VOLTA AO MUNDO » 15. RÚSSIA, MONGÓLIA E CHINA
Súmula da primeira fase da viagem
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Três meses depois de partir, encerro aquilo a que poderei chamar a primeira fase desta viagem. Deixo para trás países como a Rússia, a Mongólia e a China com a certeza de ter vivido momentos únicos e inolvidáveis. Aqui fica um pequeno resumo desse período. |
Por Filipe Morato Gomes |
Qual o itinerário da volta ao mundo? |
Quase três meses depois de iniciar esta viagem, eis-me no final daquilo a que poderei chamar a primeira etapa. Mais cedo do que o previsto, é certo. Mas uma bem-vinda mudança de ares. Tinha planeado voar para o Tibete e prosseguir para o Nepal antes rumar definitivamente para sul mas, à última hora, o apelo do Vietname foi mais forte. Como já aqui escrevi, não há nada mais fascinante do que poder decidir, a cada instante, o que fazer no imediato, que rumo tomar no dia seguinte. Deixo para trás a burocrática mas bela Rússia, a mágica e inexplorada Mongólia e a imensa e cansativa China. Sei que muito tenho ainda pela frente nesta jornada, mas sei também que vivi já momentos absolutamente únicos e inolvidáveis.
Lugares
Jamais esquecerei, por exemplo, a beleza serena da Ilha de Olkhon em pleno Lago Baikal, os dias passados com o inglês David pedalando ilha adentro ou as faces das crianças fugindo aterrorizadas à nossa passagem. A Ilha de Olkhon, esse pequeno pedaço de terra plantado na região siberiana, ficou definitivamente guardada na minha alma.
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| Celebrando a chegada a Simatai, Grande Muralha da China |
Como jamais esquecerei a imensidão da Mongólia rural, a simplicidade e hospitalidade das suas gentes, os sorrisos das crianças, a excelência e variedade das paisagens, as noites passadas nos gers tradicionais no Deserto de Gobi, sob um céu tão estrelado como em poucos outros lugares havia visto. Ou o dia passado com aquela família de que vos falei numa crónica anterior. Estou absolutamente seguro de que, quando chegar a altura de olhar totalmente para trás, a Mongólia continuará a ser um dos mais altos pontos de toda esta odisseia.
E também não esqueço Pequim, essa cidade gigante que, por motivos que não consigo decifrar, me fascinou sobremaneira. Richard Rowe, o canadiano que lá me acolheu, tem a sua dose de responsabilidade nesse sentimento agradável. Como jamais obliterarei da memória a Grande Muralha da China, essa imponente estrutura construída a custo de muito suor e vidas humanas, imensa, arrebatadora. Quão pequenos nos sentimos perante tamanha edificação! E Yangshuo, claro, essa meca para mochileiros de todo o mundo onde, para além de ser possível parar para relaxar, a beleza do cenário natural deslumbra intensamente os sentidos.
Mas também houve pequenas coisas que me desiludiram. A começar pelo aclamado Exército de Terracota, nas proximidades de Xi'an, China. Talvez injustamente, admito. Mas o facto é que tinha visto tantas imagens antes que, ao chegar ao local das escavações, não pude deixar de sentir uma certa frustração. E claro, as grandes cidades chinesas como Xi'an, Chengdu e mesmo Kunming não deixaram grandes marcas. Demasiada poluição, o suficiente para se sobrepor às coisas boas de cada uma delas.
Equipamento de viagem
Sobre o equipamento, tenho a dizer que a mochila que escolhi é excelente, a mochila Lowpro para o equipamento digital é simplesmente perfeita, a calculadora conversora de moedas é um dos mais úteis pequenos itens que trouxe comigo (quebrou-se, entretanto), tal como a bússola que comprei na China. A roupa que seleccionei tem-se revelado na generalidade adequada embora alguma comece a dar mostras do uso intensivo a que tem sido sujeita. Quanto ao calçado, as botas de montanha têm tido reduzida utilização e as sandálias são incomparavelmente mais úteis. Mas descobri que o mais prático calçado são uns simples chinelos de praia. Por fim, não poderia estar mais satisfeito com o equipamento electrónico. O computador portátil e o material fotográfico escolhidos são absolutamente extraordinários.
Momentos
No tempo que levo de estrada, posso já com alguma propriedade afirmar que muitos dos melhores momentos acontecem quando nos deixamos guiar por impulsos, abandonando a ditadura dos guias Lonely Planet que, embora de extrema utilidade, tendem a fazer com que todos acabem por frequentar os mesmos locais. Coisas simples como entrar num qualquer café local e tentar pedir algo apontando para outras mesas. Ou arriscar uma refeição numa banca de um mercado, não mencionado em nenhum guia de viagem, mas cheio de habitantes locais deliciados com a comida. Ou sentar-se nalgum lugar sem fazer nada, observando o ritmo de vida de uma cidade e esperando que algo aconteça. Deixar-se levar, enfim, por pequenos impulsos. E não ter receio de conhecer pessoas, sejam elas locais ou viajantes. Quantas vezes as melhores impressões que temos de um lugar não têm algo a ver com as pessoas que lá conhecemos? Felizmente, tenho tido a sorte de encontrar pessoas extraordinária em todo o lado. Julgo, inclusive, ter já alicerçado um bom punhado de amizades. Nada mau, quando se está em permanente movimento, sem poiso certo, sem destino definido...
Dirijo-me agora para o sudeste asiático. Vietname, Camboja, Tailândia, Laos, Myanmar e Malásia serão, provavelmente, os próximos destinos. Confesso que é uma das fases desta volta ao mundo que aguardo com maiores expectativas. Até já, no Vietname.
{ 04.Nov.2004 - 09:54. Versão não editada do texto originalmente publicado no jornal Público }
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Neste três meses, temos todos viajado pelo mundo através dos teus olhos e textos... e posso dizer que tem sido excelente!
Confesso que ao Sábado, a compra do Público e a leitura do teu artigo ultrapassou a leitura do OJOGO e o café matinal :)
Como disse o (Dr.) Obo : MUITO À FRENTE!
Continuação de boa(s) viagem(s)! Grande abraço.
Comentário à viagem enviado por Ricardo Ferreira (Bidros) em 04.NOV.2004 - 11:22
Pois é, já lá vão mais de 3 meses...
Se continuares a ir a esses sitios espectaculares, acho que me dá também um impulso, compro um bilhete de avião e vou ter contigo, curtir o Laos, a Tailândia, o Myanmar...
Levo-te uma máquina de converter moedas nova :)
Continua a curtir
Seabra
Comentário à viagem enviado por João Seabra em 04.NOV.2004 - 16:42
Ora muito bem, nestes últimos 3 meses, a minha súmula é a seguinte:
Lugares: leio o jornal em qualquer sítio, de preferência esticado no sofá da sala, é muito confortavel.
Equipamento: portátil IBM T30, é pratico, tem uma boa autonomia.
Momentos: sábados +/-14h, quiosque no Carrefour, compra do Público.
A única coisa em comum entre a minha e a tua súmula é que são escritas em português! Mas a minha não existia sem a tua!!!
Um grande abraço
Lucas
Comentário à viagem enviado por Rui Lucas em 05.NOV.2004 - 10:22
Acho que devias lançar um debate sobre a tirania Lonely Planet. Na Índia, onde as pessoas (turistas e nativos alike) chamam “A Bíblia” a esse livrinho precioso, o poder da marca LP é mesmo assustador...
Quanto à segunda fase da tua viagem, só um pequeno desabafo: que inveja! Tenho os LP do Vietname, do Laos e do Camboja na prateleira à espera da próxima oportunidade, mas acho que vou preferir os teus relatos.
Um aviso: voltar ao trabalho vai ser muito doloroso. Só estive um mês fora e já estou a contar os minutos que faltam até às próximas férias. O mundo é insuportavelmente mais emocionante quando estou fora deste primeiro andar na Pasteleira.
Comentário à viagem enviado por Inês em 05.NOV.2004 - 13:34
Olá viajante,
Tenho acompanhado religiosamente as tuas crónicas e agora que fazes uma espécie de balanço da primeira fase da tua fantástica aventura resolvi escrever-te uma palavras de incentivo.
Tenho alguma (pouca) experiência de mochileiro, nomeadamente em África e na América do Sul, em diversas viagens anuais que duram cerca de 3 semanas e que valem pelo resto do ano! Sei perfeitamente que é muito dificil transmitir por palavras as magnificas experiências por que se passa neste tipo de viagem e pressinto nas entrelinhas que te estás a divertir muito mais do que as palavras podem exprimir.
Entendo perfeitamente o que te move para esses lugares tão remotos e estranhos para o comum dos mortais, e só espero um dia poder concretizar tamanha façanha. Assim a vida e os Euros o permitam...
Para já fico a aguardar por novos relatos.
Um abraço e continuação de boa aventura!
Paulo César Santos
Comentário à viagem enviado por Paulo Santos em 06.NOV.2004 - 12:46
Mochileiro amigo,
kem te konhece sabe ke tens força e vontade suficientes para que a tua jornada corra de feição...
compreendo quando todos te invejam a determinação e coragem e respondes com um sorriso e abanar de ombros, próprios de um moço descomplexado...
penso que só esse espirito te pode proteger e acompanhar nesta odisseia...
espero que estejas a gravar as tuas memórias e imagens para que as possas partilhar connosco no teu regresso...caso contrário vais-te fartar de repetir tudo a toda a gente!!
e insegurança sentiste? transito intestinal acelerado? ficaste já sem bateria para a foto que dizia tudo!? passaste em cima de urtigas? :) a tua boa estrela é luminosa...
congratulo-te viajante das estepes, um grande bem haja!!
PS- Luísa, para ti vai também um forte abraço, sem dúvida é contigo que o Filipe deve partilhar todos os últimos raios de sol e alvoradas!
Comentário à viagem enviado por Maktub em 09.NOV.2004 - 15:42
ó pá .... k dizer! fascinante akilo k tás a fazer, k força, vontade e determinação... conquistaste a minha admiração.
tb sou mochileiro, mas 2/3 vezes anuais... e k dizer, senão k é a melhor coisa do mundo.
boa sorte para o resto da viagem.
Comentário à viagem enviado por Serginho em 09.NOV.2004 - 21:36
Parabéns meu amigo por esses 3 meses. Continue assim, nos fazendo viajar com você pelo mundo, tenho certeza de que a cada dia, a cada momento você se torna um ser humano ainda mais especial. Torço imensamente para tudo dar cada vez mais certo e aguardo ansiosa sua vinda ao Brasil. Fica com Deus e com o universo aos seus pés.
Comentário à viagem enviado por Luana em 10.NOV.2004 - 01:18
Se bem que estamos no quentinho de uma lareira sentimos o frio da emoção que passas dia-a-dia.
Abraço grande da família Zandinga.
Comentário à viagem enviado por Casal Zandinga em 11.NOV.2004 - 22:45
Oi.
Não te tenho escrito, mas tenho lido a descrição dos teus passos...
Agora que estás em Saigão, fizeste-me lembrar um homem num quarto com meia luz a olhar para uma ventoinha no tecto, ao som dos helicópteros...
APOCALIPSE NOW
Continuação e até breve. Um grande abraço M&M
Comentário à viagem enviado por Rojo em 13.NOV.2004 - 15:22
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Nota: com a renovação do design de Alma de Viajante, em 2006, foi desactivada a introdução automática de comentários à volta ao mundo, para evitar a publicação de spam nas crónicas de viagem. As mensagens podem ser enviadas por e-mail e serão colocadas neste travelogue, manualmente.
Obrigado a todos os que, ao longo dos tempos, enriqueceram esta volta ao mundo com as suas palavras.
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