O país mais “perigoso” do mundo

Por Filipe Morato Gomes

Fui convidado para escrever 7 crónicas de viagem para as edições de verão do jornal Diário de Notícias. Para quem não teve oportunidade de ler a versão em papel, hoje republico o primeiro desses textos, que foi para as bancas no passado dia 15 de julho. As crónicas são publicadas até ao final de agosto, sempre às segundas-feiras, na secção DN – Verão do jornal (e aqui com duas semanas de atraso).

#1. O país mais “perigoso” do mundo

Jovem iraniana em Esfahan
Jovem iraniana em Esfahan

Há países muito perigosos. E o Irão é seguramente um deles. Pelo menos é o que me dizem amigos e conhecidos que nunca lá foram. Pelo que me afiançam, deverá ser um país incrivelmente inseguro e cruel, viveiro de terroristas e malfeitores – esses “muçulmanos”! – amantes das armas nucleares onde, seguramente, alguém me irá assaltar, quem sabe colocar-me atrás das grades pelo facto de ser ocidental ou, até, apontar uma Kalashnikov e deixar-me estendido num beco escuro onde ninguém dará por mim durante muitos dias.

Não fazem por menos, os meus amigos. Com tais relatos, pânico era o mínimo que deveria sentir ao aterrar em Teerão pela primeira vez. Seis viagens depois à antiga Pérsia, a julgar pelas experiências que já lá vivi, posso garantir que eles têm toda a razão: o Irão é um país muito “perigoso”.

Na primeira vez que fui ao Irão, fui “sequestrado” por uma equipa de filmagens numa pequena aldeia montanhosa do norte do país, que me adotou por uns dias no seio do grupo enquanto filmavam um road movie independente, tempo durante o qual não consegui pagar fosse o que fosse porque ouvia sempre o mesmo argumento: “you’re my guest“.

Na cidade de Kashan, um taxista malandro “obrigou-me” a aceitar o convite para visitar a sua casa, conhecer a família – mulher e filho de 4 anos notoriamente terrorista – e jantar com eles. Ainda hoje somos amigos.

Na segunda vez que fui ao Irão, fui “atacado” por jovens adolescentes que queriam tirar fotografias encostadas a mim na aldeia de Abyaneh, sorrindo com excitação e despedindo-se com acenos, endereços de Facebook e inocentes “I love you“.

Na terceira viagem, perdido à noite no bazar de Esfahan, pedi ajuda a um velho iraniano que passava de bicicleta (que mais poderia ser aquele velho simpático senão um terrorista disfarçado?), o homem teve o “desplante” de desmontar da sua bicicleta, mudar o seu rumo e caminhar uns bons 15 minutos até ao local que eu procurava, desaparecendo de seguida sem sequer esperar por um sentido obrigado.

E quando me impelem a deixar os hotéis onde estou alojado e insistentemente me convidam para dormir nas suas casas, onde, resguardados por quatro paredes, me podem “torturar” com perguntas sobre o meu país e a opinião que tenho sobre o Irão, antes de me alimentarem à força com comida deliciosa e de me mostrarem um pouco da música persa acompanhando um chá e qalyan? Só pode ser “maldade”, certo?

Mas não é tudo.

Na última viagem que fiz ao Irão, no passado mês de abril, vi alguém pagar por engano 10 vezes mais que o devido a um taxista (é comum esta confusão com a moeda iraniana). De pronto, o bom homem desatou à gargalhada e devolveu o excedente. E vi outro estrangeiro deixar um smartphone topo de gama no banco traseiro de outro taxista. Minutos depois, o taxista atendeu a chamada no telefone perdido e veio devolvê-lo imediatamente.

E na rua? Elas e eles, cultos e bem formados, abordam-me na rua, nos cafés, nos bazares, nos parques verdes, nas galerias de arte. Querem conversar, conhecer, perguntar, sorrir em conjunto – só podem ser “espiões”.

Sim, o Irão é um país perigoso. Muito perigoso. Mas isso é só na televisão. Fora da “caixa que mudou o mundo” – e continua a moldar a opinião que dele temos –, o Irão é “só” o país com o povo mais hospitaleiro que conheço.

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Os percalços, acidentes ou doenças podem acontecer em qualquer altura, pelo que é fundamental ter um seguro de viagem com boas coberturas para diminuir o prejuízo em caso de doença ou uma eventual hospitalização.

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

46 comentários em “O país mais “perigoso” do mundo”

  1. Paulo Pereira

    O Irão, digo eu que não o conheço, é um País acolhedor, opinião recolhida em outras crónicas de outros viajantes. País que já foi cosmopolita, nos tempos de Reza Pahlavi, viveu algo ostracizado no pós-revolução, quando esse rótulo de “terroristas” lhe foi colado, com algum certo. No entanto, e sempre baseado em relatos de outras pessoas, parece-me exactamente esse País que tão bem descreve agora. Um País de gente culta, de jovens esfomeados por conhecimento, de simpatia pelo seu semelhante, mas que vive ainda preso nesse limbo que alguns radicais lhe querem colar. O Irão, infelizmente, vive um duelo surdo entre os que querem professar os mandamentos do Ayatollah Kohmeini e os outros todos, a larga maioria, que apenas deseja viver e ser feliz.
    Belo retrato esse que nos deu…

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    • Filipe Morato Gomes

      “Um País de gente culta, de jovens esfomeados por conhecimento, de simpatia pelo seu semelhante” – descrição perfeita sobre os iranianos, Paulo, só falta adicionar a genuína hospitalidade persa. Abraço.

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  2. Erick Stengrat (@mydest_anywhere)

    Parabéns pelo ótimo texto. Muito emocionante e vai de encontro aos textos que eu publico no meu blog. Um Abraço

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  3. João Paulo Ribeiro

    Muito bem escrito, com muita ironia. Por razões profissionais desloquei-me ao Irão o ano passado, estou inteiramente de acordo com os seus escritos. Além do mais, estive num congresso em Teerão com gente dos países “terroristas” à volta do Irão e a simpatia e o interesse dessas gentes era o máximo. A manipulação da informação é uma triste realidade.

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    • Filipe Morato Gomes

      É isso mesmo, o Irão – e em especial os iranianos – surpreende pela simpatia todos os que lhe dão uma oportunidade. Grande abraço.

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  4. José Guimarães

    Este não é só mais um ótimo texto Filipe. É também um perfeito relato, sentido até às entranhas… deu para entender! Os meus sinceros parabéns por nos trazeres a realidade que há por esse mundo fora. Um abraço

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    • Filipe Morato Gomes

      Obrigado José. Abraço e boas viagens!

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  5. Ana Tavares

    Adorei a ironia do texto :). De alguma forma, fez-me lembrar o vídeo em que Mia Couto fala do medo: https://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE

    Nada como colocar o pé no chão (no país) e conhecer as gentes que o pisam para poder falar sobre elas. Parabéns!

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    • Filipe Morato Gomes

      Obrigado, Ana, a ironia é uma bela “arma”, não é? Beijos e boas viagens, seja ao Irão ou a qualquer outro destino.

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  6. Paulo Carvalho

    Atendendo aos iranianos que conheci (um ano que vivi em Londres), compartilho da tua opinião.

    Convidaram-me a comer em casa deles porque os seus familiares estavam de visita, e tinham o prazer que eu os conhecesse e provasse a comida da sua mãe.

    Quando os convidei para tomar um copo no dia do meu aniversário, um deles levantou-se da mesa do café onde estávamos, e, pese embora o temporal que se fazia sentir, saiu e só apareceu cerca de 30 minutos depois, encharcado, com um presente que fez questão de comprar.

    Conheci pessoas de muitos, mesmo muitos países nesse ano, mas ninguém como esta gente.

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  7. Hugo Lopes

    Caro Filipe,

    Acompanho um ou outro blog de viagens, e confesso que só o ‘conheci’ hoje através do fcbk.
    Gostei dos vários ‘posts’ que publicou, e em particular deste, pois ajuda a desmistificar os preconceitos ocidentais que existem em relação aos países daquela região, em particular os do Golfo Pérsico e Médio Oriente, onde eu vivo.
    Moro na Jordânia desde Fevereiro de 2011 com a minha mulher e filha – actualmente com 3 anos e sinto-me perfeitamente seguro e integrado pelos habitantes, sejam eles citadinos ou tribais. Já agora acrescento que a Jordânia faz fronteira com a Cisjordânia/Israel, Egipto, Síria, Iraque e Arábia Saudita.

    Continue.
    Abraço.

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  8. Sanaz

    É verdade e posso afirmar sendo uma iraniana de origem e portuguesa de nacionalidade. Irão é um país que sofre muito pelas mãos dos media.
    Muitos pensam que eu morava numa tenda e andava de camelo, quando morava no bairro alto de Tehran e andava de Peikan.
    Pensam que falamos árabe e quando digo que falamos persa, dizem “mas é igual não é? É tipo o português e o espanhol!”. نه. Não. No. Nien. Non. いいえ.
    Muito obrigada pelo belo texto e pela lindíssima ironia. O meu coração chora de alegria quando vejo alguém culto, com experiência e que conhece antes de dar a sua opinião.
    Como iraniana, obrigada.
    Como portuguesa, obrigada por esclareceres dezenas e centenas de ignorantes ensinados pela “caixa que mudou o mundo”!

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  9. Cassandra Pereira

    Olá,
    Engraçado ler este texto e rever o mesmo que sinto na Turquia… eheh
    Vim num projecto de EVS, óbvio que com receio, e neste momento apenas estou a preparar as malas para finalizar o projecto e ir apenas a Portugal de férias.
    Nunca conheci pessoas tão acolhedoras, tão hospitaleiras… sempre que viajo sozinha no país tenho imensa ajuda em todos os sentidos, e atenção… sou mulher, a ideia é errada.
    Adorei….
    Quando quiseres vir até à Turquia… avisa :)

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    • António

      Cassandra,
      Esta semana foi enforcada uma mulher no Irão por agredir o homem que a tentava violar.
      Estranho esse seu conceito de dignidade da mulher de “pessoas tão acolhedoras, tão hospitaleiras” mas que enforcam as mulheres que se defendam dos violadores…

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      • Ella

        O Governo não representa o povo. O Governo decidiu enforcar a mulher, não o povo.

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  10. PD

    O ponto essencial daquele que supostamente deveria ser o ponto do artigo, perde-se ao fim da quarta vez que o uso sarcástico da palavra “terrorista” aparece.
    Se o autor queria evidenciar que nem tudo é o que parece, que as pessoas não devem acreditar em tudo o que é dito na televisão ou nos filmes, então devia de se cingir a evidenciar que o que faz um País não é o seu governo, mas num País onde um existe um governo repressivo (sim, as manifestações de há dois anos mostraram isso mesmo) que insiste em manter coesa a Igreja e o Estado, é normal que a percepção pública internacional seja fácil de moldar.
    Aposto que se o autor tivesse autorização do governo norte-coreano para entrar no País, também iria encontrar pessoas encantadoras. Se pudessem, também lhe dariam comida e alojamento sem pedir nada em troca. Também seria convidado para ir a suas casas, conhecer as suas famílias.
    Sabe que mais? Encontra-se disso em qualquer país do Mundo, e felizmente que o Irão não é excepção.
    Já acolhi em minha casa pessoas de vários pontos do Mundo e reparti com elas o pouco que tenho, mas isso não me define como PORTUGUÊS. Isso define-me, tal como as amigáveis pessoas iranianas que descreveu no seu artigo, como um SER HUMANO, capaz de simpatia e empatia, qualidades essas afinal essencais na nossa condição.
    Portanto, o Irão não é um país de TERRORISTAS, não mais do que Portugal é um país de TROLHAS e DONAS DE CASA COM BIGODE. Se é descrito como perigoso, é porque insistentemente, membros do Governo que GOVERNA o Irão, insistem em dizer coisas como “O HOLOCAUSTO NUNCA ACONTECEU”, “MORTE AO OCIDENTE” e “VAMOS ACABAR COM ISRAEL”, queimar bandeiras e efígies, etc etc etc. Em Israel por exemplo, também vivem pessoas extremamente simpáticas, amáveis e humanas, que nada têm a ver com as acções do seu Governo.

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    • Filipe Morato Gomes

      É excelente haver opiniões divergentes, isso só enriquece a discussão. Concordo que o ser humano é por natureza bom e generoso em qualquer parte do mundo. Nas minhas viagens, no entanto, ainda não encontrei hospitalidade tão extrema e desinteressada como no Irão. Não quer dizer que não haja muitos outros povos como os iranianos, apenas que esta é a minha experiência até ao momento. Grande abraço e obrigado pelo contributo.

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      • Alberto Duarte Bezerra

        Filipe Morato Gomes, concordo totalmente com a sua opinião sobre o povo iraniano. Meu filho, por sinal também se chama Felipe, “Felipe Bezerra”, tem viajado por todos os continentes e vários países, dando curso em sua área, Odontologia Estética, e já esteve no Irã por 2 vezes e ficou impressionado com a hospitalidade do seu povo. Relatos dele, de gestos impressionantes, da hospitalidade e simpatia do seu povo, tomam os seus visitantes como pessoas que estão visitando a sua casa e por isso dedicam-lhes atenções e gestos como você bem descreveu em seu artigo.
        Ele ficou realmente impressionado com seu povo e guarda um carinho pela forma como sempre é recebido por eles.
        Abraços.

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  11. Marcia Mendes

    Descobri o seu blog apenas hoje! Uma grande falha minha que adoro viajar! De entre todos os textos que li avidamente, este não podia deixar de comentar: estive na Arménia durante alguns meses a trabalhar e a viagem ao Irão foi obrigatória. E que maravilha de país! Apesar de ter de andar tapada e na parte de trás dos autocarros (transportes públicos) e ter sido um choque (claro que sabia ao que ia, mas a primeira vez que me negaram a entrada pela porta da frente foi algo que me perturbou) senti-me muito bem acolhida. Tal como referiu, as pessoas abordavam-nos na rua com imensa simpatia e chamavam-me “Miss Tourist”, o que arrancou muitas gargalhadas. Fizemos couchsurfing e fiquei a perceber que se trata de um povo extremamente culto, educado e interessado pelo que se passa no mundo. Foi o concretizar de uma das minhas viagens de sonho e ultrapassou largamente todas as minhas expectativas!

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  12. Djene

    Fantástico! Ver um lugar através dos olhos de alguém sem preconceitos…Amei.

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  13. Emília

    Felipe, seu texto retrata de maneira tão clara e bem humorada esse (infeliz) contraste entre quem somente imagina o Irã e aqueles que têm sorte de ter estado lá.
    E que experiências você teve! Em vários dos seus exemplos eu me transportei para alguns dos meus próprios encontros lá e senti muitas saudades. Alguns olhares eu não devo me esquecer nunca.
    Obrigada pela visita ao TA e que ótimo conhecer o teu espaço aqui.
    Um grande abraço!

    Responder
  14. António

    Não gostei.
    Uma coisa é o Filipe amar o Irão, as suas gentes e a sua cultura. Outra coisa é ser o país mais seguro, hospitaleiro, maravilhoso etc etc que existe e já conheceu. Não nos faça de ignorantes. O que passa nas TVs de todo o mundo não é invenção, é a realidade que se passa no Irão. Que gostem do Irão e sua mentalidade islâmica compreendo (gostos não se discutem). Agora que o país seja o mais seguro e maravilhoso é outra coisa.

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    • Filipe Morato Gomes

      Olá António, bom dia.
      Não espero que toda a gente concorde comigo, mas a verdade é que não conheço ninguém que tenha visitado o Irão e regressado com opinião muito diferente da minha. O povo iraniano é mesmo o mais hospitaleiro que conheço, e o Irão é mesmo um país muito seguro.
      Grande abraço e boas viagens.

      Responder
      • margarida soares

        Olá Filipe! Obrigada pelo seu texto, seria bom se muita gente tivesse oportunidade de o ler. Nunca foi ao Irão mas conhece muitas pessoas que visitaram o país e ficaram encantados com o que viram e com as pessoas. E vivo fora de Portugal onde já conheci dezenas de iranianos que considero pessoas muito amáveis e abertas.
        António, tomar a parte pelo todo pode não ser a melhor forma de encarar o mundo. Para um estrangeiro, qual é a informação que poderá chegar de Portugal? Há muita coisa má a descrever, corrupção na política, violência doméstica, violência infantil, pedofilia, poluição, uma sociedade muito pressionada pela religião, pelo Parece Mal!, tantas coisas… Será isso o que vê um estrangeiro quando visita Portugal? Eu acho que não. Isso não significa que todas estas coisas más não existam, existem sim muitas outras mais. O mesmo se aplica a outros países, como o Irão. Uma das civilizações mais antigas do mundo, com uma História recente difícil…
        É bom ir lá ver e depois tirar conclusões.
        Eu espero visitar o Irão um dia!
        Cumprimentos

        Responder
        • Filipe Morato Gomes

          Olá Margarida,
          Obrigado pelo testemunho. É isso mesmo, “uma das civilizações mais antigas do mundo” que merece ser visitada para se tirar conclusões.
          Beijo grande e boas viagens (para o Irão ou outro qualquer destino!),
          Filipe

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      • Geraldo

        Bom dia Filipe.
        É com satisfação que leio o seu texto, porém não conheça o Irão.
        Contudo vivo na Tunísia que é também um país árabe, e o que me entristece mais é constatar que os ocidentais vêem em cada árabe um terrorista.
        Como sabe tem havido uns atentados com numerosas baixas, sobretudo turistas, na Tunísia. Mas pela minha experiência posso também assegurar que a Tunísia é um país seguro e também, como diz do Irão, com gente muito hospitaleira.
        Acho que seria altura de deixar os preconceitos de lado e ver as pessoas como seres humanos e não etiqueta los como muçulmanos, pretos, chineses, ciganos, etc..
        Um bem haja pelo texto e fico à espera de mais.

        Responder
    • Ella

      Senhor António, se nunca visitou o país, por favor deixe de afirmar com toda a certeza que o que se relata na TV é a realidade do país.

      Responder
    • Sofia

      Olá António,
      eu estive o ano passado no Irão, sou mulher e senti-me 100% segura. E gostar de um país, assim como elogiar as pessoas e a respectiva cultura, não significa concordar com as leis e/ou políticas de um país e dos respectivos governantes.

      Responder
    • Miguel

      Com quase uma centena de países feitos…está no meu top 3…é apenas F A B U L O S O…os malditos Persas…!!!

      Responder
    • Miguel Anceriz

      Oh Filipe, não deve ser fácil passar a vida a responder a “criticas e bocas” de quem nunca lá esteve. Realmente temos de conviver com a diferença entre os “turistas e viajantes”…não é fácil…!!!
      Grande abraço e obrigado por mencionar tão maravilhoso país que, ao contrário daquilo que alguns “acéfalos” dizem, não é nem muçulmano nem árabe: é, orgulhosamente, Persa…!!!!

      Responder
  15. António Barroso Cruz

    Como estou completamente de acordo com cada palavra tua, Filipe!

    Responder
  16. Patrícia

    Filipe, antes de mais, muitos parabéns pelo texto! Não poderia concordar mais contigo e fico feliz por haver alguém que fala do Irão sabendo despir-se de preconceitos. Acho que a tua frase “Pelo menos é o que me dizem amigos e conhecidos que nunca lá foram” diz muito.

    Fiz um voluntariado no Líbano, em Beirute, o ano passado, em Julho. Tive esses amigos todos a dizerem-me que não ia sair de lá viva. Mentira, here I am! Bem viva, a única diferença que trouxe comigo: mais sabedoria. Trouxe comigo aquilo que os meus “amigos” não tinham, nem nunca vão ter se não deixarem os mindsets de parte.

    O Verão foi bem quente e havia rockets e mísseis de um lado para o outro, da fronteira do sul do Líbano para Israel, os conflitos na Palestina também estavam a ferver. Foi tudo para ajudar, mas mesmo assim eu comprei a viagem e não quis saber.

    Nada se passou de grave, as pessoas foram mais do que acolhedoras naquele país e a única coisa triste e assustadora que vi foi pobreza, refugiados, edifícios destruídos. Sim, aquele país ainda cheira a guerra e destruição, mas neste momento, não há nada de perigoso! É preciso abrirmos os olhos para o mundo.

    Por isso, desejo-te uma viagem fantástica para o Irão, país ao qual nunca fui mas faz parte dos meus planos!

    Good luck :)

    Responder
  17. Wesley

    Faz um texto sobre viagens de ônibus e busólogos. Eu sou busólogo, ADORO viajar de ônibus. Quanto mais longe, melhor. Sempre que posso, viajo sem rumo nem direção. Muitas vezes, chego na rodoviária e tenho duas perguntas preparadas: 1) Para onde vai o próximo ônibus? 2) Para onde vai o ônibus mais longe da sua empresa?
    E um detalhe: Como vc disse, viajar não é coisa de rico. Eu não sou rico e viajo muito.

    Responder
  18. Mario Mouraz

    Filipe, como sabes vivi no Irão 6 meses e concordo a 100% com o que expuseste aqui. Sem dúvida o país mais hospitaleiro que já visitei.

    Responder
  19. Nuno Lobito

    Obrigado por te manteres leal à VERDADE!
    Bom texto e, já agora, como sabes também é o meu pais preferido depois da Indonésia que é muçulmana e terrorista.
    Só como nota de detalhe, a maioria do mundo julga que são árabes… enfim, Persas no seu melhor!
    Não fui 4 vezes como foste, mas fui a primeira vez há mais de 10 anos e já lá voltei… e de facto são uns bons terroristas.
    Abraço forte
    #N1

    Responder
    • Filipe Morato Gomes

      Obrigado pelo comentário, Nuno. Na próxima semana parto novamente para o Irão. Será a minha 14ª viagem à antiga Pérsia… e não me canso de lá voltar. Abraço.

      Responder
  20. sandra

    Acabo de voltar de uma viagem ao Irã, motivada que fui por seu blog. Pude constatar que o país e o seu povo são exatamente como você descreve. Lindíssimo, muito seguro e pessoas muito amáveis. Não vi polícia nas ruas, muito menos a tal policia de costumes. Um colega viajou o país todo vestindo bermudas e não teve nenhum problema. Embora eu não concorde com as posições políticas e de costumes, notadamente relativas ao direitos humanos e das mulheres, nada me impediu de apreciar e até curtir muito esse país, que foi para mim uma grata e bela surpresa.

    Responder
  21. Lili G.C.

    Sabemos dos problemas de cada país ( aquilo que nos deixam saber é claro ) e por isso muitas vezes, mesmo desejando conhecê-los, ficamos com receio.
    Quando decidi ir ao Irã é claro que enfrentei críticas. As pessoas na grande maioria tinham medo que eu não retornasse.
    A vida, a visão do turista tem limites e foi dentro dos limites da minha situação, mulher, turista que vi e vivi algumas situações que vale relatar.
    Sou brasileira, vivo no Rio de Janeiro ,adoro meu pais, minha cidade, mas está bem difícil viver aqui no momento e ser turista na minha cidade é bem complicado.
    Uma das pessoas do meu grupo perdeu a carteira enquanto caminhávamos por um parque em Teerã, algum tempo depois, um rapaz veio correndo para entregar a carteira. Sinceramente? Se fosse na minha cidade morreria de medo e ela estava exatamente com tudo dentro.
    No dia seguinte fomos pegar um voo e uma senhora também do grupo estava com muita sede e quis comprar uma água. Ela não tinha dinheiro trocado, ofereci, mas minha menor nota era muitas vezes o valor da água. O rapaz da lojinha deu a água para a tal senhora. No mesmo momento, um senhor que estava ali perto se ofereceu para pagar a água. Não sei quem afinal acabou pagando pela água. Mas foi um gesto de muita delicadeza.
    Aconteceu comigo. No último dia em Isfahan, passando pelo mercado, vi algo que me agradou. Só que naquele dia estava passando mal e para piorar o calor estava matando. Estava com pouco dinheiro local e perguntei se poderia pagar em dólar. No meu estado normal, sou muito rápida para fazer cálculos, contas, mas não estava conseguindo raciocinar e paguei o que me foi pedido. Peguei meu pacote e fui embora. Já quando estava bem longe da loja, no meio da praça de Isfahan, que por sinal é muito bonita, veio o rapaz da loja correndo atrás de mim, me pedindo mil desculpas pois havia se enganado no preço do objeto, me devolveu parte do valor pago e mais uma vez se desculpou. Havia se enganado no valor do câmbio.
    Posso ficar aqui contando outras histórias que aconteceram com o restante do grupo. Mas o que sentimos de modo geral foi que o povo foi muito simpático o tempo todo, solidário, atencioso e honesto.
    O que posso dizer como turista, uma que já viajou muito, por muitos e muitos países, é que gostei do que vi e do que senti com relação ao povo. É superficial? Claro que sim, como também é superficial a visão que tenho dos outros países, estou sempre de passagem. Mas que dentro da superficialidade, gostei do povo iraniano mais do que tenho gostado de povos de outros países de primeiríssimo mundo.

    Responder
    • Filipe Morato Gomes

      Olá Lili,
      Muito, muito obrigado pelo relato desses episódios da sua viagem no Irão (Irã). Grande abraço

      Responder
  22. Marta R

    Olá Filipe,

    Estava aqui à procura no teu site de algo mais concreto sobre 3 temas:

    O primeiro é sobre o vestuário mulheres. É claro que terei aquele cuidado de ter uma túnica e umas calças compridas mas e em relação à cabeça, é necessário cobrir com um lenço o tempo todo enquanto estiver fora do hotel?

    O segundo é sobre o alojamento. No caso de ir com um amigo, será que podemos partilhar o mesmo quarto com camas separadas ou teremos mesmo de ficar em quartos diferentes?

    O terceiro é sobre os hábitos e costumes. Uma mulher estrangeira pode ir a um café/restaurante e sentar-se com um amigo? E em relação ao consumo de álcool, pode uma mulher beber uma cerveja ou vinho num lugar público?

    Se puderes esclarecer as minha dúvidas agradeço imenso, pois são factores que vão decidir se visito o Irão ou se escolho outro sítio menos rígido.

    Obrigada desde já pela partilha de tanta informação no blog :)

    Responder
    • Filipe Morato Gomes

      Olá Marta,
      Então é assim:
      – Lenço: sim, o tempo todo;
      – Em teoria podem ficar no mesmo quarto mesmo não sendo casados (por serem estrangeiros, ninguém vai incomodar);
      – Podes estar em casas de chá e cafés com um amigo sem qualquer problema (há muitos cafés porreiros em Teerão e não só), mas não se bebe álcool em público no Irão;
      Espero ter ajudado. Beijinhos e boa viagem.

      Responder
  23. Sajad

    Obrigado Filipe pelo este texto incrível! Sou Iraniano e vivo aqui em Porto! Eu sugiro o visito para minha cidade Kerman também na tua próxima viagem e também não esqueces visitar de Kalut (Kaloot) Kerman. :)

    Responder
  24. Teixeira Jorge

    Caro Filipe Morato (permita-me que o trate assim)

    Há poucos dias apenas que tive oportunidade de conhecer o seu blog. E hoje não resisti a saber qual é afinal “o país mais perigoso do mundo”.
    Li a sua crónica e concordo inteiramente consigo: O Irão é o país mais perigoso do mundo.
    Ao dizer isto estou a exercer o meu direito de também jogar com as palavras e com o efeito que elas podem transmitir sarcasticamente ao significado global da frase. E parabéns pela qualidade do seu texto.
    É que, há menos de um mês, regressei de uma viagem ao Irão, onde pude comprovar muitas das situações que refere na sua crónica. E também pude concluir que, cada vez mais, é imperioso que não acreditemos cegamente no que alguns “políticos sábios” nos contam ao ouvido e verifiquemos nós próprios, in loco, o que na verdade se passa.
    Por isso mesmo, com muita pena de não ter o seu dom para a escrita, posso ao menos subscrever na íntegra tudo o que nos relata.

    Responder
  25. José Rodrigues

    Boas Filipe, gostei muito do que li, e embora muito menos viajado, aconteceu-me o mesmo numa experiência de um ano na “perigosa” e “dantesca” Serra Leoa; de tal maneira que, se tivesse em condições de largar tudo, era mesmo lá que iria investir o dinheiro que consegui amealhar ao longo da vida. Gostei muito do relato e vou continuar atento.
    Grande abraço e boas viagens,
    José Rodrigues

    Responder
    • Filipe Morato Gomes

      Agora quem ficou curioso fui eu. Nunca fui à Serra Leoa! :)

      Responder
  26. rui cesar campos de castro

    Adorei o Irão e suas gentes.
    Relato sobre os “perigos do Irão” genuinamente verdadeiro.
    Vivia algumas das situações relatadas.
    Fiquei espantado pelo papel da mulher na sociedade iraniana. Nada do que se diz no ocidente. Conduzem, gritam com outros automobilistas no trânsito, vão aos restaurantes e cafés sozinhas, fazem piqueniques em grupos de mulheres a noite nos jardim com caixa de bolos e chá. O véu islâmico obrigatório citado pela comunicação social ocidental não passa de um lenço de cabeça (atenção também existe código de vestuário para homens, nada de calções e mangas de cava).
    Curiosidade: se gosta de café estará no sítio certo, tem um ótimo café expresso (em alguns sítios dá para escolher o país e lote do café).

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