Guia para visitar o Museu d’Orsay em Paris

Por Filipe Morato Gomes
Um visitante no Museu d'Orsay Paris
Um visitante diante de uma pintura do Museu d’Orsay, em Paris

Se está a pensar visitar o Museu d’Orsay, em Paris, chegou ao sítio certo. Neste artigo partilho a minha experiência no Museu d’Orsay, incluindo onde comprar os ingressos, o icónico edifício e os principais atrativos do museu. É uma atração imperdível em qualquer roteiro para visitar Paris — a par com outros museus. Vamos a isso.

Se quiser ser simplista, poderia resumir o Museu d’Orsay a duas características essenciais, que o tornam único. Primeiro, fica numa antiga estação de comboios; e, segundo, tem uma das melhores coleções de arte impressionista do mundo. Mas, se estas duas características dizem muito, a verdade é que não dizem tudo. De todo.

A antiga estação em causa é uma preciosidade arquitetónica, construída para receber os visitantes que acorreram a Paris para a Exposição Universal de 1900. Isto numa época em que o comboio era o principal meio de transporte, o que explica bem a sumptuosidade de um edifício que se mantém deslumbrante até hoje.

Quanto à arte impressionista, basta dizer que o Museu d’Orsay é a casa de obras emblemáticas de Van Gogh, Cézanne e Degas. Para mim, na minha modesta opinião de viajante não especialista em arte, tenho apenas uma certeza: o Museu d’Orsay é o meu preferido entre todos os museus de Paris (e são muitos!).

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O que é o Museu do d’Orsay

Visitar Museu d'Orsay, Paris
O Museu d’Orsay está instalado numa antiga estação de caminho-de-ferro, em Paris

O Museu d’Orsay abriu em 1986, mas a história do edifício começa muito antes. A estação ferroviária que lhe serve de casa foi construída por Victor Laloux entre 1898 e 1900, pensada para impressionar os milhões de visitantes que chegaram a Paris para a Exposição Universal. Décadas depois, foi Valéry Giscard d’Estaing quem tomou a decisão de a transformar em museu nacional — e o resultado é hoje um dos maiores museus da Europa para o período que vai de 1848 a 1914.

É precisamente esse arco temporal que define o d’Orsay: um século em que a arte ocidental se reinventou por completo, e que aqui está representado em toda a sua diversidade — pintura, escultura, fotografia, artes decorativas, arquitetura e artes gráficas. O museu guarda a maior coleção de pintura impressionista e pós-impressionista do mundo, com cerca de 1.100 telas num acervo total de mais de 3.650 obras.

Museus a visitar em Paris: Museu d'Orsay
Galerias do Museu d’Orsay, Paris

Para além da coleção permanente, o museu organiza regularmente exposições temporárias dedicadas a um artista, a uma corrente ou a um período específico da história da arte. O auditório acolhe concertos, sessões de cinema, conferências e espetáculos para públicos de todas as idades. E desde 2010, o Museu de l’Orangerie, nos Jardins das Tulherias, está associado ao d’Orsay — dois museus, uma só visita à Paris que mudou a arte moderna.

A lista de obras que justificam a visita é longa. O Almoço na Relva e a Olympia de Manet, que escandalizaram o Paris do século XIX. A Origem do Mundo de Courbet, que continua a provocar. As cinco telas da série das Catedrais de Rouen de Monet, onde a luz muda e a pedra parece dissolver-se. O Baile do Moinho da Galette de Renoir, Os Jogadores de Cartas de Cézanne, e a escultura A Pequena Bailarina de Catorze Anos de Degas — uma das peças mais reconhecíveis de toda a história da arte.

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Visitar o Museu do d’Orsay: a minha experiência

Van Gogh, Museu d'Orsay
Auto-retrato de Van Gogh, no Museu d’Orsay de Paris

Foi a segunda vez que visitei o Museu d’Orsay nos últimos anos, e em ambas tive a mesma sensação: é um museu fácil e agradável de visitar. As obras do Museu d’Orsay estão distribuídas por três pisos, organizadas em galerias de percurso intuitivo, o que facilita a visita e permite explorar grande parte do acervo sem se distrair ou cansar.

A entrada faz-se pelo impressionante salão central da antiga estação ferroviária, um espaço monumental marcado por esculturas, um relógio icónico e uma cobertura envidraçada que cria um impacto imediato. A partir daí, múltiplas galerias laterais, distribuídas por dois níveis, vão revelando obras de grande relevância, num percurso relativamente compacto e fluído.

É, por assim dizer, o oposto da vastidão quase labiríntica de outros museus, como é o caso do Museu do Louvre — gosto de ambos, mas são muito diferentes!

A Noite Estrelada de Vincent van Gogh
Turista diante do quadro A Noite Estrelada de Vincent van Gogh, no Museu d’Orsay de Paris

Se vai visitar o Museu d’Orsay, saiba que desde fevereiro de 2024 o museu tem uma nova configuração expositora, com duas salas inteiramente dedicadas a Vincent Van Gogh. O percurso acompanha os anos franceses do pintor: a chegada a Paris em 1886, onde o contacto com os impressionistas transformou o seu estilo; a fuga para Arles, em busca de luz e de uma colónia de artistas que nunca se concretizou; o colapso, a automutilação e o internamento em Saint-Rémy-de-Provence.

Em maio de 1890 recomeçou em Auvers-sur-Oise, onde o médico Paul Gachet (ele próprio colecionador e pintor amador) o acompanhou nas últimas semanas de vida. Van Gogh posou-lhe, ofereceu-lhe obras, e Gachet reuniu ao longo do tempo dezenas de pinturas, desenhos e gravuras do artista. Após a sua morte, os filhos doaram a coleção ao Museu do Louvre, de onde transitou para o d’Orsay quando o museu abriu, em 1986. A 27 de julho de 1890, Van Gogh disparou sobre si próprio no peito.

O relógio do Museu do d’Orsay

Relógio do Museu d'Orsay de Paris
Relógio do Museu d’Orsay de Paris

No quinto andar do museu, um dos pormenores mais fotogénicos do d’Orsay é também um dos mais carregados de história. Falo do relógio monumental, que sobreviveu à época ferroviária do edifício.

O seu mostrador transparente funciona como uma janela sobre Paris. Através do vidro e do aço dourado da moldura circular, avistam-se o Louvre e os Jardins das Tulherias, numa perspetiva que dificilmente se encontra noutro local da capital francesa. Há ainda outros dois relógios de época espalhados pelo museu — um no pavilhão Amont e outro no restaurante, cada um com a sua própria vista sobre Paris. São, por assim dizer, a cereja no topo do bolo que é visitar o Museu d’Orsay.

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Dicas para visitar o Museu d’Orsay

Como comprar bilhetes para o Museu d’Orsay

Na época alta — principalmente de junho a agosto —, convém comprar bilhete e reservar dia e hora da visita ao Museu d’Orsay com alguma antecedência. O mesmo se aplica a quem tem o Paris Museu Pass — ter o passe não garante entrada no palácio; é sempre necessário marcar hora online.

Caso não tenha o passe, pode comprar o bilhete para o Museu d’Orsay na GetYourGuide. “Obtenha acesso ao Museu d’Orsay em Paris e desfrute de mais tempo no interior para ver as obras-primas artísticas de um dos maiores museus do mundo. Admire as obras dos impressionistas e pós-impressionistas” — pode ler-se na página.

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Dica Alma de Viajante. Caso decida visitar o Museu d’Orsay por impulso em dia e hora diferente do planeado, pode tentar trocar o dia ou hora do seu ingresso diretamente na bilheteira do Museu d’Orsay. Não dá para fazer isso nas entradas laterais, mas conheço quem tenha tido sucesso nessa tarefa diretamente na bilheteira.

Onde ficar em Paris

Antes de mais, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Paris, onde elenco as melhores regiões para pernoitar e sugiro alguns dos melhores hotéis da cidade. Se quiser poupar tempo na leitura, saiba que o Les Tournelles, de 3 estrelas, é o meu hotel preferido em Paris. Tem localização imbatível junto à Place des Vosges. Pode reservar à confiança mas, para ver outros hotéis em Paris, espreite o link abaixo. Há milhares de opções hoteleiras na capital francesa!

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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