Visitar Palácio de Versalhes (a partir de Paris)

Por Filipe Morato Gomes
Visitar Palácio de Versalhes
Vista do Palácio de Versalhes, arredores de Paris

Se está a pensar visitar o Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, chegou ao sítio certo. Neste artigo partilho a minha experiência em Versalhes, incluindo como chegar, onde comprar os ingressos e os principais atrativos do Palácio de Versalhes. É uma atração fundamental em qualquer roteiro para visitar Paris.

Ora, o que começou como um modesto pavilhão de caça numa área pantanosa transformou-se, numa única geração, na corte mais poderosa da Europa. Luís XIV iniciou a expansão do palácio em 1661 e as obras prolongaram-se durante 54 anos quase ininterruptos, mobilizando mais de 35.000 trabalhadores. O resultado foi uma declaração de poder sem paralelo: mais de 700 divisões, 2.300 compartimentos no total, uma Galeria dos Espelhos com 73 metros de comprimento e 357 espelhos, e jardins que cobrem 800 hectares.

Em 1682, quando Luís XIV transferiu a corte para Versalhes, cerca de 5.000 pessoas — membros da realeza, aristocratas, cortesãos e criados — tornaram-se os primeiros residentes permanentes do palácio.

Visitar Versalhes
Escultura no interior do Palácio de Versalhes

Mas Versalhes não foi apenas cenário de opulência. Foi também o palco onde o Antigo Regime ruiu. Às vésperas da Revolução Francesa, a cidade que crescera em torno do palácio tinha 70 mil habitantes. Na noite de 6 para 7 de outubro de 1789, revoltosos invadiram o palácio e Maria Antonieta foi obrigada a fugir por um corredor secreto que ligava o seu quarto aos aposentos do rei. Em 1792 o palácio foi saqueado; e, após a execução de Luís XVI em 1793, os móveis foram leiloados.

Mais tarde, já no século XX, a Galeria dos Espelhos voltaria a ser palco da história: em 1919, ali foi assinado o Tratado de Versalhes, símbolo da vitória francesa no fim da Primeira Guerra Mundial.

O que é o Palácio de Versalhes

Palácio de Versalhes
Palácio de Versalhes

O Palácio de Versalhes é simultaneamente um edifício, uma ideia e um símbolo. Situado a sensivelmente 20km a sudoeste de Paris, foi durante mais de um século (de 1682 a 1789) a sede do poder em França. Na prática, foi residência dos reis, centro do governo e capital da corte mais influente da Europa.

Luís XIV, o “Rei Sol”, transformou-o num instrumento político tanto quanto numa obra de arte, concentrando ali a nobreza francesa sob a sua vigilância permanente. Hoje, é Património Mundial da UNESCO e um dos monumentos mais visitados do mundo. Por tudo isso, Versalhes não é apenas um palácio para visitar; é sobretudo um lugar onde a história de França, nas suas grandezas e nas suas contradições, se pode ler nas paredes.

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Sala dos Espelhos, Palácio de Versalhes
Sala dos Espelhos, Palácio de Versalhes

A Sala dos Espelhos é, talvez, o ponto alto da visita a um palácio cuja beleza e exuberância nos esmaga a cada recanto de cada sala. E é-o pela importância dos atos públicos que ali se passaram — o famoso Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, foi assinado na Sala dos Espelhos — e também pela beleza e ousadia da sua decoração.

Os espelhos propriamente ditos foram uma proeza técnica para a época. Para os fabricar à escala necessária e cumprir a filosofia mercantilista de Luís XIV — que exigia que tudo em Versalhes fosse produzido em França —, foram trazidos artesãos de Veneza para transferir o seu conhecimento. A empresa fundada para o efeito é conhecida hoje como Saint-Gobain.

Palácio de Versalhes
Palácio de Versalhes

Versalhes é também um dos mais ricos museus do mundo em mobiliário e decoração da época real francesa. Em 1833, Luís Filipe I ordenou a sua transformação num museu dedicado a “todas as glórias da história da França”. Hoje, o palácio alberga mais de 60.000 obras que cobrem um período muito vasto da história francesa.

Uma ressalva importante é o facto de o palácio principal ter sido esvaziado durante a Revolução Francesa e nunca ter sido redecorado na época do Império. O que o visitante vê hoje é, em grande parte, fruto de um trabalho paciente de recuperação. Ao longo de décadas, o Palácio de Versalhes foi adquirindo peças e mobiliário do Antigo Regime para reconstituir, tanto quanto possível, o que se perdeu. O mesmo não se passou com os palácios satélites, o Grand Trianon e o Petit Trianon, que mantiveram as suas coleções intactas.

Palácio de Versalhes
Visitantes no Palácio de Versalhes

A visita ao interior segue um percurso estabelecido que atravessa os grandes aposentos do rei e da rainha, e culmina na Galeria dos Espelhos. A Capela Real, com 44 metros de altura, é outro dos pontos altos do percuro. A família real assistia às celebrações religiosas a partir do segundo andar, enquanto o restante da corte se acomodava no térreo.

Visitar Versalhes a sério exige um dia inteiro — e mesmo assim haverá sempre algo que fica por ver. A visita ao interior do palácio ocupa cerca de uma hora e meia a duas horas; os jardins, mais duas horas. Para explorar ainda o Grand Trianon, o Petit Trianon e a Vila da Rainha, é preciso acrescentar pelo menos mais uma hora. Quem quiser ver tudo com calma — e Versalhes merece calma — dificilmente sai antes do fim do dia.

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Interior do Palácio de Versalhes

Como é evidente, a maioria dos visitantes não de delonga tanto tempo no Palácio de Versalhes. Os seus jardins, por exemplo, são por vezes deixados para segundo plano — porventura injustamente.

Na verdade, os jardins do Palácio de Versalhes, desenhados por André Le Nôtre, são um mundo à parte. Estendem-se por mais de 800 hectares e são por isso tão extensos que é praticamente impossível percorrê-los todos a pé — há a opção de bicicleta, carro eléctrico ou um pequeno comboio turístico. Aos fins-de-semana, as fontes ganham vida num espectáculo musical com música barroca.

Jardins do Palácio de Versalhes
Jardins do Palácio de Versalhes

Ou seja, se vai visitar o Palácio de Versalhes tente chegar cedo e deixar algum tempo para conhecer os seus jardins. Estou certo que não se arrependerá.

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Dicas para visitar o Palácio de Versalhes

Como chegar ao Palácio de Versalhes

Para quem não tem viatura própria, há duas formas principais de chegar ao Palácio de Versalhes a partir de Paris: de comboio ou de autocarro.

A primeira, implica apanhar o comboio RER C (desde a Gare d’Austerlitz, por exemplo) até à estação Versailles Château Rive Gauche. Há outras opções de comboios entre PAris e Versalhes mas ficaria mais afastado do palácio, pelo que não aconselho.

No meu caso, no entanto, era-me mais prático apanhar o metro desde o meu hotel em Paris até à estação Pont de Sèvres; e de lá o autocarro 171 até à entrada do Palácio de Versalhes. Foi o que fiz e correu tudo nas perfeição. No regresso, optei por experimentar o comboio, mas tinha um autocarro mesmo à porta para fazer o percurso no sentido inverso.

Ingressos para o Palácio de Versalhes

Na época alta — principalmente de junho a agosto —, convém comprar bilhete e reservar o horário da visita ao Palácio de Versalhes com alguma antecedência. O mesmo se aplica a quem tem o Paris Museu Pass — ter o passe não garante entrada no palácio; é sempre necessário marcar hora online.

Caso não tenha o passe, pode comprar o Ingresso de acesso completo ao Palácio e Jardins de Versalhes na GetYourGuide. “Desfruta de um dia em Versalhes com este ingresso. Visita o palácio, o Trianon, a propriedade de Maria Antonieta e os jardins e assiste aos famosos Jardins Musicais ou ao Espetáculo das Fontes com um upgrade opcional” — pode ler-se na página.

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Visitas guiadas ao Palácio de Versalhes

Se, ao invés, preferir visitar o Palácio de Versalhes na companhia de um guia profissional, veja a excursão Versailles: Visita guiada ao Palácio sem fila e acesso total. Eu não fiz (tinha o Paris Museu Pass), mas é muito elogiado por participantes de todo o mundo — e ajuda-o a otimizar o tempo.

Onde ficar em Paris

Antes de mais, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Paris, onde elenco as melhores regiões para pernoitar e sugiro alguns dos melhores hotéis da cidade. Se quiser poupar tempo na leitura, saiba que o Les Tournelles, de 3 estrelas, é o meu hotel preferido em Paris. Tem localização imbatível junto à Place des Vosges. Pode reservar à confiança mas, para ver outros hotéis em Paris, espreite o link abaixo. Há milhares de opções hoteleiras na capital francesa!

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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