
Adoro pessoas. Já escrevi isso dezenas de vezes e, nos meus workshops de Escrita de Viagens, pareço um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus a pregar sobre as vantagens de se conhecer pessoas em viagem; de viver em vez de ver; de se deixar ficar tranquilamente numa esplanada, num parque, num banco de jardim à espera que aconteçam coisas; que se conheçam novas pessoas; que a cidade fique, enfim, marcada por alguém mais do que por algo.
Respondem-me muitas vezes que nem toda a gente é extrovertida e tem facilidade de “meter conversa”. A todos argumento que compreendo. Mas eu nunca fui daqueles de meter conversa com as miúdas giras da discoteca e em viagem costumo falar com muita gente. É que, não raras vezes, a diferença entre estar sozinho ou conhecer alguém é, simplesmente, um “olá”. É como se me transformasse um pouco em viagem e ficasse mais aberto a outras pessoas.
Acontece que na viagem que fiz recentemente ao Kosovo, Macedónia e Albânia dei comigo quase sempre sozinho. Exceção feita ao pessoal que trabalhava no hostel onde fiquei em Pristina, a um ou outro viajante com quem me cruzei e sai para beber uma cerveja ou fazer umas caminhadas e, ainda, ao ambiente extraordinário criado pelo dono do Stone City Hostel em Gjirokaster que potencia esses contactos. E era aqui que eu queria chegar.
É muito mais fácil conhecer outros viajantes do que conhecer as pessoas locais. Isso é um facto indesmentível.
Mas eu, que acredito nas vantagens de viajar sozinho e pensava não ter qualquer problema em fazer novas amizades, mesmo que efémeras, dei comigo sozinho, a pensar que me apetecia estar a conversar com alguém da mesa ao lado num dos melhores cafés de Pristina, Skopje ou Ohrid. Mas a verdade é que raramente disse o tal “olá”.
Estranho? Muito. Ainda estou a digerir o que tudo isto significa.
Tecnologia em viagem: aliado ou inimigo?
Uma coisa eu sei. Antes, a falta de tecnologia obrigava a interagir com a população local. Chegar a uma cidade e perguntar como se ia para determinado hotel. Caminhar pelas ruas e perguntar o melhor caminho para o café, restaurante, museu ou mosteiro. Quantas vezes essa pergunta não se transformava numa caminhada conjunta, num café mais tarde, em dois dedos de conversa!?
Na tal viagem aos Balcãs, com o Google Maps ou o Maps.me sempre a postos, enfiava os olhos no smartphone e descobria o caminho para todo o lado sozinho. Facilmente. Sem ajuda. É muito mais prático; mas é muito menos social.
Tal como me sentava num café, abria o portátil e trabalhava, de macchiato numa mão e os olhos no ecrã. Quase sempre. Sim, fartei-me de escrever e publicar posts durante a viagem, mas ao que parece isso teve um preço.
Veja o roteiro de viagem ao Kosovo, Macedónia e Albânia.
“Este é apenas um desabafo de quem acredita que em viagem só estás sozinho se realmente quiseres”
Onde está o outro Filipe? Será que mudei? Será que o facto de querer trabalhar em viagem o máximo possível me condicionou demasiado? Será que são as ferramentas tipo Maps.me que estão a alterar a forma como me comporto no terreno? Será que essa necessidade de interagir é mais intensa em viagens longas como uma volta ao mundo? Um pouco de tudo isso? Creio que sim, deve ser um pouco de tudo isso; mas é como digo, ainda estou a digerir.
Com este post não pretendo chegar a nenhuma conclusão, nem tampouco criticar a utilização da tecnologia em viagem. Uso porque é prático. E bem sei que também há ferramentas digitais criadas com o objetivo de conhecer gente, como os novos Hangouts do Couchsurfing ou até o Tinder – mas não é disso que estou a falar.
Este é apenas um desabafo de quem acredita que em viagem só estás sozinho se realmente quiseres, e que conhecer pessoas é dos maiores prazeres da própria viagem. Especialmente os habitantes, que são a alma dos locais por onde se viaja. É verdade. E depende apenas de cada um.
Que raio se terá passado comigo então?
Julgo que nada de especial. A resposta estará muito provavelmente no foco porventura excessivo que coloquei no trabalho durante a viagem. Seja como for, era algo que queria partilhar convosco. Será um aspeto a ter em conta na próxima aventura. No Japão. Parto amanhã.
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