
Localizada a apenas 25 km de Valladolid, longe das multidões de Chichén-Itzá e de Cancún, o complexo arqueológico de Ek’ Balam alberga uma antiga cidade maia deslumbrante e bem cuidada, e cujo nome, ao que consta, significa “jaguar preto”.
O coração do sítio arqueológico é uma Acrópole impressionante, de que falarei adiante. Trata-se de uma estrutura de pedra com cerca de 30 metros de altura, onde se encontra a entrada esculpida do túmulo de Ukit Kan Le’k Tok’, um dos governantes mais importantes da cidade. A fachada, ricamente ornamentada com estuques em bom estado de conservação, mostra figuras míticas, guerreiros e divindades que parecem ganhar vida no silêncio da selva. Já lá vamos.

Mas, que dizer de Ek’ Balam? Para mim, fã de Palenque e Uxmal e detrator da excessiva comercialização que arruinou Chichén-Itza, rapidamente Ek’ Balam se tornou num dos meus complexos arqueológicos preferidos da viagem que fiz pelo México. Recomendo vivamente.
Assim, para que possa incluir Ek’ Balam no seu roteiro de viagem no Yucatán, partilho neste artigo um pouco da minha experiência a visitar o complexo arqueológico de Ek’ Balam por conta própria, de forma totalmente independente.
Visitar Ek’ Balam de forma independente (o que ver)

A lenda conta que Ek’ Balam foi fundada por um governante homónimo vindo do leste. O auge da cidade terá sido entre 770 e 840 d.C., quando se tornou a capital da região (reino de Talol). Toda a área urbana habitada de Ek Balam cobria cerca de 15 quilómetros quadrados e crê-se que acomodava 18.000 pessoas.
O centro real da cidade, que servia ao exercício religioso e secular do poder, media cerca de 1,5 quilómetros quadrados. E é precisamente esse coração urbano que pode ser visitado pelos turistas.
Ora, os trabalhos arqueológicos identificaram 45 estruturas que podem ser visitadas. Como é natural, eu não as identifiquei todas, até porque, como disse, fui visitar Ek’ Balam sem guias e por minha conta. Mas posso dizer que gostei muito e que, aliás, na minha opinião, é uma das melhores ruínas maia da península do Yucatán que pode visitar.

O complexo está rodeado por duas muralhas circulares concêntricas e há também duas praças distintas. A Praça Norte, maior, é emoldurada pela Acrópole, estrutura que é, sem qualquer dúvida, o coração do sítio arqueológico de Ek’ Balam — e uma das maiores pirâmides do Yucatán.
O monumento é composto por seis níveis. Durante as escavações foram encontradas mais de 70 salas, algumas delas com pinturas murais compostas por textos. Entre elas encontra-se o chamado Mural dos 96 Glifos, uma obra-prima de caligrafia comparável à Tábua dos 96 Glifos de Palenque.

No lado sul da pirâmide, a meio da escadaria, encontra-se uma das obras-primas do sítio arqueológico. Falo de uma porta em forma de boca de monstro (a “entrada para o submundo”) ladeada por figuras humanas aladas esculpidas em estuque, incrivelmente preservadas.
Uma das figuras é carinhosamente apelidada de “anjo” pelos visitantes. Atrás desta fachada, os arqueólogos encontraram um túmulo intacto, com oferendas que incluíam mais de 7.000 peças de jade, conchas, um sapo de ouro e pérolas.

A partir do topo da pirâmide da Acrópole, a vista é arrebatadora: um mar verde que se estende até ao horizonte, lembrando ao viajante que, tal como noutras cidades maia, a natureza nunca deixou de ser o palco principal desta civilização.
Ekʼ Balam não é apenas mais um sítio arqueológico maia. A sua grandiosidade, aliada à preservação de detalhes únicos como o estuque da Acrópole e as suas inscrições, fazem dele uma visita imperdível para quem quer ir além dos roteiros tradicionais e conectar-se verdadeiramente com a genialidade da civilização maia. Fica a dica.

Dicas para visitar Ek’ Balam
Como chegar a Ek’ Balam
Mesmo que tenha decidido não alugar um carro no México, visitar Ek’ Balam não é difícil. Há colectivos (táxis partilhados) que vão nessa direção e o podem deixar em Ek’ Balam (no regresso é que pode ser mais difícil arranjar transporte). Em alternativa, pode pagar a um motorista e combinar o complexo arqueológico e um dos cenotes das redondezas, como o Xcanche ou o Sac-Aua. Pergunte no seu alojamento em Valladolid.
Caso esteja em Cancún e queira visitar Ek’ Balam, talvez seja mais prático juntar-se a esta excelente excursão – que contempla também um mergulho no incrível Cenote Maya.
Onde ficar em Valladolid
Jugo não errar se disser que o poiso mais adequado para montar base na região é a cidade de Valladolid. Ora, apesar de ser uma cidade colonial relativamente pequena, é importante escolher um hotel bem localizado, pelo que recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Valladolid, onde explico as vantagens e desvantagens de cada zona e dou exemplos dos melhores hotéis e pousadas.
Em concreto, eu fiquei no Hotel Casa Rico e recomendo. Não é luxuoso, mas tem uma localização imbatível, a dois passos da praça principal da cidade. Mas veja também a vizinha Casa Tia Micha, que recolhe elogios ainda maiores. Seja como for, para ver todas as alternativas de alojamento em Valladolid, pode pesquisar diretamente no link abaixo.
Pesquisar hotéis em Valladolid
Seguro de viagem
A IATI Seguros tem um excelente seguro de viagem, que cobre COVID-19, não tem limite de idade e permite seguros multiviagem (incluindo viagens de longa duração) para qualquer destino do mundo. Para mim, são atualmente os melhores e mais completos seguros de viagem do mercado. Eu recomendo o IATI Estrela, que é o seguro que costumo fazer nas minhas viagens.