Ilha do Príncipe por quem lá vive: Estrela Matilde

Roça Sundy, Ilha do Príncipe
A Estrela rodeada de crianças na roça Sundy

Esta entrevista tem já alguns anos, mas muitas das respostas continuam 100% atuais. A Estrela saiu da ilha do Príncipe em janeiro de 2024.

Hoje, na série de portugueses pelo mundo, vamos até à Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe, pela mão da Estrela Matilde. A Estrela é bióloga e está a viver no Príncipe desde janeiro de 2013. Convidei-a a partilhar connosco as suas experiências num local tão isolado, bem como sugestões e dicas para quem quiser visitar a Ilha do Príncipe.

É um olhar diferente e mais rico sobre a pequena Ilha do Príncipe – o de quem vive por dentro o dia-a-dia da ilha, estando simultaneamente fora da sua “zona de conforto”, deslocado, como acontece a todos os viajantes. Este é o 32º post de uma série inspirada no programa de televisão “Portugueses pelo Mundo”.

CONTEÚDO DO ARTIGO mostrar

Na Ilha do Príncipe com a Estrela Matilde (entrevista)

Define Ilha do Príncipe numa palavra.

Duas palavras: Gaiola Dourada.

Não me interpretes mal, é o sítio mais bonito do mundo. Se existir o paraíso, o Príncipe é a estação antes. Mas sente-se a dupla insularidade na pele, todos os dias.

Digamos que o Príncipe não é o mais comum destino para morar. Como foste aí parar?

Entre um mestrado a finalizar e os recibos verdes a fazerem-me olhinhos, surgiu um email dum professor com uma oferta urgente. Precisavam de um assistente ambiental no Bom Bom Island Resort, para terminar um processo de certificação ambiental, por 6 meses. Não era bem a minha área, sou bióloga de campo e sempre trabalhei nisso, mas era uma experiência em África e não a podia desperdiçar. Enviei o CV, ligaram-me a marcar entrevista e no dia após apresentar a minha tese de mestrado fui à entrevista: “Parabéns, daqui a 2 semanas vais para África.” Foi um choque – até aí, o mais perto que tinha estado de África era o Algarve.

A Ilha do Príncipe é um bom local para viver? Fala-nos das expectativas que tinhas antes de chegar, e se a realidade que encontraste bateu certo com a ideia que trazias.

Já tive experiências fora do ninho. Fiz Erasmus no sul de Itália (Calábria) e fiz o meu trabalho de fim de curso em Barcelona. Mas a minha experiência era confortável, na Europa. São Tomé é Príncipe é um outro “nível”.

Não fazia ideia do que esperar. A verdade é que, por muito que se descreva e se explique, nunca é suficiente. Este é um daqueles sítios que só se compreende realmente depois de aqui estar.

Tinha aquela imagem de África que todos temos: savanas, bichos grandes, tribos e um calor de mer… Mas foi tudo tão rápido que nem pensei bem. Só pensava que ia ser quente, e por isso aperaltei-me dos calções mais curtinhos que tinha (coisa pouco inteligente, porque vim trabalhar como responsável ambiental num resort de luxo, onde é suposto haver algum bom gosto no vestuário).

A Ilha do Príncipe acaba por nem ser bem África. É um paraíso, muito sinceramente. São 140 quilómetros quadrados de verde, muito verde… e mar, muito mar. Não há savanas, nem bichos grandes, nem tribos, mas tudo o que tem é muito especial.

Tens 7.000 pessoas a viver no centro e norte da ilha (2.000 na cidade e o resto nas comunidades), e o sul é virgem e inabitado. A floresta tem mais força que o homem, e isso é bonito de ver.

Acabo por ser uma privilegiada por viver numa África abençoada. Não há fome, não há doenças graves, não há miséria que choque. Há, claro, pessoas pobres, como no mundo inteiro, mas quando têm fome esticam a mão para uma árvore de fruta-pão, assam-na numa fogueira improvisada e têm uma refeição calórica e saborosa.

No entanto, fiquei desiludida com algumas coisas. Eu sou uma alentejana adoradora de sardinhas e frutas da época. Chocou-me o facto de haver tão pouca fruta. Nos trópicos?! Nunca pensei. Em São Tomé há alguma, mas no Príncipe há alturas em que não há nada (até bananas é difícil de encontrar). Os legumes também são escassos e a variedade conta-se por uma mão e é tudo tão caro que me arrepia: 3 tomates (aqui não se vende ao quilo mas sim à unidade) com pouco sabor e tamanho custam 20.000 STD (quase 1€). E vende-se 3 feijões-verdes de cada vez que custam quase 1€ também.

As coisas são caras em São Tomé, porque a maioria é importada de Portugal. No Príncipe são três vezes mais caras do que em São Tomé, porque ainda têm aquela viagem de 8h (ou 12h consoante o tempo) de barco até ao Príncipe. Em São Tomé há alguma produção de legumes e fruta, mas paga-se bem o preço da “exportação” até ao Príncipe. No Príncipe planta-se pouco. Dizem que chove demasiado que mata tudo, mas também acho que não há ainda muita vontade de trabalhar na agricultura.

Os poucos supermercados existentes começam agora a ter mais do que uma prateleira e já se começam a ver coisas como leite de pacote, cereais, produtos de higiene e manteiga (estupidamente caros, mas já se encontra).

O peixe é fantástico. Não há sardinhas, pronto, mas o peixe é muito bom e barato. A escassez de carne de qualidade (não tenho muita vontade de comer carne local) acaba por nos fazer ter uma alimentação mais saudável, do ponto de vista proteico, mas falta-nos as vitaminas das frutas e vegetais. É o que sinto mais falta. Disso e de sushi (que já há em São Tomé, yeeeee).

Mas tem sido uma aprendizagem constante. Aprendemos a viver sem energia (a energia desliga-se na ilha todos os dias às 24h00 e a meio da tarde, e só vem de manhã). Quando os barcos não chegam – porque se avariam ou se afundam ou há mau tempo – ficamos dias e dias sem energia e às vezes sem mantimentos. Temos que engolir em seco, aguentar e comer peixe com banana a todas as refeições. Estou a exagerar, claro, mas já ficámos bastantes dias sem energia e é sempre complicado (mas nunca podemos desesperar senão não nos aguentamos a viver na Ilha do Príncipe).

Aprendemos realmente a viver sem ter onde gastar dinheiro. Sem ir ao café, sem ir jantar fora, sem ir ao cinema, ao teatro ou a qualquer evento cultural – não há. Jantar fora é ir a uma barraca comer peixe assado à mão. Cinema só em casa quando há energia. Concertos são de tarrachinas, funanás e kizombas e não há grandes hipóteses de conhecer gente que já não conheças.

A taxa de rotação na ilha é grande, porque esta dupla insularidade nem sempre se aguenta, e chega uma altura em que este paraíso cheira a enxofre. Por outro lado, quando vamos a Portugal, absorvemos tudo como esponjas. E tudo, até uma simples maçã tem tanto, mas tanto sabor…

Auto de Floripres, Ilha do Príncipe
Momentos culturais: na Ilha do Príncipe: mostra do auto de Floripes

O que mais te marcou na Ilha do Príncipe?

Acho que convém dizer que foi o facto de ter conhecido aqui o meu namorado. Fica sempre bem dizer que encontrei o meu príncipe na Ilha do Príncipe… dá uma história bonita. Mas a verdade é que todos os dias alguma coisa me marca. Esta ilha está-nos sempre a cicatrizar, e às vezes dói. Mas estar acompanhada aqui faz toda a diferença. É um sítio complicado, uma ilha difícil, às vezes desesperante. Estranha-se… mas depois entranha-se de uma maneira que já não sai.

Marcou-me principalmente a facilidade com que te sentes “em casa”. São 7.000 pessoas e todas são importantes, incluindo tu. Todos sabem quem tu és, no momento em que pisas a ilha. Inicialmente és só a “Branca”, ou então chamam-te o nome da pessoa que estava antes de ti, já que nos acham muito parecidos. Mas depois, e não é preciso muito tempo, todos sabem o teu nome, de onde vens e o que estás a fazer. O sentido de vizinhança é muito grande, e acabas por também sentir que fazes parte de uma grande família de 7.000 pessoas. E tu também começas a conhecer cada pessoa, as histórias, as dificuldades, as alegrias… fazes parte da ilha e tornas-te moncó. Eu já me sinto assim.

Marca-me também o facto de estar a fazer alguma diferença. Marca-me o facto daquilo que eu explico ou ensino, mesmo que seja a separar os resíduos ou a proteger uma espécie, é ouvido e aprendido. Não com a facilidade com que seria em Portugal, porque as bases são outras, mas fica lá. No imediato não te apercebes que fica, tens a sensação que estás a “falar chinês”, mas depois, pouco a pouco, apercebes-te que ficou alguma coisa. E isso é muito gratificante.

Acredito muito no projeto da empresa HBD na ilha. Desenvolver sustentavelmente a Ilha do Príncipe através do turismo, e tem sido uma experiência fantástica. Tornar o sonho utópico de um milionário que se apaixonou pela ilha (Mark Shuttleworth) em realidade, e fazer da Ilha do Príncipe um exemplo de desenvolvimento sustentável no mundo é uma oportunidade incrível.

O meu primeiro trabalho, o tal de 6 meses, foi tornar o Bom Bom Island Resort no primeiro hotel com a certificação Biosphere Responsible Tourism em África. Foi um feito do qual me orgulho muito. Fui convidada a ficar, e cá estou. Sou a responsável ambiental da empresa, estou no momento a trabalhar na certificação do nosso outro hotel em São Tomé, o Omali Lodge Boutique Hotel, e tento garantir que todos os impactos dos projetos na ilha são identificados, mitigados e compensados. Chamam-me “Eco-Chata” aqui, porque realmente não me calo com as minhas eco-cenas. Faz parte do pacote Estrela Matilde. I am here, I am green

Além de tudo isso, faço parte da equipa de gestão da Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe, e temos projetos muito interessantes na ilha e tenho a oportunidade de trabalhar em parceria com a UNESCO, uma oportunidade fantástica. O projeto Water & Recycle, por exemplo, tem sido um exemplo prático do impacto que pequenas ideias podem ter. Um projeto utópico de limpar o plástico da Ilha do Príncipe resultou na recolha de 100.000 garrafas de plástico em 4 dias, e na entrega de 2.000 garrafas da Biosfera. E isto foi só o começo…

Como caracterizas os são-tomenses?

Há uma coisa importante a perceber, é que os são-tomenses são muito diferentes dos principianos (ou moncós, como os de São Tomé chamam aos do Príncipe). A Ilha do Príncipe é uma espécie de aldeia flutuante que está lá longe há muito tempo, quase abandonada, e as pessoas lá ficaram, no leve-leve (expressão que explica o normal funcionamento das coisas: “devagar-devagar”), enquanto São Tomé já foi apresentado ao mundo.

As pessoas no Príncipe não têm as facilidades, os apoios e os acessos que São Tomé tem. O desenvolvimento aqui ficou parado e os apoios a nível regional são sempre mais escassos. Mas, por outro lado, as pessoas são mais puras, estão menos contaminadas pelos fatores negativos do desenvolvimento.

Um exemplo: em São Tomé, todas as crianças (e adultos também) que nos vêem na rua dizem “Branco, doce. Branco, dinheiro”, continuamente, porque se habituaram que branco é sinónimo de doce e de dinheiro. E isto faz sentido, porque o turista que visita São Tomé ainda acha que faz sentido andar no meio das comunidades a atirar rebuçados como se estivessem num zoo. As pessoas trazem doces e outras coisas (algumas mais úteis), mas não têm noção do impacto social que tem a distribuição arbitrária na rua. Não têm noção que uma criança que recebe um doce do nada vai aprender que sempre que esticar a mão e pedinchar vai receber alguma coisa – e vai incorporar esse comportamento. Essa criança vai chegar a casa e ter mais 5 irmãos que também querem o doce mas não receberam porque não estavam na rua. E, além disso, não precisam de doces… têm canas-de-açúcar à farta e não têm dentistas.

É uma das coisas que queremos evitar no Príncipe – isso ainda não acontece. Como empresa de turismo, recebemos donativos, pedimos que tragam material escolar, roupas, sapatos, medicamentos, mas fazemos a entrega a instituições que fazem esse trabalho social e que garantem que a entrega é justa e feita a quem mais precisa. Trabalhamos nomeadamente com a igreja, por ser uma entidade global e com uma abrangência maior, mas muitas vezes temos material escolar enviado por clientes e vamos pessoalmente a cada escola entregar a cada aluno o material, porque se o mesmo for entregue só na escola, sabemos que não vai chegar a todas as crianças. Temos uma socióloga são-tomense que trabalha connosco e que nos ajuda a garantir que os nossos impactos sociais nas comunidades são positivos.

(acho que já me desviei da temática…)

Cidade de Santo António, Príncipe
Praça Marcelo da Veiga, na cidade de Santo António. O edifício rosa em frente é o Palácio do Governo

Como terminarias esta frase: “Não podem sair da Ilha do Príncipe sem…”

Que difícil! Há tanta coisa única no Príncipe que é obrigatório:

  • Ir jantar à Rosa Pão. A Rosa Pão é uma associação cultural e recreativa que criámos na ilha. Fizemo-nos sócios de uma senhora local, a Rosita, recuperámos um bar local e fizemos um espaço diferente. Passamos vídeos para crianças, fazemos noites de karaoke, temos matraquilhos e gin tónico, queremos começar a dar aulas de guitarra e recebemos turistas com refeições locais. Não é um negócio para dar dinheiro, é para trazer coisas e fazer coisas na ilha. A nível pessoal, tentamos dar o nosso contributo social e cultural na Ilha do Príncipe;
  • Comer o concon da Bela (é um peixe muito feio que se come assado com banana assada);
  • Mergulhar nas águas cristalinas;
  • Visitar os miradouros;
  • Entrar numa roda de Deixar;
  • Visitar a roça Sundy, das poucas que está bem tratada.

A maioria das pessoas que visita São Tomé e Príncipe escolhe a ilha de São Tomé e o Ilhéu das Rolas, muito por causa dos pacotes vendidos pelas agências de viagens. Convence-os a visitar a Ilha do Príncipe.

(Gostei desta)

A Ilha do Príncipe não tem comparação com nada no mundo. Nem com São Tomé. É única, as paisagens são únicas, as pessoas são únicas e até o clima é diferente. Todos os que vêm ao Príncipe, normalmente ficam só dois dias e o resto em São Tomé – e arrependem-se. É uma ilha que nos entra na alma e que nos faz repetir constantemente “no way, no way”, porque realmente parece inventada. Ir a São Tomé e não vir ao Príncipe é morrer na praia.

Tens alguma praia preferida na ilha?

A minha praia preferida é a praia Boi. Tem uma aura especial, uma cor especial. Mas a verdade é que, apesar de estar na Ilha do Príncipe há quase dois anos, ainda me falta ver muita coisa.

Ainda não subi aos picos. Ainda não acampei na floresta. Ainda não fui aos rios profundos no sul. Ainda não conheço toda a ilha, e é esse o meu objetivo.

Praia Banana, Ilha do Príncipe
Praia Banana, Ilha do Príncipe

A Ilha do Príncipe é um bom destino para quem gosta de mergulhar? Quais os melhores locais de mergulho e o que podem os mergulhadores encontrar?

Eu também mergulho e, felizmente, já tive a oportunidade de mergulhar no Príncipe. Juntámos um grupo de 10 pessoas e convidámos uma equipa de São Tomé para nos dar os dois cursos de mergulho no Príncipe (Open Water e Advance). Foi uma experiência intensiva e fantástica. Mergulhámos de noite no meio de peixes-agulha florescentes e vimos tartarugas, barracudas assustadoras, raias, polvos que se camuflam, peixes-balão que incham quando nos vêem e moreias de bocarras enormes.

No entanto, não há qualquer escola de mergulho no Príncipe e, como tal, mergulho em São Tomé onde há já várias escolas com equipamento. Em São Tomé há imensos navios naufragados que são hoje hotspots de biodiversidade marinha e que valem a pena conhecer. Tal como aglomerados rochosos, como o Ilhéu Santana, que podemos passar por baixo debaixo de água.

Acho que São Tomé e Príncipe não é dos melhores sítios do mundo para mergulhar, mas é único e vale muito a pena por isso.

Qual a melhor época para assistir à desova das tartarugas? Alguma recomendação especial?

A desova das tartarugas inicia-se em setembro e dura até fevereiro. A partir de novembro / dezembro até março (depende da espécie e do clima), é possível assistir a alguns nascimentos, mas a melhor altura será o novembro / dezembro, onde a probabilidade de ver uma desova é maior.

Recomendo que se respeitem as regras e bons comportamentos a ter na praia. A desova das tartarugas é um processo natural, lento, moroso… as pessoas não podem ter pressa, exigir ver o que quer que seja, porque é tudo uma questão de sorte e da vontade do animal, não nossa. Podemos ver ou não, e isso faz parte da observação da vida selvagem.

É muito importante saberem que, apesar de ser tentador partilhar fotos no facebook, o flash é proibido e, além de prejudicar as tartarugas que são muito sensíveis à luz, podem perturbá-las e afastá-las de colocar os ovos.

Só nos podemos aproximar depois de a tartaruga começar a desovar, porque nessa fase entra numa espécie de transe e acaba por não nos ligar muito. Até lá, qualquer perturbação é suficiente para ela abandonar a praia e não desovar.

Convém também não tocar nos animais, nem nos ovos, principalmente se tivermos cremes, repelentes ou afins, porque podem ter consequências graves na saúde dos animais.

É um acontecimento marcante, que nos maravilha a todos. Não se pode forçar, apressar ou interromper. Somos só observadores, não podemos ser atores.

Tartaruga verde, São Tomé e Príncipe
A Estrela, enquanto bióloga, acompanhando o nascimento de uma tartaruga verde na praia do Bom Bom Island Resort

Vamos tentar fazer um roteiro de 3 dias na Ilha do Príncipe. Indica-nos as coisas para um turismo ativo que, na tua opinião, sejam “obrigatórias” ver ou fazer.

DIA 1

Primeiramente, começar com o alojamento no Bom Bom Island Resort, que implica mergulhos diários e matinais às 6h00 da manhã, e com muito snorkelling em águas cristalinas (não é publicidade, é o único hotel da ilha além das pensões locais).

Depois, um tour até à roça Sundy, para conhecer a casa senhorial ainda preservada, e o local onde Sir Arthur Eddington comprovou a teoria da relatividade de Einstein. Aí podem ver as cavalariças ainda em pé, edifícios sinónimo de poder e, como tal, imponentes. Ainda se encontram algumas locomotivas antigas, que hoje servem de suporte às parabólicas. Numa visita pela roça, pode-se conhecer as senzalas onde a comunidade vive e assistir às senhoras a ralar coco ou a quebrar o cacau. E participar numa roda de puíta, onde se dança e tocam tambores quase em transe.

Depois, sai-se pela Ponta do Sol onde está o pôr-do-sol mais bonito, e vai-se até à roça São Joaquim, que tem a vista mais fantástica para o sul inexplorado e para os picos João Dias Pai e João Dias Filho. Aí, desce-se por uma das estradas mais bonitas da ilha rumo à roça Porto Real, onde se pode ser o velho hospital da roça (ainda funcionava há 20 anos), hoje engolido pela floresta. Pode-se ainda espreitar a casa senhorial e as oficinas, agora abandonadas mais ainda imponentes.

Sugiro um almoço na cidade, a provar um molho no fogo, prato típico da Ilha do Príncipe, que leva peixe seco, salgado e muito óleo de palma.

Porque as tardes são curtas, sugiro que se volte ao Bom Bom Island Resort, no norte da ilha, para dar um mergulho ao entardecer. À noite um jantar no Ilhéu Bom Bom, depois de atravessar a ponte que separa o resort do restaurante, 300 metros de madeira onde atravessamos o mar transparente e o céu estrelado (quando não está nublado).

DIA 2

No dia seguinte, sugiro uma visita ao sul da Ilha do Príncipe. Vai-se direto até ao miradouro da Nova Estrela, onde se observa o Boné de Jóquei, um afloramento rochoso que tem esta forma. Depois vai-se até ao Terreiro Velho, roça onde é produzido o cacau de Claudio Corallo, que dá origem aos chocolates de São Tomé e Príncipe. Aí temos uma visão quase 360⁰ do verde e azul da ilha.

Depois do Terreiro Velho e passando pela Nova Estrela, continuamos para sul até à comunidade piscatória de Abade onde se pode abordar alguém e perguntar onde se arranjar peixe. Normalmente essa pessoa diz que a sua mulher pode fazer e vai a casa falar com ela, voltando com peixe frito e banana frita, que se come nos pratos emprestados, sem talheres e na praia. Devolvendo depois a respetiva loiça, pagamos o que quisermos, mas não convém dar demais.

Depois de almoçar, subimos até à roça Abade onde a vista é também fantástica. Aproveitamos a brisa no topo e somos abordados pelas gentes da comunidade, em baixo, que nos vem conhecer – haverá alguém a tecer esteiras e aprendemos também a fazer.

Depois descemos até à cidade de Santo António, a cidade mais pequena do mundo. Vamos ao mercado, com menos de 10 bancas, ao Centro Cultural, visitamos o Palácio do Governo (não se pode entrar de chinelos nem de alças), a Praça Marcelo Veiga, e damos uma volta pelas ruas e ruelas para experienciar a cidade. Jantamos cedo (com marcação prévia) na Bela, onde comemos um belo concon com banana frita, e depois voltamos ao hotel, onde ainda podemos ir tomar um copo ao bar.

DIA 3

No terceiro dia, sugiro uma visita à roça Paciência e às plantações de cacau, baunilha e café, onde se podem conhecer alguns frutos e legumes locais. Depois descemos até à Praia Burra, uma das maiores comunidades piscatórias da Ilha do Príncipe, onde podemos dar um mergulho numa baía cheia de porcos e crianças… fazem parte da paisagem! Depois subimos até Belo Monte, uma roça recém-recuperada onde podemos almoçar com algum luxo internacional e uma vista de encher o estômago. Seguimos para o miradouro da Praia Banana, onde com sorte poderemos ver uma ou outra baleia a passar. Descemos a pé, para desmoer o almoço, até à Praia Banana e tomamos um banho nas suas águas transparentes.

No final do dia vamos até à Praia Grande, a maior da ilha e sempre deserta, onde com prévia marcação com a equipa de trabalho tentaremos ver tartarugas a desovar.

Voltamos ao hotel onde podemos jantar com a comodidade necessária a uma boa noite de descanso antes da viagem no pequeno avião de 18 lugares que nos levará de volta à ilha irmã de São Tomé sobrevoando 150 km de oceano translúcido.

Ponte que liga o Bom Bom Island Resort ao ilhéu Bom Bom
Ponte que liga o Bom Bom Island Resort ao Ilhéu Bom Bom. (© Bom Bom Island Resort. Direitos reservados)

Consideras São Tomé um destino barato? Ainda que as opções sejam limitadas, partilha algumas dicas para poupar dinheiro na Ilha do Príncipe.

Não acho que seja um destino barato. As viagens são caras e as opções de alojamento, principalmente no Príncipe, são muito caras.

As pessoas têm que compreender que existe uma razão para tudo ser muito caro na Ilha do Príncipe. Estamos isolados, no meio do oceano, e trazer o que quer que seja – um prego ou um frigorífico – é um custo enorme e uma dificuldade muito grande.

No entanto, é possível visitar a Ilha do Príncipe de forma económica (excetuando a viagem). O que é local sai barato – isto é, ficar em sítios locais, até mesmo na Santa Casa da Misericórdia que aluga quartos baratos, por menos de 20€ ou assim, ou outras pensões do género, permitem poupar dinheiro. Nem sempre têm energia ou água quente, mas são uma opção para quem quer poupar uns trocos.

Fazendo sempre refeições locais, nos sítios menos prováveis, mas comendo sempre muito bem, poupa-se dinheiro. Por menos de 4€ come-se em qualquer lado e às vezes por muito menos come-se um peixe frito fantástico.

Alugar um veículo é caro mas necessário, porque os acessos não são nem fáceis nem rápidos. Para quem tem tempo, as caminhadas pela floresta são agradáveis, mas aconselha-se a que sejam feitas com um guia local.

Os motoqueiros são uma opção de deslocação rápida e barata, mas que nem sempre podem ir a todo o lado.

Às vezes, apesar de ser caro à partida, compensa alugar um guia com carro que permita conhecer tudo rápido, de maneira segura e eficaz. A chuva frequente é um inimigo de experiências mais descapotáveis.

Uma das decisões críticas para quem viaja é escolher onde ficar. No caso do Príncipe, que opções aconselhas?

Claramente, o Bom Bom Island Resort. É um resort pequeno, 19 bungalows, onde podemos ter uma praia privativa e deserta. Adormecer a ouvir o mar e com um conforto fantástico. O restaurante é muito bom, peixe fresco e só produtos locais (desde as compotas ao iogurte – o iogurte local é saboroso – à pastelaria, é tudo feito em casa).

Para quem quiser poupar uns trocos, a Residencial Mira Rio, no centro de cidade, só tem 4 quartos, pequeninos mas limpinhos, e tem uma vista do Rio Papagaio reconfortante. É o único sítio da ilha que tem café expresso (de cápsulas) decente; custa 3€ mas é café, o que é um ponto muito a favor.

Veja também o artigo sobre onde ficar na ilha do Príncipe ou pesquise outras opções no link abaixo.

Pesquisar hotéis na ilha do Príncipe

Falemos de comida. Que especialidades gastronómicas temos mesmo de provar?

Para mim o melhor prato é o Molho no Fogo. Um caldo cor de laranja (do óleo de palma), muito gorduroso, com peixe seco, peixe salgado, maqueque (uma espécie de beringela), muito saboroso mas pouco saudável.

Gosto também muito do pintado, que é basicamente arroz com feijão. Come-se com peixe frito. Feijão à moda da terra…. O meu namorado adora funji maguita, feito com fuba e matabala e fruta-pão, muitas ervas locais. Pode-se comer com carne ou peixe. Tem um aspeto espesso e viscoso, mas é muito saboroso.

Nas roças, e no meio do trabalho de campo, assam fruta-pão no fogo; quando fica preta tiram a casca e comem o miolo com coco. É uma mistura fantástica. Na Ilha do Príncipe come-se macaco, morcegos e até gatos. Ainda não provei estas especialidades (e não o vou fazer).

As pessoas do Príncipe são descendentes de cabo-verdianos (na sua maioria), angolanos e moçambicanos e, como tal, a gastronomia tem muita influência desses países. Come-se muito calulu de galinha ou peixe, moqueca de peixe ou galinha, etc.

Para sobremesa, a banana e o coco são os reis. Há o bôbo frito, que é banana frita em óleo de coco e depois enrolada como um salame. Uma vez mais, pouco saudável, um pouco enjoativo, mas um sucesso de “exportação” do Príncipe para São Tomé.

Mas há tantos, tantos pratos aqui e em São Tomé que dava um livro de receitas (acho que já há). O elemento comum é o picante.

Imagina que queremos experimentar comidas locais. Gostamos de tascas, botecos, lugares tradicionais com boa comida e se possível barato. Onde vamos jantar?

Pode-se comer em qualquer lado, mas o importante é marcar antes e ir cedo. A comida na Ilha do Príncipe é na base diária, ou seja, não existe capacidade de armazenamento, dadas as falhas na energia, por isso é tudo do dia, fresco, acabado de sair da praia (ou do mato). Como tal, é importante ir almoçar ou jantar o mais cedo possível, perguntar o que há e experimentar (ou tentar marcar a refeição previamente).

Em suma: barracas de madeira são baratas; quando mais cimento e talheres na mesa, mais caro.

Há a Bela, como já referi, que por 25.000 STD (1€), se come um concon frito com banana frita maravilhoso (já se percebeu que gosto muito de comer na Bela…).

Na Rosa Pão come-se qualquer comida local, muito bem feita, por encomenda (como na maioria dos sítios), por 100.000 STD (4€); tal como na Juditinha, que faz uma corvina grelhada fantástica.

Na Ana, antiga Petisqueira fantasma, também se come muito bem: peixe grelhado, matabala, frango, comidas locais… o que houver do dia.

E há muitas pequenas barracas onde se come bem e barato. Depois há sítios mais à frente, onde se come por um bocadinho mais (máximo 250.000 STD, 10€), mas também muito bem: O Ramos, o Passô, o Mira Rio.

Hospital de Porto Real
Hospital de Porto Real: ao cabo de 20 anos sem funcionar já está a ser completamente devorado pela floresta

Tens alguma sugestão para quem quiser fazer compras na ilha?

Não fazem. Não há nada para comprar. Bom, o Príncipe é realmente um sítio que não tem lojas. O Bom Bom tem uma loja com alguns produtos locais para comprar, mas na Ilha do Príncipe não há muita coisa. No entanto, é fácil encontrar o senhor ou senhora que faz isto ou aquilo e comprar – é só perguntar a alguém.

A Reserva da Biosfera tem um projeto para certificar os produtos da Ilha do Príncipe, incentivando a criação de produtos locais, de qualidade, e por isso a oferta está a aumentar. Em São Tomé já se encontra muita coisa – lojas de artesanato, associações de produtores que fazem compotas, frutos secos, roupa, cestos, etc.

Antes de te despedires, partilha o maior “segredo” da Ilha do Príncipe; pode ser uma loja, um barzinho, um restaurante, uma praia, um trilho, algo que seja mesmo “a tua cara”.

A família Pires. A Rosita é a minha mãe adotiva na ilha, a nossa sócia na Rosa Pão, aquela pessoa que vem trazer um prato de calulu a casa quando sabe que estamos doentes, ou nos arranja aquela ou a outra erva. São a nossa família aqui, com quem podemos contar para tudo. Fazem-nos ainda mais sentir em casa. É sempre difícil despedirmo-nos da família, e isso é um fator que me faz aguentar as dificuldades desta dupla insularidade e ir ficando, porque sinto que aqui posso fazer a diferença e deixar a minha marca neste pedacinho de céu. E principalmente porque, para mim, a Ilha do Príncipe ainda é o sítio mais bonito do mundo.

Obrigado Estrela, vemo-nos numa próxima viagem à Ilha do Príncipe. Fiquei com imensa vontade de voltar a São Tomé!

Guia prático

Hospedagem no Príncipe

A ilha é pequena e com poucas opções hoteleiras. Recomendo o hotel abaixo, onde trabalha a Estrela.

Reservar Bom Bom Island Resort

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

74 comentários em “Ilha do Príncipe por quem lá vive: Estrela Matilde”

  1. Marta Chan

    Adorei saber mais sobre o Príncipe e ainda mais por uma pessoa local =) as perguntas muito interessantes, assim como as resposta da Estrela, fiquei com mais vontade de conhecer África.

    Sinceramente, Filipe, estas séries são das coisas mais fixes que vi num blog de viagens, a sério! Continua a postar por favor =) Agora vou ter que ler todos os outros, assim que tiver um tempinho livre.

    Responder
    • Filipe Morato Gomes

      Olá Marta,
      Obrigado, eu também fico fascinado sempre que recebo os textos, os edito e depois vejo o resultado final. Gosto mesmo de viajar através do olhar destes “portugueses pelo mundo”, seja em São Tomé e Principe, numa cidade europeia ou até acima do Círculo Polar Ártico.
      Grande abraço e boas leituras!

      Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Marta!
      Obrigada pelo comentário! Ficamos à espera da sua visita!
      Abraços!

      Responder
      • Jurema

        Olá Estrela,

        Li este post e gostaria de entrar em contacto contigo pessoalmente, estou outra vez em mudança de pais e gostava de trocar ideias sobre Príncipe. Não queria publicar aqui um email pessoal, mas se tiveres sugestões da melhor maneira de entrar em contacto, agradeço.
        Excelente post, muita informação útil e é excelente ver mais pessoas que se preocupam com coisas que vão para além de nós.

        Responder
  2. Diogo Carneiro

    Filipe: para quem já andou e conhece STP como se fosse uma segunda pátria, é sempre delicioso ver este texto… falta-me um trajeto marítimo de Neves até São Miguel, falta-me subir ao Pico e falta-me o Príncipe. Leio este texto e percebo que falta-me “mesmo” o Príncipe… mas este é o verdadeiro encanto das viagens, não será?! Quando voltares a STP, podes sempre contratar-me como guia, eh eh eh!

    Um abraço e parabéns!
    Diogo Carneiro

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Digo!
      Falta pois! E nós estamos cá para ajudar a preencher essas lacunas todas! Em São Tomé não posso ajudar muito, mas aqui, podes contar connosco. Temos sempre um orgulho e um prazer enorme em mostrar o nosso cantinho a quem nos visita! Parece que não… mas 3 anos depois ainda há sítios que não conheço no Príncipe…
      Abraços,

      Responder
      • Nádia

        Boa tarde. Sou Educadora de Infância, mas estou disposta a abraçar qualquer trabalho que me dê para viver a vida. Sinto me saturada da confusão e não me importo de abraçar novos projetos. Estive em São Tomé durante 15 dias e apaixonei me pelas pessoas, cultura e pela natureza… não sei se me poderia ajudar, mas apenas precisava de uma luz para onde posso enviar CV. Muito obrigada. E o resto de um dia feliz

        Responder
  3. Reg.

    A Estrela até pode estar a fazem bom trabalho, mas deve ser louca pelas descrições que faz.

    Responder
    • Nuno

      Estive lá [ilha do Príncipe] uma semana o ano passado e gostei tanto que vou lá voltar outra vez dentro de poucos dias. Baseado na minha experiência subscrevo tudo o que a Estrela diz e sim é uma boa loucura e sim também é o meu paraíso.

      Responder
      • Estrela Matilde

        Olá Nuno
        Ainda bem que gostou! É realmente um paraíso, e é preciso uma certa loucura para aqui estar… mas é uma loucura boa, saudável, e não faz mal a ninguém, eh eh. Faz-nos levar melhor os dias, e ter saudades até dos mosquitos chatos, quando não estamos aqui..
        Abraços e espero conhecê-lo da próxima vez que cá vier. Sempre veio em Julho?

        Responder
        • Diogo Silva

          Olá Estrela,
          Depois de ler este artigo com muita atenção, posso dizer que retirei muita informação do Príncipe. Devo ir este ano em Dezembro, ou para o ano em Janeiro.
          Considera uma boa altura para visitar São Tomé e Princípe?
          Cumprimentos,
          Diogo

          Responder
  4. Hélia da Graça Mandinga

    @ Estrela Matilde: Sabe sempre bem poder ler uma partilha de experiência tão rica, detalhada e vivida, sobretudo dum lugar tão próximo e ao mesmo tempo tão diferente. Sou são-tomense e a última vez que visitei a “Gaiola Dourada” tinha 6 anos. Tenho imensa vontade de aí regressar e levarei comigo o roteiro e as dicas sugeridas por si.Espero que o projeto de Reserva de Biosfera continue a ter sucesso. Força!

    @ Filipe Gomes:Perguntas pertinentes e interessantes. Parabéns pelo blog! Adoro o conceito de viajar de mochilas às costas e de fazer Couch Surfing.

    Boa leitura a todos!

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Hélia! Que bom conhecer mais um “passarinho” desta nossa gaiola! Espero que os planos para voltar estejam para breves, porque nós precisamos dessa energia aqui de volta! Precisamos que os filhos voltem à Terra para tomarem conta dos projectos e deste país maravilhoso! As oportunidades estão a começar a surgir. O meu email é estrela.matilde@principetrust.org, e estou disponível para o que precisar!

      Abraços!

      Responder
  5. Vera Reis

    Artigo muito interessante, objectivo e detalhado. Pena não estar publicado antes da minha ida ao Príncipe, em Agosto deste ano. Parabéns à Estrela Matilde pelo trabalho desenvolvido e ao Filipe Morato pela ideia (e utilidade) da entrevista.
    Tinha grandes expectativas nesta visita de três dias e o que pude observar em termos de natureza e ultrapassou-as largamente. Infelizmente, a estadia no Bom Bom Island Resort não me deixou as melhores recordações e amputou, em parte, a possiblidade de conhecer melhor a ilha: a pessoa com quem estave e eu sofremos uma intoxicação alimentar fortíssima logo no primeiro jantar! A reacção da directora foi indigna da função que ocupa e incompatível com o nível de qualidade (e preço) que o hotel promete (mas não cumpre). A manutenção do resort deixa muito a desejar e não está à altura de um hotel de cinco estrelas. Acabei por regressar a São Tomé com sabor a pouco e amargo de boca (e estômago).

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Vera! Que pena que a sua experiência não tenha sido a melhor no BomBom. Não é nada comum termos situações dessas, e peço desculpas de o staff não foi tão prestável como gostaria. Têm havido muitos investimentos no hotel, incluindo uma direcção nova, e tenho a certeza que se voltar, não se vai arrepender! Cá a esperamos para dar a volta a essa sensação, tornar o sabor que levou bem doce, e fazê-la apaixonar-se por tudo, até pelos mosquitos chatos, eh eh.
      Estou à disposição para o que precisar.
      Abraços,

      Responder
  6. jose da cruz

    Olá, sou um cidadão português com grande paixão por África. 62 anos, estou quase me aposentando e vivo no brasil sem encargos familiares. Confesso que estou pensando seriamente ir viver para a ilha do Príncipe. Minha pergunta é: tenho como ganhar para me alimentar na ilha? Não pretendo outra compensação financeira, apenas me manter ativo, fazer uma casa em madeira e poder viver um sonho antigo.

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá José!
      Desculpe o atraso de quase um ano na resposta.. mas o tempo aqui apesar de ser leve leve, passa depressa demais!
      Realmente a alimentação aqui não é problema… esta é uma terra abençoada. Terá que ver a situação da emigração, dos vistos, e da residência, que é normalmente o problema de maior. Comprar terrenos também é complicado, já que não é permitido vender terrenos a estrangeiros, apenas concessões… mas nem sempre é fácil conseguir… mas se souber pescar, safa-se bem por aqui!
      Abraços,

      Responder
  7. João Serôdio

    Boa tarde Estrela

    Estive a ler esta peça, e de facto qualquer pessoa que goste de aventura não pode perder a ida a um lugar como o Príncipe.
    Mas estou a escrever-te porque já estive em São Tomé em trabalho de prospeção de mercado para os produtos de higiene, tanto de cariz corporal, e pessoal.
    Mais propriamente Sabão azul.
    Estou-te a escrever para saber se me podes ajudar neste ponto, porque vou voltar no inicio de Março a São Tomé e não sei se hei-de passar pelo Príncipe. Não tenho ideia se há mercado, ainda que pequeno para este tipo de produtos.
    O que me dizes.
    Quero desde já desejar-te boa estadia aí, e que se me deslocar ao Príncipe eu tento entrar em contacto contigo. (Afinal a ilha também não é assim tão Grande).
    Cumprimentos
    João

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá João! E desculpe uma vez mais o atraso na minha resposta. O meu email é estrela.matilde@principetrust.org, e pode contactar-me e ajudarei no que puder. Sempre conseguiu cá vir?
      Realmente acho que o mercado ainda é muito pequeno. O sabão azul é mais utilizado, mas é comprado a preços muito baratos na Nigéria e assim… se conseguir competir com os preços baratos da costa africana, poderá sim encontrar mercado… Se qualquer maneira, se tiver produtos ecológicos para os hoteis, tem aí um mercado potencial.
      Abraços,

      Responder
  8. Leopoldina

    Estrela Matilde, chamo-me Leopoldina, sou de S.Tomé e resido em Londres, gostei imenso do que li, gostaria entrar em contacto consigo, para conversarmos.
    Meu email: doriasantos@hotmail.com.
    Obrigada
    Leopoldina

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Leopoldina,

      Peço desculpas pelo atraso na resposta … e que atraso…. mas realmente só agora vi os comentários…
      Um prazer conhecer uma São Tomense por esse mundo fora! Espero que um dia volte às Ilhas maravilhosas! Precisamos que os filhos voltem a casa… cada vez há mais trabalho e oportunidade e vocês podem tomar bem conta de todos estes projectos, melhor que ninguém! O meu email é estrela.matilde@principetrust.org, e estou inteiramente disponível para conversarmos, é só mandar-me uma mensagem.
      Abraços!

      Responder
  9. Júlia Correia

    Oh, Estrela, a tua descrição foi fantástica!
    Eu e a minha família vivemos em São Tomé há cerca de um ano e meio. O meu marido já esteve no Príncipe quatro vezes e diz que subscreve totalmente o que descreveste sobre ” o lugar mais bonito do mundo”. Já eu acho que, pese embora o Príncipe seja um lugar único no mundo, não acho que haja “o lugar mais bonito no mundo” mas lugares lindíssimos no mundo!
    Estivemos praticamente em todos os locais que descreveste e fomos também até à praia da Lapa, abaixo da Roça São Joaquim, um lugar quase inexplorado.
    Desejamos-te um ótimo trabalho para que possas ajudar a transformar esta ilha num lugar mais ecológico.
    Somos voluntários em São Tomé e Príncipe e participamos numa obra de educação bíblica e acreditamos que futuramente, não só o Príncipe, mas todo o nosso maravilhoso e incomparável planeta terra será um dia um verdadeiro paraíso!- Isaías, capítulo 35- Bíblia Sagrada

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Júlia! Obrigada pelo seu comentário, e desculpe o atraso na resposta!
      Obrigada também pelo trabalho feito em São Tomé, é fundamental que venha gente de bom coração com vontade de fazer a diferença! Eu por cá vou fazendo o que posso.
      Abraços, e estão convidados a visitar-nos na Ilha mais pequena.

      Responder
  10. Lulu Santo

    Fiquei curiosa em conhecer a Ilha do Príncipe. O texto levou-me a uma viagem ao Príncipe sem lá nunca ter estado. Procurei sempre visualizar as ilhas e praias pela net e esta sempre me encantou.

    Agradeço a equipa de reportagem e à Estrela pela reportagem.

    Uma Estrela na Ilha do Principe só pode brilhar. Saúde aos moços e a todos que fazem parte dela.

    Até breve

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Lulu Santo! Ainda bem que gostou, fico muito feliz! Tem mesmo que cá vir! Eu por cá estarei!

      Abraços,

      Responder
  11. João Borges

    Olá Estrela
    Dia 22 do corrente espero visitar esse país que há muito conheço de papel.
    Vou para São Tomé e espero passar no Príncipe um dia e uma noite. Impõe-se a questão: Onde dormir, o Bom Bom está fora, lá se vão os € para as férias. Tenho material didático para entregar aos alunos daí. Que me aconselha? Que guia local me aconselha para dar essa vista de olhos à Ilha? Já agora o contato.
    Obrigado
    JB

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá João. Antes de mais desculpe a demora na resposta, mas realmente só agora fiz a actualização nos comentários, não pensei que houvessem tantos.. mas é bom sinal, eh eh!
      Sempre conseguiu cá vir? Conseguiu entregar os donativos?
      Se o BomBom estiver fora de alcance, há opções mais baratas na cidade. Posso ajudar com isso, mas acredito que já tenha vindo, não é? Peço desculpas de não ter sido mais pró-activa nas respostas… Mas espero que tenha conseguido vir e tenha adorado!
      O meu email é o estrela.matilde@principetrust.org, e estou disponível para o que precisar!

      Abraços,

      Responder
  12. João Luiz Gasparini

    Conheci São Tomé em 2006 e quero muito conhecer Príncipe numa próxima viagem.
    Sou um brasileiro apaixonado pela Africa (natureza, povo, cultura …).
    Muito obrigado pela descrição espetacular.
    Abraços.

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá João Luiz! Obrigada pelo comentário, fico feliz que tenha gostado! Resta encontrá-lo por cá!
      Abraços aí para o outro lado do oceano!

      Responder
  13. oliveira coelho

    Olá Estrela, estou ligado a São Tomé por uma instituição ainda só em papel, Fundação Alma Lusa, tenho que ir ao Príncipe antes de tudo, espero te encontrar por ai.
    Bem hajas
    Oliveira Coelho

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Oliveira! Cá estaremos à sua espera!
      Abraços,

      Responder
  14. Elda Crespo

    Olá Estrela. Obrigada pela descrição da sua vivência no Príncipe. Eu sou uma fascinada por STP – o meu marido fez a tropa de 1967-1969 em STP, casámo-nos em 1968 e lá fui eu, com 10 dias de casada, viver 1 aninho em S. Tomé (cidade). Dei aulas no Liceu e na Escola Comercial e usufrui aquele maravilhoso ano de lua-de mel … e não só, em S. Tomé. Conhecemos muito bem a Ilha, quase a palmo, e também fomos ao Príncipe onde passámos 3 dias. Ilhas maravilhosas, diria mesmo que ambas são o ULTIMO PARAISO no Mundo. Voltámos 30 anos depois, em 1998, por 2 semanas, mas não fomos ao Príncipe. Tudo tinha mudado, mas o Paraíso continuava lá. Agora, se Deus quiser, vamos voltar de meados de Fevereiro a meados de Março 2016, o meu entusiasmo é enorme e já entrei em “count-down”, mas desta vez vamos ao Príncipe e vamos ficar no Bom Bom Resort, pelo menos 1 semana para termos tempo de visitar e “curtir” o Príncipe tanto quanto possível. Obviamente, já estamos a “contar consigo” (desculpe o atrevimento), queremos fazer praia, correr e ver tudo, experimentar a comida local e conviver com as pessoas e a natureza. Dê-nos dicas, muitas dicas, por favor, pois estamos a estruturar a nossa viagem, que passará por ficar uns dias na cidade de S. Tomé, para percorrermos toda a ilha, uns dias no Club Santana e Ilhéu das Rolas e, obviamente, o Príncipe. A nossa vivência em STP foi e continua a ser (como irá acontecer consigo, seguramente) um verdadeiro marco na nossa vida pessoal – aprendemos e crescemos muito sob todos os aspetos e damos graças a Deus por isso. Obrigada pela ajuda que já nos deu com o seu artigo e pelas dicas e ajuda futura que nos venha a dar. Já agora, e uma vez que está ligada ao Omali Lodge, por favor diga-nos se ainda há por lá aqueles marotos daqueles mosquitos que quase nos comiam quando estávamos na piscina ou nos jardins (é que o Omali Lodge foi construído sobre um pântano que havia por na Praia Lagarto, do outro lado da estrada)., Um beijoca grande e um muito obrigada por ser uma admiradora e amiga desse Paraíso tão desconhecido por tantos.
    Elda Crespo

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Elsa! E obrigada pelo seu comentário. Desculpa também o atraso na resposta, mas fiquei algum tempo sem visitar aqui o cantinho do Filipe. O meu email é estrela.matilde@principetrust.org, e pode contar comigo que dou as dicas que precisas. Envie-me um email com as suas dúvidas e eu ajudo no que conseguir. O Omali está bastante melhor nesse sentido, mas a mosquitagem já faz parte aqui do ecossistema, estão é a ficar cada vez mais saudáveis, os nossos mosquitos. No Príncipe a Malária já está erradicada, e em São Tomé, quase, por isso é bastante tranquilo nesse sentido. Tenho a certeza que vai adorar cá vir. Abraços!

      Responder
      • Elda Crespo

        Olá Estrela,
        Obrigada pela sua resposta. Efetivamente vamos estar no Príncipe, no Bom Bom Resort de 22.02.16 a 29.02.16 e, francamente estou muito ansiosa por me ver nessas terras de S. Tomé e Príncipe, que não vejo a hora de partir … mas vai chegar bem mais depressa do que penso, se Deus quiser. Quando chegarmos e, uma vez que a Estrela trabalha no Bom Bom Resort vamos contactá-la assim que chegarmos. Como sabe, nós conhecemos o Príncípe há 47 anos … é muito tempo … e seguramente muita coisa mudou, mas eu tenho muitas saudades. É em África que encontro o meu verdadeiro ritmo, tudo em mim fica mais igual a mim – é uma coisa que não sei explicar, mas é assim!!! Então até breve. Se precisar que lhe leve algo daqui de Lisboa não hesite em dizer e teremos muito gosto de sermos os portadores. O meu e-mail pessoal é elda.crespo@gmail.com
        Beijinhos e até breve!!!

        Responder
        • Estrela Matilde

          Olá Elsa! Então cá nos vemos! Eu não estou a trabalhar no BomBom, trabalho para a empresa dona do BomBom, mas estou na cidade de Santo António. Mas encontramo-nos com certeza… a Ilha é pequenina! Obrigada pela oferta! Vim há pouco tempo de Portugal, vim com o coração cheio! Abraços e até logo! Façam boa viagem!

          Responder
  15. Ana

    Olá Estrela, gostei muito deste entrevista.
    Gostaria que me pudesse ajudar, em Fevereiro irei visitar São Tomé e as Rolas (durante 7 dias), estarei em hotéis do grupo Pestana, no entanto queria também aproveitar para conhecer o Príncipe, que depois da sua descrição não há como não visitar… sabe dizer-me qual será a melhor e mais acessível forma?
    Existem barcos com excursões diárias de São Tomé até lá, por exemplo?
    Também consegui perceber pelas investigações que fui fazendo que existem voos internos, mas parecem-me bastante caros…
    Agradeço a sua atenção e as suas sugestões,
    Muito Obrigada.
    Ana

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Ana! Venha cá visitar-nos sim! Não se vai arrepender!
      Infelizmente os acessos não são fáceis. O barco não é frequente (nem certo), e demora no mínimo 8h a chegar aqui (pode chegar às 12h), além de que não é nada aconselhável… Chegou no entanto um barco novo que vai fazer a travessia, acho que demora o mesmo tempo, mas com mais conforto (os outros, viaja num banco sem costas e com muitas gente enjoada à volta… não é uma experiência fácil, apesar da vista ser excelente). Se tiver mais novidades aviso-a, mas no momento ainda não sabemos mais pormenores desse novo barco. O que aconselhamos é mesmo o avião.. apesar de não ser nada barato… é a melhor maneira de aqui chegar.
      Fica com o meu email (estrela.matilde@principetrust.org), e ajudo no que puder. Os voos internos pode espreitar aqui https://www.stpairways.st/
      Abraços

      Responder
  16. Belchior Duarte

    Olá Estrela
    Eu e a minha esposa estivemos no Príncipe em setembro e posso afirmar que conheci o paraíso. De referir que quando marcámos a viagem era para ser só a S. Tomé, mas a minha filha disse que ” ira s. Tomé e não ir ao Príncipe era o mesmo que ir a Roma e não ver o papa”. Daí irmos ao Príncipe e não estarmos arrependidos. Pelo contrário, em 2016 ou 2017 estaremos novamente aí. Já sinto saudade das pessoas, do ambiente, praias, paisagens, do peixinho, feijão da terra, de mata-bala, da rosema…, de muitas coisas. Neste momento, e através do facebook – ” Juntos por Príncipe“, estamos a angariar material escolar, roupas, e brinquedos com o intuito de entregar no Príncipe na Delegação do Instituto Nacional de Segurança Social e uma instituição de solidariedade, situada em frente à Igreja de Santo António, gerida por duas irmãs católicas açorianas para as quais levámos roupas, medicamentos e material didático dentro do possível devido ás restrições de peso da bagagem. Será que nos consegue enviar a direção da instituição destas duas irmãs? Na altura não tomamos nota nem sabíamos que a nossa filha teria esta iniciativa.

    Como é sabido o maior problema é a parte da logística e o transporte e mais problemático o transporte de S. Tomé para o Príncipe. De qualquer das formas já temos contactos informais com uma empresa de construção que estão a operar em Príncipe, no resort da praia Sundy, que estão a analisar a hipótese de patrocinar o envio dos bens recolhidos. Curiosamente a minha filha, que teve esta iniciativa, já falou via facebook com uma pessoa que trabalha na HBD (Diana) a questionar sobre possibilidade da HBD poder também ser uma das empresas “patrocinadoras” no que diz respeito ao transporte.

    Visite a página do facebook e veja o que em menos de dois meses já conseguimos alcançar… Junto somos mais. Juntos por Príncipe!

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Belchior! Fico muito contente que saber que não ficaram desiludidos com o nosso pequeno paraíso! É sim senhora, um sitio muito especial. E fico ainda mais contente de saber que existe essa vontade de ajudar e tornar a vida das pessoas aqui mais fácil. Da minha parte, ajudo no que puder. Tenho a certeza que se fizer uma campanha na minha cidade, também iremos angariar muita coisa… mas infelizmente, estando aqui, não é nada fácil organizar toda a logística. Se a Diana está a ajudar é bem mais fácil. Aqui na Ilha, a morada das Irmãs deve ser qualquer coisa como: Casa das Irmãs – Ilha do Príncipe – São Tomé e Príncipe… Não há muitos mais dados nas moradas, mas vou tentar saber mais detalhes e enviar. Qualquer coisa, o meu email é estrela.matilde@principetrust.org e estou disponível para o que precisaram. Abraços aqui da Ilha!

      Responder
      • ana

        Boa tarde Estrela. Desde já agradeço a resposta. Vi que fez gosto no face Juntos por Príncipe. Vamos falando pelo face. Ana Belchior

        Responder
  17. Carlos Manuel

    Olá Estrela,
    Obrigado pelo seu testemunho.
    Para alguém que pura e simplesmente não encontra trabalho em Portugal por ter 46 anos (com muita experiência e formação) e sentir-se desprezado profissionalmente para não dizer acabado, recomenda algum negócio/investimento que faça falta no Príncipe e que simultaneamente possa dar retorno financeiro por via dos turistas e contribuir de alguma forma para o desenvolvimento sustentável da população local?
    Obrigado
    Cumprimentos

    Responder
    • Estrela Matilde

      Bom dia Carlos
      Nesta fase em que a Ilha se encontra, os investimentos que estão a ser feitos são a longo prazo, ou seja, dado que a Ilha tem apenas 7000 pessoas, e muito pouco turismo, os investimentos não têm retorno a curto prazo, que lhe possa ser assegurado, a minha empresa, por exemplo, terá retorno daqui a 50/60 anos… se houver… são 150 milhões que estamos aqui a investir em projectos de desenvolvimento turístico, social, e económico… É no entanto uma oportunidade, na esperança de que nos próximos 10 anos ou assim, a situação se altere. Ainda há muito por fazer, as ligações aéreas são difíceis, tudo tem que ser importado e toda a logística é morosa e cara, o acesso à saúde é difícil e a educação é fraca, etc… mas há oportunidades aqui, e a Ilha tem bastante potencial… mas este realmente não é o sitio para se fazer dinheiro.. é o sitio para se criar experiências, e ter uma vida tranquila… Abraços,

      Responder
  18. Ana

    Olá! Visitei recentemente o Príncipe e é o paraíso que toda a gente descreve. Estive pouco tempo, mas foi uma experiência excelente! Jantar no restaurante da D. Judite vale mesmo a pena, e com sorte ainda apanham uma roda de deixa! Da minha viagem a São Tomé apenas recordo com muita angústia a situação vivida pelos cães neste país. São vistos como fonte de doenças e vagueiam com olhar desesperado em busca de comida e água. Sei que foram desenvolvidos alguns projetos nesta área, como o educa-cão, mas sinceramente, o sofrimento destes animais é para mim algo difícil de assistir. Sabes se têm sido desenvolvidos novos projetos? Que talvez até possa ajudar, em termos de divulgação, por exemplo? Obrigada e lamento levantar esta questão quando efetivamente a ilha é um paraíso, mas não consigo ficar indiferente ao sofrimento dos animais. Obrigada.

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Ana. E obrigada pelo comentário. Ainda bem que gostou de conhecer este nosso pequeno paraíso. Sim, de facto os cães é uma situação complicada… e o Príncipe é um paraíso se compararmos com São Tomé. O ano passado a minha empresa fez uma colaboração com os Vet sem Fronteiras que fizeram uma campanha de esterilização massiva, o que diminuiu em muito os cães na rua. Este ano temos um projecto ainda mais abrangente, de um vet durante 6 meses na lha, não só a tratar os animais, como a formar pessoas locais. Apesar de ser uma situação chocante para quem vem de Portugal, por exemplo, acredite que em três anos que aqui estou a diferente é gritante. Era impensável encontrar ração à venda nas lojas e agora já há. Já se vêm pessoas com animais pela trela, e muitos menos pontapés… As piores situações são mesmo entre os cães que brigam, ficam feridos, depois as moscas não deixam as feridas cicatrizar, são atropelados e ficam com patas partidas… e a sarna.. que infelizmente há na Ilha. Mas estamos atentos ao problema, eu própria sou uma apaixonada por cães, e esperamos este ano fazer a diferença a sério, com o veterinário que chegará em breve à Ilha. Abraços.

      Responder
      • Ana

        Obrigada pela resposta. Fico feliz e agradeço por algo estar a ser feito! Vamos comunicando! Obrigada!

        Responder
  19. Eugénia Maria Jorge Bernardo Prudêncio

    Eu nasci na Ilha do Princípe na Roça Sundy, em 1962 e vim para Portugal em 1974 com os meus Pais.
    o meu Pai era feitor na Roça no tempo do Sr Gerónimo Carneiro,
    Meu Pai é Joaquim Rosa Serrano Bernardo e a Mãe Malfalda, os mais velhos ainda se lembram de nós. o Sr Alex da resindencial Palhota é um grande amigo do meu Pai.
    Será que a Isólda ainda está na Sundy?? é comadre do meu Pai.
    Somos 4 irmãs, nascemos 3 na Roça Sundy e uma em Portugal onde vivemos.
    Moramos em São Martinho do Porto distrito de Leiria.
    Gostava que me responde-se, já fiz um pedido no Facebook.
    Felicidades e boa sorte.

    Responder
    • Estrela Matilde

      Olá Eugénia! É sempre um prazer conhecer quem faz parte da história desta Ilha tão especial! Já aceitei o seu pedido!
      Abraços

      Responder
  20. Carla Nascimento

    Estimada Estrela,

    Gostei muito de ler as suas vivências sobre o Príncipe , em Agosto aí estarei com a m/ família . A n/ dúvida é se temos alternativas para almoço junto da praia do Bombom, ou se deveremos ir com pensão completa. Estamos ansiosos por conhecer esse paraíso .

    Responder
    • Estrela

      Olá Carla. Espero não ir muito tarde na minha resposta, mas realmente não recebi “alertas” do comentário. Na zona do bombom não há nada sem ser o resort. No entanto, têm sempre a oportunidade de sair do hotel e comer pela cidade e pelas comunidades. O hotel pode organizar essas refeições também.

      Abraços e boas férias!

      Responder
  21. Diogo Santos Silva

    Olá Estrela,
    Depois de ler este artigo com muita atenção, posso dizer que retirei muita informação do Príncipe.
    Vou estar aí de 29 de Novembro a 3 de Dezembro. Considera uma boa altura para visitar São Tomé e Princípe?
    Estou a pensar ficar pela Santa Casa, já que vou estar no arquipelago 3 semana, e o orçamento não permite luxos.
    Estava também a pensar fazer mergulho. Consegue aconselhar-me a melhor opção para mergulhar? São Tomé ou Príncipe?

    Responder
    • Tita

      Ola Diogo!
      Chegou a ir à ilha do Príncipe em dezembro? Estava a pensar fazer o mesmo, em dezembro deste ano. Como apanhou o tempo?Tenho lido que pode chover todos os dias…
      Muito obrigada! E boas viagens. :)

      Responder
  22. Silvia

    Olá Estrela,
    Adorei ler o teu texto, fiquei ainda mais curiosa de ir aí, só que eu tenho muita pena que eu não consiga hotel em tudo inclusivo; fui ver quanto custava por exemplo em Outubro para 3 pessoas (dois adultos e um jovem de 16 anos) e me dava ou preço em euros por exemplo 17.000 – fiquei em choque – , só hotel sem viagem. Pelo que eu li, este não é lugar para família que gosta de descansar e fazer praia; para ir tenho que ir só e conhecer a ilha com um guia.
    Muitos parabéns pelo seu trabalho .
    Silvia

    Responder
    • Estrela

      Olá Silvia. Peço desculpas pela tardia resposta, mas parece que o tempo aqui na ilha também passa de forma diferente e nem acredito que desde 2016 que cá não vinha espreitar os comentários. Sim, o Príncipe não é um destino barato, mas tem várias opções na cidade mais em conta, nas pensões e residências locais. Está a crescer muito este mercado, por isso fique atenta aos preços e vai ver que se proporcionará virem cá!
      Beijinhos
      Estrela

      Responder
  23. oliveira pereira

    Excelente descrição e nível de informação. Muito obrigado. O Bom Bom deve ser mesmo bom; está no booking, hoje por 369€, com pequeno almoço e jantar. Quanto ao resto das sugestões, parecem-me sensatas. Obrigado.

    Responder
    • Estrela

      Olá Oliveira!
      Os preços variam muito de época e de facto cada dia que passa os hotéis estão mais cheios. No entanto, existem cada vez mais opções como residências e pensões locais que são mais em conta. Não deixa de ser um destino caro, mas vale muito, muito a pena!
      Abraços!
      Estrela

      Responder
  24. eva fagundes

    Estrela Matilde. Adorei ler mais sobre as ilhas. Estou indo dia 29 conhecer a ilha e ficarei no Bombom. Se estiver por aí gostaria muito de conversar com vc! eva

    Responder
  25. Maria Ofélia

    Gostei muito de ler.
    Vamos para o Príncipe em meados de Setembro e as informações e descrição da ilha são muito úteis. Obrigada!

    Responder
    • Estrela

      Olá Maria!
      Desculpe a tardia resposta, mas não vinha aqui desde 2016… espero que tenha gostado e que tenha ficado com o Príncipe no coração! É um sítio muito especial!
      Beijinhos,
      Estrela

      Responder
  26. Ricardo Tavares

    Já estive em São Tomé por 3 vezes e no Príncipe 2 vezes, adorava poder ficar aí a viver e trabalhar, por várias vezes enviei currículos para a empresa HBD Príncipe mas nunca me responderam.
    Por acaso necessitam de algum trabalhador de origem Portuguesa amante da ilha do Príncipe?
    Obrigado

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    • Estrela

      Olá Ricardo. Eu já não trabalho na HBD, sou agora responsável pela Fundação Príncipe Trust, uma ONG de conservação que trabalha com as comunidades e a preservação do meio ambiente na Ilha. Há sempre várias oportunidades para vir trabalhar na Ilha, é uma questão de ficar atento. Infelizmente só o amor pelo Príncipe não é suficiente, e as ofertas são muito especializadas para determinadas áreas, pois é muito caro trazer expatriados para trabalhar aqui. O nosso objectivo é formar e capacitar a equipa local e dar-lhes formação para que tenham cada vez mais posições de responsabilidade. Para trazer equipas de fora tem que ser mesmo quando não é possível encontrar pessoas qualificadas nessa área no país. Mas fique atento e não perca a esperança! Nunca se sabe!

      Abraços,
      Estrela

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  27. Isabel Maria

    Abençoados pais que deram à luz uma Estrela tão brilhante que, com a sua luz, conseguiu atravessar o oceano e fazer chegar até mim, um arrepio de Saudade e uma vontade maior de pisar de novo esse paraíso, Foi sempre um sonho meu, desde os 10 anos, (ainda que por apenas umas horas), pisei essa terra que me ficou até hoje no coração. E… é já em Fevereiro de 2019 que vou também à sua Gaiola Dourada. Vou ficar no Príncipe 4 dias na Roça Sundy e terei muito gosto em dar-lhe um beijinho e agradecer esta sua partilha de sentires que amei ler. Mesmo quase na horinha da partida para aí… OBRIGADA ESTRELA MATILDE… Xi coração.

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    • Estrela

      Olá querida Isabel! Muito obrigada pelas palavras de carinho! Cá a espera para um abraço!
      Faça uma excelente viagem e aproveite ao máximo, porque o Príncipe ainda é o sítio mais especial do mundo!
      Beijinhos Estrela

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  28. Juniant Antunes

    A ilha do príncipe é realmente espetacular. Palavras seriam poucas para descrever a beleza, harmonia, identidade e o charme da ilha. Aproveito para agradecer a Estrela Matilde pelo belíssimo trabalho na divulgação das ilhas São Tomé e Príncipe.

    Sinceros abraços,
    Antunes

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  29. Álvaro Mendonça

    Cara Estrela,
    Li esta bela discrição da sua experiência em São Tomé e na ilha do Príncipe. Na verdade, estou de viagem marcada para São Tomé no fim de Janeiro e gostava muito de passar 2 ou 3 dias no Príncipe, mas os hotéis que aparecem nas pesquisas são proibitivos. Também já não sou novo para ficar na praia numa tenda e vou viajar com a minha mulher e um casal, meus cunhados. Será que me pode dar uma dica sobre um local onde ficar, limpo e confortável?
    Agradeço a sua opinião. Cumprimentos.

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  30. Maria Teresa Neves

    Bom dia, Estrela.
    Sou uma viajarista (viajante por devoção e turista por lealdade ao marido) e irei passar alguns dias na Ilha do Príncipe, no próximo mês. Tentei contactá-la telefonicamente mas o número de telefone do Bom Bom Resort “não está atribuído”! Pode fazer o favor de me facultar o seu contacto, pessoal ou profissional?
    Antecipadamente grata.

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  31. Daniela

    Olá Estrela Matilde,
    Planeio ir a S. Tomé e Príncipe nas próximas férias e após ler este artigo decidi sem dúvida ficar uma semana na ilha do Príncipe. Gostaria de saber se tem algum email pessoal ou alguma forma de poder contactá-la para esclarecer algumas dúvidas e também saber mais informações sobre formas de fazer donativos, eventualmente coisas que eu possa levar para ajudar de alguma forma. Obrigada.

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  32. Cristina & Jose

    Gostavamos de saber quanto custa alugar uma casa em STP?
    Temos cinco filhos, pelo que teria de ser com 4 ou mais quartos.

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  33. daniela mendes

    Bom dia Matilde,
    O Bom Bom não me aparece para reserva. Qual alojamento aconselha na ilha? :)

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  34. Virgílio Sampaio Garrido

    Boa tarde, Matilde.
    Estarei na Ilha do Príncipe no dia 02/03/22 para fazer um trabalho e gostaria de conversar consigo. Será que terá disponibilidade para o fazer? Muito obrigado.

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  35. Susana Pinto Coelho

    Olá Estrela. Não estou a conseguir contactar-te através do endereço de email indicado supra. Há alguma outra forma de te contactar? Queria convidar-te a participar numa iniciativa (simples e que não te dará grande transtorno :)) relacionada com alterações climáticas e a COP27.

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  36. João Pedro Santos

    Olá, este ano gostava de fazer algo diferente. Andava indeciso entre Ásia e África. Li e pesquisei sobre vários países. Dúvidas atrás de dúvidas, vou não vou, o que escolhi, etc. Já sigo o Filipe há algum tempo e sempre daqui retirei grandes ideias. O que posso dizer é que após a leitura deste texto com a Estrela, deixei as dúvidas para trás! 25 de maio a 9 de junho, ali estarei! 8 noites em São Tomé e 5 no Príncipe. Eu e a minha mulher esperamos ter o prazer de conhecer a Estrela. Muito obrigado aos dois pela partilha.

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  37. Tatiana Carvalho

    Olá Estrela,
    Estamos em STP de férias e vamos ao Príncipe de 11 a 14/9/2023 e gostávamos de a conhecer pois adorei ler o seu testemunho sobre o Príncipe. Será possível? Beijinhos.

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  38. Célia Cardoso

    Olá,
    Estive no Príncipe em Agosto 2023. Tinha lido todas as dicas da Estrela, que foram de extrema importância.
    Não fiquei em hotel, fiquei em casa de locais no Picão. Uma família humilde que passou a ser a minha família. Em poucas horas eu já me sentia uma deles. Pessoas genuínas que nos abrem a porta e o coração.
    Deixei-me levar. Simplesmente vivi ao sabor do tempo. Não fiz planos.Fui para onde me quiseram levar. 15 dias que souberam a pouco.
    A ilha é tudo isto que a Estrela diz e muito mais. Irei voltar sim. Afinal ficou tanto para ver, para conhecer, para viver no Príncipe… Afinal, ganhei uma familia. Uma experiência para a vida!

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