Este roteiro de um dia no Dubai não pretende, evidentemente, ser um top de atrações turísticas nem responder à eterna questão sobre “o que fazer no Dubai”. É, ao invés, uma visão pessoal sobre o que poderá ser um dia bem passado na cidade, especialmente para quem pretende visitar o Dubai pela primeira vez ou deixar-se guiar na descoberta da cidade. É também, naturalmente, uma viagem feita de escolhas, porque 24 horas é pouco tempo para conhecer o Dubai. O roteiro foi testado no terreno.
24 horas no Dubai
Manhã
Comece o dia com um mergulho. Na Kite Beach pode refrescar-se, fazer jogging, jogar ténis ou volley, fazer kitesurf e outros desportos aquáticos, ou simplesmente apanhar banhos de sol, com vista para o Burj Al-Arab. Apenas pode entrar no hotel se for hóspede ou cliente de um dos restaurantes e o mais interessante é mesmo o exterior do edifício. Este é o lugar perfeito para o ver, e ainda trabalha para o bronze.
Se estiver muito numa de praia, mantenha-se por aqui mais um tempo. Se quiser ir espreitar um pouco da vida dos parques, apanhe um táxi para o Safa Park.
Passeie pelo parque. Repare no contraste do enorme espaço aberto, plano, relvado, com a silhueta dos edifícios ao fundo. O Burj Khalifa vê-se daqui e percebe-se bem o quanto se destaca dos outros, que já são enormes. Cruze os vários expatriados que aqui vêm fazer jogging e diga “Hello” às crianças a brincar, vigiadas pelas nannies Filipinas. Aos fins de semana, debaixo das árvores e junto às áreas de barbecue vai ver famílias inteiras de Árabes e Indianos a preparar verdadeiros banquetes.
De volta à entrada principal do parque, apanhe o autocarro 15 (ou um táxi, consoante o seu orçamento). Saia na paragem Al Fahidie Metro Station 2. Conte com 45 minutos de viagem, se for de autocarro. À saída do autocarro já está na zona do Bur Dubai, uma das mais antigas do emirado.
Daqui dirija-se para o bairro histórico de Bastakiya, na Rua Al Fahidie (fica para baixo e para a direita de onde está). A sua origem recua até 1690, mas esteve ao abandono durante anos. Era, originalmente, um bairro de mercadores Persas. Com a descoberta de petróleo no Golfo a maior parte das famílias que aqui viviam mudou-se para zonas mais modernas da cidade e as casas tradicionais, com as suas torres de vento e pátios interiores foram sendo usadas apenas como armazéns, abandonadas ou destruídas para construir escritórios e edifícios modernos. A renovação de todo o quarteirão remanescente iniciou-se apenas em 2005.
Perca-se no meio dos edifícios de terracota, suba aos telhados para apreciar a estrutura das torres de vento e a vista da cidade à volta, tão diferente. Sinta o silêncio de 300 anos de história nos becos. Que contraste com o circo de cimento e aço que está lá fora. Sente-se nas praças a ouvir a chamada para a oração.
Almoço
Se for um domingo ou uma terça-feira, junte-se aos almoços culturais do Sheikh Mohammed Centre for Cultural Understanding (atenção: é preciso marcar). Este é um dos poucos sítios no Dubai onde pode provar a verdadeira cozinha Emirati. A refeição é acompanhada por um anfitrião local, com o objetivo de partilhar informação sobre a cultura do país. Os grupos podem ser grandes, mas é uma ótima oportunidade para fazer perguntas. Não seja tímido.
Nos outros dias tem os pátios do Arabian Tea House (antigo Basta Art Cafe), para saladas e refeições leves, ou do Local House, famoso pelos pratos de carne de camelo.
Tarde
Depois de visitar as galerias de arte de Bastakiya está na hora de entrar mais a fundo na história do Dubai. Volte à Al Fahidie Street e dirija-se ao Forte Al Fahidi. Este é o edifício mais antigo do emirado e onde está agora o Museu do Dubai. Os dioramas e algumas das exposições são um pouco foleiras, mas é uma boa fonte de informação para perceber o que foi este lugar, antes dos arranha-céus.
Daqui caminhe para Norte, em direção ao rio até chegar à Grand Mosque. Como o nome indica, é a maior do emirado. Aprecie o minarete de 70 metros e as várias cúpulas, de fora. A entrada é proibida a não muçulmanos. Continue na mesma direção e vai chegar ao Templo Hindu. De fora parece mais uma casa, com lojas à volta, mas as filas de gente à porta, as grinaldas de flores à venda para as oferendas e os homens de lungi são sinais indicativos que chegou. Esta proximidade dos dois edifícios e a população que os rodeia é um bom exemplo da diversidade cultural do Dubai, um dos aspetos mais interessantes do país.
Chegando ao rio (Creek), junte-se aos habitantes nas suas voltas diárias e apanhe um abra, o barco-táxi, para o outro lado. Vai ter de esperar que o barco encha para sair, mas isso acontece rapidamente. Cumprimente a senhora com o sari colorido à sua direita, e o velhote chinês à sua esquerda. Em dez minutos vai estar em Deira.
Passeie pelo porto. Deste lado, a segunda zona mais antiga do Dubai, atracam os barcos de carga que transportam todo o tipo de mercadorias pela Península Arábica. Chamam-se Dowhs e há-os de todos os tamanhos, de madeira e com pontes azuis. A carga varia das sacas de comida às televisões e carros. Provavelmente vai-se deparar com a roupa da tripulação pendurada no convés e até pode ser que o convidem para subir a bordo.
Embrenhe-se no interior do quarteirão, onde são os souks. Tradicionalmente divididos em áreas de comércio, hoje em dia são uma misturada de lojas de tecidos, móveis, souvenirs e comida mas mais para o lado esquerdo ainda existe uma zona dedicada às especiarias, o Spice Souk. Com muita persistência e alguma inocência pode ser que consiga negociar açafrão verdadeiro por uma ninharia e ainda trazer tâmaras cobertas de chocolate como oferta.
Se estiver muito interessado em comprar ouro, o Gold Souk fica na ponta oposta do Spice Souk, mais para o interior (norte). A mim parece-me demasiado turístico, mas a relação qualidade/preço do metal aqui é das melhores do mundo; portanto, se está à procura daquele presente especial, este é o lugar.
Fim de tarde
Apanhe um barco-táxi de novo, mas desta vez negoceie para tê-lo só para si. Deverá custar-lhe à volta de 80 UAD por uma hora. Peça ao condutor que o leve a dar uma volta pelo Creek acima, para sudeste para apreciar ambas as margens com a luz perfeita do fim de dia.
Do lado esquerdo vão surgir os edifícios modernistas que inspiraram todas as construções megalómanas que continuam a aparecer e a caracterizar o Dubai. A esta hora a folha de vidro polido que cobre o National Bank of Dubai (inspirada nas velas dos Dowhs) parece arder ao refletir o laranja do pôr-do-sol. Logo a seguir, outro cais, maior, com um contraste interessante entre os Dowhs e o horizonte recortado de arranha-céus.
Depois do sol se pôr tem duas hipóteses:
- Se for fazer o seu próprio jantar, peça ao condutor do barco para o deixar o mais próximo possível do Mercado do Peixe, em Deira (Deira Fish market). Aqui pode encontrar o peixe fresco mais barato de todo o Dubai, e ainda ter um cheirinho do que é o comércio local. Literalmente. Os seus pés e/ou sapatos vão transportar esse cheirinho com eles, mas vai-se esquecer disso tudo quando olhar para o tamanho dos camarões. Prepare-se para negociar a sério, ou não vai conseguir preços justos.
Mesmo que não queira cozinhar, e se gostar de mercados, vale a pena passar por aqui. A confusão de vozes a apregoar e negociar; os gestos das pessoas a escolher e pegar no peixe; os guinchos das gaivotas que vêm em bandos tentar apanhar os restos; e o tal cheirinho que o vai acompanhar lembram o que deve ter sido esta zona na altura dos apanhadores de pérolas e pescadores que fundaram a cidade.
- Volte ao seu hotel, descanse um pouco e mude de roupa. Para sair à noite tem de estar arranjado. Meninos, nada de calções e t-shirts velhas; meninas, saltos altos de preferência, ou uma roupita que compense a ausência deles. Para as opções propostas, o dress code é casual chic. Sim, é ridículo, mas o Dubai é mesmo assim.
Noite
Não vale a pena jantar antes das 9 da noite. Se não optou por comer em casa, apanhe um táxi para o Ibn Hamido. Existe uma grande comunidade de Egípcios no Dubai, e este é o restaurante que eles recomendam para comer peixe e marisco à sua maneira. É uma sala enorme, com mesas e cadeiras de madeira escura. As paredes estão cobertas de fotos de artistas e atores antigos, há um aquário gigante no meio da sala e uma mesa de exposição de onde escolhe o peixe que quer e a maneira como quer que seja cozinhado. É tudo bastante foleiro, mas nem vai pensar nisso enquanto come a sopa de marisco. Prove também os camarões tigre; e peça para lhe grelharem o peixe à maneira egípcia (é marinado e vem coberto com especiarias. Se não gosta de cominhos, então peça para ser só grelhado).
Depois de jantar é hora de um pezinho de dança. A cultura dos clubes por aqui pode ser bem snob, mas estes dois têm um ambiente mais descontraído, e a música foge dos êxitos pseudo-eletrónicos comerciais da maioria dos sítios. Se for sexta-feira, as noites Electric Days no Tamanya Terrace do hotel Radisson Blu são famosas pelo ambiente descontraído e pela boa música eletrónica (dentro do House e Techno, dependendo do DJ). Lembre-se de enviar um email com o seu nome para doorlist@electricdays.net logo de manhã. A entrada são 100 UAD. Pode considerar jantar mais cedo. A festa começa ao pôr-do-sol, portanto já vai estar bem animada.
Nos outros dias, vá até ao 360º (encerrado temporariamente). No fim do passeio da marina do Jumeirah Beach Hotel, este bar fica literalmente em cima do mar. É dos sítios mais descontraídos para sair à noite (mesmo assim, atenção) e aos fins de semana tem uma boa programação de House para dançar. Durante a semana beba um copo, fume uma shisha e aprecie a vista.
A noite, por comparação com Portugal, acaba cedo. Os clubes fecham por volta das 3. Mas depois disso é altura de reunir com o resto da malta da noite no Zaroob e ensopar um pouco o álcool com comida de rua Libanesa. Este restaurante pega nesse conceito, mas leva-o para dentro de portas, num espaço colorido e relaxado, com tetos altos e cozinhas abertas. Na estação fresca, fique no pátio, nas mesas com bancos corridos. Empanturre-se com Man’oushes, ovos na frigideira, hummus, falafel e foul.
Vá dormir de barriga cheia.
(Há que ter muito cuidado com as manifestações de embriaguez na rua. Apesar de o Dubai ser muito liberal, por comparação com os países à volta, pode ser preso se a polícia o vir claramente alcoolizado. E nem sonhar em conduzir.)
Outras coisas a fazer no Dubai
No que toca a ingressos ou excursões no Dubai, saiba que pode valer a pena fazer alguma atividade de grupo, especialmente passeios no deserto ou experiências no mar. Assim, entre as atividades e excursões organizadas disponíveis no Dubai (e ingressos sem fila), recomendo:
- Dubai: Dunas Vermelhas, Camelo e Churrasco no Acampamento
- Dubai: Excursão Matinal pelo Deserto c/ Sandboard e Camelo
- Dubai: Atlantis Aquaventure e Aquário The Lost Chambers
- Dubai: Ingresso Combo Aquarium & Burj Khalifa com Nível 124
- Dubai: Ingresso para Pisos 124 e 125 do Burj Khalifa
- Dubai: Voo de Helicóptero do The Palm ao Burj Khalifa
Como vê, não falta o que fazer no Dubai – especialmente se ficar mais do que um dia!
Mapa: roteiro de um dia no Dubai
Guia prático
Onde ficar
O Dubai não é um destino com muitos hotéis baratos mas, em compensação, não faltam hotéis de luxo com grande qualidade. Veja onde ficar no Dubai, ou procure os melhores hotéis no link abaixo.
Seguro de viagem
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