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À sombra de Djerba

TextoFotosAna Isabel Mineiro18/06/2006
Ilha de Djerba

Poderá alguém que não aprecia praia passar umas férias de sonho numa ilha? A resposta é sim, se for Djerba, uma pequena ilha tunisina recheada de lugares a visitar, paisagens e história.

A vida na ilha de Djerba

Djerba foi fenícia, cartaginesa e romana. A sua população é de origem berbere, os árabes chegaram no século VI e a ilha conta ainda com uma das mais antigas comunidades judaicas do mundo. No século XV foi refúgio de piratas, e no século XIX chegou a colonização francesa. Dito isto, compreendemos imediatamente algumas das diferenças que aqui encontramos em relação a terra firme, que vão da arquitectura à língua e aos costumes. E apesar do rolo compressor do turismo de massas, que chega faminto por praias, sol e bom tempo, nem tudo se perdeu. Não falta o que fazer num dia de nevoeiro, ou onde passar os dias sem ir à praia.

Ilha de Djerba

Ilha de Djerba, Tunísia

Houmt Souk é a “capital” da ilha, e continua linda: o casario branco, as portas azuis com desenhos feitos com tachas, o animado mercado matinal; não custa nada perder aqui um ou dois dias, entre a Coopérative Artisanale e o Musée des Arts Populaires - alternando com descansos nas numerosas esplanadas e passeios pelas ruelas estreitas, cheias de joalharia e outras tentações.

Os mercados são excelentes oportunidades para comprar fruta da época, especiarias e cestaria de Sedouikech. Para além de ver um número razoável de trajos típicos, como os chapéus de palha e os grandes xailes brancos debruados a vermelho das mulheres da ilha. O mercado de Midoun, às quintas e sextas-feiras, é um dos melhores.

A povoação de Guellala é um atelier de cerâmica a céu aberto, onde todas as casas parecem fabricar em fornos de rua a cerâmica tradicional. No alto da colina fica o museu, obra recente e muito interessante sobre os costumes locais.

Quem prefere a outra vida animal, tem aqui abundância de passarada: há uma caminhada a fazer em Ras Rmel, mas aconselho sobretudo que indague sobre a direcção de uma certa mesquita à beira-mar, a dois passinhos do centro de Guellala, onde encontra fartura de flamingos e não só - o pôr-do-sol é excepcionalmente bonito.

A história de Djerba

Vindo por terra, percorremos a estrada construída pelos romanos, que tornou desnecessária a travessia de barco (embora também exista um ferry), e chegamos a Al Kantara (“a ponte”). Do lado direito, geralmente metido no mar e numa nuvem de sal e calor, fica Borj Kastil, as ruínas de um velho forte que são apenas uma sombra do bem tratado Borj el Kebir, no extremo Norte de Houmt Souk. Recuperado e a funcionar como museu, mostra a herança que já vem dos romanos e dos turcos, assim como uma bela vista sobre o pequeno porto de pesca mais adiante.

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Para os mesmo muito interessados em vestígios romanos, ainda sobram alguns estilhaços de colunas romanas em Meninx, perto da estrada que vem de Zarzis, em local alcançável de táxi.

Mais interessante - e importante - é a sinagoga El Ghriba, em Er Riadh, uma das mais antigas do mundo, restaurada depois de um atentado há alguns anos. O exterior não é particularmente apelativo comparado com o interior, num estilo mourisco e minucioso, cheio de mosaicos azuis e arcadas que lembram uma mesquita.

Deve ser por causa dos enganos que os utentes da belíssima mesquita em estilo “djerba” a alguns metros da sinagoga, baixinha, branca, telhado em pequenas cúpulas, colocaram um letreiro cá fora para desviar os distraídos: “mesquita muçulmana”. Mas há muitas mais espalhadas por toda a ilha, duas mesmo no centro de Houmt Souk.

Nos arredores de Midoun é fácil encontrar os menzel, casas típicas fortificadas, geralmente acompanhadas por um poço exterior feito com dois troncos de palmeira sobre um monte de terra, preparado para tirar água com a ajuda de um burrico. Escondidos por trás de um muro e dentro de um palmeiral, estes lares típicos eram essenciais em tempo de pilhagem - e agora protegem as famílias dos olhares indiscretos.

O meu edifício favorito é, sem dúvida, a pequena mesquita de Beni Makel, delicada e miniatural. E o pequeno “guia” que me acompanhou tinha razão quando, no alto do terraço, abarcou com o braço oliveiras, romãzeiras, palmeiras, cactos e um mar calmo e liso, e anunciou: “Voilà la Tunisie!

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Guia de viagens a Djerba

Este é um guia prático para viagens em Djerba, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos em Djerba, os melhores hotéis e atividades na ilha.

Quando viajar

Quando ir

Todo o ano, sabendo que as temperaturas ultrapassam os trinta graus de Verão, e não andam muito longe dos vinte durante o dia, no Inverno.

Como chegar

Como chegar a Djerba

Para explorar a ilha de Djerba é pouco compensador tomar um dos dois voos semanais da Tunisair, que andam acima dos 400 euros, e juntar-lhe ainda um voo interno ou camioneta até Houmt Souk. A melhor maneira de lá chegar é aproveitar uma das viagens organizadas com voo directo, que variam entre os 200 e os 600 euros, dependendo da época. Assim garante transporte até Djerba, um lugar onde ficar e dias inteiros para explorar a ilha, que é suficientemente pequena para ser percorrida de transportes públicos ou táxi.

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Onde ficar

Onde ficar

Caso não chegue num charter à Tunísia, recomenda-se o Hotel Erryadh, na Mohamed el Ferjani, que cobra menos de 20 dinares por um quarto num funduk tradicional, pequeno-almoço incluído.

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Onde ficar

Gastronomia tunisina

Djerba, Tunísia

Djerba, Tunísia

Sendo a ilha um lugar muito turístico, com facilidade encontra comida internacional, das pizzas aos crepes, sobretudo na Zone Touristique, área onde se concentram os hotéis, casinos e discotecas. A verdadeira comida tunisina, do cuscuz à tajine, pode ser encontrada nos restaurantes mais pequenos. Ou em bons restaurantes, como o Haroun. Se apreciar picante, peça sempre harissa, o melhor do Norte de África. Não perca as sobremesas, à base de amêndoa.

Informações úteis

Informações úteis

Não é necessário visto para a Tunísia. O nível de vida é bastante mais baixo do que em Portugal. A moeda é o Dinar tunisino e 1 euro vale 1,66 dinares. Há máquinas ATM e câmbio fácil nos correios. A Embaixada da Tunísia em Lisboa fica rua Rodrigo Rebelo, nº 16.

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Seguro de viagem

O seguro de viagem da World Nomads oferece uma das mais completa e confiáveis apólices de seguro do mercado. São os seguros recomendados por entidades prestigiadas como a Lonely Planet, Footprint, Hostelworld e National Geographic.

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Informações úteis na internet

Na Internet

O site oficial do Turismo da Tunísia no Reino Unido oferece informação atualizada sobre os principais pontos turísticos do país, incluindo, naturalmente, sobre a ilha de Djerba.