juntamente com Monemvassia, mais a Sul, é uma espantosa cidade bizantina bem preservada e recuperada, onde as fortificações e as igrejas pintadas com frescos nos levam numa primeira viagem no tempo, a repetir um pouco por todo o lado.

Paisagens idílicas de Olímpia a Náfplio

Praia na península do Peloponeso, Grécia

Praia na península do Peloponeso, Grécia

Em Olímpia, por exemplo. A zona onde se situa, a Arcádia, é de tal modo idílica que deu origem ao conceito de paraíso rural, tão caro à literatura europeia renascentista. Vales e montes parecem desenhados pelos melhores paisagistas, com pequenos detalhes de casario em pedra por entre bosques de choupos, pinheiros, castanheiros e oliveiras.

A terra é fértil e avermelhada, destacando as riscas verdes das vinhas e os cinzentos de lagos escondidos por canaviais. Reina a harmonia e a abundância, e os ruídos são de pássaros, água, ou badalos de rebanhos distantes.

Alguns pastores espalham as manchas brancas das ovelhas pela paisagem onde se esconde Olímpia, onde durante um milénio se realizou a mais importante competição desportiva do mundo.

O lugar continua encantador e deixa-nos imaginar as competições no estádio, onde caberiam quarenta mil pessoas, ou os treinos dos atletas por entre as colunas da Palaestra. O formidável templo de Zeus desabou, mas os seus pórticos trabalhados, com figuras maiores que o natural, e as enormes colunas tombadas, deixam aperceber uma obra construída por deuses, ou por quem pretendia imitá-los.

A paisagem continua a mesma até Nápflio, com extensos olivais e laranjais, de onde sobressaem as pontas aguçadas de ciprestes. São famosas, as azeitonas desta zona, e com este clima os tomates não sabem a água, o queijo Feta é dos melhores do mundo, há mel e vinho com fartura.

Ao fim do dia, depois de uma prolongada sesta que pode ir até às cinco da tarde, nesta agradável cidade abrem-se de novo as portas das lojas, e nas ruelas estreitas os restaurantes transbordam de mesinhas de madeira pintada. Nápflio chegou a ser por um breve período (1829-1834) a capital da Grécia moderna, e conserva muito da elegância arcaica desse período, com os seus cachos de buganvílias que escorregam das casas e as varandas de ferro forjado.

Epidauro, o mais bem preservado teatro da Grécia Antiga

Não muito longe fica Epidauro, o mais bem preservado dos teatros gregos. Ainda hoje é utilizado num festival anual, que se realiza durante o Verão e basta deixar cair uma moeda no centro do palco para que o som se espalhe, chegando claro e límpido aos últimos lugares do anfiteatro.

Epidauro, teatro grego

Epidauro, teatro grego

E ali próximo fica Micenas, as ruínas e os túmulos de um lugar místico, a cidade pré-histórica mais importante da Grécia.

O seu nome está para sempre associado à poderosa civilização Micénica, que floresceu nesta zona do Peloponeso, e que liderou a guerra de Tróia e a construção mais impressionante é o chamado Tesouro de Atreus: um extraordinário túmulo nu, como uma enorme cúpula assente no chão, e um portal de entrada digno de um gigante.

Se percorrermos depois a costa para Sul, rente a um mar de águas azuis, encontramos praias desertas como a de Leonidio, num enquadramento de falésias vermelhas encimadas por moinhos; no cimo fica um planalto de abetos, cedros, pinheiros e castanheiros. É nestes lugares que sabe bem ter o seu próprio meio de locomoção e partilhá-lo com os que pedem boleia, desesperados com a falta de transportes. Geralmente são velhinhos das aldeias mais próximas, e gostam de nos deixar nas mãos um bom punhado de figos ou de castanhas, acenando depois até desaparecermos nas curvas.

Visitando Apolo

A península de Mani é um lugar muito especial. Yíthio, antigo porto de Esparta, Flomokhóri, Váthia e Kítta são nomes de povoações, mas também de antigos feudos que se guerreavam até à morte, em vendettas inexplicáveis que duravam anos e dizimavam famílias.

A sua extraordinária arquitectura é disso testemunha: as casas-torre, onde se abrigavam dos ataques, levantam-se como agulheiros de pedra de uma paisagem excepcionalmente agreste e pedregosa. O grupo mais bonito e bem recuperado é o de Váthia, junto à bela baía de Porto Káyio.

Infelizmente, muitas destas aldeias tornaram-se museus ao ar livre, onde as únicas vozes que se ouvem são as dos que admiram mais esta particularidade do Peloponeso, onde ainda mora Apolo, o deus da beleza.



Vista de Nápflio, Grécia

Vista de Nápflio, Grécia

Nápflio

Nápflio

Península de Mani, Peloponeso

Península de Mani, Peloponeso

Ruínas de Olímpia

Ruínas de Olímpia

Ruínas de Corinto, Grécia

Ruínas de Corinto, Grécia

Entardecer numa praia do Peloponeso, Grécia

Entardecer numa praia do Peloponeso, Grécia

Guia de viagens a viagens no Peloponseso

Este é um guia prático para viagens ao Peloponeso, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos, os melhores hotéis e sugestões de actividades na península.

Naxos Quando ir

Quando ir

Todo o ano, mas chove mais no Inverno e é muito quente no Verão.

Como chegar

Como chegar ao Peloponseso

Voar para Atenas com a KLM fica por cerca de 290 euros. Para percorrer o Peloponeso, a melhor solução é alugar um carro. Só assim ficará livre das arbitrariedades dos transportes locais - e rurais - desta zona da Grécia.

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Onde ficar

Onde ficar

Em Nápflio, o Hotel King Othon, na rua Farmakopoulou, 2, com duplos que rondam os 80 euros; em Esparta, o Hotel Maniatis, na rua Paleologou, 72.

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Onde comer

Restaurantes

Comer nunca é problema na Grécia: qualquer aldeia tem uma taverna ou estiatorio abertos. E se os gregos são maus a fazer pão, são excelentes em legumes de todos os tipos, peixe, assim como iogurtes e entradas frias. As sobremesas são boas mas dulcíssimas. Em Nápflio, gostámos da Palia Taverna, em frente ao mar, ou o Ellas, na praça Syndagma, mas há uma escolha infinita.

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