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Viagens Costa de Amalfi, Itália
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Costa de Amalfi, Itália

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A orla recortada e acidentada namora um mar azulíssimo e sereno, desenhando um panorama ímpar. E o cosmopolitismo de estâncias como Positano contrasta com o sossego de outros lugares mais recônditos, quase secretos. Eis algumas das faces da sempre surpreendente costa de Amalfi, uma das mais belas paisagens de Itália.

Por Humberto Lopes

Onde fica a costa de Amalfi [Google Earth]?



COSTA DE AMALFI, UM GOSTO A LIMÃO

“Um pé na barca outro na vinha”. Uma vida assim, de aventura e de trabalho, inventaram-na os amalfitanos, encravados entre o mar desafiante e a terra agreste. Ainda estava o primeiro milénio por findar e já havia nascido a primeira república marítima italiana, território de agricultores e de marinheiros de dura têmpera que se apressaram a lançar as quilhas dos barcos em direcção ao Oriente. As cúpulas de majólica dos duomos, assomando entre os terraços do casario, são perfeitos testemunhos do orientalismo da arquitectura e da arte amalfitanas.

Vista de Positano, Itália
Vista de Positano, Itália

O esplêndido maciço montanhoso que separa o Golfo de Nápoles do Golfo de Sorrento, quase impenetrável de tão profusamente acidentado, é bem mais do que um simples cenário a dar ensejo a um leque de paisagens de bilhete-postal - é literalmente a matriz natural da cultura amalfitana. O clima doce e a cálida tranquilidade do mar tudo devem ao impressionante colosso de pedra que é a Península de Sorrento. O caótico relevo apenas se suaviza, em breves colinas verdejantes, já perto de Sorrento.

A natureza áspera e bravia da costa, minuciosamente recortada, a desfiar fiordes, grutas e altíssimas falésias em mergulho constante sobre o Mar Tirreno, agraciou os amalfitanos com uma inexpugnável defesa contra os ataques de piratas e outros inimigos. Da benção do clima, dádiva excepcional, lograram tirar o melhor dos partidos, enxertando sabiamente na terra abrupta férteis terraços onde ainda hoje a luz e o calor pacientemente amadurecem esplêndidos frutos - limões, sobretudo, essas metamorfoses do sol com que a gente local inventa singulares licores, com algumas variantes bem imaginativas, como o limoncello, talvez o mais emblemático sabor da Costa de Amalfi.



(RE)CANTOS DE SEREIAS

A variedade paisagística, capaz de desafiar permanentemente a imaginação - e os sentidos - é certamente a quintessência da costa de Amalfi. O milagre será encontrar aí um lugar esquivo ao adjectivo panorâmico.

Cidade de Amalfi, Itália
Cidade de Amalfi, Itália

Quase no extremo do Golfo de Salerno, nas imediações de Sorrento, a pequena povoação de Sant'Agata sui due Golfi faz jus ao nome: das verdes colinas que a rodeiam o olhar alcança, para norte, o Golfo de Nápoles desenhado aos pés do Vesúvio, e, para leste, o contorno irrequieto e imprevisível da orla amalfitana. Do antigo ermitério das Carmelitas, o panorama revela-se perfeitamente circular. Para quem fizer de Nápoles - ou da simpática e bem mais tranquila Sorrento - o ponto de partida para uma visita à península e ao paraíso amalfitano, o mirante privilegiado de Sant'Agata sui due Golfi é uma etapa indispensável. Aí nos rendemos a uma das mais belas paisagens italianas, com a ilha de Capri sorrindo entre azul esmeraldino do Mar Tirreno.

As possibilidades de descoberta de praias recônditas, de grutas e de mirantes debruçados sobre um mar sempre transparente e convidativo, são quase infinitas. Alugar uma scooter ou um barco é uma forma de poder explorar melhor a costa.

As povoações amalfitanas podem apresentar-se, consoante a época e não só, como estâncias balneares altamente concorridas, vaidosas e cosmopolitas, ou como simples e tranquilas aldeias de pescadores. Amalfi e Positano enquadram-se, naturalmente, no primeiro caso, enquanto Praiano e Atrani se revelam bem mais sossegadas. Uma das maiores praias de costa, também bastante frequentada, é Marina del Cantone, a pouca distância de Sant'Agata sui due Golfi e debruçada sobre o Golfo de Positano. A toada doce do mar, polvilhado de barquinhos adormecidos, traz-nos à memória a verdade imponderável que habita as lendas: aqui teria sido um dia a morada das sereias que tentaram Ulisses...



TRILHOS E FIORDES NA COSTA DE AMALFI

A estradinha estreita e sinuosa que contorna a costa conspira com as falésias para um incessante desfiar de sustos e surpresas. A condução requer particular cuidado, ao mesmo tempo que uma sucessão de caprichos naturais nos pede a maior atenção. Há miradouros dispersos por todo o percurso, alguns em lugares absolutamente ímpares como o Belvedere del Infinito, famoso terraço da Villa Rufolo, em Ravello.

Praiano, Itália
Praiano, Costa de Amalfi

Mas até lá, o viajante não resistirá a deixar-se perder nos pequenos desvios com que lhe hão-de revelar os segredos menos conhecidos da Costa de Amalfi, entre os quais alguns trilhos imersos em natureza bravia: para o interior, aos pés do Monte Sant' Angelo, o Arco Naturale, uma bizarra formação rochosa, ou, já nas terras altas de Agérola, abundantes bosques de castanheiros. Mas é ao longo da orla que o proverbial feitiço da terra amalfitana melhor se afirma, com a sucessão de fiordes e vales fundos que terminam em pequenas e acolhedoras praias como a de Vallone di Praia. O Fiorde de Furore, perto de Marina di Praia, é o mais impressionante - um trilho conduz os caminhantes ao longo de duas horas até à aldeia de Furore, não muito longe da região planáltica de Agérola. As terras de Furore, como tantos outros pequenos recantos italianos, cultiva ainda outro orgulho, o de produzir um bem perfumado vinho local, imodestamente denominado Gran Furore Divina Costiera. O néctar vale a imodéstia e não ficaria mal ao lado de outros seus famosos vizinhos como o Lacrima Christi, das encostas do Vesúvio, ou os brancos de Capri e de Ischia.

O mergulho submarino é uma actividade muito popular no Golfo de Salerno, mas os viajantes de vocação menos desportista podem encontrar uma alternativa menos radical, a de uma incursão por barco a algumas das belas grutas da costa. A mais famosa e deslumbrante é a Grotta dello Smeraldo, junto ao cabo de Conca dei Marini. É ampla, tem cerca de 24 metros de altura em relação ao nível do mar, e a refracção da luz produz um efeito interessante, criando uma atmosfera algo irreal, com variantes de tons verde-esmeralda.



ORIENTALISMOS E INSPIRAÇÕES LITERÁRIAS

A arquitectura popular das povoações lembra frequentemente soluções orientais, embora o clima e a configuração geográfica da península constituam também, obviamente, um factor justificante para a proliferação de terraços. O longo e histórico relacionamento com Constantinopla originou, no domínio da arquitectura religiosa, a assimilação de fortes influências, presentes não apenas em quase todas as igrejas como também em inúmeros palácios. Ravello, de cuja beleza Boccacio lavrou testemunho no Decameron, é preciosa memória desse tempo, conservando ao mesmo tempo inúmeros pormenores que revelam a influência árabe.

Belvedere del Infinito, o famoso terraço da Villa Rufolo, em Ravello, Itália
Belvedere del Infinito, o famoso terraço da Villa Rufolo, em Ravello

Por toda a parte, de Positano a Vietri sul Mare, as casas de talha oriental que rodeiam as cúpulas de cerâmica das igrejas teimam em aglomerar-se umas sobre as outras, incrustadas quase sempre sobre pétreas verticalidades. Esse efeito de cascata é identificável em quase todas as povoações da costa amalfitana, e uma deriva pelo interior desses pequenos núcleos urbanos acaba por nos guiar através de um labirinto de sinuosas escadas e escadinhas que descem vertiginosamente sobre a orla, desaguando tantas vezes em miniaturais praias de areia negra. Para o interior, onde se ergue a cadeia dos montes Lattari (o ponto mais alto, o Monte Sant' Angelo, quase alcança os 1500 metros), as poucas vias existentes torcem-se atormentadamente entre vales fundos e assustadoras ravinas, uma paisagem de cortar o fôlego.

Essa aura selvagem - a inospitalidade é só aparente - que se desprende da áspera e bruta topografia, logo adiante adoçada pela blandícia do mar, atraiu uma infinidade de viajantes a quem concedeu outros frutos, talvez os do apaziguamento interior, certamente os da inspiração artística. A bela baía de Conca dei Marini, entre Praiano e Amalfi, deve respirar em algumas das páginas de Steinbeck; em Ravello, uma espécie de ninho de águias e miradouro debruçado sobre uma das mais belas paisagens italianas, terá tido Wagner a visão dos jardins de Klingsor, sem os quais o segundo acto de «Parsifal» não seria, provavelmente, o que é; Gorki, Cocteau e Picasso ter-se-ão deixado embriagar, igualmente, pela imensa transparência azul do éter, quase um espelho do mar. E, finalmente, para insinuar uma questão que está longe de ser meramente académica, quanto terão ficado a dever D. H. Lawrence e «O Amante de Lady Chatterley» aos abismos luminosos de Ravello?


Costa de Amalfi, Itália
Cidade italiana de Amalfi
Vista de Ravello, Itália
Belvedere del Infinito, Ravello, Costa de Amalfi


AMALFI, UMA REPÚBLICA MARÍTIMA

O mar foi a segunda pátria dos amalfitanos. A primeira república marítima a afirmar-se na península italiana, antes ainda de Veneza, Génova e Pisa, exerceu um seguro domínio das rotas comerciais com o Mediterrâneo oriental, sobretudo com Constantinopla, reino com quem os amalfitanos estabeleceram também parcerias em questões bélicas, nomeadamente quando os guerreiros bizantinos ajudaram Amalfi a libertar-se do domínio lombardo.

Amalfi, Itália
Praia em Amalfi, Itália

No início do segundo milénio navegava-se no Mediterrâneo sob a regência das Tavole Amalfitane, o mais antigo código marítimo conhecido em todo o mundo. O documento, provavelmente uma versão do séc. XV ou XVI, andou perdido durante alguns séculos, reaparecendo depois em Veneza, de onde foi levado para a Biblioteca Imperial de Viena pelos Habsburgos; regessou em 1935 a Amalfi, onde está exposto na Câmara Municipal.

Nas ruas de Amalfi podem observar-se diversos painéis de cerâmica alusivos à história marítima da cidade. Num deles, perto da Porta della Marina, representando uma antiga carta do Mediterrâneo, aparece representada uma nave utilizada nesses tempos de glória; é, precisamente, uma barca semelhante que os amalfitanos fazem desfilar, entre outras embarcações, durante as suas regatas históricas anuais, compreensivelmente o grande momento das festividades populares da região. No dia grande da festa - o primeiro domingo de Junho -, cerca de uma centena de amalfitanos desfila em trajos tradicionais dos séc. XII e XIII num cortejo que percorre as ruas da cidade.

Ao mesmo tempo, no mar, evocam-se as antigas lutas pela supremacia dos mares mediterrânicos através da reconstituição de uma batalha em que participam quatro embarcações em representação de Amalfi e das repúblicas marítimas rivais de Génova, Veneza e Pisa. Durante todo o dia vão-se agitando ao largo de Amalfi as bandeiras de vivo colorido que identificam cada uma das quatro repúblicas. No final da amigável refrega o troféu que aguarda a tripulação vencedora é uma miniatura de uma barca em ouro e prata. Na regata do ano seguinte, o valioso batel voltará a estar em disputa, uma forma, festiva, das antigas repúblicas marítimas continuarem a evocar eternamente um tempo que foi não apenas de rivalidade como também, sobretudo, de independência e de liberdade.



GUIA DE VIAGENS


VIAGENS PARA A COSTA DE AMALFI

O aeroporto mais próximo da costa de Amalfi é o de Capodichino, em Nápoles. Em Nápoles, há duas alternativas: ou rumar a Sorrento e fazer daí ponto de partida para visitas à Costa de Amalfi, ou, alugando um automóvel, ir directamente para uma das localidades da costa.

De automóvel, a viagem até à Costa de Amalfi representa cerca de 5.000 km, ida e volta. A estrada costeira entre Vietri sul Mare e Positano tem cerca de 40 km. A condução neste percurso requer precauções excepcionais dada a sinuosidade do traçado e a estreiteza da via. A subida até Ravello é, só por si mesma, uma aventura: sete quilómetros de curvas apertadas, a 360 graus por vezes, em estrada estreitíssima.


QUANDO VIAJAR PARA ITÁLIA

A Primavera e o Outono são épocas que relevam a excepcional doçura do clima. O Verão é, igualmente, temperado, sem temperaturas elevadas. Durante o mês de Agosto, a costa é muito concorrida por veraneantes italianos vindos, sobretudo, da Campânia.


HOTÉIS NA COSTA DE AMALFI

Pode consultar, neste endereço, uma extensa lista de hotéis na costa de Amalfi e efectuar reservas online. De resto, aqui ficam algumas sugestões de hotéis em vários pontos da costa de Amalfi:

Em Amalfi: Hotel La Luna, Torre Saracena; Hotel Amalfi, Via dei Pastai 3; Hotel Lidomare, Via Piccolomini 9.

Em Ravello: Caruso Belvedere, Via S. Giovanni, Toro 52; Graal, Via Chiunzi; Parsifal, Via D'Anna 5.


INFORMAÇÕES

De Amalfi e de Positano, há algumas ligações marítimas para Capri e Sorrento. Alguns operadores turísticos realizam, também, cruzeiros até Capri e às ilhas do Golfo de Nápoles.

Postos de Turismo (informação sobre alojamento com preços actualizados): Amalfi, Corso delle Repubbliche Marinare 27; Positano, Via del Saraceno 4; Praiano, Piazza Vescovado 13; Sorrento, Via L. de Maio 35.




LINKS ÚTEIS

Hotéis Costa de Amalfi Reservas online

» Site Oficial do Turismo da Itália


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