Guia para visitar o Grande Museu Egípcio (GEM), no Cairo

Por Filipe Morato Gomes
Grande Museu Egípcio, Cairo
Interior do Grande Museu Egípcio, Cairo

Está a pensar visitar o Grande Museu Egípcio (GEM), no Cairo? Pois bem, as autoridades egípcias assumem-no como o “presente do Egito ao mundo”. Não são pouco ambiciosos os que apresentam o Grande Museu do Egito, inaugurado em finais de 2025 a escassos 2km das Pirâmides de Gizé — a mais procurada, visitada e conhecida “Maravilha do Mundo”.

Mas, depois de o visitar, posso dizer que não há qualquer soberba nessa afirmação. O GEM é um projeto faraónico, sim; mas é também uma joia da coroa — o maior museu do mundo dedicado à civilização egípcia antiga, da pré-história ao final dos períodos grego e romano.

Neste artigo, vou então partilhar um pouco da minha experiência a visitar o novo Grande Museu Egípcio.

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Grande Museu Egípcio: breve introdução

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

O Egito já tinha dado ao mundo uma civilização complexa e estruturada e agora assume esse legado, mostrando-o num museu que é também uma ponte entre o passado e o presente, combinando a grandiosidade da civilização egípcia antiga com tecnologia museológica de ponta.

O projeto começou a ser pensado em 2002 e envolveu uma equipa internacional de centenas de especialistas. O custo inicial, estimado em cerca de 500 milhões de dólares, acabou por ser duplicado devido a atrasos e mudanças no projeto. Foi apenas em novembro de 2025, depois de algumas aberturas parciais, que o GEM – Grande Museu Egípcio inaugurou oficialmente, íntegro e completo, para usufruto de todos.

Visitar o GEM – Grande Museu Egípcio: a minha experiência

O edifício do Grande Museu Egípcio

O que fazer no Cairo: visitar GEM
As pirâmides de Gizé avistadas do interior do novo Grande Museu Egípcio, Cairo

O edifício do Grande Museu Egípcio nasceu de um concurso internacional de arquitetura que atraiu mais de 1.500 propostas oriundas de 82 países — um dos mais concorridos de sempre, portanto. O projeto vencedor, assinado pelo atelier irlandês Heneghan Peng, em colaboração com Buro Happold e Arup, deu forma a um complexo monumental e contemporâneo, pensado ao detalhe.

O GEM é gigantesco — não há outra forma de o dizer. Com mais de 100 mil artefactos e várias galerias temáticas, a visita pode facilmente transformar-se numa verdadeira odisseia, pelo que o melhor é não tentar ver tudo de uma só vez. Um mapa do museu, ou a aplicação oficial, ajuda a orientar o percurso e a identificar os principais destaques.

Ainda assim, é difícil não começar pelo impressionante átrio de entrada. Um espaço com mais de dez mil metros quadrados, cobertura de vidro e fachada transparente que permite vislumbrar as Pirâmides de Gizé, criando desde logo um diálogo entre o interior do museu e a paisagem histórica que o envolve. É tão lindo quanto imponente!

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

No centro desse hall, a acolher os visitantes com uma presença esmagadora, impõe-se a monumental estátua do faraó Ramsés II, com cerca de 3.200 anos de idade e 11 metros de altura. A escultura foi transferida da Praça Ramsés, no coração da cidade do Cairo, e instalada no Grande Hall do museu, num processo logístico que imagino deveras complexo.

Para além da estátua de Ramsés II, o espaço acolhe ainda uns vinte ou trinta artefactos de grandes dimensões. É, no fundo, uma espécie de introdução à visita ao Grande Museu Egípcio, antecipando desde logo a escala e a ambição do próprio museu.

A grande escadaria e as exposições do GEM

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

A grande escadaria do museu funciona como uma galeria de transição, reunindo mais de 60 artefactos ao longo do percurso e conduzindo os visitantes às doze salas expositivas do GEM.

Com cerca de 6.000 metros quadrados distribuídos por seis níveis, a estrutura liga o átrio principal às galerias temporárias, ao depósito arqueológico e, no topo, a um espaço com mais uma vista privilegiada sobre as Pirâmides de Gizé.

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

Diz a literatura oficial que as áreas expositivas ocupam cerca de um terço dos 50 hectares do complexo e apresentam mais de 24 mil peças distribuídas por doze galerias organizadas cronologicamente, entre cerca de 3.100 a.C. e 400 d.C.. Confio que seja verdade, sendo certo que os artefactos foram reunidos a partir de vários museus e reservas arqueológicas do Egito, incluindo no Cairo, em Luxor e Alexandria. E matéria-prima não faltava.

Em termos conceptuais, o percurso segue uma lógica histórica clara. Das origens da civilização egípcia, com o período pré-histórico e dinástico arcaico, passando pelo Império Antigo e Médio, até ao esplendor do Império Novo. As últimas salas percorrem as fases mais tardias, incluindo os períodos intermédios, o domínio greco-romano e as transformações finais da civilização egípcia.

No conjunto, é sobretudo o intervalo entre o Império Médio e o Novo que ocupa maior destaque no projeto museulógico do Grande Museu Egípcio, refletindo a riqueza material e simbólica desse período.

Galeria de Tutankhamun

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

Duas das doze galerias do museu são inteiramente dedicadas a Tutankhamon, reunindo cerca de 5.400 artefactos pertencentes ao jovem faraó que reinou entre 1333 e 1327 a.C.. E, pela primeira vez, toda a coleção é apresentada num único espaço — ao contrário do que acontecia no Museu Egípcio da Praça Tahrir, onde apenas uma parte estava exposta.

Máscara mortuária de Tutankhamun
Máscara mortuária de Tutankhamun em exibição no Grande Museu Egípcio, Cairo

Entre as peças mais emblemáticas ligadas a Tutankhamon destaca-se a célebre máscara funerária de ouro, acompanhada por um conjunto impressionante de objetos que ajudam a reconstituir o universo simbólico e quotidiano do faraó.

Há três caixões sobrepostos — um deles em ouro maciço, com cerca de 110 quilos, e outros dois em madeira dourada —, bem como o trono cerimonial, ricamente decorado com cenas de Tutankhamon e da sua esposa, Ankhesenamon. Imperdível!

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Galeria Khufu

Grande Museu Egípcio, Cairo
Grande Museu Egípcio, Cairo

O Museu dos Barcos de Khufu é um espaço independente dedicado à exposição dos dois barcos solares do faraó Khufu, construtor da Grande Pirâmide. Com cerca de 4.600 anos, estas embarcações figuram entre os mais antigos navios de madeira alguma vez descobertos.

O espaço inclui também uma componente interativa que ajuda a compreender a possível função destes barcos — que poderão ter servido para “transportar o faraó na vida após a morte ou acompanhá-lo nas suas viagens simbólicas com o deus solar Rá”. Transferidos do antigo Museu dos Barcos Solares de Gizé em 2021, surgem agora integrados no percurso do GEM como um dos seus núcleos mais singulares.

Grande Museu Egípcio, Cairo
Turista no Grande Museu Egípcio, Cairo

Em suma, o GEM tem sido um sucesso entre os visitantes nacionais e turistas estrangeiros. E não é difícil porque vale a pena visitar o Grande Museu Egípcio, a nova coqueluche cultural e turística da cidade do Cairo.

Dicas para visitar o GEM – Grande Museu Egípcio

Como comprar bilhetes para o Grande Museu Egípcio

Por incrível que pareça, só é possível comprar ingressos para o Grande Museu Egípcio online. Mesmo na bilheteira dir-lhe-ão para comprar online. Assim sendo, recomendo comprar entrada na GetYourGuide — assim não corre o risco de se enganar e comprar bilhete para visitantes locais, mais baratos (como me aconteceu a mim).

Tours para visitar o GEM com guia

Caso prefira visitar o GEM na companhia de um guia profissional, veja este tour que combina Grande Museu Egípcio, Pirâmides, visita à Esfinge e almoço. Eu não fiz, mas é muito elogiado por participantes de todo o mundo — e ajuda-o a otimizar o tempo. Pode ser uma excelente opção para perceber melhor o acervo em exibição no museu.

Como chegar ao Grande Museu Egípcio

Se preferir não integrar um tour organizado, a única forma prática de chegar ao Grande Museu Egípcio é de táxi (peça no seu hotel) ou de Uber (mais barato). Note que muitos motoristas de Uber não aceitam viajar entre Gizé e o centro do Cairo pela tarifa fixada pela aplicação, tentando negociar um valor fixo muito superior.

Onde ficar no Cairo

Antes de mais, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar no Cairo, onde elenco as melhores regiões para pernoitar (é melhor ficar no centro ou perto das pirâmides?) e sugiro alguns dos melhores hotéis da cidade.

Seja como for, se quiser poupar tempo na leitura, saiba que o Steigenberger Hotel El Tahrir, de 4 estrelas, é o meu hotel de eleição no Cairo. Isto porque eu prefiro ficar no centro histórico, mas se optar por dormir junto às pirâmides o Kove Hotel by The Pyramids é ainda melhor. Pode reservar à confiança, mas pode também pesquisar as imensas opções hoteleiras da cidade do Cairo usando o link abaixo.

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Seguro de viagem

A IATI Seguros tem um excelente seguro de viagem, que cobre COVID-19, não tem limite de idade e permite seguros multiviagem (incluindo viagens de longa duração) para qualquer destino do mundo. Para mim, são atualmente os melhores e mais completos seguros de viagem do mercado. Eu recomendo o IATI Estrela, que é o seguro que costumo fazer nas minhas viagens.

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Internet e dados móveis no Egito

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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