Património Mundial da UNESCO na Tanzânia

Por Filipe Morato Gomes
Património Mundial na Tanzânia: Serengueti
Uma girafa no Serengeti, um parque nacional classificado como Património UNESCO na Tanzânia

A Tanzânia é um dos países africanos com locais classificados como Património Mundial pela UNESCO de enormíssimo relevo natural.

Do inevitável Parque Nacional de Serengeti à incrível Cratera de Ngorongoro e toda a área de conservação ambiental envolvente, passando pelo icónico Parque Nacional do Kilimanjaro, não faltam locais de enorme relevo natural em território tanzaniano, classificados como património UNESCO. Isto sem falar da cidade de Stone Town, em Zanzibar, ou da Arte Rupestre de Kondoa — tudo lugares que pode tentar incluir num roteiro de viagem na Tanzânia.

Eis a lista completa de lugares classificados pela UNESCO como Património Mundial na Tanzânia.

Dica: se vai visitar Tanzânia, não se esqueça de fazer um bom seguro de viagem.

Património Mundial na Tanzânia (UNESCO)

1. Zona de Conservação de Ngorongoro (1979) (2010)

Pastores maasai Ngorongoro
Pastores maasai com o seu gado na borda da Cratera de Ngorongoro

A Área de Conservação de Ngorongoro ocupa um lugar singular no norte da Tanzânia. No interior da antiga cratera vulcânica, com cerca de vinte quilómetros de diâmetro, desenvolveu-se ao longo de milhares de anos um ecossistema particularmente rico, onde é possível observar leões, elefantes, búfalos, zebras ou rinocerontes num espaço relativamente concentrado. Essa combinação faz de Ngorongoro um dos locais mais importantes do país para observação de vida selvagem.

Mas Ngorongoro distingue-se também por outro motivo: trata-se de uma das poucas áreas protegidas em África onde a presença humana continua a coexistir com a conservação da natureza. O território é habitado pelos Maasai, que mantêm aqui muitas das suas práticas tradicionais, criando uma paisagem onde património natural e património cultural se cruzam de forma particularmente evidente.

2. Parque Nacional de Serengeti (1981)

Património Mundial Tanzânia: Parque Nacional de Serengeti
Um leão no Parque Nacional de Serengeti

O Serengeti é provavelmente o parque nacional mais conhecido da Tanzânia e um dos grandes símbolos dos safaris em África. A paisagem é marcada por planícies abertas que se estendem até onde a vista alcança, interrompidas aqui e ali por acácias solitárias e pequenos afloramentos rochosos. É neste cenário que vivem algumas das maiores populações de grandes mamíferos do continente.

O parque tornou-se particularmente conhecido pela Grande Migração, fenómeno anual em que milhões de gnus, zebras e gazelas percorrem centenas de quilómetros em busca de novas pastagens. Mas, independentemente da época do ano, fazer um safari no Serengeti continua a ser uma das melhores experiência que pode ter em todo o continente africano.

3. Ruínas de Kilwa Kisiwani e Songo Mnara (1981)

Ao largo da costa sul da Tanzânia encontram-se as ruínas de Kilwa Kisiwani e Songo Mnara, vestígios de duas antigas cidades que desempenharam um papel central nas rotas comerciais do Oceano Índico entre os séculos XIII e XVI. Durante esse período, Kilwa foi um importante centro de comércio, ligando a costa africana a regiões tão distantes como a Pérsia, a Índia ou a Península Arábica.

Hoje permanecem mesquitas, palácios e estruturas construídas em pedra coralina que ajudam a compreender a importância histórica da cultura suaíli nesta região. A visita oferece uma perspetiva diferente sobre a Tanzânia, afastando-se dos parques naturais para revelar uma dimensão histórica muitas vezes menos conhecida do país.

4. Reserva de Caça de Selous (1982)

Durante muitos anos, a Reserva de Selous foi uma das maiores áreas protegidas de África e continua a representar uma das regiões selvagens mais extensas da Tanzânia. A paisagem alterna entre rios, zonas húmidas, savana e floresta, criando condições para uma enorme diversidade de fauna, incluindo elefantes, hipopótamos, crocodilos e grandes predadores.

Ao contrário de parques mais procurados do circuito turístico tradicional, Selous oferece normalmente uma experiência mais tranquila e menos concorrida. Essa menor pressão turística permite uma observação mais serena do território e ajuda a preservar uma sensação de isolamento cada vez mais rara em destinos de safari.

5. Parque Nacional do Kilimanjaro (1987)

O Parque Nacional do Kilimanjaro protege a montanha mais alta de África, cujo cume atinge os 5.895 metros de altitude. A presença do Kilimanjaro domina grande parte da paisagem envolvente e transformou-se, ao longo do tempo, numa das imagens mais reconhecíveis de toda a África Oriental.

Para quem percorre os trilhos da montanha, o percurso permite atravessar diferentes zonas climáticas num espaço relativamente curto. Florestas densas dão lugar a paisagens vulcânicas, terrenos alpinos e, perto do topo, áreas onde ainda subsistem glaciares. Mais do que uma simples subida, a experiência permite observar uma diversidade natural pouco comum numa única montanha. Diz quem já fez que é uma experiência inesquecível.

6. Stone Town — Cidade de Pedra de Zanzibar (2000)

Rua de Stone Town, UNESCO Tanzânia
Stone Town

Stone Town, o centro histórico de Zanzibar, conserva algumas das marcas mais evidentes do passado multicultural da ilha. Durante séculos, este foi um importante ponto de encontro entre comerciantes africanos, árabes, indianos e europeus, influência que permanece visível na arquitetura, no traçado urbano e no ambiente geral da cidade.

As ruas estreitas, as portas de madeira esculpidas, os antigos edifícios coloniais e os pequenos mercados locais fazem parte da identidade deste lugar. Caminhar por Stone Town é, em muitos aspectos, uma forma de compreender como Zanzibar se desenvolveu historicamente como uma ponte entre diferentes culturas e diferentes partes do mundo. Para mim, Stone Town é ponto de paragem obrigatória em qualquer roteiro em Zanzibar. Pode acreditar.

7. Sítio de Arte Rupestre de Kondoa (2006)

Na região central da Tanzânia, os abrigos rochosos de Kondoa preservam um dos mais importantes conjuntos de arte rupestre do continente africano. Distribuídas por dezenas de locais diferentes, estas pinturas foram produzidas ao longo de milhares de anos por comunidades que habitaram esta região muito antes do aparecimento dos estados e fronteiras atuais.

As representações incluem figuras humanas, animais e cenas associadas ao quotidiano e a práticas rituais, oferecendo pistas importantes sobre formas de vida profundamente antigas. Apesar de ser um local pouco conhecido fora da Tanzânia, Kondoa constitui um testemunho particularmente relevante para compreender a longa presença humana nesta parte de África.

Dicas para visitar a Tanzânia

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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