
Se está a pensar visitar Lucerna chegou ao sítio certo. A bonita cidade de Lucerna, capital do cantão homónimo, fica no coração geográfico da Suíça — rodeada de montanhas e banhada por um lago tão prístino quanto fotogénico.
Na verdade, para quem está a visitar Zurique fazer um passeio de comboio a Lucerna é algo absolutamente recomendável. Mas é muito provável que se apaixone pela cidade e, por isso, um roteiro para visitar Lucerna em 1 dia pode não ser suficiente. Assim, se tiver 2 ou 3 dias para visitar Lucerna e as montanhas envolventes, não hesite. É, para mim, uma das cidades mais bonitas da Suíça.

E um dos “culpados” é o rio Reuss e o Lago dos Quatro Cantões — também conhecido como Lago Lucerna —, em cujas margens a cidade se foi espraiando. É aliás esta geografia que explica uma das imagens mais reconhecíveis de Lucerna: as pontes medievais que cruzam o rio e que, para além de espetaculares soluções de engenharia, se tornaram símbolos da cidade.
Encare então este roteiro para visitar Lucerna como uma base para montar o seu próprio itinerário na cidade. Venha daí nesta viagem a Lucerma.
Dica: se vai visitar Lucerna, não se esqueça de fazer um bom seguro de viagem.
O que fazer em Lucerna? Roteiro com o que visitar
Explorar o centro histórico de Lucerna

O centro histórico de Lucerna — a Altstadt, ou “Cidade Velha” — é compacto e perfeito para explorar a pé. Uma das grandes vantagens é que boa parte está livre de carros, o que transforma qualquer passeio numa experiência tranquila e sem sobressaltos.
Quando visitar Lucerna rapidamente reparará que é tudo muito bonito e arranjado. Em cada esquina há algo que prende o olhar. Literalmente. Ora, uma das liberdades deste roteiro de 1 dia em Lucerna é que não existe um ponto de partida obrigatório. Pode começar a visita a pé em qualquer zona da Altstadt e deixar que a cidade se vá revelando ao ritmo de cada um. Em poucas horas, é possível absorver o essencial de uma das mais bem preservadas urbes da Europa central.

Um dos grandes prazeres de passear pelo centro histórico de Lucerna é poder apreciar as fachadas das casas. Ainda é possível encontrar exemplares da arquitetura de enxaimel em Lucerna (que reconheci noutros contextos — quando fui visitar Estrasburgo ou Colmar, por exemplo), onde as geometrias desenhadas pelas vigas de madeira se aliam ao conforto das cores pasteis. Mas o enxaimel não é o foco principal da região. Em Lucerna, o destaque vai para as casas medievais com paredes pintadas e decorações de época, que transformam cada rua numa obra de arte. E, claro, as suas pontes…
Atravessar as pontes Spreuer e da Capela (as duas cobertas)

Pelas ruas de paralelepípedos descobrem-se casas coloridas, edifícios únicos e, sobretudo, duas pontes medievais de madeira que são o símbolo da cidade: a Kapellbrücke — a ponte da Capela — e a Spreuerbrücke — a ponte do Moinho. Construídas para defender a cidade, tornaram-se hoje dois dos monumentos mais fotografados da Suíça.

A Kapellbrücke — a ponte da Capela — é talvez o símbolo mais reconhecível de Lucerna. Com 204 metros de comprimento, esta ponte pedonal coberta de madeira atravessa o rio Reuss e é considerada a ponte coberta mais antiga da Europa. Foi construída originalmente em 1333 e, por isso, caminhar sobre ela é atravessar séculos de história.
Sob o telhado de madeira, há uma série de frescos do século XVII que retrata episódios marcantes da história de Lucerna e da Suíça. Nem todos sobreviveram: em agosto de 1993, um incêndio destruiu grande parte da ponte e respetivas pinturas. A reconstrução foi meticulosa e algumas obras foram restauradas, mas as marcas daquele dia nunca desapareceram totalmente. Se procura o que fazer em Lucerna, será impossível evitar a Ponte da Capela.

A poucos passos, um pouco mais a jusante, encontra-se a Spreuerbrücke — a ponte do Moinho. Menos conhecida do que a Kapellbrücke e por vezes vezes ignorada pelos visitantes, não fica atrás da sua irmã mais velha.
Construída em 1408, a ponte atravessa o rio Reuss em ziguezague o que lhe confere uma silhueta invulgar. O nome vem de um costume antigo: era aqui que os moinhos da cidade despejavam no rio os resíduos da debulha dos grãos.
Sob o telhado, uma sequência de pinturas do século XVII assina um dos ciclos pictóricos mais sombrios da Europa: a Totentanzzyklus, ou Dança da Morte, da autoria de Kaspar Meglinger. As cenas retratam a peste e a inevitabilidade da morte — uma memória visual de um tempo em que a doença dizimava cidades inteiras. A meio da ponte, uma capela minúscula, acrescentada em 1568, completa este percurso entre o sagrado e o macabro.
Apreciar a Barragem da Agulha

Quando a partir da ponte do Moinho o olhar seguir naturalmente o curso do rio vai encontrar uma estrutura que surpreende pela sua singularidade. Falo da chamada Barragem das Agulhas, também conhecida como Barragem do Reuss. Foi construída entre 1859 e 1861, e é simultaneamente um monumento histórico e uma curiosidade da engenharia do século XIX que ainda hoje está em funcionamento.

O nome não é por acaso. O nível da água do Lago de Lucerna é regulado manualmente através da inserção ou remoção de “agulhas” de madeira — um método que remonta à construção original. Esta regulação permite adaptar o caudal às estações do ano e prevenir inundações, independentemente das condições meteorológicas. Se procura o que visitar em Lucerna para lá das pontes e do centro histórico, tem na Barragem da Agulha um excelente motivo de interesse.
Passear junto às muralhas de Lucerna

A envolver o centro histórico pelo lado norte, a Museggmauer é tida como uma das muralhas medievais mais bem preservadas da Europa. Construída no século XIV para defender Lucerna de invasões, estende-se por 870 metros e, das nove torres originais, cada uma com o seu próprio estilo arquitectónico, a grande maioria chegou intacta até aos nossos dias. Apenas uma pequena secção do lado leste se perdeu ao longo dos séculos, o que é extraordinário.
Durante os meses de verão, a muralha está aberta a visitantes. É possível caminhar sobre ela e subir às torres para ter uma das melhores vistas sobre a cidade e os telhados da Altstadt. A Zytturm é a mais famosa das nove: alberga um grande relógio com um mecanismo histórico que ainda hoje funciona.
… e subir à torre do relógio Zytturm

A torre Zytturm guarda um dos mecanismos de relojoaria pública mais antigos do mundo. Foi construído em 1385 pelo mestre Heinrich Halder, de Basileia, e remodelado em 1535 com um pêndulo de nove metros que oscila a cada três segundos. E que continua a funcionar. Desde então, é preciso dar à corda à mão, todos os dias à mão, tarefa levada a cabo pelo relojoeiro da cidade.
Há outro pormenor que diz muito sobre a cidade. Ao que consta, o relógio bate a hora um minuto antes de todos os outros — um privilégio que, no final da Idade Média, tinha um significado político preciso. Fazer o relógio público soar antes dos sinos da catedral era uma declaração de poder do conselho municipal. Em Lucerna, o tempo não era apenas medido. Era afirmado.

Assim, quando visitar Lucerna recomendo fazer uma caminhada pelo topo das muralhas, longe da azáfama das pontes e do rio e com a cidade inteira aos pés. Posso assegurar que é uma das coisas mais aprazíveis que pode fazer nesta bela cidade suíça.
Nota: as muralhas de Lucerna estão abertas ao público entre as 8:00 e as 19:00, mas apenas nos meses de abril a outubro, inclusive. Fora disso não é possível subir.
Apreciar as fontes de Lucerna

Às vezes reparo em pormenores aparentemente sem importância, que se transformam qwuase numa caça ao tesouro. Foi o que me aconteceu com as fontes de Lucerna.
Diz-se que há mais de 200 fontes espalhadas pela cidade, muitas das quais ainda alimentadas por água de nascente, limpa e própria para beber. A Fritschibrunnen, na Kapellplatz, é talvez a mais exuberante de todas. Erguida em 1918 no lugar de uma fonte mais antiga, a coluna central ostenta as máscaras de Fritschi e da sua esposa, os rostos da ama e do criado, e quatro máscaras de bobos da corte que lançam água de chifres de cabra para uma bacia hexagonal. Mas há muitas outras a que vale a pena estar atento — caso tenha interesse nestas curiosidades ou não saiba mais o que fazer em Lucerna. Fica a dica.
Visitar a capela de São Pedro

A capela de São Pedro (Peterskapelle) é uma igreja muito simples e, na verdade, nem achei particularmente bonita. Mas é tida como a igreja mais antiga dentro das muralhas de Lucerna, e a sua história recua muito além do que a vista sugere.
Mencionada em documentos desde 1178, a sua fundação poderá remontar a monges irlandeses. O edifício atual data do século XVIII, construído sobre uma igreja anterior do século XII — a mesma que terá dado nome à Kapellbrücke, a ponte que é o símbolo da cidade. Apesar de tudo, vale a pena visitar — não demorara muito tempo do seu roteiro.
Monumento ao Leão em Lucerna

No coração de um parque tranquilo, aninhado numa cavidade rochosa, o Monumento do Leão de Lucerna impõe-se em silêncio. A escultura tem dez metros de comprimento por seis de altura e representa um leão ferido, com uma lança cravada no flanco — uma imagem de força e agonia que é impossível não impactar quem a observa. E são cerca de 1,4 milhões de pessoas que visitam o monumento todos os anos.
Mark Twain, que passou por Lucerna no século XIX, deixou escrito que era “a peça de pedra mais triste e comovente do mundo”. Vale a pena saber a história.
A obra foi inaugurada em 1821 e deve a sua existência a Pfyffer von Altishofen, um oficial suíço que se encontrava de licença em Lucerna no dia 10 de agosto de 1792 — o dia em que cerca de mil guardas suíços morreram em Paris a defender o rei Luís XVI durante um assalto ao Palácio das Tulherias. Os revolucionários tomaram o palácio; a Guarda Suíça foi praticamente aniquilada. Pfyffer von Altishofen passou anos a tentar honrar a memória dos companheiros, angariou fundos e propôs o local. O resultado foi esta escultura, desenhada pelo artista dinamarquês Bertel Thorvaldsen. Mais um local a incluir no seu roteiro para visitar Lucerna.
Fazer um passeio no Lago de Lucerna (Lago dos Quatro Cantões)

O Lago de Lucerna, conhecido também como Lago dos Quatro Cantões, não é apenas o espelho onde a cidade se reflete. É uma porta de entrada para a Suíça Central, um caminho de água que liga Lucerna a pequenas aldeias e paisagens visualmente apelativas: baías idílicas, encostas rochosas com perfil de fiorde, águas azuis e cristalinas e, ao fundo, os picos cobertos de neve dos Alpes.
Os passeios de barco são variados e adaptam-se a todos os gostos e disponibilidades. Veja, por exemplo, este cruzeiro de catamarã de 1 hora no Lago Lucerna. E, se preferir combinar lago e montanha, há um passeio que inclui Teleférico do Monte Pilatus, Trem de cremalheira e Cruzeiro no Lago, muito elogiado pelos visitantes. Fica a dica.
Outras coisas a visitar em Lucerna
Caso tenha vontade de conhecer mais atrativos e disponha de tempo no seu roteiro de 1 ou 2 dias para visitar Lucerna, deixo aqui duas sugestões adicionais.
- Do centro da Altstadt, quem erguer os olhos vê lá em cima, no alto de uma colina, a silhueta de um castelo. É o Château Gütsch — e vale a pena subir até lá. Gütsch é um termo germânico que significa simplesmente colina, mas há pouco de simples naquele edifício. Construído em 1888 como hotel, foi inspirado no castelo de Neuschwanstein, na Baviera. A forma mais rápida e agradável de lá chegar é pelo funicular do Gütsch, que em apenas um minuto e meio percorre 170 metros de percurso inclinado. No topo, a recompensa é uma das melhores vistas sobre Lucerna, o lago e os Alpes.
- Apreciar o KKL – Centro de Cultura e Congressos de Lucerna. Inaugurado em 2000 e desenhado pelo arquitecto Jean Nouvel, o edifício é uma referência da arquitetura suíça contemporânea. O coração do KKL é a sua sala de concertos, cuja qualidade acústica é considerada como excecional. Eu nunca assisti a um concerto em Lucerna, mas os relatos são sólidos.
Lucerna: mapa dos principais pontos turísticos a visitar no roteiro de 1 dia
Se procura o que visitar em Lucerna, é sempre útil visualizar a localização exata dos lugares referenciados no artigo. Como seria de esperar, não falta o que ver e fazer em Lucerna para preencher um roteiro de 1 ou 2 dias.
Dicas para visitar Lucerna
Qual a melhor época para visitar Lucerna?
Apesar de Lucerna receber turistas durante todo o ano, pode dizer-se que tem duas épocas altas mais vincadas. Nos meses mais frios do inverno, incluindo na época do Natal e fim de ano, atrai muitos turistas em busca de neve e dos mercados de Natal na Europa. Nos meses de verão, nomeadamente julho e agosto, os europeus estão de férias e o calor torna as atividades ao ar livre mais agradável (mas os preços de hotelaria têm tendência a disparar).
Tudo somado, na minha opinião a melhor época para visitar Lucerna é nos meses de maio/junho e setembro/outubro, principalmente porque a cidade não estará tão lotada e os preços serão menos salgados. Seja qual for a época do ano, prepare-se que pode chover — no fim de contas, está na Suíça.
Como chegar a Lucerna?
O mais provável é visitar Lucerna a partir de Zurique e, nesse caso, a melhor forma de chegar a Lucerna é de comboio. Isto porque há comboios frequentes (uma a duas partidas por hora) a ligar as duas cidades em menos de 40-45 minutos. É por isso possível e muito fácil fazer um daytrip (ou bate-volta) a Lucerna a partir de Zurique.
Onde ficar em Lucerna
Dito isto, muita gente opta por ficar em Lucerna para conhecer a cidade com mais calma, tendo as ruas muito mais calmas a partir do momento em que os turistas regressam a Zurique. Assim, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Lucerna (brevemente), onde elenco as melhores hotéis da cidade para montar a sua base, em termos de custo / benefício.
Em resumo, se não tem tempo para ler o artigo até ao fim, saiba que o Boutique Hotel Anker é talvez o hotel mais interessante da cidade no segmento médio (3 estrelas). Pode reservar à confiança, mas não é barato. Mais em conta é a Roesli Guest House, uma pensão muito simples instalada a dois passos do canal. São ambos muito bem localizadas no centro histórico de Lucerna.
De resto, encontra muitas opções para todos os gostos e orçamentos a partir do link abaixo.
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Outros roteiros de cidades europeias
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