São Luís do Maranhão: o que fazer na capital do Bumba-Meu-Boi

Visitar São Luís do Maranhão
Centro histórico de São Luís do Maranhão em tempo de festas juninas

São Luís do Maranhão diz-se a capital mais portuguesa do Brasil e uma cidade orgulhosa do seu passado e do seu presente. As marcas coloniais são notórias em todo o centro histórico da cidade, nos seus casarios e azulejos. É provável que por lá passe a caminho do extraordinário Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Mas fique a saber que São Luís do Maranhão é muito mais do que uma cidade de passagem.

Assim, se pensa visitar São Luís, este é um roteiro perfeito para conhecer a capital do estado brasileiro do Maranhão.

Roteiro para visitar São Luís: centro
O centro de São Luís está protegido pela UNESCO

Erguida numa península entre os rios Bacanga e Anil, São Luís guarda no seu centro histórico mais de mil casarões dos séculos XVIII e XIX, revestidos de azulejos de tradição portuguesa — um dos conjuntos coloniais mais bem preservados do Brasil, classificado Património Mundial pela UNESCO em 1997. Caminhar pelas suas ruas de pedra é seguir o rasto de uma cidade fundada por franceses, disputada por holandeses e moldada, sobretudo, por Portugal.

Mas São Luís é também, e talvez primeiro, a capital espiritual do Bumba-meu-boi, a manifestação popular que, anualmente, toma conta da cidade com tambores, cores e devoção. É essa dupla identidade que atravessa este roteiro com o que fazer em São Luís do Maranhão.

São Luís do Maranhão
São Luís do Maranhão

Nas próximas linhas, propõe-se um mergulho urbano em várias camadas: o centro histórico e os seus azulejos, os becos fotogénicos como o Catarina Mina, as igrejas seculares, os mercados, os mirantes sobre o litoral, as praias e a vizinha ilha de Alcântara.

Entre paragens para ouvir tambor de crioula e para descobrir discos e cafés de bairro, este é um convite a conhecer São Luís pelo que ela preserva e pelo que celebra. Encare então este roteiro para visitar São Luís do Maranhão como uma base para montar o seu próprio itinerário.

São Luís do Maranhão, a capital mais portuguesa do Brasil

Azulejos São Luís do Maranhão
Fachada com azulejos no centro de São Luís

São Luís é avessa a definições mas pródiga em influências. É uma cidade de contrastes e de culturas diversas, com influências portuguesas, holandesas e francesas, que se acresceram ao substrato nativo dos índios Tupinambás e às suas variantes mestiças. Tem ainda fortes traços oriundos de África, pois foi relevante depósito de escravos noutros tempos.

São Luís é, na verdade, uma das mais negras cidades do Brasil, depois de Salvador da Bahia e do Rio de Janeiro. E condensa muito do que de mais genuíno o Brasil tem para oferecer. Fá-lo num clima de festa o ano inteiro, sem depender da meteorologia, pois encontra-se estrategicamente implantada dois graus abaixo da linha do Equador. Diz-se ainda uma cidade orgulhosa: “Orgulho de quem sabe receber sem ser invadida e conquistar seus conquistadores”.

Rua de Portugal em São Luís do Maranhão
Rua de Portugal em São Luís do Maranhão

Talvez por tudo isto quem visita São Luís do Maranhão se renda, invariavelmente, aos seus encantos. Já foi rebaptizada vezes sem conta, apelidada com os mais diversos epítetos. “Ilha do Amor”, para quem não esquece o belo pedaço de terra rodeado de água e habitado por corações quentes. “Atenas brasileira”, pela sua intensa atividade intelectual na área das letras. “Jamaica brasileira”, pela dinâmica cultura reggae que em São Luís floresce. Ou ainda “Cidade dos Azulejos”, pelos extraordinários mosaicos, trabalhados e coloridos, que cobrem as fachadas dos casarões da cidade – os azulejos são, aliás, o símbolo principal de São Luís do Maranhão.

São, precisamente, esses grandes sobrados de arquitetura tipicamente portuguesa que ficam alojados na retina do viajante. Belos casarões de rés-do-chão, primeiro e segundo andar, revestidos a azulejo — por vezes em alto-relevo —, grandes janelas e sacadas (varandas) com belíssimos gradeamentos. Foram eles que muito contribuíram para a aplaudida inscrição do centro histórico de São Luís na lista de Património da Humanidade da UNESCO.

Festas Juninas em São Luís do Maranhão

Festas de São João em São Luís do Maranhão
O centro histórico de São Luís do Maranhão engalanado para as Festas Juninas

As Festas Juninas de São Luís do Maranhão são uma das expressões culturais mais marcantes do Brasil, transformando a cidade, entre junho e julho, num grande palco de música, dança e tradição popular.

Embora o ciclo junino brasileiro esteja associado sobretudo a Santo António, São João e São Pedro, no Maranhão a celebração ganhou uma identidade própria, profundamente ligada ao Bumba-meu-boi.

Festas juninas em São Luís do Maranhão
Rua decorada para as festas de São João

E assim, durante várias semanas os arraiais espalham-se por São Luís, reunindo grupos de diferentes sotaques — como matraca, zabumba, orquestra e baixada —, que apresentam os seus bois perante um público que participa, canta e dança. É uma festa simultaneamente religiosa, comunitária e profundamente maranhense, onde a tradição se mantém viva não como peça de museu, mas como uma manifestação popular em constante renovação.

Para quem visita a capital maranhense durante o período junino, participar numa destas festas é uma das melhores formas de compreender a identidade cultural do Maranhão — não apenas assistindo ao espetáculo, mas sentindo a energia de uma celebração que pertence, antes de mais, às suas comunidades.

O que fazer em São Luís do Maranhão

Explorar o centro histórico de São Luís (UNESCO)

São Luís do Maranhão
São Luís do Maranhão

Há cidades que se podem visitar a correr e há outras que só se deixam conhecer devagar. São Luís é destas últimas. Ali não pode haver pressa, sob pena de detestar a capital maranhense — o prazer estará em andar sem destino certo e deixar que a cidade se vá revelando a cada esquina.

Nesse caminhar cruzam-se marcos incontornáveis: o Palácio dos Leões, sede do governo do estado, o Palácio de La Ravardière, hoje prefeitura, o Convento do Carmo, a Catedral, o Palácio Episcopal, o Teatro Arthur Azevedo — e muitos outros.

São Luís do Maranhão
Casarão degradado no coração da capital maranhenses

Boa parte do que hoje se vê de pé deve-se ao Projeto Reviver, lançado em 1987 pelo governador Epitácio Cafeteira, que recuperou cerca de 200 casarões só no bairro da Praia Grande. Um trabalho lento, como costumam ser os bons restauros, mas que ajuda a explicar porque é que este pedaço de cidade continuava vivo e habitado em 1997, ano em que acabou classificado pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade.

E, deve dizer-se, a influência portuguesa e os notáveis azulejos de muitos destes casarões (ou sobrados, como muitas vezes chamam a estes edifícios) teve tudo a ver com isso.

… e apreciar os seus azulejos

O que ver em São Luís do Maranhão: Azulejos portugueses
Azulejos portugueses em São Luís do Maranhão

Se há imagem que fica colada à retina de quem passa por São Luís são as fachadas revestidas a azulejo. E o que mais fascina nesta cidade é que não se trata de um capricho decorativo.

Os azulejos chegaram a São Luís do Maranhão porque a arquitetura portuguesa, pensada para outro clima, precisava de se reinventar a sul do Equador. As paredes de taipa não aguentariam sozinhas o calor e a humidade equatoriais, e terá sido o azulejo (usado primeiro como isolamento, e só depois como ornamento) a resolver o problema.

Azulejos portugueses em São Luís do Maranhão
Azulejos portugueses em São Luís do Maranhão

Não por acaso, a decisão da UNESCO de 1997 justifica a classificação citando exatamente essa combinação — a da arquitetura portuguesa ter sido adaptada ao clima equatorial, mantendo a malha urbana intacta.

Visitar o Museu Casa de Nhozinho

Roteiro para visitar São Luís: Museu Casa de Nhozinho
Interior do Museu Casa de Nhozinho

O nome já é uma homenagem: Casa de Nhozinho celebra Antônio Bruno Pinto Nogueira, nascido em Cururupu e conhecido como Nhozinho, mestre na arte de talhar o buriti.

O museu que leva o seu nome abriu portas em 2002, instalado num casarão de quatro andares erguido no início do século XIX. Nos três andares abertos ao público, sai-se com a sensação de ter percorrido o quotidiano inteiro do povo maranhense: peças indígenas, utensílios de pesca, carros de bois, teares de rede, vasos de cerâmica, toalhas de buriti, bonecos populares, plumárias indígenas, brinquedos em forma de bicho. É no último andar que se chega ao coração do acervo: as peças deixadas pelo próprio Nhozinho (brincantes de Bumba-meu-boi, personagens do folclore maranhense, embarcações esculpidas em buriti, imagens de presépio, miniaturas de rendeiras) e ainda as ferramentas com que as fez.

Tudo somado, apesar de não ser um projeto museológio muito elaborado eu gostei de visitar — e recomendo.

Fotografar o Beco Catarina Mina

Beco Catarina Mina, São Luís do Maranhão
Beco Catarina Mina, um dos recantos mais fotogénicos do centro histórico de São Luís do Maranhão

O Beco Catarina Mina é uma das ladeiras charmosas do centro histórico de São Luís, e é também um dos cantos mais fotografados da cidade. Trata-se de uma escadaria de 35 largos degraus, esculpidos em pedra lioz — a mesma pedra cara que, em Portugal, servia para igrejas, palácios e chafarizes, e cuja presença espelha bem a opulência económica do Maranhão colonial.

A história do nome que a batizou parece-me, no entanto, mais rica que a própria pedra. Catarina Rosa Pereira de Jesus foi escravizada e, à força de trabalho e persistência, juntou dinheiro suficiente para comprar a própria liberdade — tornando-se, depois, proprietária de um dos casarões ali mesmo, no beco que hoje tem o seu nome.

O beco tem lojas de artesanato, bares e restaurantes, e em muitas noites ganha vida própria com uma roda de samba.

Igreja de Santo António

Igreja de Santo António, São Luís do Maranhão
Nave central da Igreja de Santo António, São Luís do Maranhão

Antes de existir esta igreja, havia já ali uma capela — a de Bom Jesus dos Navegantes, construída em 1613 pelos capuchinhos franceses. É possível que seja uma das primeiras edificações religiosas construídas em São Luís.

E foi entre essas paredes, a 13 de junho de 1654, dia de Santo António, que o padre António Vieira subiu ao púlpito para pregar aquele que ficaria conhecido como o Sermão aos Peixes — um dos textos mais extraordinários da literatura em língua portuguesa, escrito como alegoria: os peixes a servirem de espelho aos vícios dos colonos, numa crítica mordaz ao modo como estes tratavam os povos indígenas do Brasil.

Igreja de Santo António, São Luís do Maranhão
Igreja de Santo António, São Luís do Maranhão

Foi só em meados do século XIX, com a construção da Igreja de Santo António, que a antiga capela acabou por ser incorporada ao novo edifício, passando a fazer parte dele. Hoje funciona também como anexo do Museu Histórico e Artístico do Maranhão e guarda um vasto acervo mortuário.

Igreja de São João Batista – Matriz

Igreja Matriz de São Luís
Fachada principal da Igreja Matriz de São Luís

Não cheguei a entrar na Igreja de São João Batista — encontrava-se fechada para obras de restauro, com término previsto para novembro de 2026 — mas, mesmo vista de fora, na rua que lhe empresta o nome, é uma igreja que vale a pena parar a observar

A fachada neoclássica que hoje se vê, com os seus dois pares de pilastras de capitel coríntio estilizado, ainda ostenta a inscrição original gravada na altura da primeira construção — “1665 – SANCTI JOANNIS BAPTISTA ECCLESIA” — , mandada erguer pelo governador Ruy Vaz de Siqueira, natural de São Vicente da Beira.

Mas o “1665” da fachada engana quem julgar que é essa a idade real do templo. Há registos de uma igreja no mesmo local já antes da invasão holandesa de 1641, e foram precisamente os danos desse confronto entre holandeses e portugueses que motivaram a reconstrução de 1665. Desde então, a igreja não parou de se transformar até uma última grande reforma, em 1934, que lhe deu praticamente o aspeto atual.

Fonte do Ribeirão

Fonte do Ribeirão, São Luís
Fonte do Ribeirão, centro histórico de São Luís

A Fonte do Ribeirão foi construída em 1796 e é hoje um dos pontos mais visitados do centro histórico — não tanto pela água, que já não corre com a mesma função de outrora, mas pelo que a rodeia: altos paredões de alvenaria, um frontispício imponente onde símbolos pagãos convivem com símbolos cristãos, e três janelas centrais que dão acesso a galerias subterrâneas escavadas ainda no final do século XVIII, construídas para ligar poços e nascentes e levar água potável à população.

Essas galerias transformaram a fonte em matéria de lenda. A mais conhecida diz que sob o centro histórico dorme uma serpente descomunal, que cresce lentamente no subsolo e cuja cabeça estará ali alojada, na Fonte do Ribeirão, e a cauda se estende até debaixo da Igreja de São Pantaleão. Diz a lenda que, no dia em que a cabeça encontrar a cauda, a serpente acordará e destruirá a ilha de São Luís por inteiro.

Um local onde a arquitetura colonial e a mitologia local partilham a mesma pedra.

Teatro Arthur Azevedo

Teatro Arthur Azevedo, São Luís
Sala principal do Teatro Arthur Azevedo, em São Luís do Maranhão

O Teatro Arthur Azevedo é o segundo mais antigo do Brasil, e nasceu de uma vontade muito concreta: em 1815, Eleutério Lopes da Silva Varela e Estêvão Gonçalves Braga, dois comerciantes portugueses, queriam em São Luís o mesmo que tinham deixado em Lisboa — uma verdadeira casa de espetáculos, à altura das óperas europeias.

Mas a ideia não foi pacífica. A construção previa uma fachada voltada para o Largo do Carmo, mas a igreja carmelita opôs-se, alegando que um teatro ali ao lado ofenderia os seus valores. Os padres ganharam a contenda, e o teatro acabou espremido entre outros edifícios, de fachada voltada para a Rua do Sol — uma limitação que ainda hoje se sente.

Construído em apenas um ano, entre 1816 e 1817, o edifício neoclássico — dizem que o único exemplar verdadeiramente neoclássico de São Luís — abriu portas a 1 de junho de 1817 como Teatro União, nome que celebrava a recente elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Tinha 800 lugares, o que, para uma cidade que era então a quarta maior do Brasil, era uma dimensão assinalável. Em 1852 passou a chamar-se Teatro São Luiz; e o nome atual, Arthur Azevedo, chegou nos anos 20, em tributo a um teatrólogo maranhense.

Para mim, é um lugar imperdível em qualquer seleção com o que fazer em São Luís do Maranhão.

Catedral Metropolitana de São Luis – Nossa Senhora da Vitória

O que visitar em São Luis: catedral
Nave central da Catedral de São Luís

A Catedral Metropolitana que se ergue na Praça Pedro II é o edifício mais solene do centro histórico de São Luís. É dedicada a Nossa Senhora da Vitória, em homenagem à protetora invocada pelos portugueses na Batalha de Guaxenduba, em 1615, quando, em desvantagem numérica frente aos franceses pediram a ajuda de Nossa Senhora.

Mas o edifício que hoje se visita não nasceu como catedral. Começou como uma pequena ermida, erguida pelos capuchinhos franceses; continuou como igreja, teve várias versões e só em 1761, depois da expulsão dos jesuítas, é que então a igreja da Companhia passou a catedral, herdando o nome de Nossa Senhora da Vitória.

Dali em diante, foram séculos de reformas — algumas felizes, outras nem tanto. A fachada que hoje se vê, com as suas duas torres, é sobretudo fruto da reforma de 1922, ano em que a igreja foi também elevada a sede de arquidiocese. Mas o verdadeiro tesouro guarda-se lá dentro: o retábulo em talha dourada do altar-mor, do final do século XVII, um dos melhores exemplares de arte barroca do Brasil colonial. Foi um dos edifícios que contribuiu para a classificação do centro histórico de São Luís como Património da Humanidade.

Mercado das Tulhas

São Luís o que visitar: Mercado das Tulhas
Banca no interior do Mercado das Tulhas, São Luís

O nome já deixa adivinhar o que este mercado foi na origem: tulha era o celeiro público onde o lavrador guardava e vendia os grãos. O Mercado das Tulhas (também chamado Casa das Tulhas ou Mercado da Praia Grande) foi construído no século XIX, passou pelas mãos da Companhia Confiança Maranhense, que entre 1855 e 1861 demoliu o edifício original e ergueu no seu lugar a construção regular que hoje conhecemos.

O edifício retangular abre-se em quatro entradas — a principal pela Rua da Estrela, outra pela Rua Portugal, e duas laterais que dão para o Centro de Criatividade Odylo Costa Filho e para a Câmara Municipal —, e talvez seja essa multiplicidade de acessos que explique o seu movimento constante. Por fora, pequenas lojas vendem roupa e artesanato; por dentro, é o reino das bancas — cor, cheiro e sabor a cada passo, entre tempero, fruta e petisco maranhense. A incluir no seu roteiro para visitar São Luís.

Casa do Tambor de Crioula

O que fazer em São Luís: visitar Casa do Tambor de Crioula
Casa do Tambor de Crioula, São Luís do Maranhão

A Casa do Tambor de Crioula fica no Bairro da Praia Grande. Mais do que um espaço expositivo, é um verdadeiro centro de memória e documentação da cultura afro-brasileira. O que ali se estuda e celebra é o tambor de crioula, também chamado punga, uma dança de origem africana, praticada pelos descendentes de escravizados no Maranhão em louvor a São Benedito.

O Tambor de Crioula é hoje uma das expressões mais alegres da cultura popular de São Luís, presente sobretudo nas festas juninas e no Carnaval. Mas por trás da alegria há uma história dura. No período colonial, foi através do canto e da dança que os escravizados conseguiram preservar valores, crenças e memória coletiva, num tempo em que qualquer manifestação da sua cultura era vigiada e reprimida.

Para se conseguirem reunir e dançar precisavam de autorização das autoridades ou dos “senhores” — e foi essa necessidade que os levou a associar a sua tradição a santos e devoções cristãs, como São Benedito ou Nossa Senhora das Mercês, aproximando-os das suas próprias divindades. Sob o disfarce de uma “brincadeira” religiosa mantinham vivas crenças que, sem esse disfarce, seriam proibidas. É essa camada de história, em que a resistência se faz através da festa, que a Casa do Tambor de Crioula ajuda a preservar. E a contar.

Subir ao Mirante da Cidade

Mirante da Cidade São Luís
Vista a partir do chamado Mirante da Cidade, centro histórico de São Luís

No edifício João Castelo Ribeiro Gonçalves, onde em tempos funcionou o antigo Banco do Estado do Maranhão, há agora a possibilidade de contemplar todo o centro histórico de São Luís do Maranhão, a partir de uma plataforma localizada no 10º andar e que permite uma panorâmica de 360 graus.

A entrada é gratuita, não é preciso agendamento — basta aparecer dentro do horário — e a visita é adequada a todas as idades.

Oficialmente, funciona quinta e sexta-feira das 15:00 às 18:30, e sábado e domingo das 9:00 às 11:30 e das 13:30 às 17:30. Pode ter horários diferenciados nos feriados.

Visitar a Pedra da Memória

Roteiro São Luis: Pedra da Memória
Pedra da Memória

A Pedra da Memória é um “monumento obeliscal” idealizado para homenagear a maioridade do imperador Dom Pedro II e a sua coroação como imperador do Brasil. Foi construído na década de 1840. Vale a pena passar por lá, especialmente de tarde (por exemplo, quando regressar de Alcântara), para apreciar — e fotografar — o monumento.

Não muito longe, fica o Cais da Sagração, um antigo terminal portuário da cidade de São Luís do Maranhão. Localizado na atual Avenida Beira-Mar, foi o principal porto de São Luís até à década de 1960.

Fim de tarde no litoral de São Luís

Litoral de São Luís
A moderna faixa litoral de São Luís

São Luís do Maranhão tem muitos quilómetros de costa, com águas mornas o ano inteiro e brisa constante. Ao pôr do sol, o céu ganha tons de laranja e vermelho que se espelham na areia, as ondas escurecem devagar e, por instantes, toda a agitação do dia dá lugar a um silêncio coletivo de gente parada a olhar para o horizonte.

Pôr-do-sol em Ponta d'Areia - Península
Pôr-do-sol em Ponta d’Areia – Península

É também a essa hora que a Litorânea ganha vida. O calçadão enche-se de gente a caminhar e a correr. Os quiosques e bares acendem as primeiras luzes. E o cheiro a comida de rua mistura-se com o sal do ar. Não é preciso destino certo: basta escolher um ponto ao longo da avenida, sentar-se de frente para o mar e deixar que o sol faça o resto.

Apreciar as praias de São Luís do Maranhão

Praias em São Luís do Maranhão
Caolho, uma das praias mais populares de São Luís

Ao contrário do que se poderia esperar de uma cidade histórica virada para o passado, São Luís vive também de frente para o mar. E as suas praias são parte incontornável de qualquer roteiro para visitas São Luís do Maranhão.

Nas praias urbanas, a rotina impõe-se sem esforço. Longas caminhadas com os pés na areia, banhos revigorantes nas águas mornas da Baía de São Marcos, o sol a aquecer corpo e alma, e uma forte gastronomia local. A infraestrutura acompanha — bares pé na areia, quiosques, restaurantes, pousadas e hotéis tornam fácil passar um dia inteiro sem sair da orla.

Arte urbana em São Luís do Maranhão

Arte urbana em São Luís do Maranhão
Mural no centro de São Luís

São Luís não se contenta em guardar história nos azulejos dos seus casarões, mas também a escreve cada vez mais, nas paredes. Pelo centro histórico e por bairros como Ponta d’Areia, multiplicam-se murais de grande escala. E muitos deles são assinados por nomes como Eduardo Kobra (no Empório Fribal) ou Gil Leros, que transformou o hip-hop dos anos 90 numa linguagem própria de mural.

Os temas não fogem à identidade da cidade: reggae, Bumba-meu-boi, tambor de crioula, escritores maranhenses, tudo isso encontra lugar nas fachadas. Vale a pena caminhar sem pressa e deixar-se surpreender pelas paredes, porque a arte urbana em São Luís não se concentra num único ponto — está espalhada, à espera de ser encontrada.

Chico Discos

O que visitar em São Luís: Chico Discos
Interior da loja-café Chico Discos

Situado no cruzamento da Rua São João com a Rua dos Afogados, o Chico Disco Bar funciona como café e restaurante, mas também como livraria e discoteca de segunda mão. É ideal para compra e venda de livros, revistas, banda desenheira, discos de vinil e CDs. Mas à noite ganha outra vida. Transforma-se em cachaçaria, com um acervo generoso de aguardentes e cervejas, e às terças-feiras é o DJ Marco Antônio quem assume o comando, a tocar os vinis mais raros de MPB, rock e blues.

É um daqueles lugares onde tanto faz ir pela comida, pela música ou só para escavar as estantes à procura de um disco esquecido. Ou, porque não, pelos três ao mesmo tempo. Adoro!

Ao sábado ao almoço há feijoada no Chico Discos.

Café Guará

Café Guará, São Luís
Interior do Café Guará no centro de São Luís

Tal como sempre faço quando viajo, também neste roteiro com o que ver e fazer em São Luís procuro incluir cafés distintivos. São, regra geral, projetos criados por gente jovem e irrequieta, com vontade de fazer diferente e trazer ideias contemporâneas para as suas terras. Em São Luís, esse projeto é o Café Guará.

Visitar Alcântara

Visitar Alcântara: Largo São Matias
Vista do Largo São Matias, Alcântara

A cerca de 30 quilómetros em linha reta de São Luís, do outro lado da Baía de São Marcos, fica Alcântara, um belo tesouro colonial à espera de ser “descoberto” pelo turismo.

A única forma sensata de lá chegar é de barco, numa travessia a partir do Cais da Praia Grande que demora menos de hora e meia. É já nessa viagem pela baía que se começa a sentir a mudança de ritmo. Alcântara é uma cidade que parou no tempo, com um passado que pesa mais do que o presente.

Ruínas do Palácio Negro, Alcântara
Ruínas do Palácio Negro, Alcântara

O programa para visitar Alcântara é simples e não tem pressa. Implica apenas caminhar pelas ruas de calçada de pedra; visitar a Praça da Matriz — com as suas construções históricas e o cenário mais icónico da cidade —; entrar nos pequenos museus e igrejas; e procurar a Fonte das Pedras, antiga construção que abastecia a cidade de água potável. E, sobretudo, fotografar tudo. Poucos lugares se prestam tão bem a perder uma tarde inteira só a captar fachadas em ruína e calçada gasta.

Dica Alma de Viajante. Para chegar a Alcântara, há uma lancha de “linha” chamada Bahia Star, cujos horários variam conforme a maré. Para saber os horários pode ver no Instagram, mas recomendo passar no cais quando chegar a São Luís para confirmar.

Outras coisas a ver e fazer em São Luís do Maranhão

Praça João Lisboa, em São Luís
Praça João Lisboa, em São Luís

Como é evidente, há outras coisas que pode ver e fazer em São Luís, caso disponha de mais tempo para explorar a capital do Maranhão. Deixo aqui algumas e sugestões de atrações a visitar e atividades a fazer:

  • Noite numa casa de reggae (às quintas-feiras costuma haver reggae no Museu do Reggae).
  • Assistir a um Tambor de Crioula, património imaterial do Brasil. Costuma acontecer um Tambor de Crioula mais turístico sexta-feira à noite no Mercado das Tulhas; e outro mais genuíno às terças na Fonte do Ribeirão.
  • Visitar Raposa e as Dunas de Carimã – Fronhas Maranhenses.
  • Conhecer a Praia do Mangue Seco.
  • Ir até São José de Ribamar.

Dicas para visitar São Luís do Maranhão

Qual a melhor época para visitar São Luís

São Luís do Maranhão tem atrativos o ano todo mas, em teoria, a melhor época para se visitar a cidade é de julho a dezembro. De janeiro a junho tem lugar a estação chuvosa – época das frutas e da pesca farta -, que não é suficientemente má para afugentar as visitas. A temperatura média anual varia entre os 23 e os 33 graus centígrados.

Junho, como já se disse, é o mês das festas populares Bumba-Meu-Boi e joaninas, pelo que pode também ser uma excelente época para visitar São Luís.

Caso queira também visitar os Lençóis Maranhenses — coisa que recomendo vivamente! —, os meses de junho e julho, após a época das chuvas, são os melhores. Isto porque, nessa época, as lagoas dos Lençóis Maranhenses encontram-se cheias, conferindo uma beleza sublime à paisagem.

Como chegar a São Luís do Maranhão

Com início em outubro de 2026, a TAP opera a primeira ligação direta entre Portugal e o Maranhão. São duas a três frequências semanais a unir Lisboa e São Luís, sendo a melhor opção para chegar à capital maranhense desde o continente europeu.

Se viaja de outras cidades brasileiras, saiba que Brasília, São Paulo e em certa medida Belo Horizonte são das capitais estaduais com melhores ligações aéreas a São Luís. Conte com voos operados por companhias como a Azul, a Gol ou a Latam.

Pesquisar voos para São Luís

Como ir do aeroporto até ao centro de São Luís

Apesar de haver autocarros que ligam o aeroporto ao centro histórico de São Luís, a forma mais prática é chamar um Uber. É essa a minha recomendação.

Como se deslocar em São Luís

Quando fui visitar São Luís andei muito a pé, mas reconheço que a cidade é muito grande em além disso, em algumas zonas a sensação de insegurança pode ser um problema. Assim, utilize um Uber sempre que isso aconteça, nomeadamente para viajar entre o centro histórico e a região das praias.

Onde ficar em São Luís do Maranhão

As opções de alojamento em São Luís do Maranhão não são tão vastas como noutras capitais de estado brasileiras, havendo no entanto um conjunto de infraestruturas de qualidade.

Para uma resposta mais fundamentada, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em São Luís do Maranhão, onde falo dos melhores bairros e hotéis para pernoitar na capital do Maranhão. Mas a questão fundamental é mesmo decidir se prefere ficar no centro histórico ou junto às praias, pois a sua experiência será totalmente diferente.

Em resumo, para quem visitar São Luís do Maranhão pela primeira vez, eu sugiro que pernoite no centro histórico. Até há pouco tempo, no centro havia principalmente pequenas pousadas em casarões antigos, qualitativamente inferiores aos hotéis na praia. Ora, com a chegada dos dois hotéis Vila Galé ao centro histórico de São Luís isso mudou totalmente. Hoje, o Vila Galé Collection Ópera é seguramente o melhor hotel no centro de São Luís do Maranhão — e o Vila Galé Collection Poesia seguir-lhe-á os passos. Infelizmente, são bastante caros.

Alternativamente, considere as hospedagens Pousada Portas da Amazónia, Casa Lavínia ou Casa Frankie. São todas pousadas muito boas, instaladas em casarões coloniais no coração do centro histórico, mas veja bem os quartos escolhidos porque alguns não têm WC privado.

E, se fizer questão de ficar no litoral e vivenciar um lado mais moderno da capital maranhense, considere pernoitar no emblemático Hotel Luzeiros. Para outras opções de alojamento em São Luís do Maranhão, pesquise usando o link abaixo.

Procurar hotéis em São Luís do Maranhão

Veja também o artigo detalhado sobre onde ficar nos Lençóis Maranhenses, onde se explicam as vantagens e desvantagens de pernoitar em Barreirinhas, Atins e Santo Amaro.

Gastronomia do Maranhão | Restaurantes onde comer em São Luís

O mar é o fornecedor mais generoso de uma gastronomia repleta de iguarias. Tradicional e imperdível é a caldeirada de camarão, o sururu ao leite de coco, tortas e patinhas de caranguejo, entre muitas outras. Como o cuxá, preparado com camarão seco, farinha de mandioca, gergelim torrado, e erva vinagreira, e que vai bem com todos os peixes. Uma palavra final para os deliciosos sucos de frutas como o cupuaçu, bacuri, cajá, murici e sapoti.

Quanto a restaurantes propriamente ditos, experimentei os famosos e turísticos do centro, como a Flor de Vinagreira (gostei) e o Cafofinho da Tia Dica (detestei) — e ainda os tasquinhos no interior do Mercado de Tulhas. Mas, num registo informal e simples mas muito bom, nada melhor do que ir almoçar à casa da Dona Joana.

Para experiências mais sofisticadas, recomendo ir até ao polo gastronómico da região conhecido como Champs Mall, na Praia da Ponta d’Areia – Península, e escolher um dos restaurantes para jantar. Das massas frescas da Maria Massas à gastronomia japonesa do Azu, passando pelo icónico Ferreiro Praia, não faltam bons restaurantes no complexo. Com a vantagem de que até pode jantar com o pé na areia.

Artesanato e livros em São Luís do Maranhão

Fofão, máscara utilizada nas festividades do Bumba-Meu-Boi em São Luís do MaranhãoNo centro de São Luís, há muitos ateliers com produtos tradicionais para venda – trabalhos feitos com a fibra do buriti, a afamada tiquira (aguardente de mandioca), instrumentos musicais, e ainda máscaras e indumentárias das personagens das festas populares do Maranhão: o Bumba-Meu-Boi e o Carnaval.

Para encontrar os diversos produtos do Estado num local só, o governo instalou num galpão reformado no bairro da Madre Deus um órgão oficial de estímulo ao artesão: o Ceprama – Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão. Fica na Rua de São Pantaleão, 1232, Madre Deus, e está aberto ao público todos os dias.

Sugere-se ainda uma incursão a uma livraria localizada em pleno centro histórico da cidade a que foi dado o romântico nome de Poeme-se. Para além de se deleitar na poesia enquanto toma um café ou um suco, pode também navegar na internet, ouvir as últimas novidades discográficas, e até encontrar antigas edições da Livraria Lello!

Central de Atendimento ao Turista de São Luís

A Secretaria Municipal de Turismo tem à disposição do visitante a chamada Central de Atendimento ao Turista (CAT), uma espécie de posto de turismo instalado no Complexo do Museu da Gastronomia. Mas o que me surpreendeu verdadeiramente — e o motivo desta nota — foi o atendimento remoto do CAT proporcionado através do Whatsapp +55 98 99158-4947. Coloquei as minhas dúvidas várias vezes e fui sempre atendido e ajudado. Muito útil!

Seguro de viagem para o Brasil

Sendo os cuidados de saúde especializados relativamente dispendiosos, é fundamental ter um seguro de viagem para o Brasil com boas coberturas, por forma a diminuir o prejuízo em caso de doença ou uma eventual hospitalização.

Eu recomendo o IATI Estrela, que é o seguro que costumo fazer nas minhas viagens. Tem cobertura para COVID-19, não tem limite de idade nem franquias, cobre até 5.000.000€ (cinco milhões) em gastos médicos e não é preciso adiantar dinheiro em consultas ou hospitalização. Para mim, são atualmente os melhores e mais completos do mercado, ideais para viajar no Brasil.

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Internet e dados móveis no Brasil

Para os viajantes portugueses, a forma mais prática de ter acesso à internet no Brasil é através do eSIM Brasil da HolaFly, um cartão virtual que pode ativar com um QR Code mal aterre no país. Evita a necessidade de comprar um cartão telefónico brasileiro e tem dados móveis ilimitados.

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Outros destinos a visitar no Brasil

Se está a pensar visitar São Luís do Maranhão, talvez tenha interesse em saber um pouco mais sobre o que ver e fazer noutras cidades, ilhas e destinos turísticos do Brasil.

Arraial d’Ajuda・Belém do Pará・Belo Horizonte・Cabo de Santo Agostinho・Caraíva・Costa do Descobrimento・Fernando de Noronha・Ilha do Marajó・Jericoacoara・Lençóis Maranhenses・Macapá・Manaus・Olinda・Parintins・Porto Seguro・Recife・Rio Branco・Salvador・São Paulo・Trancoso (Bahia)

Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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