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VIAGENS AMÉRICA DO SUL » BRASIL » LENÇÓIS MARANHENSESLençóis Maranhenses, Brasil
SOBRE O PARQUE NATURAL DOS LENÇÓIS MARANHENSESSão muitos os lugares do planeta que, quando pela primeira vez vislumbrados, cortam a respiração ao viajante. O Parque Natural dos Lençóis Maranhenses é uma dessas paisagens singulares que a Mãe Natureza pintou com infinita inspiração, e onde uma imensidão de areia imaculada se deixa periodicamente engravidar pelas águas das chuvas que caiem dos céus.
Graças a um raro fenómeno geológico, formaram-se, ao longo de milhares de anos, dunas de areia branca e fina, a perder de vista e a brincar com o horizonte - algumas podem atingir os 40 metros de altura -, salpicadas de espelhos de água, grandes e pequenos, que a chuva se encarregou se tomar de assalto, aquarelando a incrível paisagem com as cores tépidas do azul cristalino, do verde turquesa, de todas as cores que a transparência da água pode tomar. São setenta quilómetros de costa Atlântica que avançam terra dentro, 155.000 hectares de dunas, rios, lagoas e manguezais, uma paisagem enorme e sublime. Apetece dizer que foi no Maranhão que a Mãe Natureza estendeu a sua cama e esticou os seus mais elegantes lençóis. Não há, por enquanto, estradas a atravessar o Parque Natural. Felizmente. Para conhecer devidamente os Lençóis Maranhenses é necessário enfrentar as dunas e a temperatura elevada. A principal porta de entrada no parque é a pitoresca povoação de Barreirinhas. Uma cidade curiosa, ela própria com uma duna classificada como património nacional “espetada” no centro do lugarejo. Barreirinhas cresceu nas margens do Rio Preguiças, a “auto-estrada” fluvial da região, e por isso se vai desenvolvendo a olhos vistos. Não faltará muito para que hotéis e resorts dominem boa parte das ruas da povoação. Mais a norte, encostado ao mar, a vila piscatória de Atins e o lugarejo de Caburé funcionam como a outra porta de entrada no parque. Com apenas uma mão cheia de pousadas e pouco mais de meia dúzia de casas de pescadores, Caburé estende-se por uma pequena língua de areia. É um local curioso, Caburé. De um lado, o Rio Preguiças; do outro, o Oceano Atlântico; pelo meio, poucas centenas de metros de areia. Repouso garantido, já que os únicos apelos são os da contemplação: da brisa, das ondas, das voadeiras e dos pescadores no rio; das estrelas e da lua. Principalmente a partir das dez da noite, altura em que os geradores eléctricos são desligados e a escuridão no trapiche é apenas incomodada pelo luar. VISITAR OS LENÇÓIS (GRANDES E PEQUENOS)É a partir de Barreirinhas que se multiplicam as ofertas para visitar os Lençóis Maranhenses. Aí, existem inúmeras agências de viagem com formas de transporte para conduzir o viajante às principais atracções do parque, dividido entre os Grandes e os Pequenos Lençóis.
Nos Grandes Lençóis, as estrelas do passeio são a Lagoa Azul e a Lagoa Bonita, cujos nomes muito dizem sobre as suas características, mas pouco transmitem sobre fascínio que é mergulhar nas suas águas cristalinas. Por razões ecológicas, os passeios nas dunas devem ser feitos a pé, caminhando pela imensidão da areia, circundando lagoas, desfrutando, calmamente. O percurso até às lagoas, feito de automóvel, não significa menos emoção. O caminho é normalmente percorrido em “jardineiras”, possantes Land Cruiser cuja traseira foi adaptada para receber bancos ao ar livre e transportar turistas. Só com a tracção total desses veículos todo-o-terreno é possível atravessar os pequenos rios e os grandes charcos de água que aparecem no caminho, especialmente se a época for a das chuvas. Às vezes é quase impossível ver os trilhos mas os condutores são experientes e, como dizem os brasileiros para enfrentar de sorriso na face os imprevistos, “tem que haver um atolanço para ter emoção”. Os Pequenos Lençóis, esses, podem ser visitados a partir do Rio Preguiça, em voadeiras ou lanchas. No trajecto entre Barreirinhas e Caburé, se feito pelo rio, é obrigatório efectuar umas quantas paragens para apreciar lugares belos e recônditos, de cada vez que os manguezais fazem intervalos nas margens e dão lugar a mais dunas. É o que acontece quando, após uma curva no rio, se avista Vassouras ou Rabo-de-Boi. São os Pequenos Lençóis. SÃO LUÍS DO MARANHÃO, A CAPITAL MAIS PORTUGUESA DO BRASIL
São Luís é avessa a definições mas pródiga em influências. É uma cidade de contrastes e de culturas diversas, com influências portuguesas, holandesas e francesas, que se acresceram ao substrato nativo dos índios Tupinambás e às suas variantes mestiças. Tem ainda fortes traços oriundos de África, pois foi relevante depósito de escravos noutros tempos (confirme-o numa visita à cafua das Mercês, hoje Museu do Negro). São Luís é, na verdade, uma das mais negras cidades do Brasil, depois de Salvador da Bahia e do Rio de Janeiro. E condensa numa só ilha muito do que de mais genuíno o Brasil tem para oferecer. Fá-lo num clima de festa o ano inteiro, sem depender da meteorologia, pois encontra-se estrategicamente implantada dois graus abaixo da linha do Equador. Diz-se ainda uma cidade orgulhosa: “Orgulho de quem sabe receber sem ser invadida e conquistar seus conquistadores”. Talvez por tudo isto quem visita São Luís do Maranhão se renda, invariavelmente, aos seus encantos. Já foi rebaptizada vezes sem conta, apelidada com os mais diversos epítetos. “Ilha do Amor”, para quem não esquece o belo pedaço de terra rodeado de água e habitada por corações quentes. “Atenas brasileira”, pela sua intensa actividade intelectual na área das letras. “Jamaica brasileira”, pela dinâmica cultura reggae que em São Luís floresce. Ou ainda “Cidade dos Azulejos”, pelos extraordinários mosaicos, trabalhados e coloridos, que cobrem as fachadas dos casarões da cidade - os azulejos são, aliás, o símbolo principal de São Luís do Maranhão. São, precisamente, esses grandes sobrados de arquitectura tipicamente portuguesa que ficam alojados na retina do viajante. Belos casarões de rés-do-chão, primeiro e segundo andar, revestidos a azulejo - por vezes em alto-relevo -, grandes janelas e sacadas (varandas) com belíssimos gradeamentos. Foram eles que muito contribuíram para a aplaudida inscrição do centro histórico de São Luís na lista de Património da Humanidade da UNESCO. Estão classificados 3500 edifícios, que o Governo do Estado vai recuperando, aos poucos, através de um projecto denominado “Reviver”. Pretende-se restaurar o casario colonial do centro da cidade e instalar iluminação pública a preceito. Um trabalho demorado, mas louvável. BUMBA-MEU-BOIEra uma vez “o escravo pai Francisco que, para satisfazer a sua mulher Caitirina, grávida e com desejo de comer língua de boi, mata o novilho Mimoso, o mais querido do amo”. É assim que começa a história do auto popular do Bumba-Meu-Boi, uma das mais conhecidas e enraizadas manifestações folclóricas do estado do Maranhão Uma tradição que congrega no seu enredo elementos negros, indígenas e portugueses. O pai Francisco é descoberto e identificado como o carrasco do boi preferido do senhor da terra e, apesar de fugir levando Caitirina consigo, acaba por ser preso. É depois libertado, quando os feiticeiros conseguem ressuscitar o animal. Eis a história que deu origem à festa. Magia, cor, dança, música, teatro, folclore, tudo é Bumba-Meu-Boi, tudo é festa, tudo é Maranhão. Visitar São Luís no mês de Junho é ter a certeza de tropeçar em festividades, manifestações populares, alegria. Até porque também se comemora - e de que maneira! - o São João.
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