
Está a pensar visitar o Grande Museu Egípcio (GEM), no Cairo? Pois bem, as autoridades egípcias assumem-no como o “presente do Egito ao mundo”. Não são pouco ambiciosos os que apresentam o Grande Museu do Egito, inaugurado em finais de 2025 a escassos 2km das Pirâmides de Gizé — a mais procurada, visitada e conhecida “Maravilha do Mundo”.
Mas, depois de o visitar, posso dizer que não há qualquer soberba nessa afirmação. O GEM é um projeto faraónico, sim; mas é também uma joia da coroa — o maior museu do mundo dedicado à civilização egípcia antiga, da pré-história ao final dos períodos grego e romano.
Neste artigo, vou então partilhar um pouco da minha experiência a visitar o novo Grande Museu Egípcio.
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Grande Museu Egípcio: breve introdução

O Egito já tinha dado ao mundo uma civilização complexa e estruturada e agora assume esse legado, mostrando-o num museu que é também uma ponte entre o passado e o presente, combinando a grandiosidade da civilização egípcia antiga com tecnologia museológica de ponta.
O projeto começou a ser pensado em 2002 e envolveu uma equipa internacional de centenas de especialistas. O custo inicial, estimado em cerca de 500 milhões de dólares, acabou por ser duplicado devido a atrasos e mudanças no projeto. Foi apenas em novembro de 2025, depois de algumas aberturas parciais, que o GEM – Grande Museu Egípcio inaugurou oficialmente, íntegro e completo, para usufruto de todos.
Visitar o GEM – Grande Museu Egípcio: a minha experiência
O edifício do Grande Museu Egípcio

O edifício do Grande Museu Egípcio nasceu de um concurso internacional de arquitetura que atraiu mais de 1.500 propostas oriundas de 82 países — um dos mais concorridos de sempre, portanto. O projeto vencedor, assinado pelo atelier irlandês Heneghan Peng, em colaboração com Buro Happold e Arup, deu forma a um complexo monumental e contemporâneo, pensado ao detalhe.
O GEM é gigantesco — não há outra forma de o dizer. Com mais de 100 mil artefactos e várias galerias temáticas, a visita pode facilmente transformar-se numa verdadeira odisseia, pelo que o melhor é não tentar ver tudo de uma só vez. Um mapa do museu, ou a aplicação oficial, ajuda a orientar o percurso e a identificar os principais destaques.
Ainda assim, é difícil não começar pelo impressionante átrio de entrada. Um espaço com mais de dez mil metros quadrados, cobertura de vidro e fachada transparente que permite vislumbrar as Pirâmides de Gizé, criando desde logo um diálogo entre o interior do museu e a paisagem histórica que o envolve. É tão lindo quanto imponente!

No centro desse hall, a acolher os visitantes com uma presença esmagadora, impõe-se a monumental estátua do faraó Ramsés II, com cerca de 3.200 anos de idade e 11 metros de altura. A escultura foi transferida da Praça Ramsés, no coração da cidade do Cairo, e instalada no Grande Hall do museu, num processo logístico que imagino deveras complexo.
Para além da estátua de Ramsés II, o espaço acolhe ainda uns vinte ou trinta artefactos de grandes dimensões. É, no fundo, uma espécie de introdução à visita ao Grande Museu Egípcio, antecipando desde logo a escala e a ambição do próprio museu.
A grande escadaria e as exposições do GEM

A grande escadaria do museu funciona como uma galeria de transição, reunindo mais de 60 artefactos ao longo do percurso e conduzindo os visitantes às doze salas expositivas do GEM.
Com cerca de 6.000 metros quadrados distribuídos por seis níveis, a estrutura liga o átrio principal às galerias temporárias, ao depósito arqueológico e, no topo, a um espaço com mais uma vista privilegiada sobre as Pirâmides de Gizé.

Diz a literatura oficial que as áreas expositivas ocupam cerca de um terço dos 50 hectares do complexo e apresentam mais de 24 mil peças distribuídas por doze galerias organizadas cronologicamente, entre cerca de 3.100 a.C. e 400 d.C.. Confio que seja verdade, sendo certo que os artefactos foram reunidos a partir de vários museus e reservas arqueológicas do Egito, incluindo no Cairo, em Luxor e Alexandria. E matéria-prima não faltava.
Em termos conceptuais, o percurso segue uma lógica histórica clara. Das origens da civilização egípcia, com o período pré-histórico e dinástico arcaico, passando pelo Império Antigo e Médio, até ao esplendor do Império Novo. As últimas salas percorrem as fases mais tardias, incluindo os períodos intermédios, o domínio greco-romano e as transformações finais da civilização egípcia.
No conjunto, é sobretudo o intervalo entre o Império Médio e o Novo que ocupa maior destaque no projeto museulógico do Grande Museu Egípcio, refletindo a riqueza material e simbólica desse período.
Galeria de Tutankhamun

Duas das doze galerias do museu são inteiramente dedicadas a Tutankhamon, reunindo cerca de 5.400 artefactos pertencentes ao jovem faraó que reinou entre 1333 e 1327 a.C.. E, pela primeira vez, toda a coleção é apresentada num único espaço — ao contrário do que acontecia no Museu Egípcio da Praça Tahrir, onde apenas uma parte estava exposta.

Entre as peças mais emblemáticas ligadas a Tutankhamon destaca-se a célebre máscara funerária de ouro, acompanhada por um conjunto impressionante de objetos que ajudam a reconstituir o universo simbólico e quotidiano do faraó.
Há três caixões sobrepostos — um deles em ouro maciço, com cerca de 110 quilos, e outros dois em madeira dourada —, bem como o trono cerimonial, ricamente decorado com cenas de Tutankhamon e da sua esposa, Ankhesenamon. Imperdível!
Galeria Khufu

O Museu dos Barcos de Khufu é um espaço independente dedicado à exposição dos dois barcos solares do faraó Khufu, construtor da Grande Pirâmide. Com cerca de 4.600 anos, estas embarcações figuram entre os mais antigos navios de madeira alguma vez descobertos.
O espaço inclui também uma componente interativa que ajuda a compreender a possível função destes barcos — que poderão ter servido para “transportar o faraó na vida após a morte ou acompanhá-lo nas suas viagens simbólicas com o deus solar Rá”. Transferidos do antigo Museu dos Barcos Solares de Gizé em 2021, surgem agora integrados no percurso do GEM como um dos seus núcleos mais singulares.

Em suma, o GEM tem sido um sucesso entre os visitantes nacionais e turistas estrangeiros. E não é difícil porque vale a pena visitar o Grande Museu Egípcio, a nova coqueluche cultural e turística da cidade do Cairo.
Dicas para visitar o GEM – Grande Museu Egípcio
Como comprar bilhetes para o Grande Museu Egípcio
Por incrível que pareça, só é possível comprar ingressos para o Grande Museu Egípcio online. Mesmo na bilheteira dir-lhe-ão para comprar online. Assim sendo, recomendo comprar entrada na GetYourGuide — assim não corre o risco de se enganar e comprar bilhete para visitantes locais, mais baratos (como me aconteceu a mim).
Tours para visitar o GEM com guia
Caso prefira visitar o GEM na companhia de um guia profissional, veja este tour que combina Grande Museu Egípcio, Pirâmides, visita à Esfinge e almoço. Eu não fiz, mas é muito elogiado por participantes de todo o mundo — e ajuda-o a otimizar o tempo. Pode ser uma excelente opção para perceber melhor o acervo em exibição no museu.
Como chegar ao Grande Museu Egípcio
Se preferir não integrar um tour organizado, a única forma prática de chegar ao Grande Museu Egípcio é de táxi (peça no seu hotel) ou de Uber (mais barato). Note que muitos motoristas de Uber não aceitam viajar entre Gizé e o centro do Cairo pela tarifa fixada pela aplicação, tentando negociar um valor fixo muito superior.
Onde ficar no Cairo
Antes de mais, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar no Cairo, onde elenco as melhores regiões para pernoitar (é melhor ficar no centro ou perto das pirâmides?) e sugiro alguns dos melhores hotéis da cidade.
Seja como for, se quiser poupar tempo na leitura, saiba que o Steigenberger Hotel El Tahrir, de 4 estrelas, é o meu hotel de eleição no Cairo. Isto porque eu prefiro ficar no centro histórico, mas se optar por dormir junto às pirâmides o Kove Hotel by The Pyramids é ainda melhor. Pode reservar à confiança, mas pode também pesquisar as imensas opções hoteleiras da cidade do Cairo usando o link abaixo.
Seguro de viagem
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Internet e dados móveis no Egito
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