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Viena está a sair do armário

TextoFotosInês Nadais15/01/2009

Sissi, valsas, Mozart e fatias de bolo em serviço de porcelana? Sim, mas também 60 mil metros quadrados de arte contemporânea, um índice paranormal de lojas, cafés e restaurantes de autor, boa arquitectura e bom espaço público. Viena já não é só uma cidade do século XIX, há uma Viena cool do século XXI. Um novo mundo para descobrir em viagens à capital da Áustria.

Uma Viena do séc. XXI

Segunda-feira à noite e dezenas de pessoas no Österreicher im MAK, o novo restaurante de comida austríaca, mas em estilo (sim, é possível ter estilo a fritar panados de porco), do Museu de Artes Aplicadas - e a seguir margaritas no bar vermelho do Volkstheater.

Museu da História Natural, Viena

Museu da História Natural, Viena

Terça-feira às dez da manhã e centenas de pessoas (incluindo alguns ministros) a ver os novos realistas chineses (Zhang Xiaogang e Yue Minjun, terceiro e quinto no ranking dos artistas que mais vendem no mundo, incluídos) no Mumok, o museu de arte contemporânea de Viena - e a seguir compras na primeira embaixada lomográfica do mundo.

Quarta-feira de madrugada e milhares de pessoas na festa Crazy do Flex, a maior discoteca da cidade (uma gigantesca galeria do metro desactivada) e um daqueles sítios em que Viena parece que é mas não é Berlim> - e antes a cena indie do Chelsea, o novo jazz do Café Leopold e os midnight movies do Schikaneder.

Quinta-feira ao almoço e mesa cheia no Schon Schön (só há uma mesa, quem chega senta-se ao lado de quem já estiver a comer), restaurante-loja-cabeleireiro-bar quatro em um - e depois fim de tarde no Phil, onde se pode tomar café, folhear livros, ver um filme independente e comprar móveis e candeeiros em segunda mão.

Não era isto que esperávamos de Viena (e ainda não vimos nada: ainda há sexta-feira, sábado e domingo): esperávamos bombons com a cara do Mozart, posters da Sissi, montras com bolos de chocolate em pratos de porcelana, Strauss nos elevadores, postais do Klimt e senhoras com casacos de peles.

Vista nocturna do centro de Viena

Vista nocturna do centro de Viena

Continuam lá, como figurantes da parte de Viena que continua a ser imperial e sumptuosa - e tê-los-íamos encontrado se não nos tivéssemos desviado do circuito que gravita em torno da Ópera, do Burgtheater, da Escola de Equitação Espanhola, do Palácio de Schönbrunn, do Belvedere, do Hofburg, do Hotel Sacher e da Catedral de Santo Estêvão.

Estávamos lá para isso, para a cidade do século XIX, mas estávamos lá sobretudo para a cidade do século XXI em que Viena se transformou nos últimos anos de investimento em bom design, boa arquitectura, bom espaço público, boa arte contemporânea e boa qualidade de vida.

Quando chegámos, o turismo de Viena entregou-nos um saco a tiracolo vermelho com uma frase que é todo um programa: “Vienna is a cool city, isn't it? ”. Não é uma pergunta retórica - e a resposta é sim.

Viena é cool

Quando uma cidade precisa de imprimir, num fundo vermelho, um slogan destes (como se se tratasse de uma espécie de nota mental, de um post-it para não se esquecer do que quer ser quando for grande), é porque há um problema. Viena tem esse problema - o problema de uma cidade demasiado vinculada a uma agenda turística conservadora, sénior e não particularmente low cost - mas também tem solução para ele.

É disso que tem andado a tratar: de se apresentar ao mundo como uma cidade que tem vida para além da casa onde o Mozart escreveu As Bodas de Fígaro, do divã onde o Freud inventou a psicanálise, do palácio de onde Sissi passou a vida a querer fugir, da cozinha onde Franz Sacher cozeu a primeira Sachertorte e da roda gigante onde Orson Welles fez de vilão num filme da guerra fria.

VIC - Centro Internacional de Viena

VIC - Centro Internacional de Viena

Inaugurado em 2001, o MuseumsQuartier (à letra, quarteirão dos museus) foi uma das primeiras pedras desse aggiornamento de Viena: 60 mil metros quadrados onde o merchandising da valsa e da Sissi não entram porque só há espaço para a arte contemporânea em todos os seus estados.

Olhamos para o que Viena fez dos estábulos reais, construídos no início do século XVIII, e pensamos: esta cidade saiu mesmo do armário. Já tinha tudo o que precisava para ser empacotada pelos folhetos das agências de viagens nos circuitos das cidades imperiais (e para vender bem nesse segmento), mas não tinha um dos dez maiores complexos culturais do mundo. Agora tem.

É um bairro inteiro para as artes visuais mais (o MUMOK - Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig Wien começa onde começa a pop art e acaba no que aí vem, como a China) ou menos futuristas (o Museu Leopold faz uma panorâmica da arte austríaca entre meados do século XIX e meados do século XX, com o maior acervo do mundo de obras de Egon Schiele), exposições temporárias de fotografia, vídeo, cinema, instalação e novos media (Kunsthalle Wien), o design (designforum), a arquitectura (o quarteirão em si, projectado pelos austríacos Ortner & Ortner e organizado pelos cubos de basalto e de calcário do MUMOK e do Museu Leopold, já é arquitectura, mas há ainda o Architekturzentrum Wien), a dança (não se podia falar de uma cena vienense da dança contemporânea antes do Tanzquartier Wien), a performance (Halle E+G), a gastronomia (o bairro tem oito restaurantes), a infância (um museu e um teatro) e um programa internacional de residências artísticas (o quartier21, cinco estúdios disponíveis para quem estiver disposto a confirmar que Viena, além de um sítio onde se conserva, também é um sítio onde se cria).

Nas traseiras do quarteirão dos museus também há um bairro in progress - de repente, o 7º distrito de Viena (Neubau) transformou-se no sítio que os novos vienenses querem habitar (mais do que frequentar). Não é o único: o quarteirão dos Gasometer é um caso exemplar, ainda que mais periférico, de reconversão (quatro dos antigos reservatórios de gás da cidade foram requalificados pelos arquitectos Jean Nouvel, Coop Himmelblau, Manfred Wehdorn e Wilhelm Holzbauer, e há uma nova cidade a crescer nas imediações), e há um verdadeiro assédio ao 4º distrito (Wieden) com um cluster de lojas de design, livros de culinária, moda, cinema a acumular-se no Freihaus Viertel.

Encontrámos o clube de vídeo perfeito (nove filmes do Douglas Sirk, 21 do Billy Wilder, onde é que isto vai parar?), e encontrámos a frase perfeita para descrever este momento da cidade: é uma pena Viena estar tão longe É uma coisa que pode acontecer se a visitarmos agora: querermos ficar a viver lá.

Casa desenhada pelo arquitecto F. Hundertwasser Hundertwasserhaus, Viena

Casa desenhada pelo arquitecto F. Hundertwasser Hundertwasserhaus, Viena

Viena

Viena

Viena de A (de Alphaville) a W (de Walking Chair)

Não é um directório exaustivo dos novos espaços para comer, comprar e sair da capital austríaca. Mas é um bom começo.

Alphaville
Schleifmühlgasse 5
É o clube de vídeo perfeito que nos fez pensar em perder o voo de regresso da Sky Europe e ficar a viver em Viena: o Aphaville tem mais de 8.500 títulos em DVD, quase 5.000 em VHS e um motor de busca invejável (pelo menos ainda não lhe encontrámos defeitos). A loja é mais útil para quem vive lá do que para quem vai de férias mas não podemos deixar de a mencionar: precisamos de uma igual urgentemente, num bairro mais perto de nós. A propósito de bairros, a Alphaville fica no Freihaus Viertel, um dos quarteirões de Viena com mais hype.

Babettes
Schleifmühlgasse 17
Livros, ingredientes, receitas, cursos (os básicos e os avançados: eis a nossa oportunidade de ficarmos profissionais em Diva Dinners ou Cucina Povera): se não há no Babettes, é porque não há. Não havendo tempo para frequentar um módulo completo (estando em Viena de férias, infelizmente é o mais provável), há tempo para comprar um livro de tartes austríacas, ou de nouvelle cuisine indiana, e vir para casa fazer asneiras hipercalóricas.

Café Leopold
Museumsplatz 7
É um dos imperdíveis da noite de Viena: projectado quase como uma mezzanine translúcida sobre a praça central do MuseumsQuartier, o Café Leopold é mais clube do que café (tem uma agenda de segunda a sábado que percorre quase todos os géneros musicais dançáveis, do funk da segunda-feira ao electro de sexta e sábado) mas é suficientemente versátil para ser o tipo de sítio onde se pode tomar um pequeno-almoço às dez e ficar por lá até que o último Bloody Mary nos separe, às quatro da manhã. Almoços, lanches e jantares também se arranjam.

Chelsea
Lechenfelder Gürtel 29-31
Até há muito pouco tempo, a vida nocturna no Gürtel (a via de cintura interna de Viena) era a vida nocturna possível num bairro vermelho. Já não é: a cidade candidatou-se a um projecto comunitário que permitiu requalificar as arcadas do metro e transformá-las numa zona obrigatória da noite de Viena. Bares como o B72 (com uma playlist especializada em britpop e música independente), o Q (a central dos cocktails) e o Chelsea são alguns dos pontos de referência deste novo mapa. Razões para preferir o Chelsea: tem uma preenchidíssima agenda de concertos, um programa diário de residências em que confiamos cegamente (as preferências do DJ das segundas-feiras são os Beatles e os Stones, os Pixies e os Prefab Sprout, os Pulp e os Pavement e os Arcade Fire e o Antony & the Johnsons), e uma clientela particularmente party-friendly.

Die Rote Bar
Neustiftgasse 1
Só pela arquitectura (muito fim de século XIX) e pelos lustres, vale a pena ir ao Rote Bar, no Volkstheater (impossível perdê-lo de vista: é o edifício com a estrela vermelha fluorescente no topo). Mas também há os cocktails dos dias úteis e o brunch de domingo - com o bónus de tudo isto acontecer dentro de um dos teatros que mais e melhor programam em Viena.

Gabarage
Schleifmühlgasse 6
Os designers da Gabarage transformam esquis em cabides, bolas de bowling em candeeiros, sinais de trânsito em carrinhos de chá - e ainda não vimos tudo aquilo de que eles são capazes de fazer com objectos reciclados. Vai-se a este showroom e, mesmo que se saia de lá sem compras, sai-se com ideias.

Flex
Donaukanal (Augartenbrücke)
O Flex é A discoteca de Viena: um espaço gigantesco, literalmente underground (ocupa uma galeria desactivada do metro e é o tipo de sítio sujo de onde se sai com carimbos nas mãos), com uma agenda mensal de DJ que inclui desde local heros a lendas internacionais. Não é o sítio mais confortável do mundo, mas ninguém pode dizer que saiu em Viena se não tiver um carimbo para mostrar que esteve aqui.

Karja
Margaretenstrasse 2
Vestidos, luvas, manguitos, chapéus, t-shirts, saias, cachecóis e outras peças de guarda-roupa em tiragens limitadas - alguém chamou por Katja Rozboril? Ela está disponível para mostrar o que faz e como faz: a pequena fábrica de confecções artesanal onde a designer austríaca produz as pequenas maravilhas que é possível ver no site fica nas traseiras da loja (e espreitar também vale).

Lomoshop
Museumsplatz 1
Foi a primeira Lomoshop do mundo e fica mesmo no centro do MuseumsQuartier, depois do hall com os sofás velho e a mesa de fórmica: todas as máquinas lomográficas do mundo estão à venda aqui, assim como os respectivos acessórios (lentes olho de peixe, sim, mas também roupa interior lomográfica), mas não exclusivamente. É um dos melhores sítios para encontrar criações dos designers de Viena, como as carteiras de Eva Blut.

Phil
Gumpendorferstrasse 10-12
É um café? É uma loja de móveis em segunda mão? É uma livraria? É uma sala de cinema? Não, é isso tudo ao mesmo tempo. No Phil, os sofás vintage onde nos sentamos estão à venda, os livros que folheamos idem aspas e sim, teremos de pagar se quisermos beber um café ou um copo de vinho (mas também foi para isso que viemos). Além da casa-mãe da Gumpendorferstrasse, o Phil ainda tem uma filial nos cinemas Gartenbau - o tipo de sítio onde tanto podemos apanhar uma reposição do Casablanca ou um compacto Wes Anderson como uma palestra do David Lynch sobre meditação transcendental.

Rhiz
Gürtelbogen 37-38
É uma editora activa no circuito da electrónica vienense (o circuito que deu ao mundo a dupla Kruder & Dorfmeister e os Sofa Surfers) e também é um bar no Gürtel. Passamos a citar: concertos de músicos austríacos e internacionais, plataforma para novos projectos e experiências no campo da música electrónica, apresentações de cinema e vídeo, sessões DJ diárias, cybercafe. Não nos parece pouco.

Schikaneder (Future Cinema)
Margaretenstrasse 24
Muita gente, móveis usados, música electrónica, filmes estupidamente gore e uma sala de cinema com cadeiras de praia: o Schikaneder estava assim quando fomos lá (mal nos conseguimos aproximar do balcão mas mesmo assim estamos ansiosos por voltar e trazer um amigo também). É outro dos obrigatórios na noite de Viena: um bar “alternativo” (entre muitas aspas) com um programa de cinema, teatro e artes visuais anti-mainstream na sala do lado.

Schon Schön
Lindengasse 53
Só há uma mesa para 24, mas qualquer pessoa se pode sentar e comer ali, com vista para a cozinha e para a vizinhança. O design-menu de Roman Steger e Günter Handlbauer varia diariamente, mas não é só por isso que é surpreendente: a sopa pode ser de laranja ou de ratatouille, e não dizemos mais nada para não estragar o efeito. Além de um belíssimo restaurante (Schön Tafeln), o Schon Schön também é um cabeleireiro (Schön Aussehen), uma alfaitaria (Schön Daherkommen) e um bar.

Top Kino
Rahlgasse 1
O Top Kino é um cinema de bairro e, como um bom cinema de bairro do século XXI, tem um restaurante e um bar incluídos. Tem a sua lógica: o brunch de domingo inclui filme (bilhete combinado a partir de 6 €). Mais originalidades: a cozinha está disponível, mediante reserva, para quem quiser habilitar-se a experimentar o fogão, e aceitam-se sócios, por 33 €/ano (a jóia dá direito a descontos nas sessões do Top Kino e do Schikaneder).

Walking Chair
Rasumofskygasse 10
Mais do que um gabinete de design, o Walking Chair é um think tank que transforma chaves inglesas em talheres, garrafas de plástico em cabides, mesas de reuniões em mesas de pingue-pongue e letras do alfabeto em estantes. O estúdio, que funciona também como loja e galeria, está aberto ao público, numa esquina não muito longe de dois dos edifícios mais famosos do arquitecto vienense Friedensreich Hundertwasser, a Hundertwasserhaus e a Kunsthaus.


Museu Sissi no Museu Imperial de Viena

Museu Sissi no Museu Imperial de Viena

Michaelerplatz, Viena

Michaelerplatz, Viena

Uma faceta moderna de Viena

Uma faceta moderna de Viena

Casa em Viena desenhada por Arik Brauer Gumpendorferstrasse

Casa em Viena desenhada por Arik Brauer Gumpendorferstrasse

Guia de viagens a Viena

Este é um guia prático para viagens a Viena, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos, os melhores hotéis e sugestões de atividades na capital austríaca.

Viena Quando viajar

Quando viajar para Viena

Todo o ano. O Inverno pode ser impróprio para consumo (os ventos que vêm dos Alpes não são muito amigáveis), mas é uma questão de organizar a visita de maneira a tirar partido dos maravilhosos interiores (sobreaquecidos) de Viena. A temporada de ópera está na sua máxima força entre Dezembro e Junho - e, dizemos nós, a temporada dos cafés também (isto é para ser levado a sério: seria possível passar dias e dias em Viena só a fazer um ranking de cafés).

Outros horários nobres para visitar a capital austríaca: Maio-Junho, a altura do ano em que se percebe que afinal há vida ao ar livre (é a época alta dos jardins e dos festivais e a praça do MuseumsQuartier parece particularmente promissora) e Outubro-Novembro (os vienenses ficam eufóricos com o vinho novo, e quem somos nós para atirar a primeira pedra?).

Como chegar

Como chegar a Viena

A Sky Europe costuma ter voos baratos directos de Lisboa para Viena com tarifas-base que variam entre um cêntimo e os 600 € (um valor improvável, mas possível) e taxas ligeiramente acima dos 60 € (ida e volta incluídas): com a abertura da rota, no final de Outubro, esta passou a ser a maneira mais directa de viajar entre Portugal e a Áustria. Partindo do Porto, é possível voar até Bratislava (a capital da Eslováquia fica apenas a 65 quilómetros de Viena e há transferes regulares entre as duas cidades) com a Ryanair. Uma viagem de ida e volta entre Porto e Bratislava, com escala em Girona, pode custar menos de 90 €.

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Onde ficar

Onde ficar

A capital da Áustria tem um parque hoteleiro absolutamente sobredesenvolvido que inclui hotéis sumptuosos (o Imperial e o Sacher, com tarifas absolutamente à altura da fama, mas também do proveito: podemos nunca ter lá ficado mas é provável que conheçamos estes nomes de qualquer lado, porque tanto um como o outro deram o nome a bolos emblemáticos da doçaria vienense) e uma série de novos design hotels mais ou menos acessíveis.

Menos acessíveis: The Levante Parliament, a partir de 286 €, Do&Co, a partir de 225 € (mas mesmo em frente à catedral) e Das Triest, criação do guru Terence Conran com duplos a partir dos 273 €. Mais acessíveis: o Hollman Beletage Design and Boutique Hotel (140 €) e a nossa escolha, o primeiro design hotel de Viena para o segmento low cost. O Roomz não fica exactamente no centro da cidade, mas está a um minuto da paragem de metro mais próxima (Gasometer) e a dez da catedral. Os quartos e o serviço são impecáveis - e, a 59 €, também gostamos muito do preço. Aqui fica uma selecção de outros hotéis em Viena.

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Restaurantes

Restaurantes

Pergunta difícil, mas pelos bons motivos. Viena tem cada vez mais restaurantes cada vez mais internacionais. À hora do almoço, o melhor sítio para a volta ao mundo é o Naschmarkt (o mercado central da cidade foi construído em cima do rio, entretanto canalizado): azeitonas gregas, queijos italianos, noodles chineses, café e bolinhos turcos, caris indianos, vinagres austríacos, vinhos franceses e frutas tropicais, para comer ali mesmo (nas bancas ou num dos restaurantes envidraçados do mercado) ou levar para um piquenique no parque.

Comer na rua faz, de resto, parte da experiência de estar em Viena: as roulottes de salsichas são os restaurantes mais democráticos da cidade e não necessariamente os mais básicos. Não existe propriamente uma lista, mas é preciso escolher, porque há vários tipos de salsichas - normais, brancas, picantes, fumadas, com queijo, com caril - e vários tipos de mostardas.

Se estiver demasiado mau tempo para isso, os cafés dão um óptimo plano B: por 12 €, comeu-se uma wiener schnitzel (o escalope panado é a comfort food favorita dos vienenses, logo a seguir às salsichas), bebeu vinho a copo e leu toda a imprensa internacional que conseguiu em 70 minutos. Temos uma preferência pelo ambiente anacrónico do Café Bräunerhof (sim, o cavalheiro da mesa do lado vai desejar bom apetite e vamos achar que estamos nos anos 50), e não é só por ter sido a segunda casa de Thomas Bernhard, mas também gostamos muito do Kleines Café (minúsculo e acanhadinho lá dentro, mas com vista e esplanada para a praça mais bonita de Viena, a Franziskanerplatz), e não é só porque o dono já foi um actor do Fassbinder.

As sanduíches do Buffet Trzesniewski (outro sítio fora do tempo: o Franz Kafka comia aqui) também são obrigatórias (tamanho XS mas custam 90 cêntimos e assim somos forçados a experimentar várias: a amostra em www.trzesniewski.at dá para ter uma ideia), e mesmo em frente está um daqueles restaurantes tradicionais (o inferno dos vegetarianos) que o centro de Viena começa a deixar de ter, o Reinthaller's Beisl.

Nos arredores da cidade, é mais fácil estar perto dessa cozinha sem artifícios: nas aldeias vinhateiras das vizinhanças da capital há dezenas de Heurige (tabernas autorizadas, por um decreto imperial de 1874, a vender o vinho novo) com salas quentes no Inverno e pátios com sombra no Verão. Além do vinho da casa em todos os seus estados, servem-se intermináveis travessas com carne de porco e de frango, saladas, purés e vegetais gratinados: foi assim no Wieninger, onde passámos uma noite assassina. O Österreicher im MAK (outro checkpoint da nova Viena: é o novo restaurante do chef Helmut Österreicher num espaço fabuloso do Museu de Artes Aplicadas) é a versão contemporânea da taberna tradicional: o mesmo menu-base, mas com voltefaces imprevisíveis. Menu à vista em www.oesterreicherimmak.at.

Depois disto tudo ainda vamos ter o desplante de falar de sobremesas, mas tem mesmo de ser: é criminoso passar sem uma Sachertorte no hotel onde ela foi inventada, em 1832, e é criminoso não ir ao Demel (uma instituição: os bolos dos Habsburgos eram fabricados aqui) provar os Strudel de maçã, queijo e sementes de papoila (a Dobostorte e a Esterházytorte também são especialmente boas aqui). Mas, pensando bem, também é criminoso ir.

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Informações úteis na internet

Na Internet

Para obter detalhes adicionais sobre a capital austríaca, visite o site oficial do Turismo da Áustria.