Lucerna: o que visitar, ver e fazer (roteiro de 1 dia)

Por Filipe Morato Gomes
Roteiro para visitar Lucerna, Suíça
Vista do coração de Lucerna, Suíça

Se está a pensar visitar Lucerna chegou ao sítio certo. A bonita cidade de Lucerna, capital do cantão homónimo, fica no coração geográfico da Suíça — rodeada de montanhas e banhada por um lago tão prístino quanto fotogénico.

Na verdade, para quem está a visitar Zurique fazer um passeio de comboio a Lucerna é algo absolutamente recomendável. Mas é muito provável que se apaixone pela cidade e, por isso, um roteiro para visitar Lucerna em 1 dia pode não ser suficiente. Assim, se tiver 2 ou 3 dias para visitar Lucerna e as montanhas envolventes, não hesite. É, para mim, uma das cidades mais bonitas da Suíça.

O que visitar em Lucerna: margens do rio Reuss
Lucerna fica nas margens do rio Reuss

E um dos “culpados” é o rio Reuss e o Lago dos Quatro Cantões — também conhecido como Lago Lucerna —, em cujas margens a cidade se foi espraiando. É aliás esta geografia que explica uma das imagens mais reconhecíveis de Lucerna: as pontes medievais que cruzam o rio e que, para além de espetaculares soluções de engenharia, se tornaram símbolos da cidade.

Encare então este roteiro para visitar Lucerna como uma base para montar o seu próprio itinerário na cidade. Venha daí nesta viagem a Lucerma.

Dica: se vai visitar Lucerna, não se esqueça de fazer um bom seguro de viagem.

O que fazer em Lucerna? Roteiro com o que visitar

Explorar o centro histórico de Lucerna

Visitar Lucerna: centro histórico
Fachadas no centro histórico de Lucerna

O centro histórico de Lucerna — a Altstadt, ou “Cidade Velha” — é compacto e perfeito para explorar a pé. Uma das grandes vantagens é que boa parte está livre de carros, o que transforma qualquer passeio numa experiência tranquila e sem sobressaltos.

Quando visitar Lucerna rapidamente reparará que é tudo muito bonito e arranjado. Em cada esquina há algo que prende o olhar. Literalmente. Ora, uma das liberdades deste roteiro de 1 dia em Lucerna é que não existe um ponto de partida obrigatório. Pode começar a visita a pé em qualquer zona da Altstadt e deixar que a cidade se vá revelando ao ritmo de cada um. Em poucas horas, é possível absorver o essencial de uma das mais bem preservadas urbes da Europa central.

Centro de Lucerna, Suíça
Centro de Lucerna, Suíça

Um dos grandes prazeres de passear pelo centro histórico de Lucerna é poder apreciar as fachadas das casas. Ainda é possível encontrar exemplares da arquitetura de enxaimel em Lucerna (que reconheci noutros contextos — quando fui visitar Estrasburgo ou Colmar, por exemplo), onde as geometrias desenhadas pelas vigas de madeira se aliam ao conforto das cores pasteis. Mas o enxaimel não é o foco principal da região. Em Lucerna, o destaque vai para as casas medievais com paredes pintadas e decorações de época, que transformam cada rua numa obra de arte. E, claro, as suas pontes…

Atravessar as pontes Spreuer e da Capela (as duas cobertas)

Vista da Ponte da Capela, com o casario de Lucerna em pano de fundo
Vista da Ponte da Capela, com o casario de Lucerna em pano de fundo

Pelas ruas de paralelepípedos descobrem-se casas coloridas, edifícios únicos e, sobretudo, duas pontes medievais de madeira que são o símbolo da cidade: a Kapellbrücke — a ponte da Capela — e a Spreuerbrücke — a ponte do Moinho. Construídas para defender a cidade, tornaram-se hoje dois dos monumentos mais fotografados da Suíça.

Atrações em Lucerna: Ponte da Capela
Vista da icónica Ponte da Capela, uma das principais atrações de Lucerna

A Kapellbrücke — a ponte da Capela — é talvez o símbolo mais reconhecível de Lucerna. Com 204 metros de comprimento, esta ponte pedonal coberta de madeira atravessa o rio Reuss e é considerada a ponte coberta mais antiga da Europa. Foi construída originalmente em 1333 e, por isso, caminhar sobre ela é atravessar séculos de história.

Sob o telhado de madeira, há uma série de frescos do século XVII que retrata episódios marcantes da história de Lucerna e da Suíça. Nem todos sobreviveram: em agosto de 1993, um incêndio destruiu grande parte da ponte e respetivas pinturas. A reconstrução foi meticulosa e algumas obras foram restauradas, mas as marcas daquele dia nunca desapareceram totalmente. Se procura o que fazer em Lucerna, será impossível evitar a Ponte da Capela.

Ponte Spreuer, Lucerna
Atravessando a Ponte Spreuer, Lucerna

A poucos passos, um pouco mais a jusante, encontra-se a Spreuerbrücke — a ponte do Moinho. Menos conhecida do que a Kapellbrücke e por vezes vezes ignorada pelos visitantes, não fica atrás da sua irmã mais velha.

Construída em 1408, a ponte atravessa o rio Reuss em ziguezague o que lhe confere uma silhueta invulgar. O nome vem de um costume antigo: era aqui que os moinhos da cidade despejavam no rio os resíduos da debulha dos grãos.

Sob o telhado, uma sequência de pinturas do século XVII assina um dos ciclos pictóricos mais sombrios da Europa: a Totentanzzyklus, ou Dança da Morte, da autoria de Kaspar Meglinger. As cenas retratam a peste e a inevitabilidade da morte — uma memória visual de um tempo em que a doença dizimava cidades inteiras. A meio da ponte, uma capela minúscula, acrescentada em 1568, completa este percurso entre o sagrado e o macabro.

Apreciar a Barragem da Agulha

O que ver em Lucerna: Barragem da Agulha
Barragem da Agulha de Lucerna

Quando a partir da ponte do Moinho o olhar seguir naturalmente o curso do rio vai encontrar uma estrutura que surpreende pela sua singularidade. Falo da chamada Barragem das Agulhas, também conhecida como Barragem do Reuss. Foi construída entre 1859 e 1861, e é simultaneamente um monumento histórico e uma curiosidade da engenharia do século XIX que ainda hoje está em funcionamento.

Barragem da Agulha de Lucerna
Barragem da Agulha de Lucerna

O nome não é por acaso. O nível da água do Lago de Lucerna é regulado manualmente através da inserção ou remoção de “agulhas” de madeira — um método que remonta à construção original. Esta regulação permite adaptar o caudal às estações do ano e prevenir inundações, independentemente das condições meteorológicas. Se procura o que visitar em Lucerna para lá das pontes e do centro histórico, tem na Barragem da Agulha um excelente motivo de interesse.

Passear junto às muralhas de Lucerna

Roteiro para visitar Lucerna: muralhas
Muralhas de Lucerna

A envolver o centro histórico pelo lado norte, a Museggmauer é tida como uma das muralhas medievais mais bem preservadas da Europa. Construída no século XIV para defender Lucerna de invasões, estende-se por 870 metros e, das nove torres originais, cada uma com o seu próprio estilo arquitectónico, a grande maioria chegou intacta até aos nossos dias. Apenas uma pequena secção do lado leste se perdeu ao longo dos séculos, o que é extraordinário.

Durante os meses de verão, a muralha está aberta a visitantes. É possível caminhar sobre ela e subir às torres para ter uma das melhores vistas sobre a cidade e os telhados da Altstadt. A Zytturm é a mais famosa das nove: alberga um grande relógio com um mecanismo histórico que ainda hoje funciona.

… e subir à torre do relógio Zytturm

O que fazer em Lucerna: visitar muralhas
Caminhando pelas muralhas de Lucerna junto à torre Zytturm

A torre Zytturm guarda um dos mecanismos de relojoaria pública mais antigos do mundo. Foi construído em 1385 pelo mestre Heinrich Halder, de Basileia, e remodelado em 1535 com um pêndulo de nove metros que oscila a cada três segundos. E que continua a funcionar. Desde então, é preciso dar à corda à mão, todos os dias à mão, tarefa levada a cabo pelo relojoeiro da cidade.

Há outro pormenor que diz muito sobre a cidade. Ao que consta, o relógio bate a hora um minuto antes de todos os outros — um privilégio que, no final da Idade Média, tinha um significado político preciso. Fazer o relógio público soar antes dos sinos da catedral era uma declaração de poder do conselho municipal. Em Lucerna, o tempo não era apenas medido. Era afirmado.

Zytturm, Lucerna o que visitar
Relógio antigo na base da torre

Assim, quando visitar Lucerna recomendo fazer uma caminhada pelo topo das muralhas, longe da azáfama das pontes e do rio e com a cidade inteira aos pés. Posso assegurar que é uma das coisas mais aprazíveis que pode fazer nesta bela cidade suíça.

Nota: as muralhas de Lucerna estão abertas ao público entre as 8:00 e as 19:00, mas apenas nos meses de abril a outubro, inclusive. Fora disso não é possível subir.

Apreciar as fontes de Lucerna

Visitar Lucerna Suíça
Pormenor de uma das belíssimas fontes que povoam o centro histórico de Lucerna

Às vezes reparo em pormenores aparentemente sem importância, que se transformam qwuase numa caça ao tesouro. Foi o que me aconteceu com as fontes de Lucerna.

Diz-se que há mais de 200 fontes espalhadas pela cidade, muitas das quais ainda alimentadas por água de nascente, limpa e própria para beber. A Fritschibrunnen, na Kapellplatz, é talvez a mais exuberante de todas. Erguida em 1918 no lugar de uma fonte mais antiga, a coluna central ostenta as máscaras de Fritschi e da sua esposa, os rostos da ama e do criado, e quatro máscaras de bobos da corte que lançam água de chifres de cabra para uma bacia hexagonal. Mas há muitas outras a que vale a pena estar atento — caso tenha interesse nestas curiosidades ou não saiba mais o que fazer em Lucerna. Fica a dica.

Visitar a capela de São Pedro

O que visitar em Lucerna: capela de São Pedro
Interior da capela de São Pedro, Lucerna

A capela de São Pedro (Peterskapelle) é uma igreja muito simples e, na verdade, nem achei particularmente bonita. Mas é tida como a igreja mais antiga dentro das muralhas de Lucerna, e a sua história recua muito além do que a vista sugere.

Mencionada em documentos desde 1178, a sua fundação poderá remontar a monges irlandeses. O edifício atual data do século XVIII, construído sobre uma igreja anterior do século XII — a mesma que terá dado nome à Kapellbrücke, a ponte que é o símbolo da cidade. Apesar de tudo, vale a pena visitar — não demorara muito tempo do seu roteiro.

Monumento ao Leão em Lucerna

O que visitar em Lucerna: Monumento ao Leão
Monumento ao Leão em Lucerna

No coração de um parque tranquilo, aninhado numa cavidade rochosa, o Monumento do Leão de Lucerna impõe-se em silêncio. A escultura tem dez metros de comprimento por seis de altura e representa um leão ferido, com uma lança cravada no flanco — uma imagem de força e agonia que é impossível não impactar quem a observa. E são cerca de 1,4 milhões de pessoas que visitam o monumento todos os anos.

Mark Twain, que passou por Lucerna no século XIX, deixou escrito que era “a peça de pedra mais triste e comovente do mundo”. Vale a pena saber a história.

A obra foi inaugurada em 1821 e deve a sua existência a Pfyffer von Altishofen, um oficial suíço que se encontrava de licença em Lucerna no dia 10 de agosto de 1792 — o dia em que cerca de mil guardas suíços morreram em Paris a defender o rei Luís XVI durante um assalto ao Palácio das Tulherias. Os revolucionários tomaram o palácio; a Guarda Suíça foi praticamente aniquilada. Pfyffer von Altishofen passou anos a tentar honrar a memória dos companheiros, angariou fundos e propôs o local. O resultado foi esta escultura, desenhada pelo artista dinamarquês Bertel Thorvaldsen. Mais um local a incluir no seu roteiro para visitar Lucerna.

Fazer um passeio no Lago de Lucerna (Lago dos Quatro Cantões)

Lago dos Quatro Cantões, em Lucerna
Vista do Lago dos Quatro Cantões, em Lucerna

O Lago de Lucerna, conhecido também como Lago dos Quatro Cantões, não é apenas o espelho onde a cidade se reflete. É uma porta de entrada para a Suíça Central, um caminho de água que liga Lucerna a pequenas aldeias e paisagens visualmente apelativas: baías idílicas, encostas rochosas com perfil de fiorde, águas azuis e cristalinas e, ao fundo, os picos cobertos de neve dos Alpes.

Os passeios de barco são variados e adaptam-se a todos os gostos e disponibilidades. Veja, por exemplo, este cruzeiro de catamarã de 1 hora no Lago Lucerna. E, se preferir combinar lago e montanha, há um passeio que inclui Teleférico do Monte Pilatus, Trem de cremalheira e Cruzeiro no Lago, muito elogiado pelos visitantes. Fica a dica.

Outras coisas a visitar em Lucerna

Caso tenha vontade de conhecer mais atrativos e disponha de tempo no seu roteiro de 1 ou 2 dias para visitar Lucerna, deixo aqui duas sugestões adicionais.

  • Do centro da Altstadt, quem erguer os olhos vê lá em cima, no alto de uma colina, a silhueta de um castelo. É o Château Gütsch — e vale a pena subir até lá. Gütsch é um termo germânico que significa simplesmente colina, mas há pouco de simples naquele edifício. Construído em 1888 como hotel, foi inspirado no castelo de Neuschwanstein, na Baviera. A forma mais rápida e agradável de lá chegar é pelo funicular do Gütsch, que em apenas um minuto e meio percorre 170 metros de percurso inclinado. No topo, a recompensa é uma das melhores vistas sobre Lucerna, o lago e os Alpes.
  • Apreciar o KKL – Centro de Cultura e Congressos de Lucerna. Inaugurado em 2000 e desenhado pelo arquitecto Jean Nouvel, o edifício é uma referência da arquitetura suíça contemporânea. O coração do KKL é a sua sala de concertos, cuja qualidade acústica é considerada como excecional. Eu nunca assisti a um concerto em Lucerna, mas os relatos são sólidos.

Lucerna: mapa dos principais pontos turísticos a visitar no roteiro de 1 dia

Se procura o que visitar em Lucerna, é sempre útil visualizar a localização exata dos lugares referenciados no artigo. Como seria de esperar, não falta o que ver e fazer em Lucerna para preencher um roteiro de 1 ou 2 dias.

Dicas para visitar Lucerna

Qual a melhor época para visitar Lucerna?

Apesar de Lucerna receber turistas durante todo o ano, pode dizer-se que tem duas épocas altas mais vincadas. Nos meses mais frios do inverno, incluindo na época do Natal e fim de ano, atrai muitos turistas em busca de neve e dos mercados de Natal na Europa. Nos meses de verão, nomeadamente julho e agosto, os europeus estão de férias e o calor torna as atividades ao ar livre mais agradável (mas os preços de hotelaria têm tendência a disparar).

Tudo somado, na minha opinião a melhor época para visitar Lucerna é nos meses de maio/junho e setembro/outubro, principalmente porque a cidade não estará tão lotada e os preços serão menos salgados. Seja qual for a época do ano, prepare-se que pode chover — no fim de contas, está na Suíça.

Como chegar a Lucerna?

O mais provável é visitar Lucerna a partir de Zurique e, nesse caso, a melhor forma de chegar a Lucerna é de comboio. Isto porque há comboios frequentes (uma a duas partidas por hora) a ligar as duas cidades em menos de 40-45 minutos. É por isso possível e muito fácil fazer um daytrip (ou bate-volta) a Lucerna a partir de Zurique.

Onde ficar em Lucerna

Dito isto, muita gente opta por ficar em Lucerna para conhecer a cidade com mais calma, tendo as ruas muito mais calmas a partir do momento em que os turistas regressam a Zurique. Assim, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Lucerna (brevemente), onde elenco as melhores hotéis da cidade para montar a sua base, em termos de custo / benefício.

Em resumo, se não tem tempo para ler o artigo até ao fim, saiba que o Boutique Hotel Anker é talvez o hotel mais interessante da cidade no segmento médio (3 estrelas). Pode reservar à confiança, mas não é barato. Mais em conta é a Roesli Guest House, uma pensão muito simples instalada a dois passos do canal. São ambos muito bem localizadas no centro histórico de Lucerna.

De resto, encontra muitas opções para todos os gostos e orçamentos a partir do link abaixo.

Procurar hotéis em Lucerna

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Outros roteiros de cidades europeias

Se está a pensar visitar Lucerna, talvez tenha interesse em saber um pouco mais sobre o que ver e fazer noutras cidades da Europa.

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

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