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Sevilha, tapas e flamenco

TextoFotosHumberto Lopes20/08/2009

Um inventário dos “segredos” de Sevilha, capital da Andaluzia, não caberia, provavelmente, em livro nenhum, e muito menos num apontamento de carácter jornalístico. Mas aqui fica o atrevimento de sugerir algumas pistas para um roteiro de breves prazeres pela cidade do Guadalquivir.

Explorando Sevilha

Quem sabe que idade tem o bairro de Santa Cruz em Sevilha? Posta a questão assim, fica no ar uma falsa pista. Aquela que é uma das zonas mais visitadas da cidade de Sevilha, e considerada como uma das mais “típicas”, não tem raízes em tempos de antanho. A certidão de nascimento não tem sequer um século, aliás.

Sevilha, Espanha

Sevilha, Espanha

O Bairro de Santa Cruz começou a nascer aí por volta de finais dos anos 20, segundo uma ideia do Marquês de Vega Inclán, no espaço onde jazia arruinada a velha judiaria da cidade, nomeadamente na zona delimitada pelos Reais Alcázares e a Calle Mateus Gago. No horizonte estava a Exposição Ibero-Americana de 1929 e o objectivo era construir um modelo exemplar de um povoado andaluz. Um dos aspectos mais conseguidos diz respeito à integração de antigos edifícios monumentais, como a Igreja de Santa Maria la Blanca, antigamente uma sinagoga, ou o Hospital de los Venerables.

Hoje, ainda que a Triana continue a ser uma das zonas de maior autenticidade de Sevilha (três imprescindíveis jornadas: Calle de la Pureza, Calle Betis e o Callejón de la Inquisición, com os seus belos pátios floridos), o bairro de Santa Cruz acabou por se tornar num destino de peregrinação obrigatória não apenas para os turistas, que a cada volta podem sempre descobrir novos e surpreendentes pormenores, como para os próprios habitantes no cumprimento das suas rotinas lúdicas.

A área acolhe alguns dos mais populares bares de tapeo da cidade. Mas há outros locais interessantes noutras zonas da cidade, como as ruelas e praças do bairro de Santa Cruz. Apesar de alguns locais se ataviarem para o olho do turista, ali podemos encontrar verdadeiros santuários onde a arte do tapeo está superiormente representada, como no caso da Casa Román.

Mas alhures, um pouco por toda a parte, multiplicam-se esses pequenos paraísos onde copos de manzanilla ou de vinho branco acompanham o salmorejo, nacos de jamón ou picadillo. As praças de Galviria, Alfalfa e de San Lorenzo, assim como os inúmeros bares da Triana, do outro lado do Guadalquivir, são por alguma razão muito animadas. Alguns endereços mais: El Riconcillo, na Calle Gerona, La Bodeguita, na Plaza del Salvador, Bienmesabe, na Calle Macarena, Los Latinos, na Calle Virgen de la Estrella e La Cañera, na Calle Pureza, nome adequado dada a sua localização no emblemático bairro da Triana.

Do lado de cá, e aos fins-de-semana, é impossível não seguir o rastro do imenso burburinho que rompe da Plaza del Salvador e das ruelas próximas. Podem os bares fechar as portas, a horas que são já desoras, que a festa continua na rua, improvisada em excêntricos piqueniques de copas que duram até ao amanhecer.

Flamenco em Sevilha: onde ouvir, onde aprender

A Triana, bem entendido, continua a deter o mérito de ser o lugar mais referenciado em qualquer geografia do flamenco.

Vista do centro histórico de Sevilha

Vista do centro histórico de Sevilha

E não do canto ou da dança exercitadas para aplauso do turista em comitiva, coisa que em Sevilha é o pão nosso de cada dia. Não. O Bairro da Triana tem história, tem histórias, e pelo menos uma delas pouco nobilitante: o caso é que aí pelos idos de sessenta as autoridades municipais decidiram expulsar da zona as comunidades ciganas, ou que atirou o bairro musical para uma situação agónica.

Mas como a alma se faz imortal também para as coisas lúdicas, o flamenco regressou às ruas da Triana, particularmente a uma área conhecida como Las Tres Mil Viviendas. É nessa espécie de trincheira, onde se resiste aos estragos da modernidade, que “cantaores, bailadores y musicos” mantêm viva a arte do flamenco num dos seus espaços de eleição, a rua. Um pouco desse sintoma de criatividade e de resistência a popular está registado no disco «Las Tres Mil Viviendas, Viejo Patio».

Quem não aprende em casa pode ainda recuperar a voz do sangue numa das mais reputadas academias andaluzas de flamenco, a Fundacão Heeren, localizada no Bairro de Santa Cruz. A instituição é uma universidade do flamenco mais ortodoxo, mais puro, menos tocado pelas práticas de fusão.

A Fundação Heeren disponibiliza informação na Internet sobre a sua actividade.

Plaza de España, Sevilha

Plaza de España, Sevilha

As matérias estudadas não se reduzem às técnicas de canto ou de dança mas incidem igualmente num amplo leque de contextos essenciais para compreender a arte: literatura, antropologia, história, coreografia, interpretação, harmonia, cantos religiosos são, por exemplo, outras disciplinas consideradas essenciais para uma aprendizagem sólida do flamenco.

A monumental Feira de Abril constitui, naturalmente, uma boa oportunidade para escutar o flamenco mais popular da pátria sevilhana, mas porquê esperar pela Primavera? Amanhã mesmo, se para tanto se orientar o desejo do viajante, poderemos cerrar os olhos e com um copo de manzanilla entre as mãos, esquecer o cinzento quotidiano de brandas emoções.

A oferta é ampla e com diferentes colorações, para gostos de variada exigência. Eis os endereços de alguns dos tablaos mais reputados: Los Gallos, na Plaza de Santa Cruz, El Arenal, na Calle Rodo, e El Patio Sevillano, no Paseo Colón.

Isla Mágica de Sevilha, onde decorreu a Expo 92

Isla Mágica de Sevilha, onde decorreu a Expo 92

De outra loiça é o La Carbonería, na Calle Levíes, um bar em que a improvisação divide o seu reinado com o acaso e onde não há estrelas profissionais. Isto é, ao conviva convém paciência e perseverança e, sobretudo, disponibilidade para mergulhar no compassado tempo andaluz.

Talvez de um momento para o outro uma voz e uma guitarra atravessem subitamente os anos-luz de distância que separam o viajante da mais autêntica e esquiva galáxia do flamenco.

Guia de viagens a SEVILHA

Este é um guia prático para viagens a Sevilha, com informações sobre a melhor época para visitar, como chegar, pontos turísticos, os melhores hotéis e sugestões de actividades na cidade.

Sevilha Como chegar

Como chegar a SEVILHA

Caso não pretenda voar para Sevilha, saiba que a capital da Andaluzia fica a pouco mais de 300 quilómetros de Lisboa e a cerca de 600 do Porto. Para quem viaja a partir do litoral centro/sul português, o melhor percurso de automóvel passa pela utilização da A1 e da Via do Infante até Vila Real de Santo António. A partir daí, a A49 leva os viajantes até Sevilha.

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Onde ficar

Onde ficar

Através da Internet é possível fazer reserva em alguns dos melhores hotéis de Sevilha, procedimento absolutamente indispensável em épocas festivas como a Semana Santa, a Feira de Abril ou a Festa de Santiago e Santa Ana. Sugerem-se, entre outros, o Hotel Al-Andalus Palace, de quatro estrelas (Av. de la Palmera, s/n), o Hotel Alcázar, de três estrelas (Calle Menéndez Pelayo 10) e o Hotel Hispalis, também de três estrelas (Av. Andalucía 52).

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Restaurantes

Restaurantes

Entre os restaurantes de Sevilha que tivemos oportunidade de experimentar, destaque para o Joaquín Marquez (Calle Felipe II, 8), o Casablanca (Zaragoza, 50) e o Bodegón Torre del Oro (Santander, 15).

O que visitar

O que visitar em SEVILHA

Algumas sugestões: Catedral e Giralda; Reais Alcázares; bairros de Santa Cruz e da Triana; Torre del Oro; Casa de Pilatos; Museu de Belas Artes; Arquivo Geral das Indias; Praça de Touros da Maestranza; Ruínas de Itálica, nos arredores. A Isla Mágica, um parque de diversões temático, no espaço onde decorreu a Expo 92, é outro atractivo da cidade.

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Internet

Na Internet

Consulte o site oficial do Turismo de Espanha em português, para mais informações e dicas sobre o que fazer em Sevilha.