Visitar Paris: o que fazer num roteiro de 3, 4 e 5 dias

Por Filipe Morato Gomes
O que fazer em Paris, França
Vista do museu do Louvre, um dos pontos altos deste roteiro para visitar Paris

Se está a pensar visitar Paris, a majestosa Cidade Luz — a cidade do amor, da arte, da música, da poesia e do vinho —, talvez sinta o mesmo que eu senti quando comecei a planear o que fazer em Paris. Um prazer imenso em calcorrear as ruas da capital francesa, saboreando cada minuto disponível para explorar a cidade com calma. Mas, o que visitar em Paris em 3, 4 e 5 dias? É disso que se trata este completíssimo guia.

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Dica: se vai visitar o Paris, não se esqueça de fazer um bom seguro de viagem.

Visitar Paris: introdução

Praça na região de Beauborg, Paris
Praça na região de Beauborg, Paris

Por onde começar? Há tantos lugares icónicos, tanta beleza condensada nas ruas e nos monumentos, no interior de palácios, igrejas e museus que não é fácil montar um roteiro para visitar Paris em 3, 4 ou 5 dias. Mas Paris é a cidade perfeita para flanar (o verbo, claro, tinha de ser inventado pelos franceses…), passear sem destino — nas margens do Sena, na esplanada do Trocadéro, no bairro de Marais, nas escadarias de Montmartre. E isso minimiza as dúvidas, pela certeza de que, onde quer que vá, estará sempre bem — encontrará sempre algo que valha a pena visitar em Paris.

Pode, por isso, tornar-se avassalador pensar em como encaixar tantos pontos de interesse numa só visita à capital francesa. Há muito o que ver e fazer num roteiro para visitar Paris, pelo que, inevitavelmente, terá de fazer opções. E posso desde já sugerir evitar a obsessão de tentar ir a todos os museus e visitar todas as atrações de Paris. Permita-se ter tempo para absorver a atmosfera parisiense e abusar, sem culpa, do verbo flanar.

Partilho então um roteiro para visitar Paris tendo por base uma lista com o que fazer em Paris em 3, 4 e 5 dias — na esperança de que sirva de inspiração para a sua viagem. Encare então esta lista com o que visitar em Paris como uma base para montar o seu próprio itinerário na capital francesa. Vamos a isso.

O que fazer em Paris? Roteiro com o que visitar

Marché Couvert des Enfants Rouges

O que visitar em Paris: Marché Couvert des Enfants Rouges
Marché Couvert des Enfants Rouges, Paris

O Marché des Enfants Rouges é um dos mercados mais antigos de Paris, e é uma pequena jóia a não negligenciar quando planear o que fazer em Paris. Foi fundado em 1615 e deve o nome a um antigo orfanato que existia nas proximidades e cujas crianças vestiam de vermelho, símbolo de caridade.

Hoje em dia, este mercado coberto é um espaço vibrante onde se misturam aromas, línguas e cozinhas do mundo: entre estruturas metálicas e vigas antigas, percorrem-se bancas que vão do cuscuz marroquino à doçaria italiana, num convite constante à descoberta.

Marché Couvert des Enfants Rouges, Paris
Mercado de comida em Paris

O melhor é chegar cedo, quando ainda há espaço para observar e conversar, ou ficar para um almoço demorado, entre habituais e histórias que se trocam com a mesma generosidade dos pratos. A visitar.

Explorar o bairro Le Marais

O que fazer em Paris: visitar bairro Marais
Caminhando pelo bairro Le Marais, em Paris

O bairro Le Marais é um dos mais famosos e visitados de Paris. Nascido de terrenos pantanosos — de onde vem o seu nome —, o bairro transformou-se ao longo dos séculos num palco de ostentação aristocrática, marcado por hôtels particuliers e um gosto apurado pelo detalhe.

O apogeu do bairro Le Marais chegou no século XVII, quando ali se concentrou a nata parisiense. Mas, como em tantos bons romances, a elite acabou por partir, abrindo espaço a artesãos, comerciantes e trabalhadores, que lhe deram uma nova vida e uma atmosfera profundamente diferente. E é este novo Le Marais que eu tanto adoro percorrer quando vou visitar Paris.

Hoje, o Marais é uma verdadeira manta de retalhos: comunidades judaicas no século XIX, populações chinesas após a Primeira Guerra Mundial, e uma forte presença LGBTQI+ a partir da segunda metade do século XX foram moldando o bairro com novas camadas de identidade.

Visitar Marais, Paris
Esplanada no bairro Marais, Paris

A verdade é que o Le Marais permite múltiplos percursos dentro de si mesmo. É um bairro particularmente generoso para quem gosta de organizar caminhadas por temas: pode seguir um circuito judaico, chinês, de galerias ou até dos antigos relojoeiros — basta escolher um fio condutor e deixar-se levar. Quanto a mim, fiel ao que mais me apraz tanto nas cidades como nas aldeias, fui simplesmente deambulando entre espaços criativos, esplanadas e cafetarias.

Quanto aos limites do bairro, permanecem difusos e debatidos — geralmente situados entre o 3.º e o 4.º arrondissement, abrangendo zonas que se estendem até ícones como a Catedral de Notre-Dame —, mas nunca totalmente consensuais. Consensual é a opinião de que a experiência de deambular pelas suas ruas tem mesmo de estar incluída no seu roteiro para visitar Paris. Vá com tempo, e não deixe de conhecer lugares como a Place des Vosges.

Place des Vosges

Place des Vosges, Paris
Fim de tarde na Place des Vosges, Paris

Situada no coração do Marais, a Place des Vosges é uma das praças mais antigas e emblemáticas de Paris. Ao longo da sua história, teve vários fases, mas ainda hoje se mantem como um espaço elegante e harmonioso, rodeado por edifícios simétricos e jardins cuidados.

Para além da sua beleza – sublinho a serenidade que ali senti num agradável final de tarde -, a Place des Vosges destaca-se também pelo seu peso cultural: foi morada de várias celebridades, entre os quais Victor Hugo, autor do inesquecível Os Miseráveis. A sua antiga residência foi transformada numa casa-museu aberta ao público.

Museu Picasso

Edifício do Museu Picasso Paris
Edifício do Museu Picasso, em Paris

Instalado no elegante Hôtel Salé, um palacete barroco do século XVII no coração do Le Marais, o Musée National Picasso-Paris é muito mais do que um espaço expositivo. Na verdade, parece ser um lugar onde se sente a respiração criativa de Pablo Picasso.

Paris o que fazer: Visitar Museu Picasso
Turista no Museu Picasso, em Paris

A coleção — com milhares de obras entre pinturas, esculturas, desenhos e arquivos pessoais — percorre, de forma sensível, o trajeto do artista passando por todas as suas fases. Dos tons melancólicos dos períodos Azul e Rosa à rutura do cubismo, revelando não apenas as obras acabadas mas também os ensaios, dúvidas e processos que moldaram o seu génio. Se é apreciador de arte, não deixe de incluir o Museu Picasso na sua lista com o que fazer em Paris.

Catedral de Notre-Dame de Paris

Catedral Notre-Dame de Paris
Nave central da Catedral Notre-Dame de Paris

A visita à Catedral de Notre-Dame (em francês, Cathédrale Notre-Dame de Paris) é também obrigatória no seu roteiro para visitar Paris. Pela localização privilegiada, na Île de la Cité, rodeada pelo Sena; pelo simbolismo que encerra — quem nunca ouviu falar de Quasimodo e não se emocionou com a sua história? —; e até pela comoção mundial que provocou o incêndio de 2019, quando as imagens em direto mostraram o telhado a arder e os pináculos a ruírem perante a impotência geral. A catedral foi entretanto recuperada e reabriu ao público em 2024, voltando a receber milhares de visitantes diários, que continuam a impressionar-se com o seu esplendor.

Eu fui logo nas primeiras horas da manhã, para evitar as filas que crescem ao longo do dia. A entrada é gratuita, mas raramente se faz sem espera — a não ser, claro, que vá na abertura. Foi o que eu fiz e posso dizer que vale a pena o sacrifício de acordar cedo e ver Paris amanhecer.

Visitar Paris: Catedral Notre-Dame
Pormenor da Catedral Notre-Dame

No que toca à minha visita à Catedral Notre-Dame, tenho a dizer que, entrando num edifício feito de pedra, maciço e ancestral, esperava de certa forma peso, penumbra, recolhimento e reflexão. Mas o que encontrei foi claridade. Luz, muita luz filtrada pelas janelas altas a escorrer pelas paredes e a diluir a imponência das formas.

A escala é imensa — 127 metros de comprimento, 48 de largura e 35 de altura —, mas não oprime; pelo contrário, eleva. As colunas robustas da nave, lisas e verticais, conduzem o olhar lá para cima, para o local onde as abóbadas parecem suspender-se no ar. Enquanto isso, as arcadas e galerias laterais abrem-se em camadas, deixando entrar ainda mais luz na Catedral Notre-Dame. É, como digo, imperdível em qualquer seleção de coisas a visitar em Paris. Tal como a vizinha Sainte-Chapelle…

Sainte-Chapelle

O que fazer em Paris: visitar Sainte-Chapelle
A Sainte-Chapelle é uma das mais visitadas atrações de Paris

A poucos passos da Catedral de Notre-Dame, a visita à Sainte-Chapelle é igualmente incontornável — e não, não é “mais do mesmo”. Apesar de ambas serem obras-primas do gótico, o deslumbramento assume aqui outra forma. Se Notre-Dame impressiona pela escala e pela arquitetura, a Sainte-Chapelle deslumbra pelos seus vitrais e pelo ambiente acolhedor.

Erguida no século XIII, durante o reinado de Luís IX de França, o edifício da Sainte-Chapelle quase parece dissolver-se em cor, com os seus 15 vitrais monumentais e a extraordinária rosácea do Apocalipse.

Vitrais da Sainte-Chapelle
Pormenor dos vitrais da Sainte-Chapelle

Dentro da capela, a sensação é difícil de traduzir em palavras. É como se tivesse entrado num espaço suspenso, quase irreal. A capela foi concebida como um grandioso relicário, destinado a guardar preciosas relíquias da Paixão de Cristo, como a Coroa de Espinhos e fragmentos da Verdadeira Cruz, fazendo deste lugar não apenas um prodígio artístico, mas também um poderoso símbolo espiritual. Se vai visitar Paris em breve, já sabe o que fazer logo depois de visitar a Catedral de Notre-Dame.

Flanar pelo Quartier Latin

Visitar Quartier Latin
Quartier Latin, um dos mais interessantes bairros de Paris

O Quartier Latin é um dos mais emblemáticos bairros de Paris. Define-se pela atmosfera que cultiva desde a Idade Média, quando o latim dominava o ensino e a vida académica — origem do nome que Jean-Louis Guez de Balzac popularizou ao referir-se a este território como o “pays latin”. As suas fronteiras são difusas, mas isso pouco importa.

Situado na margem esquerda do Sena, com a Universidade de Paris — a Sorbonne — no seu centro simbólico, o bairro cresceu ao ritmo da vida universitária e mantém até hoje essa identidade profundamente intelectual.

Séculos depois, essa energia continua intacta, agora misturada com uma vivência mais diversa e quotidiana. Pelas ruas estreitas, de traçado medieval, cruzam-se estudantes, professores, livreiros, turistas e habitantes, num equilíbrio entre o erudito e o boémio. Onde antes se reuniam filósofos existencialistas e se sonhavam revoluções, há hoje cafés, livrarias e cinemas que preservam esse espírito inquieto, fazendo do Quartier Latin um lugar onde o pensamento e a vida continuam a caminhar lado a lado. Um dos meus lugares favoritos em Paris.

Subir à Torre Montparnasse

Torre Montparnasse
A cidade de Paris vista a partir do topo da Torre Montparnasse

A Torre Montparnasse, inaugurada em 1973, continua a ser uma presença singular no horizonte parisiense — durante anos, o edifício mais alto da cidade e uma alternativa à Torre Eiffel para quem procura uma vista panorâmica sobre o “mar urbano” de Paris.

Construída sobre uma das estações ferroviárias mais movimentadas da capital, a torre afirma-se como um marco da modernidade num cenário dominado pela arquitetura histórica. No topo, o seu observatório tornou-se um dos miradouros mais procurados, já visitado por milhões de pessoas, graças à vista de 360 graus que permite reconhecer a cidade em toda a sua extensão.

PS – A experiência de subida é simples e generosa: o acesso inclui a galeria panorâmica interior, no 56.º andar, e, sempre que possível, o terraço ao ar livre, onde Paris se revela sem filtros. Desde abril de 2026 que as visitas estão suspensas por conta de obras de reabilitação que se estimam poder durar vários anos. Quando reabrir, vá preparado para o vento.

Igreja de São Suplício

Igreja de São Suplício Paris
Igreja de São Suplício, em Paris

A Igreja de Saint-Sulpice, no coração de Saint-Germain-des-Prés, é uma visita que muitas vezes passa injustamente despercebida. Foi construída no século XVII, sobre fundações bem mais antigas, e é uma das maiores igrejas de Paris. Chegou, aliás, a assumir um papel central durante o encerramento da Catedral de Notre-Dame, após o incêndio de 2019.

A imponência da nave, a elegância da fachada com as duas torres assimétricas e a atmosfera mais serena, mais longe das multidões, fazem dela um contraponto perfeito a outros monumentos de Paris mais visitados. Talvez os fãs do filme O Código Da Vinci lhe reconheçam a atmosfera, já que muitas cenas do filme foram ali gravadas.

No interior, a descoberta faz-se em camadas: das pinturas monumentais de Eugène Delacroix na Capela dos Santos Anjos ao grande órgão de Aristide Cavaillé-Coll, passando pelo curioso gnómon — uma linha meridiana em latão que atravessa o espaço e servia para observações astronómicas.

Uma nota final para o facto da igreja estar a ser cuidadosamente restaurada, revelando frescos, esculturas e detalhes que estavam escondidos pelo tempo.

Museu Rodin

Roteiro para visitar Paris: Museu Rodin
Interior do Museu Rodin, Paris

O Musée Rodin é um local imperdível num bom plano com o que fazer em Paris, e não apenas para quem gosta de escultura. Para além de um percurso claro pela obra de Auguste Rodin, a casa onde hoje funciona o Musée Rodin — o Hôtel Biron — é quase tão importante quanto as obras que guarda.

Trata-se de um elegante hôtel particulier do início do século XVIII, construído por volta de 1727 para um alto funcionário da corte de Luís XV de França. Ao longo do século XIX, o edifício teve usos muito diferentes, e consta que chegou mesmo a ser uma escola religiosa que, depois da separação entre Igreja e Estado em França, ficou praticamente abandonado.

Reza a história que foi então ocupado por artistas — entre eles Auguste Rodin e Henri Matisse — atraídos pelas rendas baixas e pela luz dos grandes salões. Rodin instalou ali o seu ateliê em 1908 e acabou por se afeiçoar profundamente ao espaço.

Aliás, foi o próprio escultor quem salvou o edifício, quando em 1916 doou ao Estado francês grande parte da sua obra com a condição de que o Hôtel Biron se tornasse um museu dedicado ao seu trabalho. Hoje, a casa mantém muito dessa atmosfera original, com salas amplas, soalhos de madeira e luz natural abundante, criando uma relação muito direta entre arquitetura, jardim e escultura. A visitar!

Ponte das Artes

Roteiro para visitar Paris: Ponte das Artes
Ponte das Artes, Paris

A Pont des Arts é uma passarela pedonal que cruza o Sena, construída entre 1801 e 1804 por ordem de Napoleão Bonaparte. Dela se diz ser a primeira ponte metálica de Paris.

Na sua forma original, evocava um jardim suspenso, com arbustos e flores, pensado para o passeio e a contemplação. Mas, ao longo do século XX, terá sofrido danos significativos que levaram à sua reconstrução integral entre 1981 e 1984. O desenho manteve-se fiel ao original, embora com menos arcos e materiais mais resistentes. Hoje, com a sua estrutura leve de aço e linhas depuradas, continua a ser um dos atravessamentos mais elegantes da cidade sobre o Rio Sena. Facilmente a cruzará durante o seu roteiro para visitar Paris, até pela proximidade com o Museu do Louvre.

Infelizmente, a ponte ganhou notoriedade mundial à custa de uma moda que rapidamente se revelou problemática: os cadeados presos nas grades como símbolo de amor eterno. O gesto multiplicou-se até atingir uma escala insustentável — estimavam-se mais de um milhão de cadeados com um peso total superior a 50 toneladas. Em 2014, parte da balaustrada cedeu sob essa carga, e a cidade de Paris viu-se forçada a intervir. Os cadeados foram removidos e as grades substituídas por painéis de vidro para evitar essa prática.

Ou seja, a Ponte das Artes de Paris pode ter perdido o charme de outrora, mas continuo a crer que vale a pena atravessá-la e ficar a conhecer este ícone histórico de Paris.

Jardim das Tulherias

O que visitar em Paris: Jardim das Tulherias
Jardim das Tulherias, em Paris

Porventura fruto da sua localização privilegiada entre a Praça da Concórdia e o Museu do Louvre, os Jardins das Tulherias são um dos espaços verdes mais bonitos e visitados de Paris. Foram criados por iniciativa de Catarina de Médicis junto ao antigo Palácio das Tulherias.

Ao que consta, em 1664 o arquiteto André Le Nôtre — responsável também pelos jardins de Versalhes — redesenhou o espaço segundo o modelo do jardim francês: formal, simétrico e pontuado por estátuas ornamentais, transformando-o num verdadeiro ex-líbris da cidade.

Hoje, as Tulherias deixaram de ser o cenário reservado às elites e tornaram-se um jardim público, aberto a todos. Entre alamedas, lagos e esculturas, parisienses e visitantes ali encontram um refúgio tranquilo no coração da cidade. A própria Câmara de Paris contribuiu para essa vocação, espalhando pelo jardim as icónicas cadeiras metálicas, que convidam a sentar, apanhar sol e simplesmente desfrutar da paisagem. É perfeito para relaxar durante o seu roteiro em Paris.

Museu do Louvre

Visitar Museu do Louvre, Paris
Vista do Museu do Louvre, Paris

Situado na margem direita do Rio Sena, no 1.º arrondissement, o icónico Museu do Louvre é incontornável em qualquer visita a Paris. Reúne cerca de 38 mil obras que atravessam períodos da pré-história ao século XXI, distribuídas por mais de 72 mil metros quadrados de exposição.

É, também, um dos maiores museus do mundo (atrás do Grande Museu Egípcio) e o mais visitado do planeta — mesmo que boa parte dos visitantes entre apenas com o propósito de ver a Mona Lisa, um dos mais famosos trabalhos de Leonardo da Vinci. Dito isto, os apreciadores de arte teriam de despender vários dias de visita para apreciar todas as obras expostas no museu.

Eu, pela minha parte, diria que nem oito nem oitenta. Veja as obras mais emblemáticas, claro está, mas não deixe de visitar o museu com calma e de explorar algumas das outras coleções.

Turistas no Museu do Louvre, Paris
Turistas diante do retrato de Gioconda (Mona Lisa) no Museu do Louvre, Paris

Nota final para as atuais pirâmides que servem de entrada ao museu, inauguradas em 1989. A obra foi projetada pelo arquiteto sino-americano I. M. Pei (também responsável pela conceção do Museu Miho, no Japão), com o objetivo de bem acolher os milhares de visitantes diários. E a verdade é que, a par da Mona Lisa, a estrutura é hoje em dia uma das imagens de marca do Museu do Louvre.

Bilhete e visita guiada ao Museu do Louvre

Centre Pompidou

Centre Pompidou Paris
Pormenor da icónica fachada do Centre Pompidou

Quem aprecia arte contemporânea sabe que há o MoMA, em Nova Iorque, e o Centro Georges Pompidou, em Paris. Há, ou melhor, havia. O icónico museu parisiense, conhecido pelas suas tubagens coloridas no exterior, vai estar encerrado durante vários anos para obras de renovação profunda. Quem quiser apreciar as suas obras terá de as procurar noutros espaços onde parte da coleção foi temporariamente exibida, como o Museu de Arte Moderna de Paris.

Ainda assim, recomendo uma passagem por este emblemático museu para contemplar a sua impactante fachada. Vale sempre a pena, até porque ao lado fica a Praça Stravinsky e sua fonte.

O prazo previsto para a reabertura do Centre Pompidou é 2030.

Fonte Stravinsky

Fonte Stravinsky, Paris
Fonte Stravinsky, Paris

Bem ao lado do centro Georges Pompidou, na Praça Stravinsky, há uma fonte pública que se notabilizou pela forma e pelo conteúdo. Trata-se da Fonte Stravinsky, uma homenagem ao músico com o mesmo nome.

Criada em 1983 pelos artistas Jean Tinguely e Niki de Saint Phalle, a obra presta tributo ao compositor Igor Stravinsky através de dezasseis esculturas que se movem e lançam jatos de água, evocando diferentes peças e temas da sua música. As estruturas mecânicas negras de Tinguely contrastam com as formas coloridas e exuberantes de Saint Phalle, criando um conjunto dinâmico, simultaneamente caótico e festivo.

Esta fonte fez parte de um programa municipal lançado nos anos 1970 para renovar o espaço urbano e introduzir arte contemporânea no espaço público, numa altura em que a zona de Les Halles era profundamente reconfigurada. Hoje, continua a ser um ponto de encontro vibrante e uma das intervenções artísticas mais marcantes da cidade.

Dica Alma de Viajante. Caso aprecie o trabalho de de Jean Tinguely veja também o artigo sobre o que fazer em Basileia, que alberga o Museu Tinguely e várias obras do artista.

Passagem do Grand Cerf

Roteiro Paris: visitar Passagem do Grand Cerf
Manhã cedo na Passagem do Grand Cerf, Paris

O nome deve-se a um antigo hotel, o Grand Cerf, que ali existia para abrigar condutores de diligências. Em 1825, transformou-se numa elegante galeria comercial com quase 12 metros de altura. Esta passagem é, de facto, uma das mais altas de Paris, com um característico teto de vidro sustentado por estruturas metálicas, que inunda o espaço de luz natural.

Hoje, continua a ser uma das passagens mais encantadoras da cidade, ligando a Rue Saint-Denis à Rue Dussoubs e convidando a um passeio entre boutiques de artesanato, joalharia, design e lojas especializadas, num ambiente que mistura história, arquitetura e um certo charme parisiense difícil de replicar. Se procura o que visitar em Paris longe das multidões tem aqui uma bela sugestão.

Galeria Vivienne

Visitar Paris em 5 dias: Galeria de Vivienne
Galeria Vivienne, em Paris

Continuando a falar em passagens cobertas transformadas em galerias, vale a pena referir a Galerie Vivienne, outra das mais elegantes galerias de Paris. Fica bem perto do Palais-Royal.

Inaugurada em 1826 e projetada pelo arquiteto François-Jacques Delannoy, a Galeria Vivienne distingue-se pela sua arquitetura neoclássica, com arcadas harmoniosas, pavimentos em mosaico ricamente decorados e um típico teto envidraçado. Com cerca de 176 metros de comprimento, rapidamente se afirmou como um espaço de comércio refinado, reunindo livreiros, alfaiates, sapateiros e outras lojas de qualidade, num ambiente que refletia o requinte da vida parisiense do século XIX.

Dica Alma de Viajante. Se gosta deste tipo de recantos, conheça também a Passagem Panorama.

Ópera de Paris

Ópera de Paris
Exterior do edifício da Ópera de Paris

Monumental. Assombrosa. A Ópera Garnier, ou Ópera de Paris, é um edifício deslumbrante, uma obra-prima da arquitetura do seu tempo. A primeira pedra foi colocada em 1861, sendo o 13.º edifício a acolher a Ópera de Paris, fundada em 1669 por Luís XIV, o Rei Sol. O palácio era comummente conhecido apenas como Ópera de Paris, mas, após a inauguração da Ópera da Bastilha, em 1989, passou a designar-se Ópera Garnier.

Trata-se de um edifício majestoso, com mais de 11 mil metros quadrados de área e um palco imenso, capaz de acomodar até 450 artistas. O edifício é ricamente ornamentado, com frisos de mármores multicoloridos, colunas e estátuas. O interior é igualmente opulento, marcado pelo veludo e pelas folhas de ouro. O candelabro central do salão principal pesa mais de seis toneladas, e o teto foi novamente pintado em 1964 por Marc Chagall.

Ópera de Paris
A Ópera de Paris é um edifício a todos os títulos notável

Dito isto, quando visitar Paris e decidir conhecer o edifício da Ópera Garnier prepare-se para dar de caras com dezenas de produtoras de conteúdos a posar para a foto na escadaria e varandins dentro dos seus vestidos esvoaçantes e saltos altos. É um pouco irritante, confesso, esta cultura do eu nos sítios, mas não há muito a fazer. Tempos modernos…

Muitas vezes, e sem aviso prévio, o auditório encontra-se encerrado para ensaios. Compreensivelmente, os artistas têm prioridade, mas é desagradável chegar à Ópera de Paris e descobrir que não se pode visitar o auditório. Infelizmente não há forma de saber com antecedência na hora de comprar bilhete. Disse-me um funcionário que nem eles sabem: às vezes está tudo aberto e de repente ouve-se um sinal que significa que o auditório tem de ser fechado imediatamente.

Galerias Lafayette

Cúpula art nouveau das Galerias Lafayette, Paris
Cúpula art nouveau das Galerias Lafayette

Fundadas em 1894 pelos primos Théophile Bader e Alphonse Kahn, as Galeries Lafayette nasceram com a ambição de democratizar o acesso ao melhor da criação e do comércio. Mais de um século depois, continuam a ser um dos grandes símbolos do “art de vivre” francês, mantendo a sua identidade familiar e uma forte capacidade de inovação.

Instaladas no coração de Paris, as Galeries Lafayette Haussmann reunem inúmeras marcas e recebem anualmente milhões de visitantes — não apenas para fazer compras, mas também para viver uma experiência que cruza moda, cultura e arquitetura.

E é precisamente essa dimensão arquitetónica que explica grande parte do seu magnetismo. A célebre cúpula central, em estilo Art Nouveau, transforma o espaço num verdadeiro espetáculo visual, capaz de atrair até quem, como eu, não entra ali com intenções de fazer compras. Há algo de quase hipnótico na forma como a luz atravessa o vitral e se espalha pelo edifício. Não fora a profusão de bancas comerciais, e o espaço seria ainda mais agradável…

Palais de Tokyo (Museu de Arte Contemporânea)

O Palais de Tokyo, em Paris, é hoje um dos espaços mais vibrantes da criação contemporânea europeia. Depois de uma reabilitação integral em 2012, tornou-se um dos maiores centros de arte contemporânea da Europa, assumindo-se como “uma plataforma aberta à experimentação e à descoberta de novos artistas”.

Construído para a Exposição Internacional de 1937, o edifício foi inicialmente pensado para albergar dois museus distintos: o Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, ainda hoje na ala leste, e o então Museu Nacional de Arte Moderna, na ala oeste. É precisamente esta ala — sujeita a múltiplas transformações ao longo das décadas — que viria a dar origem ao atual Palais de Tokyo. Hoje, mais do que um museu tradicional, é um espaço em constante mutação, dedicado à arte contemporânea e à liberdade criativa. A visitar, especialmente se ficar em Paris pelo menos 4 ou 5 dias.

Grand Palais de Paris

Grand Palais, Paris
Grand Palais, Paris

Está inscrito nos frontões do edifício e não deixa margem para dúvidas: o Grand Palais foi um palácio concebido como um “monumento consagrado à glória da arte francesa”. Desde a sua origem até aos dias de hoje acolhe exposições, concertos e até — pasme-se! — competições equestres.

O Grand Palais foi erguido entre 1897 e 1900 para a Exposição Universal de 1900, e distingue-se pela “arquitetura eclética de inspiração Beaux-Arts”, um estilo muito parisiense visível na riqueza ornamental das fachadas e, sobretudo, na impressionante nave coberta por vidro e estrutura metálica, que inunda o interior de luz natural.

Para mim, é essa abóboda central de ferro e vidro a grande atração do edifício.

Petit Palais

Escadaria do Petit Palais, Paris
Escadaria do Petit Palais, Paris

Pensados para substituir o antigo Palais de l’Industrie, o Grand Palais e o Petit Palais foram erguidos em lados opostos da avenida que conduz à Ponte Alexandre III, também inaugurada para a Exposição Universal de 1900.

Ora, ao contrário de muitas construções efémeras desse evento, estes dois edifícios foram concebidos de raiz para perdurar e estruturar um novo eixo monumental da cidade. E os nomes refletem simplesmente a escala e a função de cada um. O Grand Palais foi pensado para acolher grandes eventos e exposições, enquanto o Petit Palais, mais intimista, nasceu como museu de belas-artes com coleção permanente.

O que fazer em Paris: Petit Palais
Exposições gratuitas no Petit Palais de Paris

O Petit Palais inaugurou a 11 de dezembro de 1902 e cedo se destacou pela riqueza da sua decoração. No interior, sobressaem as pinturas murais, a expressiva ornamentação escultórica — com figuras alegóricas, bustos e relevos — e os elegantes elementos em ferro forjado, particularmente visíveis no portão de entrada e nas escadarias. A estes juntam-se vitrais, mosaicos e pavimentos em pedras nobres, compondo um conjunto de grande imponência que reflete o ideal artístico e decorativo da época.

Para quem está a visitar Paris e pretende um roteiro um pouco além do óbvio, eu diria que o Petit Palais é de visita obrigatória. Gostei muito.

Ponte Alexandre III

Ponte Alexandre III
Pormenor da Ponte Alexandre III

A Ponte Alexandre III é outra das travessias mais emblemáticas do Rio Sena, ligando a zona dos Campos Elísios aos Invalides, com uma vista aberta e privilegiada sobre a Torre Eiffel. Construída entre 1896 e 1900, no contexto da Exposição Universal de 1900, deve o seu nome ao czar Alexandre III, celebrando a aliança franco-russa, e foi inaugurada pelo seu filho, Nicolau II.

Integrada no conjunto monumental que inclui o Grand Palais e o Petit Palais, a ponte destaca-se pelo estilo Beaux-Arts e pela sua elegância cenográfica. Mais do que uma simples ponte, é uma obra de engenharia e decoração pensada ao detalhe.

Ponte Alexandre III, Paris
Fotógrafa de rua na Ponte Alexandre III

Assim, a estrutura metálica serve de base a uma exuberante ornamentação, onde se destacam os candeeiros Art Nouveau, as figuras de ninfas, os cavalos alados e os quatro pilares com esculturas douradas no topo.

Atualmente, há também inúmeros artistas a oferecer os seus serviços, nomeadamente fotografias impressas em papeis a simular jornais antigos. Uma recordação para turistas de todo o mundo que ao longo do ano decidem visitar Paris.

Museu d’Orsay

O que fazer em Paris: visitar Museu d'Orsay
O Museu d’Orsay está instalado numa antiga estação de caminho-de-ferro, em Paris

É normal que, ao chegar a uma cidade como Paris, o visitante se sinta assoberbado com tamanho manancial de propostas de exposições, galerias e museus para uma hipotética lista com o que fazer em Paris. “É impossível ir a tudo, como escolher?”

Tomo pois a liberdade de lhe facilitar a tarefa dizendo que, se só tiver tempo e disponibilidade mental para ver um museu no seu roteiro em Paris, que o eleito seja o Museu d’Orsay.

Pessoalmente, gosto de tudo neste museu. Da localização, junto ao Sena, ao próprio edifício, uma antiga estação de caminhos de ferro transformada em espaço expositivo, passando pela coleção de obras que reúne nomes como Van Gogh, Cézanne, Degas, Maurice Denis e Odilon Redon. É único.

Van Gogh, Museu d'Orsay
Auto-retrato de Van Gogh, no Museu d’Orsay de Paris

Em concreto, as obras do Museu d’Orsay estão organizadas em galerias de percurso intuitivo, o que facilita a visita e permite explorar grande parte do acervo sem se cansar. A entrada faz-se pelo impressionante salão central da antiga estação ferroviária, um espaço monumental marcado por esculturas, um relógio icónico e uma cobertura envidraçada que cria um impacto imediato.

A partir daí, múltiplas galerias laterais, distribuídas por dois níveis, vão revelando obras de grande relevância, num percurso relativamente compacto e fluído. É, digamos assim, o oposto da vastidão quase labiríntica de outros museus igualmente imperdíveis como o Louvre.

Comprar ingresso para o Museu d’Orsay

Passear nas margens do Rio Sena

Visitar Paris: rio Sena
Caminhar ao longo do Rio Sena é sempre um enorme prazer

As margens do Rio Sena estão classificadas como Património Mundial pela UNESCO desde 1991 e são, na verdade, uma parte essencial da identidade de Paris. E um dos seus mais emblemáticos cartões-postais. Entre pontes históricas e edifícios icónicos, é a própria narrativa da cidade que se vai desenhando ao longo do rio, num cenário que serve de pano de fundo não só a filmes e eventos culturais, mas também como espaço de lazer para quem habita em Paris.

Seja para um passeio romântico, fazer desporto, usufruir da natureza ou apreciar exposições e performances, passa-se de tudo um pouco nas margens do Sena. Até dá para fazer praia no verão. Imperdível no seu roteiro com o que fazer em Paris.

Fazer um passeio de Batobus

Batobus Paris
Batobus Paris ©GetYourGuide

Os passeios no rio Sena a bordo do Batobus são uma das formas mais agradáveis de ver Paris com outros olhos — a partir da água. Funcionando como um serviço hop-on hop-off fluvial, os barcos ligam alguns dos pontos mais emblemáticos da cidade, permitindo entrar e sair junto de lugares como a Torre Eiffel, o Museu do Louvre ou Saint-Germain-des-Prés, sem a pressão de seguir um itinerário rígido.

Mas, mais do que a utilidade prática, é a própria viagem que acaba por justificar a experiência: as pontes históricas, os edifícios monumentais e a vida nas margens do Sena sucedem-se lentamente, quase como um filme em movimento.

Dica Alma de Viajante. Apesar de não ser obrigatório, acho prudente comprar o bilhete para o Batobus com antecedência na GetYourGuide. Pode cancelar até 24 horas antes, caso os planos mudem.

Percorrer a pé a Via Verde René-Dumont (Promenade Plantée)

O que fazer em Paris: Trilho René Dumont
Trilho René Dumont, Paris

A Promenade Plantée é um passeio verdejante e surpreendente, a cerca de dez metros acima da rua, que se estende desde a Place de la Bastille até ao Bois de Vincennes. São apenas 5km, mas um percurso pedestre muito, muito agradável.

Pelo caminho, entre tílias, aveleiras, roseiras e trepadeiras revelam-se vistas inesperadas sobre o 12.º arrondissement — num passeio que é, ao mesmo tempo, um refúgio natural e uma viagem pela memória urbana de Paris.

Esta passagem foi inaugurada em 1993 sobre um antigo viaduto ferroviário do século XIX, tida como “a primeira passagem elevada para peões do mundo. Reza a história que o projeto foi inicialmente recebido com ceticismo pelos parisienses, mas que acabaria por se tornar um dos espaços mais queridos da cidade.

Promenade Plantée, Paris
Trilho René Dumont, Paris

Idealizada em 1988 por Philippe Mathieux e Jacques Vergely, a partir de uma linha férrea desativada que ligava a Bastilha a Varenne-Saint-Maur, a Promenade combina hoje em dia trechos de vegetação espontânea com jardins cuidadosamente desenhados.

Há alguns pontos onde se pode aceder a esta via elevada, e um dos viadutos que a sustenta, chamado Viaduc des Arts, tornou-se também um ponto turístico, depois de a Câmara Municipal de Paris ter reabilitado as suas 71 arcadas para acolher artesãos e outros criativos.

Tudo somado, foi para mim uma das grandes surpresas do meu roteiro para visitar Paris. Por isso, se não sabe o que fazer em PAris para além dos museus e atrações principais, não hesite: a Promenade Plantée é um intervalo bem merecido entre quadros e estatuetas.

Passear junto ao Canal St. Martin

Visitar Paris França: Canal St Martin
Canal St. Martin, em Paris

Com cerca de 4,5 km de extensão, o Canal St. Martin atravessa uma das zonas mais vibrantes de Paris, pontuado por eclusas, pontes de ferro e margens arborizadas que convidam a abrandar o passo. Hoje, é um dos refúgios preferidos de parisienses e viajantes, sobretudo na primavera e no verão, quando a luz suave do início da manhã ou do fim de tarde devolve ao canal um charme quase cinematográfico.

Pela minha parte, diria que percorrer as margens do Canal St. Martin proporciona um dos melhores passeios a pé que pode fazer em Paris.

Mercado Les Puces de Saint-Ouen

Mercado Les Puces de Saint-Ouen
Mercado Vernaison, parte integrante do chamado Mercado Les Puces de Saint-Ouen

Procura o que fazer em Paris fora do óbvio? Pois bem, o Marché aux Puces de Saint-Ouen é tido como um dos maiores mercados de antiguidades e artigos em segunda mão do mundo. E eu recomendo vivamente a visita.

Situado a norte de Paris, junto à Porte de Clignancourt, realiza-se aos fins de semana e segundas-feiras, estendendo-se ao longo de sete hectares que abrigam mercados cobertos, ruas comerciais e inúmeras bancas ao ar livre. E cada uma com uma identidade própria.

Mercado Les Puces de Saint-Ouen
Mercado Les Puces de Saint-Ouen

Pode dizer-se que o Marché Vernaison é o berço histórico deste Mercado de Pulgas de Saint-Ouen, onde tudo começou em 1920. Terá sido ali que Romain Vernaison instalou as primeiras barracas de madeira numa zona então conhecida como les 26 arpents, dando origem a um mercado de ambiente quase rural que rapidamente conquistou antiquários, comerciantes e curiosos. Um sucesso que, diga-se, perdura até hoje.

Mercado Les Puces de Saint-Ouen
Mercado Les Puces de Saint-Ouen

Entre antiguidades, mobiliário, roupa ou pequenos achados improváveis, este labirinto vibrante é uma verdadeira mina para quem procura peças únicas — e um retrato autêntico do lado mais popular de Paris. É, sem qualquer dúvida, um dos mercados mais emblemáticos da capital francesa, cuja visita tem mesmo de estar o seu roteiro para visitar Paris.

Note apenas que o mercado não é uma entidade una, tendo muitos mercados dentro do mercado. É andar sem rumo, entrar em becos e ruelas e deixar-se perder…

Arco do Triunfo

Arco do Triunfo, roteiro para visitar Paris
Vista do Arco do Triunfo, Paris

Imponente, massivo, colossal. Mandado construir em 1806, como uma celebração das vitórias militares de Napoleão Bonaparte, após a batalha de Austerlitz, o Arco do Triunfo inspira-se nos arcos triunfais da Roma antiga e impressiona pela sua escala monumental.

Inaugurado em 1836, depois de três décadas de obras marcadas por interrupções e pela morte do arquiteto Jean-François Chalgrin, o monumento guarda gravados os nomes de 158 batalhas e 660 líderes militares. Mas não é tudo. O Arco do Triunfo é também um lugar de memória e homenagem. Aos seus pés encontra-se o Túmulo do Soldado Desconhecido, instalado em 1920, que perpetua a lembrança dos combatentes anónimos. Mas é também possível subir ao topo do arco.

Eu optei por não subir, mas dizem ter belas vistas sobre a Avenida dos Campos Elísios.

Avenue des Champs-Élysées (Campos Elísios)

Avenida dos Campos Elísios, Paris
As principais marcas de luxo marcam presença na avenida dos Campos Elísios, em Paris

Joe Dassin deu a banda sonora perfeita àquela que muitos consideram a mais bela avenida do mundo: a Avenida Champs-Élysées. Eu não concordo com tão desapropriada distinção popular, mas não há dúvidas de que é um ícone parisiense. A avenida estende-se por cerca de 2km, ligando a Praça da Concórdia e o Jardim das Tulherias ao Arco do Triunfo. É bela, icónica e incontornável.

Avenue des Champs-Élysées Paris
Café na luxuosa avenida dos Campos Elísios, em Paris

Faça chuva ou faça sol, passear pela Avenida Champs-Élysées é cruzar-se com inúmeras lojas e boutiques, nem sempre acessíveis a todas as carteiras. É uma avenida de luxo, entre as mais caras da Europa. Ainda assim, atravessá-la e apreciá-la é gratuito e acaba por valer a pena. Mesmo não sendo a minha zona preferida de Paris!

Passear pelo Bairro de Montmartre

Montmartre, Paris
Montmartre, Paris

Ao invés, tenho de confessar que Montmartre é um dos meus bairros preferidos de Paris. O ambiente criativo, boémio e artístico sente-se nas ruas empedradas e nas esplanadas. Montmartre fica numa pequena colina, encimada pela Basílica do Sacré-Cœur, construída onde em tempos os beneditinos produziam vinho. A subida faz-se devagar, entre escadarias, pequenas praças e fachadas cobertas de hera, até que a cidade se abre em miradouros inesperados.

Estação de metro Abbesses, em Montmartre
Estação de metro Abbesses, em Montmartre

Mas é nas ruelas que Montmartre revela o seu verdadeiro encanto: músicos de rua, pintores de cavalete montado e esplanadas cheias de vida recriam o espírito boémio que um dia atraiu nomes como Vincent Van Gogh ou Henri de Toulouse-Lautrec.

Caminhar por ali, com a melodia de Yann Tiersen nos ouvidos, é acreditar que o destino é mesmo fabuloso — honra seja feita a Amélie Poulain. Quase que a conseguia ver a entrar na estação de Metro des Abesses, ou a enfiar as mãos no fundo de um saco de grãos na mercearia de esquina. Se procura o que fazer em Paris num dia de sol, não hesite.

Apreciar os artistas na Place du Tertre

Artista na Place du Tertre, Montmartre
Artista na Place du Tertre, em Montmartre

A Place du Tertre, em Montmartre, é uma espécie de atelier ao ar livre — um espaço onde, além de reunir restaurantes e cafés com mesas na calçada, se pode apreciar o trabalho de cerca de 140 artistas (pintores, retratistas e cartunistas) que ali desenham ao vivo.

Entre cavaletes e telas, a praça mantém vivo o espírito artístico que fez de Montmartre um refúgio de criadores, transformando cada visita num encontro direto com a arte. Imperdível.

Visitar a Basílica do Sacré-Coeur

Paris o que visitar: Basílica de Sacré-Coeur
Pormenor exterior da Basílica do Sacré-Coeur, em Montmartre

A Basílica do Sacré-Coeur é um dos símbolos mais marcantes da cidade e um dos seus locais de peregrinação mais importantes. Dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, esta igreja católica domina o horizonte parisiense e afirma-se não só pela sua dimensão espiritual mas também pela vista privilegiada que oferece sobre Paris. A construção iniciou-se em 1875 e ficou concluída em 1914, sendo consagrada apenas após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Interior da Basílica de Sacré-Coeur, Paris
Interior da Basílica do Sacré-Coeur, Paris

Classificada como Santuário da Adoração Eucarística e da Misericórdia Divina, a basílica pertence e acolhe diariamente milhares de visitantes. De linhas inspiradas na arquitetura romana e bizantina, o edifício apresenta uma planta em cruz grega, coroada por várias cúpulas. Na abside, ergue-se o campanário que alberga um impressionante sino com mais de 26 toneladas.

Mesmo para mim, que não sou uma pessoa religiosa, a visita vale muito a pena. Até porque é possível subir à sua cúpula.

… e subir à sua cúpula

Vista a partir da cúpula da Basílica de Sacré-Coeur, em Paris
Vista a partir da cúpula da Basílica do Sacré-Coeur, em Paris

A cúpula da Basílica do Sagrado Coração é um dos seus maiores atrativos, tanto pela dimensão simbólica como pela experiência que proporciona a quem se aventura a subi-la.

O acesso faz-se por uma escada estreita com cerca de 300 degraus — não há elevador —, num percurso algo exigente, mas que é amplamente recompensador. Lá em cima, abre-se um impressionante panorama de 360 graus sobre Paris, revelando marcos como a Torre Eiffel, o Panteão de Paris, a Torre Montparnasse ou a Catedral de Notre-Dame de Paris.

A subida faz-se pelo exterior da basílica e é paga. Não são aceites reservas antecipadas, pelo que o ingresso deve ser adquirido presencialmente no local.

Torre Eiffel

O que visitar em Paris: Torre Eiffel
Torre Eiffel, principal ícone de Paris

Por ocasião do centenário da Revolução Francesa, em 1889, Paris foi escolhida como a cidade para receber a Exposição Universal. A organização abriu um concurso de projetos para escolher a sua imagem principal: o objetivo era “estudar a possibilidade de erguer no Champ-de-Mars uma torre de ferro, de base quadrada, com 125 metros de lado e 300 metros de altura”. Foram apresentados 107 projetos, e o escolhido foi o de Gustave Eiffel. O resto é história.

Mais de um século depois, aí está ela, a Torre Eiffel, símbolo da cidade, porventura o monumento mais reconhecido em todo o mundo.

O que fazer em Paris: visitar Torre Eiffel
Vista da Torre Eiffel a partir da Rua da Universidade

A Torre Eiffel é composta por 18.038 peças de ferro, e a sua montagem contou com dois milhões e meio de rebites. Os factos e os números que poderiam ser debitados como curiosidades são intermináveis, mas o mais importante não é palpável. Por algum motivo, é impossível não ficar enamorado desta torre, visível a partir de múltiplos recantos da cidade de Paris.

Entre eles, destaco a Rue de l’Université, local a partir de onde tem uma das vistas mais bonitas sobre a torre. Para fotografar a Torre Eiffel com melhor luz vá muito cedo ou ao final da tarde (dependendo da sua preferência estética) — se for muito cedo tem a vantagem adicional de encontrar a rua sem os chamados influencers.

Dica Alma de Viajante. É fundamental comprar ingresso para subir à Torre Eiffel com antecedência, e eu sugiro que o faça no site oficial. Pode também comprar na GetYourGuide, com a vantagem de poder recuperar metade do valor caso os planos mudem e tenha de cancelar a visita, mas infelizmente os preços são mais elevados.

Edifício Lavirotte

Edifício Lavirotte, em Paris
Pormenor da fachada Art Nouveau do Edifício Lavirotte, em Paris

Quem visitar Paris aproveita sempre para ir à Torre Eiffel, pelo que, se gosta de arquitetura — e especial de Art Nouveau —, pode fazer um pequeno desvio para conhecer o Edifício Lavirotte, a dois passos da torre.

Situado na Avenue Rapp, no 7.º arrondissement de Paris, foi desenhado no início do século XX por Jules Lavirotte, afirmando-se como um dos mais exuberantes exemplos de Art Nouveau na cidade. Ora, sendo eu um apaixonado pelas obras de Gaudí em Barcelona, não pude deixar de sentir algumas semelhanças estilísticas entre o edifício e a fachada da Casa Battló. Ambos parecem edifícios vivos, mais próximos da escultura do que da arquitetura convencional.

Place Vendôme

Place Vendôme Paris
Place Vendôme, Paris

A Praça Vendôme é um dos espaços mais elegantes e luxuosos de Paris, situada a norte do Jardim das Tulherias, entre a Ópera Garnier e a Igreja da Madeleine. Foi mandada construir por Luís XIV e tinha inicialmente ao centro uma estátua equestre do rei, que acabou destruída durante a Revolução Francesa.

No seu lugar ergue-se hoje a Coluna Vendôme, mandada construir por Napoleão Bonaparte em 1810 para celebrar a vitória em Austerlitz, ao que consta inspirada na coluna de Trajano em Roma e fundida com o bronze de canhões capturados.

Ora, se o objetivo inicial da praça era exaltar o poder do rei, hoje em dia é o local onde se exalta o luxo e a sofisticação. A praça está rodeada por elegantes hôtels particuliers, joalharias de prestígio e hotéis icónicos como o Ritz Paris. As grandes marcas de joalharia do mundo transformaram a Place Vendôme e a adjacente Rue de la Paix numa sucessão ininterrupta de montras repletas de diamantes, rubis e esmeraldas. Luxos à parte, apreciar a beleza desta praça ortogonal não exige soldo. A visitar durante o seu roteiro em Paris, portanto.

Apreciar os carrosséis parisienses

Paris o que ver: carrosséis
Os carrosséis são uma das coisas mais parisienses que pode ver na cidade

Estão um pouco por toda a cidade e fazem parte do imaginário da Cidade do Amor e da Cidade Luz. Há-os de vários estilos e dimensões, mas todos parecem carregar uma espécie de magia parisiense, a poesia da Paris de outrora. Um deles é o carrossel do Jardim das Tulherias que, na minha opinião, é um dos mais bonitos de Paris. Tem a particularidade de rodar um pouco mais rápido do que os outros carrosséis da cidade, de ser muito luminoso à noite e de ser musical. Encanta miúdos e graúdos.

Outras coisas a visitar em Paris

Como é natural, não tive tempo para visitar tudo o que há para ver ou fazer em Paris, pelo que sugiro agora, de forma breve, algumas atrações ou atividades adicionais.

  • Cinema Le Grand Rex. Um cinema com história, que oferece visitas guiadas aos domingos (e, por vezes, às quartas-feiras).
  • Tarde de relax no Jardim do Luxemburgo, um parque público de grandes proporções entre o bairro Latino e Montparnasse.
  • Catacumbas de Paris. Estavam fechadas quando visitei Paris, razão pela qual não incluí neste roteiro detalhado com o que fazer em Paris. Pode comprar ingresso com antecedência na GetYourGuide.
  • Visitar a Fundação Louis Vuitton, um dos mais recentes marcos de arquitetura contemporânea parisiense.
  • Conhecer o Instituto do Mundo Árabe de Paris.
  • Para os aficionados de futebol ou se vai visitar Paris com crianças, sugiro também um tour no Stade de France (comprar ingressos online) ou no Parque dos Príncipes, do PSG – Paris Saint-Germain (reservar tour).

Passeios a fazer a partir de Paris

Palácio de Versalhes

Visitar Palácio de Versalhes
Vista do Palácio de Versalhes, arredores de Paris

O Palácio de Versalhes nasceu no século XVII como um simples pavilhão de caça, mas foi transformado por Luís XIV numa grandiosa sede de poder. Fascinado pelo local, o rei expandiu o pequeno castelo herdado do pai e fez dele uma obra monumental, rodeada por jardins, parque e dependências que hoje formam um complexo com mais de 800 hectares. A partir de 1682, Versalhes tornou-se a residência oficial da corte e do governo, concentrando a elite política e social em torno do monarca.

Sala dos Espelhos, Palácio de Versalhes
Sala dos Espelhos, Palácio de Versalhes

Foi em 1837, pela mão do então rei Luís Filipe I, que o palácio residencial se transformou num museu “dedicado às glórias de França”. Com mais de 60.000 obras, o acervo reflete essa ambição de preservar e narrar a história nacional.

Organizado de forma cronológica, o museu oferece uma leitura da história francesa desde a Idade Média até ao final do século XIX, reunindo sobretudo pinturas e esculturas — entre obras originais, cópias, encomendas e aquisições — que retratam figuras e acontecimentos marcantes do país.

Tenha em atenção que visitar Versalhes requer bastante tempo, especialmente se pretender também conhecer os seus gigantescos jardins.

Comprar ingressos para o Palácio de Versalhes

Para mais informações e dicas práticas sobre como chegar, veja o guia sobre visitar o Palácio de Versalhes. E uma dica extra: não marque as visitas ao Museu do Louvre e ao Palácio de Versalhes para o mesmo dia, porque são duas visitas muito cansativas.

Disneyland Paris

Castelo da Bela Adormecida na Disneyland Paris
Castelo da Bela Adormecida na Disneyland Paris © Heather Cowper, Bristol, UK – CC BY 2.0

Visitar a Disneyland Paris é um dos passeios mais populares para quem quer escapar, ainda que por um dia, ao ritmo acelerado da capital francesa e mergulhar num universo de fantasia cuidadosamente encenado. A pouco mais de meia hora de comboio do centro de Paris, o complexo reúne montanhas-russas, espetáculos de música, desfiles de personagens do universo Disney e cenários inspirados nos filmes que marcaram gerações, num ambiente pensado para impressionar tanto crianças como adultos.

Para muitos viajantes, especialmente famílias, acaba por ser um dos pontos altos de uma estadia em Paris. Mas isso requer algum planeamento. Isto porque as filas podem ser longas, os parques extensos e a oferta de atrações suficientemente grande para justificar um roteiro minimamente definido antes da visita.

Por tudo isto, se tiver mais do que 4 ou 5 dias para visitar Paris e quiser conhecer a Disneyland, recomendo vivamente que pernoite pelo menos uma noite junto ao recinto. Até porque há muita oferta de bons hotéis perto da Disneyland Paris (mas infelizmente não são baratos).

Roteiro para visitar Paris em 3, 4 ou 5 dias

Paris o que visitar: muro do amor
O chamado Muro do Amor, em Paris

Paris é uma cidade que precisa de tempo para ser explorada e talvez não cheguem 5 ou 7 dias para conhecer os principais pontos de interesse com alguma calma. Mas, como é natural, pouca gente consegue dispor desse tempo, pelo que vou tentar compilar a minha semana em Paris num roteiro de 3 dias, 4 dias ou 5 dias.

É, digamos assim, uma espécie de best of da capital francesa, sendo certo que é apenas uma entre infinitas possibilidades de roteiro. Aliás, nem gosto muito de sugerir este passo-a-passo porque acho que cada um deve montar o seu roteiro in loco, em função da vontade de cada dia. Mas, como é sempre preciso reservar alguns museus, vamos a isso.

Dia 1 — Roteiro para visitar Paris: Torre Eiffel, Rio Sena e Museu d’Orsay

Sei bem que a Torre Eifeel está no topo da lista da muitos visjantes, pelo que não vale a pena protelar. O primeiro dia do roteiro em Paris é um belo dia para fotografar e visitar a Torre Eiffel, fazer um cruzeiro no Sena, e visitar o Museu d’Orsay (melhor museu de Paris?), passear nas margens do rio e terminar o dia no boémio Quartier Latin ou a relaxar nos Jardins do Luxemburgo.

Dia 2 — Roteiro para visitar Paris: Mercados, Notre-Dame, Marais e trilho urbano

E que tal começar o dia visitando a Catedral de Notre-Dame de Paris e a Sainte-Chapelle? Depois, vai adorar almoçar no Marché couvert des Enfants Rouges, flanar pelo bairro Le Marais e, tendo energia, visitar o Museu Picasso. Caso congtrário, relaxe e relaxar na Place des Vosgues. Não muito longe da Praça da Bastilha começa um dos percursos pedestres urbanos mais bonitos de Paris, chamado Promenade Plantée, que para mim é das melhores coisas que pode fazer em Paris.

Dia 3 — Roteiro para visitar Paris: do Louvre ao Arco do Triunfo

Dia intenso para conhecer um dos maiores museus do mundo e não só. Se ainda não conhece, pode começar por atravessar a Ponte das Artes, mas o objetivo principal é visitar o Museu do Louvre. Quando sair, explore o Jardim das Tulherias e, tendo interesse, entre no Musée de l’Orangerie, já bem perto da Praça da Concórdia. Pode também ir direto ao Grand Palais e Petit Palais, duas atrações de PAris que recomendo vivamente, e conhecer a Ponte Alexandre III. Para o final do dia, duas das mais emblemáticas atrações de Paris: a Avenida dos Campos Elísios e o Arco do Triunfo.

Dito isto, é natural que não consiga ver tudo o que escrevi acima porque seria demasiado cansativo. Escolha os museus que prefere ou simplesmente esqueça os Campos Elísios e o Arco do Triunfo. São, para os meus gostos, coisas dispensáveis num roteiro para visitar Paris com menos de uma semana.

Dia 4 — Roteiro para visitar Paris: Do Centre Pompidou a Montmartre

Neste dia, a ideia é partir da região de Beaubourg, visitar a Opéra de Paris e terminar o roteiro em Montmartre, um dos bairros mais belos e românticos de Paris.

Pode ver o Centre Pompidou por foira (está encerrado para renovação), apreciar a Fonte Stravinsky, conhecer a Passagem do Grand Cerf e a Galeria Vivienne, visitar a incrível Ópera de Paris, apreciar a cúpula Art Nova das Galerias Lafayette. Depois, mudar o rumo do seu roteiro para visitar Paris e passear pelo Bairro de Montmartre e os artistas na Place du Tertre, não sem antes visitar a Basílica do Sacré-Coeur e subir à sua cúpula.

Dia 5 — Roteiro para visitar Paris: Palácio de Versalhes

O roteiro em Paris hoje leva-o para fora da cidade, com o objetivo de visitar o Palácio de Versalhes. Uma vez de regresso à cidade, atente na sua lista com o que fazer em Paris e decida como aproveitar o último dia. Pode rumar aos canais de Canal St. Martin, visitar o Museu Rodin ou o Palais de Tokyo (Museu de Arte Contemporânea), por exemplo — não faltarão opções.

Se estiver em Paris entre sábado e segunda-feira, não deixe de visitar o Mercado Les Puces de Saint-Ouen. Pode ser uma atividade bem interessante para recuperar da visita aa Versalhes. Eu adoro!

Dica Alma de Viajante. Ajuste a ordem dos dias em função do Paris Museum Pass. Por exemplo, se comprar o passe de 4 dias, não deixe o Palácio de Versalhes para o quinto dia do roteiro em Paris (a não ser que o passe ainda esteja válido no dia 5 de manhã).

Paris: mapa dos principais pontos turísticos a visitar

Se procura o que visitar em Paris, é sempre útil visualizar a localização exata dos lugares referenciados no artigo. Como seria de esperar, não falta o que ver e fazer em Paris para preencher um roteiro de 3, 4 ou 5 dias na capital francesa. Ou mais!

Aliás, se possível faça um roteiro de 7 dias em Paris, porque há mesmo muito o que ver e fazer na cidade — e é um destino para flanar e desfrutar. Eu não conheço ninguém que se tenha cansado de PAris!

Paris Museum Pass: vale a pena?

Tenho um artigo dedicado ao Paris Museum Pass (brevemente) mas, em resumo, não será exagero afirmar que o Paris Museum Pass é um dos mais completos passe de atrações culturais de toda a Europa.

Isto porque o passe garante tem acesso grátis a mais de 50 museus e monumentos de Paris, incluindo boa parte dos locais obrigatórios em qualquer roteiro em Paris. São disso exemplo o Museu do Louvre, Museu d’Orsay, Arco do Triunfo, Museu Picasso, Museu Rodin, Saint-Chapelle e até o Palácio de Versalhes — entre muitos outros.

Para alem do conforto de ter um passe que permite entrada em muitas atrações de Paris (atenção que algumas é preciso reservar dia e hora), a questão é saber se financeiramente o Paris Museum Pass compensa ou não? Eu acredito que sim, mas não há uma resposta uniforme a essa questão. Em média, o passe paga-se com duas visitas por dia, mas faça as contas — passes de maior duração tendem a compensar mais.

Ao calcular a duração do passe a comprar, tenha em atenção que o Paris Museum Pass funciona num esquema de horas corridas e, por isso, não expira à meia noite. Ou seja, se comprar o passe de 4 dias / 96 horas e visitar a primeira atração numa segunda-feira às 16:00, o passe é válido até às 16:00 de sexta-feira.

Comprar Paris Museum Pass

Dicas para visitar Paris

Qual a melhor época para visitar Paris?

Visitar Paris na Primavera
Primavera em Paris

A melhor época para visitar Paris depende do tipo de experiência que se procura mas, de forma geral, eu diria que a primavera (abril a junho) e o início do outono (setembro e outubro) oferecem o melhor equilíbrio entre clima, ambiente e número de turistas.

Na primavera, a cidade ganha vida com os jardins floridos, esplanadas cheias e dias progressivamente mais longos, sendo por isso ideal para passear sem pressa junto ao Rio Sena ou explorar os bairros históricos a pé. Já no início do outono, as temperaturas continuam amenas, há menos multidões do que no pico do verão e a luz dourada dá um charme especial às ruas e monumentos parisienses. Em concreto:

  • Primavera (abril a junho) — provavelmente a melhor escolha para uma primeira viagem a Paris. Temperaturas agradáveis, jardins bonitos e ambiente vibrante, embora maio e junho já possam ter bastante procura.
  • Verão (julho e agosto) — dias longos e muita animação, mas também preços mais elevados, filas e maior concentração de turistas. Agosto pode ser um pouco particular, com alguns negócios locais fechados para férias, para além de temperaturas demasiado elevadas.
  • Outono (setembro e outubro) — excelente compromisso entre bom tempo e menos confusão. Ideal para quem privilegia uma experiência urbana mais tranquila e não se importa de arriscar alguma chuva.
  • Inverno (novembro a fevereiro) — mais frio, dias curtos e possibilidade de chuva, mas também hotéis mais acessíveis (excetuando o Natal e fim de ano) e um ambiente ainda mais romântico.

Em suma, se o objetivo for combinar clima agradável e menos multidões, maio e junho mas também setembro e a primeira metade de outubro são, regra geral, os meses mais equilibrados. Mas conte sempre com muitos turistas a visitar Paris.

Como chegar a Paris?

Não faltam companhias aéreas com voos diretos entre Portugal e os vários aeroportos que servem a cidade de Paris. Em concreto, a TAP, a easyJet e a Transavia são algumas das transportadoras a que vale a pena estar atento.

Dito isto, na minha opinião, Paris-Orly (ORY) é o aeroporto mais conveniente, seguido pelo Aeroporto Charles de Gaulle (CDG). Se puder, evite Paris-Beauvais (BVA) — para onde voa principalmente a Ryanair —, uma vez que fica a quase 90km da cidade.

Pesquisar voos para Paris

Como ir dos aeroportos até ao centro de Paris?

Do Aeroporto Paris-Orly (ORY)

Chegar do aeroporto de Paris-Orly até ao centro de Paris é hoje um processo bastante simples, sobretudo graças à extensão da linha 14 do metro, que se tornou uma das formas mais rápidas e práticas de entrar na cidade. A ligação é direta, eficiente e evita muitos dos inconvenientes do trânsito parisiense, permitindo chegar ao centro em cerca de 25-35 minutos, dependendo do destino final.

Para a maioria dos viajantes — e descontando o táxi, que pode fazer sentido se viajar em grupo ou família — o metro é a opção mais rápida e confortável. Basta seguir a sinalização no aeroporto até à estação, comprar um bilhete adequado e prosseguir viagem. Ou, melhor ainda, utilize o passe Navigo previamente comprado (ver abaixo em “Como se deslocar em Paris”), que inclui o trajeto entre o aeroporto de Paris-Orly e o centro de Paris.

Outra opção muito utilizada era o autocarro expresso Orlybus. Mas, desde março de 2025 que, porventura devido ao sucesso da linha 14 do metro, a operação do OrlyBus foi suspensa.

Do Aeroporto Charles de Gaulle (CGD)

Descontando o táxi, que pode ser útil caso aterre depois da meia-noite ou viaje num grupo de 4 ou 5 pessoas, a melhor forma de ir do Aeroporto Charles de Gaulle até ao centro de Paris é de comboio RER, linha B. Até porque a viagem está incluída no passe Navigo semanal (ver abaixo em “Como se deslocar em Paris”).

Os comboios RER são comboios suburbanos que funcionam como uma extensão do sistema de metro de Paris. Para o apanhar, siga as placas indicativas “RER” até à estação principal situada no Terminal 3 do aeroporto. Na estação, pode comprar o bilhete nas máquinas automáticas — ou então utilize o seu passe Navigo previamente comprado.

A viagem até ao centro de Paris demora cerca de 40 minutos, dependendo naturalmente da estação onde sair. A esse respeito, de referir que a linha B passa por estações centrais como Paris-Gare du Nord, Châtelet-Les Halles, Saint-Michel-Notre-Dame, Luxembourg, Palais-Royal e Cité Universitaire.

Artigos mais antigos noutros blogues referem o autocarro expresso Roissybus como uma alternativa para ir do Aeroporto Charles de Gaulle até ao centro de Paris. Infelizmente, o Roissybus deixou de operar em março de 2026.

Do Aeroporto Paris-Beauvais (BVA)

A forma mais prática de chegar do aeroporto de Paris-Beauvais ao centro de Paris é recorrer à “Navette Beauvais–Paris”, o transporte oficial do aeroporto. Trata-se de um autocarro direto que liga o aeroporto à zona de Porte Maillot em cerca de 1h15, evitando transbordos e complicações desnecessárias. Os bilhetes podem ser comprados no site oficial ou no próprio aeroporto.

Uma vez em Porte Maillot, basta seguir viagem de metro (linha 1) ou comboio regional RER, consoante o destino final na cidade.

Como se deslocar em Paris (transportes públicos)?

Dependendo de quantos dias passar em Paris, pode ser mais vantajoso comprar um passe semanal, passes diários ou bilhetes avulsos. Ou até uma combinação entre eles. Os passes chamam-se Navigo.

No meu caso, depois de muitos dias a visitar Paris cheguei à conclusão que a melhor forma de viajar nos transportes públicos é dispondo de um passe semanal. Não só pelo conforto de não ter de comprar bilhetes avulsos, mas também porque se poupa efetivamente muito dinheiro — até porque a viagem desde o aeroporto Orly até ao centro de Paris está incluído no passe semanal.

O problema é que o passe semanal começa a contar sempre a partir das 0:00 horas de segunda-feira (e não a partir do momento de ativação), pelo que pode não ser a melhor opção caso chegue à sexta ou sábado, por exemplo. Assim, dependendo do dia de chegada, pode fazer mais sentido comprar o passe semanal, vários passes diários (que não incluem o aeroporto), ou passes diários até domingo e um passe semanal para os dias que passar em Paris a partir de segunda-feira.

Onde comprar os passes de transportes?

APP Bonjour Rapt logo

A forma mais prática e barata de comprar e armazenar os passes diários e semanais para os transportes públicos em Paris é diretamente no smartphone. Pode fazê-lo através das apps Bonjour RATP (em francês ou inglês) ou IDF Mobilités (em português), mas a Bonjour RATP é muito melhor!

Se escolher o passe semanal (Navigo Weekly Pass) ou mensal será obrigado a criar uma conta na app, processo durante o qual lhe será pedido uma fotografia sua e um número de telefone europeu.

Dica para os leitores do Brasil. Para ter um número de telefone europeu talvez valha a pena considerar comprar um eSIM da Holafly.

Onde ficar em Paris

Antes de mais, recomendo a leitura do artigo sobre onde ficar em Paris, onde elenco os melhores arrondissements para montar a sua base. E, claro, sugiro alguns dos melhores hotéis de Paris em termos de custo / benefício — tendo em consideração que a hotelaria em Paris não é barata.

Se quiser poupar tempo na leitura, saiba que o Les Tournelles, de 3 estrelas, é o meu hotel preferido em Paris. Tem localização imbatível junto à Place des Vosges. Pode reservar à confiança mas, para ver outros hotéis em Paris, espreite o link abaixo. Há milhares de opções hoteleiras na capital francesa!

Procurar hotéis em Paris

Seguro de viagem

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Filipe Morato Gomes

Filipe Morato Gomes

Autor do blog de viagens Alma de Viajante e fundador da ABVP - Associação de Bloggers de Viagem Portugueses, já deu duas voltas ao mundo - uma das quais em família -, fez centenas de viagens independentes e tem, por tudo isso, muita experiência de viagem acumulada. Gosta de pessoas, vinho tinto e açaí.

2 comentários em “Visitar Paris: o que fazer num roteiro de 3, 4 e 5 dias”

  1. Belarmina Vieira

    Muito obrigada Filipe! Depois de muitos anos sem ir a Paris, onde fui jovem e menos jovem, ao ler o teu roteiro foi como se lá estivesse outra vez! A andar sem destino, sem horários, a descobrir um sempre “pouco” de Paris, mas de alma cheia!
    Abraço

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  2. Inês Miranda

    Como assim, andavas a fugir de Paris? :D

    Responder

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