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Viagens Amesterdão, Holanda
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VIAGENS EUROPA » HOLANDA » AMESTERDÃO

Amesterdão

Há oitocentos anos Amesterdão era um pequeno porto de pescadores. Hoje é uma das mais populares cidades europeias, procurada anualmente por centenas de milhares de turistas. As multidões afluem sem cessar aos pontos mais conhecidos, mas a identidade de Amesterdão passa também por outros sinais mais ou menos discretos, para os quais é preciso tempo, um olhar diferente e todos os sentidos despertos.

Por Humberto Lopes | 10.Jul.2007



VIAGEM A AMESTERDÃO

Arriscando um lugar-comum que, afinal, bem se aplicaria a qualquer outra cidade, poderíamos afirmar que Amesterdão tem tantas faces quanto os olhares que a busquem ou a imaginem. Para além das fachadas de postal ou das cenas de rua que a parecem reduzir a uma unidade coesa, a uma entidade urbana facilmente reconstituível, a cidade é, para além dessa dimensão material, um mosaico de diferentes componentes identitárias, elemento que é argamassa da sua tão incensada condição de urbe cosmopolita. E, por outro lado, se Amesterdão é uma cidade europeia, ela é também sedimento de um número infinito de sinais da história do mundo nos últimos cinco séculos.

O velho casario de Amesterdão, Holanda
O velho casario de Amesterdão

Em Amesterdão vive um número considerável de “minorias étnicas”, gente chegada de muitos e diversos lugares, da Indonésia às Antilhas, nem sempre oriunda dos países de que a Holanda foi potência colonial e com gerações nascidas já em território europeu. Mas a multi-culturalidade da cidade não se fica pela componente populacional, como fazem questão de lembrar os holandeses quando sublinham que o café, o tabaco, as tulipas (e até os moinhos) são originários de outras culturas e foram incorporados ao longo do tempo nos hábitos sociais e na vida económica dos holandeses. Por outro lado, e num plano mais superficial, muitos dos espaços nocturnos da cidade de Amesterdão são montras de música de várias latitudes - em Julho a cidade acolhe, por exemplo, um grande festival de world music, um dos maiores da Europa.

Para começar um estimulante itinerário pela cidade, que melhor paradoxo do que a praça de Nieuwmarkt? Apesar do nome, que designa a sua posterioridade ao recinto medieval do qual subsistiu o edifício de Waag, outrora uma das portas de entrada da cidade, o local é hoje muito popular entre os holandeses pela oportunidade que oferece de encontrar objectos de outros tempos a preços atractivos. Ali se realiza todos os domingos um dos mercados mais animados da cidade, uma feira de antiguidades que conta mais de quinhentos anos de existência. Tanto na Elandsgracht como em Nieuwe Spiegelstraat, ou ainda nas ruas circundantes do Rijksmuseum, abundam igualmente as lojas e mercados do género, abertos regularmente todos os dias da semana.

Foto da Central Station, em Amesterdão
A Central Station, no coração urbano de Amesterdão

Os mercados representam, aliás, uma das facetas mais pitorescas de Amersterdão, onde se pode tomar o pulso aos ritmos da vida local. Quase tudo pode mudar de mãos desde as exuberantes flores do Bloemenmarkt, junto ao Singel, até às roupas novas ou usadas das tendas do mercado de Albert Cuypstraat (onde se encontram também frescos, peixe ou queijos), um dos maiores de toda a Holanda, ou aos livros em segunda mão nas inúmeras bancas de Oudemanhuispoort. Os amantes de flores podem ainda ter uma perspectiva mais próxima da dimensão desta área de negócios na Holanda: em Aalsmeer, nos arredores da cidade, existe um grande centro de leilões aberto também aos curiosos, que funciona todos os dias logo pela manhã - convém, portanto, chegar muito cedo. Quem quiser esperar por sábado poderá deslocar-se a Noorderkerk para inebriar os ouvidos com a algazarra da feira de pássaros. No mesmo dia, e também às quartas, os coleccionadores de selos e de moeda encontram na pequena rua Nieuwezids Voorburgwal muito por onde escolher. Finalmente, a espécie de feira da ladra de Waterlooplein é outro dos lugares indispensáveis para mergulhar no buliçoso coração de Amesterdão. Discos, roupas, velharias, livros ou bicicletas em segunda mão, quase tudo é possível encontrar no meio da panóplia de um dos mercados mais populares entre os jovens da cidade.

Há, evidentemente, outros mercados menos ortodoxos e com menos imprevisíveis horários, como o mercado de sexo do «Red Light District», na zona do Oudezidjs Voorburgwal e do Achterburgwal, com as suas variantes real e virtual, e com um leque de dimensões que vão do pequeno negócio pessoal até ao supermercado de imagens e performances, tudo meca de peregrinações nem sempre de gente solitária...



O PASSADO COLONIAL DE AMESTERDÃO À MESA

A boémia Amesterdão é, como se vê, uma cidade para todos os sentidos. À mesa, o viajante encontra uma espécie de mapa-múndi onde se podem ensaiar viagens que cobrem todas ou quase todas as geografias. A gastronomia da Indonésia é obviamente dominante (com o rijstafel, um puzzle de pratos acompanhados de arroz, a inaugurar a lista), uma vez que a Holanda foi a potência colonial daquele país asiático. Mas alternativas são variadíssimas e incluem tanto a cozinha holandesa, com bastantes restaurantes cuja especialidade é peixe fumado, como a francesa ou a indiana, entre outras de sabores orientais ou tropicais, a testemunhar as antigas andanças da pirataria holandesa nas Antilhas.

Foto de viagens a Amesterdão, Holanda
Sob o signo de Van Gogh

O passado colonial impregna naturalmente uma boa parte das perdições gastronómicas holandesas, asserção que se poderia ainda justificar com o gosto pelo chocolate ou pelo café (na Warmoesstraat há várias lojas antigas cheias de personalidade e odores irresistíveis). Mas o tabaco conserva também os seus pergaminhos na Rokin, onde um antigo estabelecimento, com mais de cento e cinquenta anos, oferece ao viajante paraísos voláteis de mil e um aromas.

Mas os melhores lugares de Amesterdão para o ritual do café e do tabaco são evidentemente os chamados “cafés castanhos” (bruin kroeg), espaços onde o fumo de décadas parece ter-se entranhado nas paredes e nos móveis, alguns dos quais instalados em casas do século XVII. O Oosterling (Utrechtstraat, 140), que tal como o Drie Fleschjes ocupa o espaço de uma antiga destilaria, o Hoppe (Spui, 20), o In De Wildeman (Kolksteeg, 3), que oferece uma escolha de mais de uma centena de macas de cerveja, ou o Dam (Damstraat, 4) são alguns dos mais interessantes, conservando atmosferas que evocam o passado marinheiro dos holandeses e antigas tertúlias literárias. O Het Molenpad, na Princess Gratch, é poiso incontornável, com uma vista admirável sobre o canal, além da sua condição de porta de entrada do bairro boémio de Jordaan, onde o T'Smalle, com a sua atmosfera oitocentista, espera os viajantes dispostos a esquecerem-se do tiquetaque dos relógios. Em resumo, a oferta é grande e rivaliza bem com a profusão de coffee shops que nos últimos anos se multiplicaram como cogumelos e onde os fumos são, com toda a evidência, outros.



MUSEUS E SALAS DE FUMO

Com substancial fundamento, Amesterdão é destino de muitos viajantes que ali vão saciar a sua sede de cultura: todos os dias se repetem filas intermináveis no Rijskmuseum ou no Museu Van Gogh, para verem as telas do famoso pintor, ou ainda ao longo da Prinsegracht, onde se situa a casa de Anne Frank. Um passeio de inspiração aparentemente menos etnocêntrica poderá levar o viajante ao Museu dos Trópicos, na Linnaeustraat, para observar uma construção europeia dos ambientes de rua de algumas culturas distantes. O museu organiza também exposições temporárias sobre temáticas variadas, com assuntos tão variados como máscaras mexicanas, joalheria do Tibete e do Nepal, ou as artes do xamanismo de diferentes épocas e regiões.

Viagens Amesterdão
O pioneiro Hash Marihuana Hemp Museum em Amesterdão, Holanda

Se o viajante desejar continuar a tecer derivas alternativas aos percursos mais estafados, sem todavia que a Amesterdão do dia a dia deixe de continuar a revelar-se entre um e outro ponto de atracção, o objectivo seguinte pode ser Achterburgwal, um canal em cujas muito agitadas margens se encontra o Hash Marihuana Hemp Museum, um museu que possui também um banco de sementes de cannabis e põe à disposição dos interessados todo o equipamento e aconselhamento técnico necessários ao cultivo da planta em estufa. O museu é sobretudo um importante ponto de referência para quem deseje obter informação detalhada sobre a história da cannabis e sobre aspectos proibicionistas e legislativos em vários países. Na Holanda, o consumo dos derivados da primeira (o haxixe e a marijuana) é tolerado e a sua venda admitida aos maiores de 18 anos, enquanto o tráfico de dogas duras é severamente reprimido, o que já levou, aliás, ao encerramento de algums coffee shops que infringiram a lei. Sobre o assunto, os turistas são convenientemente informados através de folhetos distribuídos nos postos de turismo. Entre as regras em vigor, está a proibição de publicidade e a venda de quantidades superiores a cinco gramas por pessoa, restrições que de uma maneira ou de outra são frequentemente contornadas pelas coffee shops.

Os viajantes mais audazes, eventualmente inspirados pela eloquência da informação oferecida pelo Hash Marihuana Hemp Museum, costumam deixar-se tentar pelos apelos das coffee shops, aconselhadas, aliás, oficialmente, como alternativa mais segura aos vendedores de rua. As coffee shops onde muitos jovens (e menos jovens) holandeses e turistas passam horas de cavaqueira e de fumo têm também as suas hierarquizações em termos de qualidade e de pergaminhos. Depois de um período de expansão rápida, que acabou regulamentado por legislação mais restritiva à actividade deste tipo de estabelecimentos, os tempos das coffee shops soturnas deu lugar à emergência de novos locais mais arejados - e mais liofilizados... -, com alternativas de lazer como equipamentos de jogos e alguns deles com esplanadas.

Um exemplo deste novo figurino é o Buldog Palace, na Leidseplein. Outros dois locais que fazem por alargar o seu prestígio são o Rookies (Korte Lidesedwarsstraat, 145), que sempre reclamou ser um dos raros locais onde não se mistura tabaco com o haxixe, e o The Old Man, na Damstraat, 16. Uma alternativa a estas provas sedentárias é o Steam Boat Cruise oferecido pelo The Boom Café, na Lijnbaansgracht, 238 (perto da Leidseplein), onde além da tradicional cerveja holandesa, a atmosfera pode ser complementada com umas fumaças enquanto o barco flutua suavemente sobre as águas de canais à margem das vias «mainstream», mas nem por isso menos depositários da identidade de Amesterdão. Entre as várias propostas de percursos está a visita a um dos únicos moinhos existentes na cidade e a algumas das zonas mais antigas dos arredores e, como não podia deixar de ser, uma incursão à intimidade de um dos mais discretos canais do Red Light District. Rigorosamente, ver o movimento da vida a partir de um miradouro flutuante.


De barco ou de bicicleta, duas formas de circular em Amesterdão, Holanda
De barco ou de bicicleta, duas formas de circular em Amesterdão
Viagem Amesterdão
Graffitis em Amesterdão


GUIA DE VIAGENS


COMO CHEGAR A AMESTERDÃO

Pesquisa e reserva de voos na eDreams

A KLM e a TAP voam para Amesterdão todos os dias, a partir de Lisboa e do Porto. A partir do aeroporto, há ligação ferroviária para a Central Station, no centro da cidade (menos de meia hora).

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HOTÉIS EM AMESTERDÃO

Hotéis

Para além desta selecção de hotéis em Amesterdão, aconselha-se também o Ambassade Hotel, o Canal House Hotel, Amsterdam House, o Amstel Botel (hotel flutuante)e o The Veteran.

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Reserva de hotéis na Hotelopia

Pesquisa e reservas em Hotelopia: Hotéis Amesterdão


O QUE VISITAR EM AMESTERDÃO

Um conhecimento mínimo da cidade requer pelo menos uma semana. A zona central de Amesterdão merece longos passeios, particularmente todo perímetro compreendido entre o canal Singelgracht (que passa junto ao Rijksmuseum e faz um arco em torno do centro urbano) e a Prins Hendrikkade, a longa avenida que se estende diante da Central Station.

São indispensáveis as visitas ao Bairro Rembrandt (onde se encontra a casa habitada pelo pintor no séc. XVII, a praça Waterlooplein e a Sinagoga Portuguesa), à zona do Oudezidjs Voorburgwal, ao Westerkerk (casa de Anne Frank), à Damrak e às ruas periféricas, à Rokin e ao Vondelpark, onde se situa a animada praça Leidseplein. O Singel, o Prinsengracht, o Keisersgracht, o Herengracht e o Brouwersgracht são alguns dos canais que não podem deixar de ser incluídos num roteiro. Alugar uma bicicleta pode ajudar a tornar os passeios mais agradáveis, além de se cumprir assim a velha máxima “Em Roma faz como os Romanos”.

Museus a não perder: Rijksmuseum, Van Gogh Museum, Museu dos Trópicos, Casa de Rembrandt, Casa de Anne Frank, The Hash Marihuana Hemp Museum.


INFORMAÇÕES ÚTEIS

Há um Posto de Turismo localizado na Central Station, mesmo no coração de Amesterdão.



LINKS ÚTEIS

» Site oficial do Turismo da Holanda


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