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Ilha do Sal, o trópico mora ao lado

TextoFotosHumberto Lopes16/09/2008

A ilha do Sal é cada vez mais um destino eleito para o turismo balnear português e europeu. A meio do Atlântico, flutuando entre águas transparentes, de tons azul-turquesa, dessas que brilham habitualmente e espelham céus edénicos nos folhetos das agências de viagens. Relato de uma tranquila viagem ao Sal, no arquipélago de Cabo Verde.

É sina de arquipélago. Cada ilha tende a singularizar-se, por uma ou outra razão, de cariz geológico, climático, paisagístico. Assim é, também, em Cabo Verde, onde as dez ilhas (nove habitadas) que constituem esta constelação única entre África e Europa se apresentam como um impressionante mosaico e, por conseguinte, como um reservatório inesgotável de experiências de viagem [ver caixa Ilhas de Cabo Verde]. São, bem se pode escrever, ilhas para todos os gostos e paixões. E a mais popular - entendida aqui a que regista maior número de visitantes, é fatalmente a ilha do Sal.

Santa Maria do Sal, principal cidade da ilha do Sal

Santa Maria do Sal, principal cidade da ilha do Sal

Fatalmente, porque é aí que o turismo de massas encontra um mais acentuado potencial de expansão, quer pela existência de um aeroporto internacional, que recebe voos da Europa (a três horas de Lisboa), África e do continente americano, quer, sobretudo, pelas praias de areia branca e fina e águas cálidas e tropicais que as banham.

O Sal, não registando as enchentes que caracterizam destinos de praia como as Caraíbas ou as Canárias, é uma ilha cada vez mais procurada por turistas que para as suas férias não desejam ocupar o tempo com mais do que uns mergulhos e uns diários abandonos aos raios solares, ainda que possam sempre acrescentar outros devaneios hedonistas ou, até, algumas práticas desportivas que têm o mar como cenário privilegiado.

A muito menos horas de viagem do que as suas concorrentes brasileiras ou das Caraíbas, as estâncias de veraneio cabo-verdianas apresentam ainda uma outra indiscutível particularidade: oferecem o ensejo de uma imersão num universo cultural onde as referências africanas e europeias (portuguesas, principalmente) se mesclaram de forma exemplar e única.

Santa Maria: sal, mar e sol

Do aeroporto de Espargos a Santa Maria, na costa sul, não são mais do que vinte minutos por uma novíssima estrada de quatro vias.

A povoação tem reagido ao aumento da procura expandindo-se ao longo da costa, e para interior, com novos resorts, vivendas de férias e uma oferta crescente de restaurantes e vida nocturna. Os investimentos estrangeiros na área do turismo constituem, efectivamente, a fatia principal do motor económico da ilha.

Santa Maria do Sal

Santa Maria do Sal

Historicamente, até aos dias de hoje, foi o sal a única riqueza explorada na ilha e a que justificou o povoamento, intensificado há cerca de cento e cinquenta anos. As salinas de Pedra de Lume, junto à costa leste, situadas num belíssimo cenário de cratera vulcânica, são memória desse tempo e um dos pontos de visita obrigatória para os turistas.

A construção do aeroporto, em meados dos anos 40, e a sua utilização como escala em voos transatlânticos, veio dar ao Sal uma renovada importância, mas foi, finalmente, a exploração do seu potencial turístico que colocou a ilha nos mapas internacionais de veraneio.

Águas cálidas, transparentes, de tonalidade azul-turquesa, imediata referência quando se pensa em destinos de férias balneares, fazem parte do cenário mais trivial da ilha, caracterizado também por paisagens despojadas.

As principais actividades com que os visitantes podem ocupar o tempo de vilegiatura estão, portanto, relacionadas com o mar. Praias de grandes extensões de areia - como a que se desenrola junto de Santa Maria - convidam a descontraídos mergulhos ou a passeios a pé ao longo do litoral.

Mas há um rol significativo e variado de propostas de agências locais que farão parecer breve o tempo de estadia: pesca em alto mar (sobretudo entre Julho e Outubro, a melhor época), windsurf, mergulho subaquático em vários pontos, incluindo recifes, onde abunda exuberante vida marinha, ou passeios de barco ao largo da ilha ou, ainda, até à vizinha Boavista, em excursões com a duração de um ou dois dias.

Há, ainda, a possibilidade de agendar visitas de um dia (por via aérea) às ilhas de Santiago, Fogo ou São Nicolau. Extensões a essas ilhas ou a outras como São Vicente e Santo Antão, utilizando as ligações regulares diárias dos TACV, são igualmente opções disponíveis, e aliciantes, para quem não desejar preencher todo o tempo de férias apenas com prazeres balneares.

Ilhas de Cabo Verde - numas chove, noutras também não

Um exagero, bem entendido. Se haverá sempre um cabo-verdiano que se lembre do remoto ano em que viu água a cair do céu, há pelo menos duas ilhas que registam um regime mais ou menos regular de chuvas: Santo Antão e São Nicolau.

São as ilhas mais verdes, com vales férteis marcados por culturas tropicais (sobretudo na primeira) que contrastam com relevos montanhosos a que sobra majestade, mesmo na sua proverbial aridez. Parece que Darwin, quando por lá passou, há uma centena de anos, terá valorizado, justamente, essa escassez de vegetação e essa elementaridade cénica.

Salinas na ilha do Sal, Cabo Verde

Salinas na ilha do Sal, Cabo Verde

Santo Antão é uma das mais cativantes ilhas do arquipélago, com a sua gente afável e hospitaleira (como, aliás, em todas as outras ilhas), os seus trilhos espectaculares rasgando falésias e vales, os trapiches (artesanais) de grogue, o clima temperado em comparação com o das suas congéneres.

São Nicolau é também uma ilha calma, boa para os amantes de caminhadas e trekkings. Ambas têm vindo a tornar-se populares entre viajantes do norte da Europa.

O interior de Santiago, mais seco, encerra também paisagens memoráveis, com os seus estranhos picos cortando céus por vezes embrumados. A pequena e bela praia do Tarrafal merece uma estância de alguns dias.

O campo de concentração, que tem um museu evocativo da barbárie colonialista, vale também a visita, quanto mais não seja para ajudar desmontar o mito dos brandos costumes portugueses - o sítio é, efectivamente, sinistro, e uma espécie de modesto e lusitano fac-simile dos congéneres nazis.

Ainda em Santiago, o Plateau - o centro histórico da Praia, a capital do país - merece um breve passeio pela arquitectura colonial que ali se conserva. A pouco mais do que uma dezena de quilómetros está a Cidade Velha, a primeira cidade portuguesa construída fora do espaço europeu. As autoridades cabo-verdianas estão a trabalhar na sua candidatura a Património Mundial.

Rua de Santa Maria do Sal

Rua de Santa Maria do Sal

A ilha da Boavista é cenário de infindáveis extensões de areia branca e fina - por essa razão, também aí o turismo balnear está em expansão e os investimentos estrangeiros ameaçam perturbar a tranquilidade dos ilhéus - o preço a pagar pelas receitas esperadas.

A Brava, montanhosa e de vales profundos, tem também trilhos e uma pequena e tranquila povoação, Vila Nova Sintra, que conserva arquitectura dos tempos coloniais.

Mas nesse capítulo, São Filipe, a capital do Fogo, é um relicário único de velhos sobrados coloniais, bem conservados num centro histórico que se orgulha da sua harmonia. E o Fogo é, claro, das ilhas mais bonitas do arquipélago também pelo vulcão (por ora adormecido) e pela imensa e fértil cratera onde, em Chã das Caldeiras, se produz um precioso vinho branco.

Guia de viagens à ilha do Sal

Este é um guia prático para viagens à ilha do Sal, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos, os melhores hotéis e sugestões de actividades no Sal.

Ilha do Sal Quando ir

Quando ir

Qualquer época do ano é boa para viajar para Cabo Verde. No Verão há, obviamente, mais visitantes, mas a diferença só se nota verdadeiramente no Sal ou em São Vicente. Nessa altura as temperaturas são mais elevadas. No resto do ano, o vento faz-se sentir, amenizando o calor.

Como chegar

Como chegar à ilha do Sal

As companhias aéreas TAP e TACV voam todos os dias para as ilhas do Sal e Santiago, no arquipélago de Cabo Verde.

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Onde ficar

Onde ficar

Entre os inúmeros hotéis e resorts instalados na ilha do Sal, contam-se, entre outros, os hotéis Central e Pontão, de três estrelas, os hotéis Morabeza, Belorizonte e Novorizonte, todos de quatro estrelas, e o luxuoso ClubHotel Riu Garopa, unidade de cinco estrelas em regime de tudo incluído.

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Informações úteis

Informações úteis

Os cidadãos da União Europeia, incluindo os portugueses, necessitam de visto. O Euro é aceite praticamente em toda a parte. Em Santa Maria do Sal, na Cidade da Praia, em São Filipe e no Mindelo, por exemplo, há várias caixas de levantamento automático, conhecidas localmente por «Vinti4». Não é necessário fazer profilaxia da malária, nem qualquer tipo de vacina.

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Informações úteis na internet

Na Internet

Embora não sendo um site oficial, o espaço www.caboverde.com tem muita informação útil sobre viagens a Cabo Verde, incluindo, naturalmente, a ilha do Sal. O Portal do Turismo de Cabo Verde está acessível em www.turismo.cv e também vale a visita.