Vestida de “Dora, a Exploradora”, a Pikitim provou que é possível fazer uma caminhada de quase oito quilómetros sem dar por ela, sem pedir cavalitas ou outro tipo de auxílio. É claro que a beleza das paisagens proporcionadas pelo trilho costeiro do Parque Nacional Abel Tasman também ajudou. Fizemos uma pequena parte, entre Bark Bay e Torrent Bay, e vimos focas no seu habitat natural pela primeira vez.
A Nova Zelândia é o paraíso dos trampers, aqueles que, como nós, gostam de fazer caminhadas pela Natureza, calcorrear trilhos que garantam beleza e diversidade da paisagem, mesmo que isso signifique algum esforço físico. Na Nova Zelândia existem dezenas, senão centenas, de “trilhos” bem sinalizados que conduzem os amantes desta atividade física a lagos, montanhas, vulcões e cascatas, estejam eles inseridos em parques naturais ou paisagens protegidas, ou não. Conhecíamos a fama de muitos deles – a travessia alpina do monte Tongariro, o Queen Charlote Track, em Marlborough Sounds, e o Costal Track no Parque Nacional Abel Tasman, só para citar alguns.
Todos eles demoram vários dias a completar; o do Abel Tasman, por exemplo, demora quatro, com as pernoitas a serem passadas em pequenos abrigos. Nós optamos por fazer apenas uma parte do percurso, de pouco mais de 8 km, a ligar Bark Bay e Torrent Bay, duas das bonitas baías que desenham a orla costeira. Organizamos tudo a partir do posto de turismo de Motueka, onde nos sugeriram que esta parte do trilho seria uma das mais diversificadas. Compramos o bilhete do water-taxi que nos levaria até Bark Bay e nos iria apanhar, algumas horas mais tarde, a Torrent Bay. Pelo caminho, esperava-nos um percurso que envolveria as inevitáveis subidas e descidas, praias e pontes suspensas. Sempre com o mar cristalino do parque Abel Tasman por perto.

A ideia inicial era conhecer este parque natural de caiaque – dizem que é uma das melhores maneiras de chegar aos seus recantos, e as suas águas límpidas a isso convidam. Mas, por ser inverno, as empresas que permitem crianças com menos de 12 anos de idade nos caiaques estavam fechadas. Não podendo pagaiar, fomos a pé. E não nos arrependemos.
Saímos de Motueka com destino a Kaiteriteri, uma cidadezinha muito procurada no verão – a ponto de termos lido que na época alta há mais toalhas do que areia à vista. Não era o caso, mas o facto de se assinalar o aniversário da rainha de Inglaterra proporcionou um fim de semana prolongado e, com ele, Kaiteriteri ganhou uma vida especial.

Foi de Kaiteriteri que embarcámos no water-taxi, a caminho da Split Apple rock, uma rocha redondinha que parece mesmo uma maçã partida em duas metades, e que por pouco não se tornou símbolo do parque natural. Paramos depois perto da Pinnacles Island para ver una colónia de focas. À vista, sob as rochas, estavam apenas uma dezena destes mamíferos, mas apesar de nos parecerem poucas, foram mais do que suficientes para o gáudio da Pikitim. Ela só teve pena de o barco não se ter aproximado mais, para lhes poder tocar.
Chegamos a Bark Bay cerca das 10h15 da manhã e estávamos então prontos para iniciar a caminhada. A Pikitim estava entusiasmadíssima, e queria ser ela a comandar o passeio. Armada em chefe de expedição, dizia ser a “exploradora”, indicando o caminho e chamando a atenção para “os buracos” (os canais de escoamento das águas pluviais), para as raízes levantadas do chão, para as “árvores com picos” que deveríamos evitar. Ia empenhadíssima, entretida a procurar cogumelos, “árvores-meninas” (assim batizadas porque lhe parecia que tinham cabelos compridos), árvores gigantes que tinham “as mãos dadas”, e ficava triste ao ver árvores com os troncos cortados – “pobrezinha, esta árvore já morreu”.

O percurso entre Bark Bay e Torrent Bay (o nosso destino final, e onde deveríamos voltar a apanhar o barco para nos trazer a Kaiteriteri), sem nunca sair do trilho principal, marcava 6,4 quilómetros. Mas a estes nós somamos ainda 700 metros para espreitar o miradouro de Head South e nele contemplar as vistas magníficas sobre a baía; somamos-lhe ainda mais os 900 metros para fazer metade do percurso que conduz à descida para a Sandfly beach e que também oferece visões soberbas.
A Pikitim nunca revelou cansaço nem esmoreceu no entusiasmo. A parte pior estava, entretanto, ainda para vir: uma longa subida de mais de 40 minutos, surgida logo após a passagem de uma ponte suspensa. A petiza aguentou estoicamente todo o percurso, sem nunca pedir auxílio – leia-se cavalitas, ou colo. Quando chegamos à praia de Torrent Bay fizemos um belo piquenique, e a Pikitim fartou-se de andar de baloiço enquanto esperávamos pela chegada do barco.

Esse foi o último grande momento do dia: a entrada do barco, em Torrent Bay. Estava agora maré vaza, e era impossível o barco chegar até à praia. Perguntávamo-nos como conseguiríamos atravessar as centenas de metros que nos separavam do barco e embarcar sem molhar as pernas até à cintura. A surpresa foram as calças que o comandante nos trouxe para vestirmos, com sapatos e tudo. A Pikitim achou emocionante a entrada no barco, tendo água acima dos joelhos mas os pés completamente secos. Foi um belo final de dia no parque Abel Tasman.
Guia prático
Onde ficar
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Sobre o Diário da Pikitim
Este post pertence a uma série que relata uma volta ao mundo em família, com 10 meses de duração. Um projeto para descomplicar e mostrar que é possível viajar com crianças pequenas, por todo o mundo. As crónicas da viagem foram originalmente publicadas na revista Fugas e no blog Diário da Pikitim.
Veja também o artigo intitulado Viajar com crianças: 7 coisas que os pais devem saber.